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Jardim das Delícias


Segunda-feira, 20.02.17

HÁ 100 ANOS, EM VERDUN, A MAIS BRUTAL E CRUEL CARNIFICINA - Alfredo Barroso

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(este texto foi escrito há um ano)

 

   Há exactamente 100 anos, em França, a meio da Grande Guerra de 1914-1918, entre 21 de Fevereiro e 19 de Dezembro de 1916, travou-se uma das mais brutais e sangrentas batalhas da história das guerras (envolvendo 2.400.000 homens), na Região fortificada de Verdun, durante 300 dias e 300 noites, à razão de mil mortos por dia, saldando-se, no final, por mais de 300 mil mortos e desaparecidos (porque a morte em massa e a total pulverização de milhares de corpos fizeram desaparecer no anonimato cerca de 100.00 soldados), e cerca de 400 mil feridos.

Os alemães dispararam em média 100.000 obuses por dia. Nove vilas e aldeias, «mortas pela França», foram definitivamente riscadas do mapa. Das 95 divisões que constituíam o Exército francês, 70 divisões combateram em Verdun.

Quer pela sua longa duração, quer pelos terríveis meios de destruição empregues, quer pelo encarniçamento dos adversários na luta, quer pelo horror dos combates, quer pela gigantesca amplitude das perdas, a batalha de Verdun marca uma viragem histórica na maneira de fazer a guerra, alterando completamente a noção tradicional de batalha como confronto breve e violento, mas decisivo, que se tornou obsoleta.

De realçar, também, a incompetência profissional, a crueldade e a desumanidade de muitos generais, que não hesitavam em mandar escolher à sorte, para serem julgados sumariamente, condenados à morte e fuzilados, a título de exemplo, dois ou três soldados de um pelotão que se recusasse a avançar em campo aberto sob fogo cerrado do inimigo (como é mostrado com toda a crueza no terrível filme «Paths of Glory», de Stanley Kubrick, estreado em 1957, e proibido de ser exibido em França - e em Portugal e Espanha, claro! - durante mais de década e meia)...

...E esta era «a guerra para acabar com todas as guerras»!

Foto a preto & branco: imagem do filme de Stanley Kubrick «Paths of Glory» (de 1957);
Foto a cores: pintura de John Singer Sargent (1865 -1925) intitulada «Gaseados» (1918).

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por Augusta Clara às 17:00

Quarta-feira, 15.02.17

Eduardo Gageiro - Rio Tejo, 1966

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por Augusta Clara às 17:32

Segunda-feira, 06.02.17

Crónica, um tanto extemporânea, que eu dedico à minha amiga Augusta Clara e ao meu amigo José Carlos da "Taberna do Doutor", que fazem anos hoje - Adão Cruz

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(imagem de Adão Cruz)

 

1º - A semana passada, dirigia-me eu à Corunha a fim de almoçar com uns amigos, quando, perto da saída para Ponte de Lima, tive um furo, originado por um maldito parafuso que por ali ficou à espera de outra vítima, segundo me disse o remendador de pneus. Tive a sorte de, naquele preciso momento, passar ali uma carrinha da Brisa, cujo condutor, dada a minha provecta idade, gentilmente se prontificou a mudar o pneu. Claro que, sendo sábado, desisti de continuar a longa viagem, com um pneu raquítico como aqueles que agora se usam como substitutos, embora já tivesse tido a experiência de andar com um pneu desses desde Villefranche de Conflent, sul da França, até Portugal.

Resolvi ir comer um pernil assado na “A Carvalheira”, e, no fim do repasto, dirigi-me a Vigo, onde assentei arraiais no velho, modesto e conhecido Hotel La Junquera, desde os tempos em que ainda não havia a “parte nova”. Como em outras ocasiões, fui à //Afundación, ver o que havia por lá, em termos de exposições. Nesse mesmo local onde o meu grande amigo Pastor Outeiral, uns anos antes de morrer, fez uma das suas últimas exposições. Entre “Da Xeración doente aos Renovadores”, “Pegadas da Abstracción a nova Figuracción”, “Identidade Individual, Vontade Global”, dei com obras de pintores que tiveram muito a ver comigo. Desde já, Tino Grandio que morreu em 1977 com um cancro da bexiga, cuja obra descobri há muitos anos em Pontevedra. Xaime Quesada, que ainda conheci pessoalmente em vida, em Ourense. Caruncho que morreu o ano passado, e com quem, um dia, jantei na Corunha.

Fui jantar ao meu querido café “Luces de Boémia”, onde tenho amigos, e que eu conheço desde os tempos em que ia a Vigo comprar películas para o meu primitivo ecocardiógrafo, o único ecocardiógrafo bidimensional existente no país, nessa altura. Aí me mantive até às primeiras horas da madrugada, ouvindo música ao vivo, dos anos 60-80-90. Depois de uns copos bem bebidos, indutores de um belíssimo sono, lá fui para o hotel “la Junquera”.

Levantei-me a meio da manhã e percorri calmamente, dentro da neblina e de uma chuva miudinha, todo aquele rabinho de costa entre Vigo e a Guarda (La Guardia), que por mais conhecido que seja nunca cansa. Almocei no “Muralhas de caminha”, do meu velho amigo Tiago, e rumei ao Porto.

2º À noite jantei num tasco. Na mesa frente à minha sentou-se uma moça nova, engraçada, mulher dos seus trinta e tais, com um homem bastante mais velho, com ar de sem-abrigo. Entre ambos abundavam os sorrisos e gestos de uma felicidade fora do comum. Eram, na verdade, pai e filha, segundo me segredaram. Ela, empregada muito precária, ele, com efeito, sem-abrigo.  Ali vinham por vezes jantar. Desta vez uma suculenta picanha intercalada de sorrisos, salivações e lacrimosos olhares de felicidade. Dei comigo a entranhar bem dentro das entranhas o que é a vida e o que ela tem de absurdo, de relativo, de descarnado, de verdadeiro e de falso. Comparei, sem esforço, esta cena de plena felicidade, com as trombas (ainda que giras) transmitidas momentos antes, da execrável exploradora da miséria angolana, Isabel dos Santos, ao ver-se aprisionada durante meia hora num autocarro junto ao aeroporto de Lisboa.

                                                                                                       Adão Cruz

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por Augusta Clara às 16:20

Sexta-feira, 27.01.17

O polimento da tragédia Obama - José Goulão

 

 

   Recordemos palavras de Barack Obama no seu último discurso sobre o Estado da União: «A América é a nação mais forte da Terra. As nossas despesas militares são superiores às despesas conjuntas das oito nações que nos seguem. As nossas tropas formam a melhor força combatente da história do mundo».

 
Poderia chamar-lhe o discurso do imperador, mas não façamos disso um cavalo de batalha quando há tanta gente empenhada em descobrir um Obama que não existiu, como forma de esconjurar os legítimos receios com a entrada na Casa Branca de um sujeito como Trump.

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Obama não é melhor presidente do que alguma vez foi porque Donald Trump escancarou as portas da mansão presidencial como as de um saloon, semeou dourados pela decoração e pôs as botifarras em cima da mesa oval para assinar a sentença de morte do «Obamacare» e ditar que, para ele, o comércio livre é outra coisa.

Poucos dias antes de pronunciar as citadas palavras imperiais, o então ainda presidente Obama anunciara que o mais recente pacote de despesas militares inclui novos poderes para as 17 agências federais de espionagem, de modo a «contrariar a desinformação e propaganda», alegadamente fomentadas por outras potências; desse esforço, 17 mil milhões de dólares são dedicados à cibersegurança, isto é, à espionagem informática universal – as lendas sobre o papel da Rússia na eleição de Trump serviram assim de pretexto mais actual, como fato feito por medida.

Expansão militar universal, mentira e propaganda foram, portanto, as derradeiras mensagens deixadas pelo presidente Obama, o que torna ainda mais surpreendente o escândalo de tantas boas almas mainstream com a capacidade de Trump para entrar em funções logo a mentir descaradamente. Não descobriram ainda que a mentira é um comportamento inerente ao cargo de presidente dos Estados Unidos da América (e de outros, claro)? Um mentiroso pode ser mais ou menos boçal, mas não deixa de mentir.

«É relevante notar que enquanto tratava assim, e mal, da saúde dos seus compatriotas, Barack Obama e a sua administração tornavam-se responsáveis por massacres massivos de seres humanos em todo o mundo, que não andarão muito longe de um milhão de vítimas.»

Por isso, antes de nos dedicarmos a Donald Trump – infelizmente razões não faltarão nos tempos que aí vêm – passemos uma sintética vista de olhos sobre o testamento político de Obama, esse sui generis Nobel da Paz, quanto mais não seja como antídoto perante a campanha de mistificação e de polimento dos seus catastróficos mandatos.

É sintomático que venha imediatamente à superfície uma única realização quando pretendem passar-se em revista as supostas preocupações «sociais» da gestão Obama/Hillary Clinton/John Kerry: «Obamacare». Além de não ser, no final, nada daquilo que esteve para ser no início, a suposta reforma do sistema de saúde em benefício dos mais desfavorecidos foi, essencialmente, um bónus para as companhias seguradoras e para o totalitário sistema privado de saúde à custa dos contribuintes – incluindo os mais desfavorecidos – e dos cofres públicos federais.

É relevante notar que enquanto tratava assim, e mal, da saúde dos seus compatriotas, Barack Obama e a sua administração tornavam-se responsáveis por massacres massivos de seres humanos em todo o mundo, que não andarão muito longe de um milhão de vítimas.

Às guerras do Afeganistão e do Iraque – com que não acabou, antes alimentou – somam-se a destruição terrorista da Líbia, a catástrofe humanitária gerada na Síria, a tragédia no Iémen, os golpes e contragolpes no Egipto, as fraudes da suposta guerra contra o terrorismo, incluindo comprovados patrocínios da actividade de grupos de mercenários como a al-Qaida e o Daesh, a realização do golpe fascista na Ucrânia e da sequente guerra civil, o estabelecimento do recorde de execuções extra judiciais através de drones e outros métodos de liquidação.

Sem esquecer o constante apoio à transformação de Israel num Estado confessional e fascista que tornou de facto impraticável a tão falada «solução de dois Estados» na Palestina; ou a manutenção da vergonha torcionária de Guantánamo, enquanto dava passos em direcção a um aparente fim do bloqueio a Cuba – que, afinal, se mantém inquebrável.

A tão recente e celebrada abstenção norte-americana permitindo ao Conselho de Segurança da ONU aprovar uma moção condenando o colonialismo israelita não passa de uma manobra cínica e hipócrita. Se Obama tivesse tomado a mesma atitude há oito anos, talvez ainda houvesse margem de pressão internacional susceptível de forçar o fascismo sionista a corrigir o rumo. Mas Barack Obama, quando teve poder real, alinhou sempre, em última análise, no jogo anexionista de Israel; agora, conhecendo o que vai ser a prática de Trump nessa matéria, o gesto é inconsequente, apenas destinado a entrar na História sem fazer História.

Sob a gestão de Barack Obama, o número de países onde as forças especiais dos Estados Unidos fazem guerra passou de 75 para 135. Há meia dúzia de dias, tanques de última geração, mísseis de cruzeiro de longo alcance preparados para transportar ogivas nucleares e uns milhares de soldados norte-americanos foram instalados em nova base militar na Polónia.

A produção e o tráfico de heroína atingiram novos máximos nos últimos anos, graças às condições extremamente favoráveis criadas no Afeganistão e no Kosovo, territórios onde se vive sob a bandeira tutelar da NATO.

E o insuspeito The New York Times revelou que grupos como a al-Qaida e o Daesh foram financiados em milhares de milhões de dólares pelas petroditaduras do Golfo, fortunas essas canalizadas através de uma rede internacional gerida pela CIA.

Expansão, mentira e terror são pilares de qualquer doutrina económica e financeira fascista; pilares esses em que a administração Obama se apoiou sem reservas. Por isso, é injusto acusar Donald Trump de a eles recorrer como se fossem coisas inerentes a um tipo de gestão pessoal e exclusivo.

Democrata ou republicano, neoliberal ou ultranacionalista, deixemos os rótulos de lado. À primeira vista estamos perante duas abordagens diferentes da gestão presidencial, mas não apostemos em qualquer engano do establishment. Obama e Trump: cada um chegou em seu tempo e em determinadas circunstâncias para defender os mesmos interesses.

Podemos estar, porém, perante a explosão de grandes contradições associáveis a um capitalismo mergulhado numa crise a que nem sequer tem valido a fé inabalável no autocontrolo do mercado e na teoria dos ciclos sucessivos. O neoliberalismo puro e duro, assente na globalização, terá atingido os seus limites? Serão necessárias outras receitas, velhas ou renovadas?

Temos pela frente a procura de respostas e a definição de acções perante um novo cenário – mas que não sejam inconsequentes ou folclóricas. Para trás ficou Obama, no cumprimento da sua missão, tão hipócrita como sinistra e sangrenta, na «defesa da democracia». Não será a truculência de Trump – óbvia mas de consequências imprevisíveis – que fará do antecessor um presidente menos péssimo e nefasto do que foi.

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por Augusta Clara às 15:15

Sexta-feira, 27.01.17

Donald Trump e o Partido Republicano - Carlos Esperança

  

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   O Partido Republicano, fundado por abolicionistas, partido cujo primeiro presidente foi Abraham Lincoln, dificilmente se reconheceria no trajeto iniciado há trinta anos, sob a influência da Direita Religiosa, radicalizado pela chegada do Tea Party e bem-sucedido com o extremista Donald Trump, com o apoio não repudiado da Ku Klux Klan. Aliás, Trump faz a síntese da pior herança das últimas três décadas e acrescenta o exuberante apoio ao sionismo judaico.

Trump não é um risco, que as promessas feitas na campanha presidencial prenunciavam, é uma ameaça trágica pela obstinação em cumpri-las.

Racista, misógino e exibicionista, falta-lhe preparação, sensatez e equilíbrio para dirigir o mais poderoso país. Com a sua vitória eleitoral tornou-se o homem mais perigoso do mundo. Com maioria republicana no Congresso (Câmara dos Deputados + Senado) e no Supremo Tribunal (Suprema Corte), cujos juízes são nomeados pelo PR e confirmados pelo Senado), Trump é o mais poderoso dos Presidentes dos EUA e do Mundo.

Ao fazer da China, o seu maior credor, o inimigo principal, da Palestina um quintal de Israel e do Mundo um espaço de negócios, Trump pode fazer com que a crise de 2008 pareça um incidente perante a previsível catástrofe.
O direito internacional, como sucede com os aprendizes de ditador, é apenas um ligeiro obstáculo à vontade de um narcisista sem ética, cultura e formação política, indiferente ao aquecimento global, ao drama dos refugiados, à pobreza e à saúde dos desvalidos.

Os 8 homens mais ricos do mundo, 6 americanos, 1 espanhol e 1 mexicano, detêm mais riqueza do que a metade mais pobre da Humanidade. Com Trump, tendem a reduzir-se.

Por trás de Trump há uma redefinição geoestratégica. A sua retórica podem ser a cortina de fumo para a real política externa dos falcões que o apoiam e de interesses sectoriais americanos, mas as circunstâncias e o homem não podem ser ignorados.

A União Europeia, avessa à integração económica, social e política, conseguiu tornar-se anã no xadrez mundial, apesar de ter maior PIB e mais população do que os EUA. Está abandonada à desintegração e redefinição de fronteiras.

O ar que se respira lembra o dos ventos que sopraram antes da II Guerra Mundial.

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por Augusta Clara às 08:00

Quarta-feira, 11.01.17

A Falácia da República Portuguesa dos Sovietes - Augusta Clara

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Augusta Clara  A Falácia da República Portuguesa dos Sovietes 

 

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   Para terminar a conversa porque amanhã já estamos "noutra", convoquemos à cena aquela indómita fantasia que por aí fez caminho no chamado "Verão quente" de 1975. Fantasia, sim, só para quem dela se convenceu porque quem a congeminou sabia bem ao que vinha. Tinha ela como argumento a existência do perigo da instalação aqui no país duma república soviética do tipo da existente na então URSS.
Ora, partindo da improvável hipótese de que um cérebro de caracol - lembrem-se que Álvaro Cunhal era um homem de grande inteligência e, como ele, outro(a)s dirigentes político(a)s da esquerda da altura - conseguia pôr em prática esse projecto, a tal República Soviética do Portugal dos Pequeninos ficaria obrigada a passar a fazer a grande maioria das suas trocas comerciais com a URSS lá na outra ponta da Europa porque, pela certa, sofreria o maior boicote económico de todos os tempos por parte dos países da Europa Ocidental e Central bem como dos EUA.
A esquerda queria mais poder? Queria, sem dúvida, porque já era mais do que evidente a guerra que os sectores donos do dinheiro faziam a uma política que pretendia estender os benefícios e garantir uma vida digna a toda a população. Coisa que não lhes agradava porque, evidentemente, iriam perder privilégios. Porque se nacionalizaram os bancos? Porque os capitais começaram a fugir do país. Que pena não terem ficado nacionalizados, não andaríamos agora a pagar do nosso bolso os monumentais roubos do banqueiros ladrões.
Foi esse medo, a perda das vidas faustosas, custassem o que sempre tinham custado a tantos e tantos portugueses durante os 48 anos de fascismo salazarista que levou ao golpe da direita reaccionária em 25 de Novembro de 1975 e não uma guerra civil que ninguém tinha em mente nem temia. Esse era apenas um capítulo da fantasia propagada. Medo esse que já se tinha manifestado nos atentados do ELP e do MDLP tutelados pelo general Spínola. Lembram-se dos incêndios das sedes do PCP e da morte do padre Max e da jovem que o acompanhava?
E pronto, assim viemos parar ao que nos aconteceu nos últimos anos e que o Governo de António Costa, com o acordo que fez com os partidos de esquerda, tem tentado emendar.

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por Augusta Clara às 19:50

Sábado, 07.01.17

EM PORTUGAL OS ÁRBITROS DE FUTEBOL VALEM MAIS DO QUE AS MULHERES - Augusta Clara

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Augusta Clara  EM PORTUGAL OS ÁRBITROS DE FUTEBOL VALEM MAIS DO QUE AS MULHERES 

 

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   Num país onde a ameaça a um árbitro de futebol desencadeia de imediato uma protecção reforçada das forças de segurança a todos os outros e suas famílias enquanto que as queixas de mulheres por violência doméstica levam tanto tempo e tanta burocracia a serem apreciadas que os casos de morte já fazem história, NÃO HÁ MACHISMO?

E o silêncio que sobre isto se faz por parte de um e do outro sexo chama-se como?

É forçoso que hoje deixe aqui um elogio à acção da Polícia Judiciária que ontem, em Grândola, salvou da morte uma mulher.

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por Augusta Clara às 18:15

Sexta-feira, 06.01.17

Dia de Reis - Eva Cruz

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Eva Cruz  Dia de Reis

 

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(Monica Mora e Robin Ryan) 

 

Nasci a 6 de Janeiro.
Minha mãe dizia-me:
— Es rainha. Mas o mais importante é seres rainha nas virtudes.
Não fazia a mínima ideia do que seriam virtudes, e ainda hoje não sou capaz de medir o alcance das suas palavras.
O Dia de Reis era um dia especial.
Começava logo pela véspera, a primeira consoada do ano. Já noite dentro, lá vinha a toada dos Reis, as Janeiras, tocadas e cantadas por músicos da banda que nas festas se exibiam no coreto.
Muito distante no tempo, recordo apenas o som vivo do clarinete que cortava o silêncio sagrado da noite.
Um quarteto de homens vestidos de preto surgia na faixa de luz quando a porta se abria, ofuscados pelo reflexo metálico dos instrumentos.
O Dia de Reis era Dia Santo e as férias do Natal duravam até lá.
Sempre se festejaram os meus anos com amiguinhos da escola, cacau ou banacau, pão com manteiga e doce sortido.
Na mesa havia camélias brancas, as flores preferidas da minha mãe.
Brincadeira até à noitinha, a saltar à corda, jogar à cabra-cega, à patela, à roda ou a correr pelos campos.
As escondidas, lá íamos mirar o poço velho, de onde se tirava água com um sarilho. Era um dos maiores perigos do lugar.
O poço não tinha vedação e nós espreitávamos à volta. Lá em baixo, as nossas cabecitas reflectiam-se nas águas paradas, e no ventre da fantasia e do mistério, via sobre a minha cabeça uma coroa de rainha. Um poço de virtudes, soubesse eu o que eram virtudes!
Fui também rainha dos campos, com coroas de pampilos amarelos tecidas pela inocência da infância. Rainha dos montes com grinaldas de perfume das giestas e eucaliptos. Rainha do rio, com coroas de juncos ou bailando nas cheias que cobriam os lameiros, arrastando tudo em séquito majestoso.
Quando colhi as últimas camélias para a minha mãe, no Dia de Reis, tinha ela cem anos. Com a frescura e a brancura de Janeiro, poisei-lhe um ramo, ao de leve, no regaço.
— São as suas flores predilectas.
— São lindas.
— Faz hoje anos que teve uma menina, estavam a tocar as três para a missa. Lembra-se?
O seu rosto vestiu-se de uma expressão serena, perdida no tempo.
— Talvez.
— Teve uma rainha, não foi?
Revelou alguma surpresa, no ingénuo sorriso da candura da idade.
— Estou agora a sabê-lo!
Todos os Dias de Reis me apetece colher camélias brancas, mas as que mais gostaria de colher ficaram para sempre no seu regaço.
 

(in Cenas do Paraíso, ediçõesengenho)

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por Augusta Clara às 18:00

Sábado, 31.12.16

Um Feliz Ano Novo para todos que não requeira muito esforço a atravessar

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(Adão Cruz)

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por Augusta Clara às 16:20

Sexta-feira, 23.12.16

A verdade (Ou a vinda de Francisco a Fátima) - Adão Cruz

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Adão Cruz  A verdade (Ou a vinda de Francisco a Fátima)

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   Qualquer um de nós que mantenha respeito por si próprio manifesta uma saudável vontade e necessidade de tentar aproximar-se o mais possível da verdade, esteja ela onde estiver. Só a verdade vos tornará livres, disse Cristo.

A mentira é a ofensa mais directa contra a verdade, diz a Igreja Católica, a despeito das fundamentais e colossais mentiras em que assenta.

É frequente ouvirmos comentários a dizer para deixarmos a Igreja em paz, e, se não lhe pertencemos, em nada temos que a criticar. Quem assim fala, obviamente que não reflecte, nem evidencia honestidade de pensamento.

A Igreja é um fenómeno social, um dos fenómenos sociais mais entranhados e mais influentes da nossa sociedade. Se é bom ou mau, pertence a cada de nós sabê-lo, e é obrigação de cada um sabê-lo. O que é certo é que todos nós, crentes, agnósticos, ateus, pessoas de outras religiões, temos o direito, o dever e a obrigação de nos debruçarmos, da forma como entendermos, sobre um fenómeno que nos afecta tão profundamente e que tão dramaticamente interfere nas nossas vidas.

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Todas as nossas vidas, desde o nascimento, estão, com efeito, profundamente influenciadas pelo cristianismo católico. Toda a nossa história, os nossos próprios nomes, os actos sociais, as festas, os nomes das instituições de saúde e educação, e não só os nomes mas toda a cultura que nelas se difunde, a visão do mundo e da ciência, a visão política, económica e financeira, nacional e internacional, as intervenções em todos os quadrantes, nomeadamente as intervenções bélicas estão embebidos pelo que de santo ou diabólico existe na religião e na Igreja.

Tudo o que atrás referi tem como finalidade chamar a atenção para o que nem tudo o que luz é ouro. Chamar a atenção para a necessidade de não nos deixarmos guiar apenas pelos costumes, pelas tradições e por tudo o que nos impingem. Chamar a atenção para a imperiosa necessidade de pensar e de ler, leituras sérias, fundadas e documentadas, que consigam pôr-nos a pensar pela nossa cabeça e não pela cabeça da igreja e dos poderes de que ela dispõe. Lembremo-nos que nada há de mais sagrado do que a nossa razão e a nossa mente. Passarmos por cima delas é o pior de todos os suicídios.

A sorte que actualmente temos de poder dispor, a nível mundial, de uma profusa literatura honesta e credível não pode ser desprezada.

“Mentiras Fundamentais da Igreja Católica”, por exemplo, de Pepe Rodriguez, é um fantástico livro, a não perder por quem sente, como disse atrás, a necessidade da verdade como metabolito essencial da sua existência.

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Pepe Rodriguez é licenciado em ciências da informação, é um destacado jornalista de investigação, um especialista em seitas e religiões comparadas. O livro é de uma seriedade, honestidade e transparência que não deixam dúvidas a qualquer leitor bem intencionado. Pressente-se que o trabalho de investigação que lhe deu origem foi extremamente sério e ciclópico. Basta o astronómico número de referências bibliográficas, e o apoio e colaboração de destacadas figuras da cultura como Victoria Camps, catedrática de ética, Enrique Magdalene conhecido teólogo católico, Maria Martinez Vendrell, psicóloga e Joaquin Navarro Esteban, magistrado da Audiência Provincial de Madrid.

Mas há muitos mais livros francamente aconselháveis, repito, a quem não pode viver acomodado com a pulhice e a mentira, livros que, por certo, mudarão a mentalidade de quem os ler com vontade e intuito de procurar a verdade, dentro do respeito que cada um nutre por si mesmo.

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Refiro apenas alguns do que tenho lido ultimamente:

- “Em nome de Deus” de David Yallop. Sobre o assassinato de João Paulo I pelo Vaticano, sobre o trabalho sujo da Igreja, nomeadamente os escândalos financeiros e a cobertura na fuga secreta dos grandes criminosos nazis bem como a sua colocação em esconderijos na América Latina.

- “A Desilusão de Deus” de Richard Dawkins. Sobre o problema Deus.

- “A Santa Aliança” de Eric Frattini. Sobre toda a ligação criminosa do Vaticano à mafia, loja maçónica, terrorismo de extrema-direita, apoios às mais ferozes ditaduras, e sobre os inimagináveis crimes e fraudes político-económico-financeiros.

- “ A vida sexual do clero” de Pepe Rodriguez. Mal aceite pela Igreja, como é óbvio, mas que ela não conseguiu impedir de chegar às mãos de imensos católicos. O próprio bispo Januário Torgal Ferreira considerou-o não ofensivo nem agressivo, e diz que, ao lê-lo, se tem a sensação de abrir os olhos.

- “Los Papas e el Sexo” de Eric Frattini. Sobre as “castíssimas virtudes” de tudo quanto é perversão papal, desde que o papado existe.

- “O Labirinto de Água” de Eric Frattini. Sobre o Evangelho de Judas Escariote.

- “O Espectáculo da Vida” de Richard Dawkins. Sobre a Evolução. O mais fantástico documento anti-criacionista que já li.

- “El Catolicismo Explicado a las Ovejas” de Juan Eslava Galán.

- “Los Péssimos Exemplos de Dios” de Pepe Rodriguez.

- “deus não é Grande” de Christopher Hitchens. Como a religião envenena tudo.

- “Opus Dei” de Bénédicte e Patrice Des Mazery.

- “CIA, Jóias de Família”, de Eric Frattini.

- “Segredos do Vaticano” de John Follain. Sobre o assassinato do coronel Alois Estermann, da Guarda Suíça, e sua esposa, a venezuelana Meza Romero, perpetrado pelo cabo Cédric Tornay, que se suicidou, e que o Vaticano abafou de forma altamente suspeita.

-“La puta de Babilonia” de Fernando Vallejo.

- “O Empório do Vaticano” de Nino Lo Bello. Sobre tudo o que o título sugere.

- “O Holocausto do Vaticano” de Avro Manhattan. Este livro, especialmente temido e banido pelo Vaticano é algo de tenebroso, recheado de exemplos chocantes do terrorismo contemporâneo do Vaticano, com documentos e fotos dos campos de concentração católicos na Jugoslávia e não só, de execuções de centenas de milhar de não-católicos, e de inacreditáveis atrocidades e execuções em massa, com enterramento de famílias inteiras vivas e conversões forçadas.

- “Vaticano S.A.” de Gianluigi Nuzzi, um documento histórico e exclusivo que revela a mão do Vaticano nos bastidores dos jogos políticos e financeiros.

- “Sua Santidade” de Gianluigi Nuzzi”, as cartas secretas de Bento XVI. Como o Vaticano Vendeu a alma.

-“Conspiração no Vaticano”, de G.L. Barone. Terrorismo, Alta finança, Santo Sudário, Vaticano e Guarda Suíça.

- “Os abutres do Vaticano”, de Eric Frattini, o livro que previu a renúncia de um Papa.

- “Avareza”, de Emiliano Fittipaldi, os documentos que expõem a riqueza, os escândalos e os segredos da Igreja do Papa francisco. Um livro que abalou o Vaticano e levou o autor a tribunal.

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- “Via Crucis”, de Gianluiggi Nuzzi. Francisco, um papa em perigo no seio do Vaticano.

Longe de mim a pretensão de ensinar alguma coisa a alguém, sobretudo em matéria desta ordem. Longe de mim a intenção de procurar distorcer o pensamento de quem quer que seja. Reconheço a minha ignorância em muita e muita coisa, apesar de ter uma grande avidez de conhecimento e saber. Sou suficientemente humilde para reconhecer a fragilidade humana, mas sou suficientemente racional para saber que a verdade, esteja onde estiver, não é esta que para aí impingem de forma dogmática, e que a mentira é demasiado poderosa para a tudo se sobrepor, quando por trás dela existe a indigna exploração da ignorância, escancarada “ad nauseam” em todo este triste folclore a que assistimos, e os inconfessáveis e misteriosos interesses do poder estabelecido. O Vaticano é um regime teocrático arcaico e empedernido, que visa a defesa a todo o custo da sua “religião”, a despudorada propaganda, e a extensão e expansão dos inadmissíveis e obscenos privilégios materiais e temporais de uma religião, cuja essência e verdade pouco ou nada lhe interessa.

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por Augusta Clara às 19:46



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