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Jardim das Delícias


Terça-feira, 23.08.16

Adão Cruz, "Minha mãe terra", 2016

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Adão Cruz  Minha mãe terra

 

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(Adão Cruz)

 

Agora sei que minha mãe terra é esta terra de barro e planície, este chão de sol vermelho e pedras de silêncio sem história.

Sei agora que minha mãe terra dorme nas tímidas cores do horizonte, no interminável mundo de paletas impossíveis.

Agora sei que minha mãe terra é o irrevogável rosto do passado entre braços vazios e vozes que não se ouvem.

Sei agora que minha mãe terra vive no eco das palavras ditas ao longo de ruas sem qualquer sentido.

Agora sei que minha mãe terra é o fim desta terra interminável das palavras que ninguém ouve e das cores que ninguém vê.

Sei agora que minha mãe terra não é o calor do caminho da manhã, mas o frio das horas magoadas nos dias que nascem sem nome.

Agora sei que minha mãe terra é o lugar entre o sonho e a miragem recriado no tormento deste barro moldado sem memória.

Sei agora que minha mãe terra é segunda infância sem futuro, esta inocência singular de uma pintura sempre inacabada.

Agora sei que minha mãe terra é o amor perdido no granito falsamente incendiado pelo fulgor do sol poente.

Sei agora que minha mãe terra é o chão desta planície muda, adormecida nos frágeis sonhos da madrugada.

Agora sei que minha mãe terra é a saudade de tudo o que era… e não é nada.

 

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por Augusta Clara às 16:00

Sexta-feira, 19.08.16

Concierto de Aranjuez - Paco de Lucia

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Paco de Lucia  Concierto de Aranjuez

 

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por Augusta Clara às 20:00

Sexta-feira, 12.08.16

Suzanne - Judy Collins, Leonard Cohen

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Judy Collins  Suzanne

 

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por Augusta Clara às 20:00

Domingo, 07.08.16

Paul Cézanne, "Afternoon in Naples"

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por Augusta Clara às 01:07

Sábado, 06.08.16

Foi em 6 de Agosto de 1945 que os EUA lançaram uma bomba atómica sobre Hirosima

 

PARA QUE O MUNDO NÃO ESQUEÇA

 

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por Augusta Clara às 18:45

Sábado, 06.08.16

Líbia, uma obra-prima da NATO - José Goulão

Este Daesh líbio que agora o Pentágono combate é o mesmo de que a NATO se serviu para silenciar Khaddafi

Este Daesh líbio que agora o Pentágono combate é o mesmo de que a NATO se serviu para silenciar Khaddafi

Foto de Ilustração de Amjad Rasm

 

 

AbrilAbril, 4 de Agosto de 2016

 

   Quem desejar conhecer os exemplos dos resultados mais relevantes da cruzada democratizadora que a NATO desenvolve um pouco por todo o mundo poderá estudar a democracia afegã – e não ficará mal servido. Eleições falsificadas para manter os políticos convenientes nos cargos públicos, uma guerra interminável e cada vez mais privatizada, para gáudio das multinacionais de segurança, mercenários e armamentos, e, acima de tudo, o paraíso monopolista da indústria mundial de heroína, fazendo empalidecer a Colômbia como Meca da coca e derivados, transformando os barões mexicanos da droga em pouco mais que merceeiros.

Ou poderia analisar os case studies da Polónia e da Ucrânia – e outros com inegáveis afinidades; a Polónia sob ocupação militar da própria NATO, tal é a parafernália guerreira ali instalada; a Ucrânia transformada em campo de formação de grupos de assalto nazis e de bandos de mercenários islâmicos treinados por oficiais norte-americanos «na reserva», com o pretexto de que a ameaça putinista não abranda enquanto o mundo não se transformar numa gigantesca Crimeia; e ambos os países demonstrando como a democracia moderna, a favorita da Aliança Atlântica, convive com o fascismo tal e qual Deus e os anjos.

Tratando-se todos eles de casos meritórios, permitam-me, contudo, que escolha a Líbia de hoje como obra-prima da NATO. É que nunca qualquer ideólogo, por mais retorcido e criativo que fosse ou seja, conseguiu imaginar algo tão democrático.

Na Líbia, ao que consta, aviões militares norte-americanos, isto é, da NATO, travam a guerra final contra o Daesh, ou pelo menos para retirar a estes mercenários ambulantes o controlo do Golfo e da costa de Sirte, por acaso – por mero acaso – o maior centro da indústria petrolífera líbia. Na Líbia, pelo menos agora, o Pentágono pode dar largas à sua tão propagandeada batalha «contra o Daesh» sem estar obrigado a conter-se, como acontece por exemplo na Síria. Aqui, tal ofensiva não pode ser plena para não se transformar em «fogo amigo» e vitimar os terroristas «moderados» que lutam ao lado do Daesh e da al-Qaida, ou para não prejudicar o objectivo prioritário de aniquilar o governo da Síria, ou ainda para não aborrecer Israel, que «não quer a derrota do Isis na Síria», segundo o seu chefe da espionagem militar. Este Daesh líbio que agora o Pentágono combate é o mesmo de que a NATO se serviu para silenciar Khaddafi – como os dirigentes de Paris tanto queriam – e no qual a CIA e correlativos recrutaram os chefes para infiltrar o terrorismo islâmico na Síria, por exemplo Abelhakim Belhadj, identificado pela Interpol como «chefe do Estado Islâmico no Magrebe».

Na Líbia, o país maior produtor de terroristas islâmicos per capita, confrontam-se hoje vários governos, numerosas milícias e hordas de mercenários, dezenas de senhores da guerra e respectivos exércitos tribais. Isto é, poucas democracias serão tão ricas, multifacetadas e plurais como a que a NATO criou na Líbia.

Há o governo do Congresso Geral Nacional (CGN) em Trípoli, assente numa coligação islamita «de salvação nacional» que não aceitou os resultados gerais das eleições de 2014, por um lado porque as perdeu; por outro lado, invocando uma razão óbvia: alguém no seu juízo perfeito pode ter como referência eleições feitas numa situação caótica e de terror como a líbia?

«Enfim, cinco anos e mais de duas centenas de milhares de mortos depois, a Líbia tem um "governo unificador" com mandato da ONU em Trípoli (...).»

A coligação islamita assenta na Irmandade Muçulmana, com apoio mais ou menos tácito do Ansar al-Sharia (heterónimo líbio da al-Qaida) e sustentada internacionalmente por reconhecidas democracias como o Qatar, o Sudão, a Turquia de Erdogan e, na sombra, a Arábia Saudita. Esta coligação tem como inimigos jurados o Egipto dos generais e os Emirados Árabes Unidos, que de vez em quando a bombardeiam por motivos também inspirados na transparente democracia que ambos os Estados praticam – de tal modo que os Emirados se transformaram num farol para alguns dirigentes europeus, como o actual primeiro-ministro italiano Matteo Renzi.

O CGN de Trípoli, no entanto, parece já não estar apenas por conta própria e dos países que o apoiam. Testemunhou recentemente o seu apoio ao Governo do Acordo Nacional, uma descoberta da ONU que simula um entendimento entre muitas facções para a formação de um «governo unido» em Trípoli. Neste momento, portanto, a diplomacia da ONU e o «islamismo» moderado flirtando com a al-Qaida e apoiado pelo democrata Erdogan fingem que existe uma rota de unificação na Líbia que todos percorrem.

Porém, na Cirenaica, em Tobruk, existe o governo do «Conselho dos Deputados». Junta forças vitoriosas das eleições de 2014, usufrui, em princípio, do reconhecimento internacional e beneficia dos apoios do Egipto, dos Emirados Árabes Unidos e dos serviços secretos de grandes potências da NATO como a França, o Reino Unido e os Estados Unidos. A morte de três espiões franceses na Líbia, em 17 de Julho, escancarou o tipo de envolvimento da espionagem internacional no apoio a esta facção. Como se percebe, nem todas as aventuras dos expeditos agentes secretos acabam em glória como as do James Bond.

A par do «Conselho de Deputados» em Tobruk existe uma espécie de exército regular líbio, também reconhecido internacionalmente, comandado pelo general Khalifa Haftar, um antigo dissidente da estrutura dirigente de Khaddafi. Nesse cenário emerge agora a figura de Saif Islami, o filho sobrevivente de Khaddafi, recentemente libertado da prisão e que vai mobilizando mais apoios políticos do que seria de supor.

Enfim, cinco anos e mais de duas centenas de milhares de mortos depois, a Líbia tem um «governo unificador» com mandato da ONU em Trípoli, ao qual se associou a coligação islamita «moderada», discretamente apoiada pela al-Qaida, Qatar, Arábia Saudita e por um membro da NATO como a Turquia; caças norte-americanos, logo da NATO, usam o espaço aéreo do país como coisa sua para combaterem um grupo terrorista que vão poupando noutros lados, por exemplo na Síria; entretanto, o governo reconhecido internacionalmente, que não é o da ONU, continua instalado em Tobruk com o apoio exposto do Egipto e dos Emirados Árabes Unidos e encoberto dos serviços secretos das principais potências da NATO – Estados Unidos, França e Reino Unido. A alegada legitimidade eleitoral e o apoio da ONU estão em campos opostos enquanto os membros da NATO distribuem o seu apoio por várias facções, incluindo a do filho do dirigente que derrubaram e silenciaram.

A democracia da NATO brilha na Líbia em todo o seu esplendor.

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por Augusta Clara às 08:00

Terça-feira, 02.08.16

No dia do aniversário do Zeca

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Zeca Afonso  Fui à beira do mar

 

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por Augusta Clara às 20:00

Segunda-feira, 01.08.16

La Bohème - Charles Aznavour

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Charles Aznavour  La Bohème

 

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por Augusta Clara às 20:00

Segunda-feira, 01.08.16

"O calendário não mente ..." - Ethel Feldman

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Ethel Feldman  "O calendário não mente ..."

 

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(Zao Wou-Ki) 

 

   O calendário não mente, acho eu que esse nunca mente. Os dias definidos como data de nascimento são celebrados ainda que sem corpo presente. Assim sempre foi, diz-se.

Como me canso, rareio. Faz um ano e tanto, e eu tola narro as novidades de meses sem descanso. O mundo? Porque raio quererás tu saber deste presépio, se em boa hora disseste:

- Basta, que estou farto!

Há mais atentados, sabias? E notícias que se repetem à exaustão. Telemóveis aos milhares sempre prontos para a ação. Sem cortes, são os chamados instantâneos da realidade. Uns explodem-se para detonarem em estranhos. É a pouca vergonha deste tempo, que em boa hora disseste:

- Estou farto, basta!

A praia, essa continua quase igual. As árvores também - a floresta que vias da minha sala de jantar. Pelo menos parece ser assim. Meus olhos não conseguem dar conta de uma mudança tão subtil. Um verde que se enamora do amarelo, a raiz que desponta da terra, o xixi dos cães de toda a vizinhança que não sei se queima ou aduba o que nasce sem a mão do homem.

Talvez o clima, com certeza o clima altera-se de dia para dia. Mas quem liga a isso?

Outras notícias? São tão iguais. Aquela miúda foi despedida, apesar de estar a trabalhar há já 5 anos a recibos verdes. O valor da indemnização? Vê-se bem, que já cá não moras há imenso tempo. Um adeus e passe bem. É assim o trabalho hoje em dia. Um enorme favor do patronato.

Mas tu adivinhaste o cenário, ou não terias em boa hora dito:

- Basta, que estou farto!

Do outro lado, por onde vivemos ambos, o rebolado é o mesmo e o povo continua penando. Por lá o gerúndio canta a vida como ela é.

O amor? Há cupidos em todas as estações do ano, anjinhos desnudos sedentos de alvos. Deus deve estar velho, ensinou-os a enviar setas para o céu, onde ninguém que é vivo mora.

Ainda que farto, não podias ter esperado mais um pouco?

Talvez me ajudasses a entender porque há homens nas ruas à caça de bonecos virtuais. É este o hospício de que falavas?

Ok, estavas farto. Eu também.

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por Augusta Clara às 14:00

Segunda-feira, 01.08.16

Israel sofre as dores do DAESH - José Goulão

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José Goulão  Israel sofre as dores do DAESH

 

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Mundo Cão, 31 de Julho de 2016

   O general Herzi Halevy, chefe dos serviços de espionagem militar do Estado de Israel, declarou recentemente, numa conferência em Herzlia, que “não queremos a derrota do Daesh (ou Isis, ou Estado Islâmico) na Síria”. Os seus “actuais insucessos colocam Israel numa posição difícil”, lamentou, de acordo com uma transcrição publicada no jornal Maariv, conotado com a direita política sionista.

A última coisa de que o general Halevy pode ser acusado é de usar uma linguagem hermética, hipócrita, ao contrário de tantos dirigentes políticos mundiais, de Hollande a Obama, de Mogherini a Hillary Clinton, do secretário-geral da NATO aos autocratas da União Europeia. Ele é directo, fala com clareza, respeitando, aliás, a prática do seu primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, que se deixa fotografar em hospitais israelitas visitando terroristas da Frente al-Nusra (al-Qaida) feridos durante a agressão à Síria soberana.

“Está fora de questão” que o Daesh “venha a ser derrotado na Síria”, prosseguiu o general Herzi Halevy, embora sem explicar o que tencionam fazer Israel e os seus aliados para evitar que os terroristas, ao que se diz combatidos pela “coligação internacional” onde se juntam os principais parceiros políticos e militares do exército israelita, sejam sacrificados pelas instituições sírias. Também não devemos esperar que um militar com tão secretas funções seja um boquirroto.

As declarações do chefe da espionagem militar israelita apenas devem ser consideradas intrigantes num aspecto: de que modo podem ser conjugadas com a propaganda norte-americana – e a europeia, por arrastamento – à luz da “aliança indestrutível” entre Israel e os Estados Unidos, na verdade dois países geminados nos termos dos famosos postulados de Henry Kissinger? O general Halevy foi factual, mas a sua franqueza confirma ao mundo que o envolvimento dos Estados Unidos e dos seus aliados da NATO na guerra contra o Daesh, pelo menos na Síria, não passa de um conto da carochinha para tentar amainar a revolta da opinião pública perante os atentados terroristas, principalmente na Europa.

Nas últimas semanas, a imprensa norte-americana, designadamente o New York Times, tem vindo a explicar que o pretenso combate apoiado militarmente pelos Estados Unidos contra o Daesh sofre de duas condicionantes de vulto: por um lado, tem de levar em consideração que os terroristas “moderados” sustentados pelo Pentágono e a NATO combatem quase sempre sob o comando operacional ou do Daesh ou da al-Qaida, pelo que, nestas circunstâncias, a “coligação internacional” não pode actuar em pleno, mesmo que queira, o que também ninguém garante; em segundo lugar, a mesma “coligação” abstém-se de agir contra o seus alegados inimigos sempre que estes estejam em posições que lhes permitam contribuir para a derrota do governo sírio, objectivo que parece ser a prioridade comum. De Washington, das principais capitais europeias e dos meios financeiros e mafiosos que manipulam a constelação mercenária do terrorismo dito islâmico.

Chegados a este ponto, as coisas fazem todas sentido e não existe qualquer contradição entre as declarações do superespião israelita e a prática dos principais aliados de Israel. Halevy diz o que todos pensam e executam, embora só ele possa expressar-se sem papas na língua. Israel não tem necessidade alguma de apregoar o seu empenho no combate ao terrorismo, uma vez que a sua intimidade com a conspiração e a prática terrorista é histórica, faz parte da essência do próprio Estado.

Já os Estados Unidos, tal como a França, o Reino Unido e outros aliados estão oficialmente do lado do combate ao terrorismo – originalmente a “guerra contra o terrorismo” de George W. Bush – e, por isso, sentem necessidade de, a cada passo, disfarçarem as suas evidentes cumplicidades com o Daesh e afins, tentando não ser vergonhosamente manchados com o sangue dos seus concidadãos vítimas do terrorismo. O êxito é limitado, mas o terrorismo mediático vai conseguindo esconder a verdade de grandes sectores da opinião pública.

No entanto, o que verdadeiramente conta para todos, em primeiro lugar e neste momento, é derrubar o governo legítimo e soberano da Síria, fazendo esse grande favor a Israel mesmo que isso signifique entregar o todo ou parte do território sírio ao Daesh, al-Qaida e parentes. Uma tal estratégia faz gato-sapato da ONU, do direito internacional e dos direitos humanos, mas quem os leva ainda a sério?

O general Halevy falou por todos: “A derrota do Isis na Síria está fora de causa”. Ou seja, destruir a Síria soberana é o objectivo último dos terroristas e dos que dizem combatê-los

Está dito e ficamos informados. Melhor do que nunca.

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por Augusta Clara às 08:00



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