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Jardim das Delícias



Sexta-feira, 29.03.13

Nocturno Nº. 6 de Chopin, por Claudio Arrau

 

Claudio Arrau  Nocturno Nº. 6 de Chopin

 

 

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por Augusta Clara às 21:00

Sexta-feira, 29.03.13

As palavras - Eugénio de Andrade

 
Eugénio de Andrade  As palavras
  

 

(Luís Dourdil - Galeria Zeller)



São como cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?.

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por Augusta Clara às 17:00

Sexta-feira, 29.03.13

Eduardo Galeano na Feira do Livro de Buenos Aires em 21 de Abril de 2012 (parte 4 de 4)

 

Eduardo Galeano em Buenos Aires - Parte IV

 

 

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por Augusta Clara às 15:00

Sexta-feira, 29.03.13

"Vá tratar das suas panelas!" - Júlio Machado Vaz

 

Júlio Machado Vaz  "Vá tratar das suas panelas!"

 

 

 

 

   Bernard Lacombe, conselheiro do presidente Jean-Michel Aulas, reagiu mal a uma crítica de uma ouvinte dirigida a Karim Benzema, antigo avançado do clube francês.

Há dias infelizes. E tiradas também. Desta feita, foi Bernard Lacombe (à esquerda na imagem), antigo internacional francês e conselheiro do presidente do O...lympique de Lyonnais, Jean-Michel Aulas, a fazer uma afirmação bastante polémica, pelo cariz sexista, aos microfones da estação de rádio RMC.

Ora, a ouvinte do programa no qual Lacombe participava teceu críticas a Karim Benzema, antigo avançado do clube e atualmente ao serviço do Real Madrid de José Mourinho, algo que o convidado não terá gostado de ouvir. A resposta foi imediata mas, porventura, muito mal calculada. "Não falo de futebol com mulheres, é a minha visão. Vá tratar das suas panelas", atirou o antigo avançado e também antigo treinador.

A declaração de Lacombe está a ser muito mal recebida pela crítica francesa e mesmo no seio do emblema do qual faz parte há relatos de algum desconforto pela posição assumida pelo dirigente. Recorde-se ainda que o Lyon é campeão europeu de futebol feminino.
DN.
 
P.S.: Depois venham-me com a história da carochinha - "vivemos em igualdade, o duplo-padrão acabou". Pois sim. Há mais de dois mil anos, os discípulos ficaram chocados por Jesus ter reconsiderado e dado razão a uma mulher cananeia. Mudámos menos do que o politicamente correcto nos tenta fazer crer.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Quinta-feira, 28.03.13

Nocturno Nº. 5 de Chopin, por Claudio Arrau

 

Claudio Arrau  Nocturno Nº. 5 de Chopin

 

 

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por Augusta Clara às 21:00

Quinta-feira, 28.03.13

Eduardo Galeano na Feira do Livro de Buenos Aires em 21 de Abril de 2012 (parte 3 de 4)

 

Eduardo Galeano em Buenos Aires - Parte III

 

 

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por Augusta Clara às 17:00

Quinta-feira, 28.03.13

*A minha visita a um sem abrigo - Carlos Gamito

 

Carlos Gamito  *A minha visita a um sem abrigo

 

 

(Adão Cruz)

 

 

 

   Protagonizar a nossa actuação no imenso palco da vida, é uma tarefa que muitos desempenham fervorosamente ao longo do faustoso percurso que a própria vida lhes reservou, tendo, por isso, já hoje saudades do amanhã, no entanto, uma significativa percentagem dos que nasceram sem o ter pedido, são, desde o berço, se acaso o tiveram, o quadro fiel emoldurado pela discriminação social, pela fome, pela ausência de razões para viver e pela forte presença da vontade de morrer.

Naquela noite gélida e violentamente fustigada pela chuva, agasalhei-me e fui visitar um dos muitos desagasalhados que povoam Lisboa, tendo por habitação caixas de papelão simetricamente colocadas na calçada fria e húmida sobranceira a alguns imponentes edifícios da cidade.

O homem, António de seu nome, olhar cavado e um rosto profundamente ósseo, languidamente moveu a cabeça.

Uma cabeça ogival, onde uma cabeleira salpicada de alguns cabelos pretos brilhava de oleosidade que eu adivinhei fedorenta.

Estava deitado.

Pernas semi-dobradas, ali estava ele, inerte e indiferente ao mundo.

Só o brilho oleoso do cabelo fazia perceber que ali estava gente.

Aquele amontoado de cartões, latas cobertas de ferrugem e muitas peças de roupa onde a cor predominante era o cinzento rato, disfarçavam que ali dormia o António.

A minha aproximação deixou-o indiferente.

O seu lânguido mover de cabeça só aconteceu quando pela quarta vez repeti: boa noite amigo, não quero incomodá-lo, mas gostava de lhe dar uma palavrinha.

Olhos entreabertos, o António olhou-me em silêncio.

Era um silêncio tão frio como aquela noite.

E, arrastada pelo olhar do António, vinha uma mensagem.

Uma mensagem envolta num profundo silêncio.

O mesmo silêncio que obsessivamente guardava aquela noite.

Não, vinha talvez antes um pedido.

Um pedido, porque o António não tinha poder.

Porque se o António tivesse poder, seria uma ordem.

Ordenar-me-ia: Vá-se embora!... Deixe-me em paz!...

Mas o António como não tinha poder, nada ordenou.

Fiquei.

A cabeça brilhante do António voltou a mover-se.

Ergueu-a e lançou-me um olhar confuso.

Não entendi se era um olhar afável, ou antes um olhar alvejante.

Foram minutos, ou talvez segundos, de confusão.

Mas li.

Fiz a leitura.

Li o olhar do António.

O António, que não tinha poder, não tinha voz, não tinha calor, não tinha frio, não tinha...

No António tudo eram ausências.

Mas o António tinha uma vontade.

Uma vontade sem dimensão, pela sua indimensionalidade.

Nas trevas da noite e, quem sabe se pelo reflexo da Lua, o rosto ósseo do António brilhava.

Brilhava tal como o seu cabelo.

Mas o rosto brilhava pelas lágrimas que inadvertidamente se iam desprendendo daqueles olhos cavos.

E o António como nada tinha, gritou-me em profundo silêncio: Senhor, vá-se embora, e no seu caminho peça a Deus que me guarde um lugar bem junto Dele.

Afastei-me e ouvi um soluçar de comoção.

Um soluçar compulsivo.

E o soluçar compulsivo do António deixou-me um eco triste no coração. 

E enquanto o António soluçava compulsivamente, eu olhava o céu para deixar a mensagem que o António me pedira para endereçar a Deus.

E eu, agora já muito distante do soluçar compulsivo do António, entendo enviar este quadro pintado com as cores da vida para as paredes dos gabinetes dos Governantes do nosso Portugal.

 

*Crónica publicada em vários ógãos

 

 

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por Augusta Clara às 14:00

Quinta-feira, 28.03.13

A unidade dos direitos e suas fronteiras ameaçadas - Marco Aurélio Weissheimer

 

Marco Aurélio Weissheimer  A unidade dos direitos e suas fronteiras ameaçadas

 

 

Publicado em Carta Maior em 26 de Março de 2013

 

 

   O jornalista Bernardo Kucinski disse certa vez que a primeira vítima do neoliberalismo é a verdade. Violada a verdade, tudo é permitido. Há indícios preocupantes de que se espalha hoje pelo mundo uma onda de violação de direitos em cascata: direitos humanos, sociais, trabalhistas, ambientais e culturais.

 

 

Uma das consequências mais danosas do neoliberalismo é a precarização e supressão de direitos. Quantos direitos foram precarizados ou simplesmente suprimidos nas últimas décadas? Ninguém deve ter feito essa contabilidade, mas o número certamente é impressionante. Um número, aliás, que não para de crescer, uma vez que se trata de um fenômeno que segue se repetindo no presente. A crise econômica que atingiu em cheio a Europa e os Estados Unidos a partir de 2007-2008 é um terreno fértil para a extinção de direitos. A ideologia da austeridade que varre a Europa tem como pilares centrais a demissão de servidores públicos, a diminuição de salários, o corte de direitos sociais e trabalhistas e a repressão a lutas por direitos humanos fundamentais. Direitos estes que foram conquistas de décadas de luta e que tiveram a Europa como um de seus palcos centrais.

Empresas e governos alegam dificuldades econômicas para cortar ou precarizar direitos, invocando a necessidade de sacrifícios de quem vive do mundo do trabalho. E esses sacrifícios estão sendo impostos, aceite-se ou não. Uma das faces mais perversas e dramáticas desse processo pode ser vista hoje na Espanha com o alto número de suicídios de pessoas que estão perdendo suas casas por não poderem pagar financiamentos imobiliários. Neste caso, não se trata apenas de precarização ou perda de direitos, mas da supressão da própria dignidade, uma condição da própria vida. O retrocesso conceitual, do ponto de vista da luta por direitos humanos e sociais, é enorme. Assistimos a uma naturalização do discurso que prega a necessidade da supressão de direitos para resolver determinados problemas econômicos e sociais. Os direitos, segundo esse discurso, tornam-se entraves para a economia e para a sociedade. Teríamos, em vários casos, um “excesso de direitos”, um exagero a ser corrigido. E, de preferência, corrigidos rapidamente.

A supressão de direitos atinge também as relações de consumo. Não é um acaso que planos de saúde, cartões de crédito, operadoras de telefonia e de televisão a cabo liderem os rankings de reclamações de consumidores. A diferença entre o que é prometido na propaganda e o que é oferecido na prática é bem conhecida por parte dos “usuários”. No setor da alimentação, a situação é ainda mais grave, pois envolve a saúde e a vida das pessoas. A quantidade de porcarias que são vendidas sem o mínimo controle ou pudor, com o apoio de uma máquina publicitária que não poupa sequer as crianças, ou, pior ainda, as tem como alvo privilegiado, é uma realidade diária.

O que ameaça a liberdade de expressão
Outro traço dessa realidade de supressão de direitos é a progressiva redução do jornalismo em atividade submissa a interesses privados. A transformação dos meios de comunicação em grandes corporações com tendências monopolistas e interesses econômicos em outras áreas que não exclusivamente a midiática uniformizou as pautas e as orientações editoriais. Apesar do discurso em favor da liberdade de expressão, o que menos se vê nestes veículos é diversidade de informação e de opinião. A aversão que as grandes empresas brasileiras de mídia têm ao debate sobre um novo marco regulatório para o setor é um exemplo do espírito reacionário e atrasado que as anima.

Esse cenário implica outra violação de direito, a saber, a supressão do direito a uma comunicação de qualidade e a serviço do interesse público. O fato de boa parte das notícias e suas respectivas abordagens serem praticamente as mesmas todos os dias deveria nos dizer algo a respeito do que significa liberdade de expressão e diversidade de opinião. Se você fica restrito ao circuito da grande mídia comercial jamais ficará sabendo, por exemplo, que está em curso nos Estados Unidos uma mobilização nacional pela retomada o compromisso com a ideia de que direitos trabalhistas são direitos humanos. Quem quiser informações sobre esse movimento pode encontrá-las neste #]artigo de John Nichols, no The Nation. Encontrará aí também a íntegra do premiado documentário We Are Wisconsin, que mostra a mobilização de estudantes, professores, profissionais da saúde e de outros setores, em 2010, contra a política de demissões e cortes de direitos de servidores públicos levada a cabo pelo governador Republicano, Scott Walker.

Violada a verdade, tudo é permitido
O que se viu nos Estados Unidos, a partir do estouro da bolha imobiliária de 2007-2008, e também na Europa, serve para mostrar que, assim como o sistema de direitos forma uma unidade (fruto de décadas de lutas sociais), o processo de supressão e precarização de direitos também compõe uma unidade. Ou seja, a violação de um determinado tipo de direito nunca é isolada, ela se propaga também para outros direitos. O jornalista Bernardo Kucinski disse certa vez que a primeira vítima do neoliberalismo é a verdade. Violada a verdade, tudo é permitido. Há indícios preocupantes de que se espalha hoje pelo mundo uma onda de violação de direitos em cascata: direitos humanos, sociais, trabalhistas, ambientais e culturais. Esse tema, por si só, já é suficiente para compor uma agenda e desmentir aqueles que repetem ladainhas sobre o suposto fim da distinção entre esquerda e direito, ou entre o capital e o trabalho. Essas distinções sofreram mudanças qualitativas, mas estão aí para quem quiser ver.

O Brasil e a maioria dos países da América Latina viveram nos últimos anos um processo de retomada ou mesmo de instauração de direitos até então inexistentes, graças a uma geração de governos com um DNA distinto daquele que governou a região nas décadas anteriores. Neste sentido, caminharam no sentido inverso daquele visto na Europa e nos Estados Unidos. Mas é justamente o que sê vê agora nestes países que serve de advertência eloquente a respeito dos riscos de retrocesso. A melhor maneira de alimentar esses riscos é achar que estamos livres deles, em um mundo paralelo. Os cidadãos espanhóis que decidiram por um fim à própria vida, num gesto de desesperança total, simbolizam mais que tragédias pessoais. O pano de fundo desse gesto de desespero é um mundo onde o direito à vida é subordinado ao direito de propriedade.

Há fenômenos que, tomados isoladamente, podem ter um significado circunscrito à sua própria ocorrência, mas que, vistos num contexto mais amplo, podem ser indicadores de movimentos ainda subterrâneos na sociedade. A crise na revista Caros Amigos, com greve na redação e demissão dos jornalistas grevistas, a escolha do pastor Marco Feliciano para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias na Câmara Federal, e a do ruralista Blairo Maggi para a Comissão de Meio Ambiente da mesma Câmara indicam um contexto político de grave relativização e banalização de valores e princípios que não deveriam ser relativizados e muito menos banalizados. E esses são apenas três eventos recentes. Há vários outros como, por exemplo, as ameaças a comunidades indígenas e urbanas que têm suas vidas viradas ao avesso e ameaçadas por grandes obras.

Mesmo considerando as exigências de uma certa dose de pragmatismo na política, há linhas que não deveriam ser ultrapassadas. Ao ultrapassá-las, em nome de razões pragmáticas ou de um simples desprezo pela sua importância, estamos entrando num território estranho e perigoso. E esse território, definitivamente, não é o mundo dos direitos e do Direito.


Marco Aurélio Weissheimer é editor-chefe da Carta Maior (correio eletrônico: gamarra@hotmail.com)

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por Augusta Clara às 08:00

Quarta-feira, 27.03.13

Nocturno n.º 4 de Chopin, por Maria João Pires

 

 

Maria João Pires  Nocturno n.º 4 de Chopin

 

 

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por Augusta Clara às 21:00

Quarta-feira, 27.03.13

Eduardo Galeano na Feira do Livro de Buenos Aires em 21 de Abril de 2012 (parte 2 de 4)

 

Eduardo Galeano em Buenos Aires - Parte II

 

 

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por Augusta Clara às 15:00

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