Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Jardim das Delícias


Sexta-feira, 16.02.18

Adão Cruz, 2018

ao cair da tarde 5b.jpg

 

Adão Cruz

 

IMG_5843a.jpg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 15:11

Sábado, 10.02.18

O meu gesto das coisas simples - Adão Cruz

ao cair da tarde 5b.jpg

 

Adão Cruz  O meu gesto das coisas simples

image004a.jpg

 

(Adão Cruz)

 

Fui à caixa dos gestos e baralhei-os todos, cheio de raiva por não encontrar o meu gesto das coisas simples.

Há muitos anos que o perdi e nunca mais consegui encontrá-lo.

Esperemos mais um par de noites, pois os sonhos, às vezes, trazem-nos aquilo que julgamos perdido para sempre.

Os sonhos adormecem, muitas vezes, no regaço da realidade, e outras vezes a realidade esconde-se no meio dos sonhos.

Onde estará o meu gesto das coisas simples?

Ora bem, talvez o gesto das coisas simples ande por aí perdido nalgum sonho.

 

Foi numa noite de tempestade.

Um refulgente relâmpago estralejou lá fora e faíscas de luz incendiaram as frinchas da janela.

Um ribombante trovão abanou o quarto e o sonho foi-se.

Os sonhos não gostam de tempestades nem do abuso das realidades.

Acendi a luz e vi no tapete o meu gesto das coisas simples.

Peguei-lhe com toda a ternura e pareceu-me que ele queria aninhar-se entre os meus dedos.

Confesso, dei-lhe um beijinho.

 

Fui ao monte das recordações.

O meu gesto das coisas simples espremeu uma lágrima quando lhe mostrei as coisas esquecidas, abandonadas, desde os tempos em que nós os dois éramos apenas simples.

O entrosamento das palavras e das imagens das coisas simples teciam uma espécie de fábula que deliciava a nossa inocência.

Às curvas do tempo não é fácil reter as coisas simples, e, como o amor, as coisas simples vão perdendo os seus lugares nas curvas do tempo.

O meu gesto das coisas simples parecia tremer de desânimo e fadiga, confundindo ingénuos impulsos com efemérides de granito e rumores de árvores dos dias felizes.

O meu gesto das coisas simples estava com medo.

Mas a nossa grande afeição há-de ser a aliança renascida entre a poesia e o gesto das coisas simples.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 17:30

Segunda-feira, 05.02.18

Adão Cruz, 2018

ao cair da tarde 5b.jpg

 

Adão Cruz

 

IMG_5834a.jpg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 16:03

Segunda-feira, 05.02.18

Adão Cruz, 2018

a noite fez-se para amar 1a.jpg

 

Adão Cruz

 

IMG_5838a.jpg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 02:24

Domingo, 04.02.18

Pablo Picasso, Portrait de Françoise au long cou, 1846

a noite fez-se para amar 1a.jpg

 

Pablo Picasso

 

portrait de françoise au long cou, 1946a.jpg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 02:03

Sexta-feira, 02.02.18

Jean-Michel Basquiat, 1982

ao cair da tarde 5b.jpg

 

Jean-Michel Basquiat

 

jean-michel basquiat (1960-1988), intitled, 1981a.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 14:00

Quinta-feira, 01.02.18

Adão Cruz, 2018

ao cair da tarde 5b.jpg

 

Adão Cruz

 

IMG_5833a.jpg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 16:29

Segunda-feira, 29.01.18

Adão Cruz, 2018

a noite fez-se para amar 1a.jpg

 

Adão Cruz

 

IMG_5831a.jpg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 19:00

Domingo, 28.01.18

Monte das oliveiras - Adão Cruz

ao cair da tarde 5b.jpg

 

Adão Cruz  Monte das oliveiras

image003a.jpg

 

(Adão Cruz)

 

Não sei o que entra em mim no cálido fim desta tarde alentejana, não sei ao certo o que me diz o silêncio aberto destes campos sem fim, nem sei se procuro o lugar seguro para abrir o pensamento.

Há qualquer coisa para lá do horizonte entre a angústia e a Esperança, estranha esperança de futuro no silêncio aberto destes campos sem fim, qualquer coisa que arde no cair da tarde entre a magia da vida e a dor contida no monte das oliveiras.

Para lá do horizonte, no fim de La Codozera, não havia ninguém à minha espera no cálido fim desta tarde alentejana.

Nesta tarde alentejana, feita de silêncio aberto e de campos sem fim, parei o carro na berma da estrada que vinha do nada de onde parti à procura da cidade com todas as ruas que há dentro de mim.

Há anos que não me adormecia um sono tão profundo nem o sol trigueiro me dourava a figura, num quase azul, pintando de ternura esse sonho perdido no fim do mundo.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 14:00

Sábado, 27.01.18

Empresas de celulose, os grandes vampiros do país - Augusta Clara de Matos

o balanço das folhas3a.jpg

 

Augusta Clara de Matos  Empresas de celulose, os grandes vampiros do país

 

envenenamento do tejo.jpg

(fotografia de Paulo Cunha/Lusa)

 

   Na actual fase de desenvolvimento da ciência e da tecnologia, das várias tecnologias, as grandes empresas podem e deviam investir uma parte substancial dos lucros em investigação e equipamento de forma a que os detritos e efluentes resultantes da sua produção, como neste caso os que estão a envenenar o rio Tejo, fossem tratados em instalações suas criadas para o efeito sem deixarem todo esse trabalho para as ETARs. Mas não querem. Preferem distribuir os lucros anuais aos seus accionistas e gestores mesmo que o aumento da riqueza pessoal dessa frota resulte nas maiores tragédias a que temos assistido: os incêndios grandemente potenciados pela cultura desenfreada de eucaliptos e o envenenamento dos rios como está a acontecer neste momento com o Tejo pelo despejo dos efluentes atribuído pela população local à CELTEC, uma das grandes empresas de celulose deste país.

O Governo propõe medidas atenuantes da catástrofe exigindo a redução da laboração e das descargas de uma das empresas, a CELTEJO, enquanto se fala também numa tal medida de Valores Limite de Emissão de efluentes que flutua ao sabor de quem está no poder.

E nós, este povo de brandos costumes vai-se conformando ao “antes assim que pior” sem perceber que este não é só um problema de regime mas um problema de sistema, o capitalista a que, agora, se dá o nome de Mercado. A Democracia pouco tem ligado ao ambiente, esta democracia capitalista que tem um olho no burro e outro no cigano, até já vai aos fóruns dos mais ricos do planeta não se percebe defender o quê. O Ambiente só como fantasia que não é coisa que interesse aos ricos defender. O aumento das suas monumentais fortunas – um pequeno grupo de pessoas possui 80% da riqueza mundial – alimenta-se da destruição dos bens naturais: os rios, as florestas em conjunto com o desaparecimento de grande parte da fauna e da flora que neles tem o seu habitat.

Portanto, quando me dizem que o Governo teve coragem de … eu pergunto: coragem de fazer quê? Reduzir a laboração a metade, segundo a óptica das empresas, só irá prejudicar os trabalhadores, vamos ver se não vai, e não resolve de modo nenhum a despoluição do rio.

É que, de facto, isto não é um problema deste Governo nem tão pouco dos anteriores. Nem só do nosso país. É uma ratoeira em que caímos todos os que defendemos a Democracia. Defendemos, e continuamos a defender, um regime que, ao contrário dos estados totalitários, nos garanta a igualdade de direitos e dignidade de vida para todos, a liberdade de expressão e opinião e de todos os outros direitos fundamentais dos seres humanos. Mas sem a manutenção da vida saudável desta Terra que habitamos nada disso vale a pena porque se está a contribuir para a sua destruição, embora eu acredite que mais para a nossa, a da espécie humana. A Natureza, sem nós, regenerar-se-á.

Os rios são para os peixes e para os seus restantes habitantes animais e vegetais. E também para os humanos gozarem das suas águas, em trabalho ou em lazer. Mas não para os bandidos da finança lhes escarrarem e evacuarem as feses do seu dinheiro a mais.

Nas histórias costumam combater-se os vampiros mostrando-lhes uma cruz. Os bentinhos que vão à missa talvez pudessem dar uma ajudinha na limpeza do Tejo.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 19:45



Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Comentários recentes


Links

Artes, Letras e Ciências

Culinária

Editoras

Jornais e Revistas

Política e Sociedade

Revistas e suplementos literários e científicos