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Jardim das Delícias



Sexta-feira, 31.05.13

Eu vi este povo a lutar - Três Cantos

 

Três Cantos  Eu vi este povo a lutar

 

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por Augusta Clara às 21:00

Sexta-feira, 31.05.13

Concha - Ossip Mandelstam

Ossip Mandelstam  Concha

(Tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra)

 

(Turner)

 

 

Talvez tu de mim não queiras nada

Ó noite; desde o fundo abissal

Do mar sou lançado - concha muda

E sem pérola - em teu areal.

 

Com indiferença vais cantando,

Espumas agitando, e a mentira

Da inútil concha vais amar,

De alta estima a cobrirá tua Ura.

 

Junto dela te deitas na areia,

Com teus paramentos vais vesti-la,

O enorme sino do mar crespo

A ela unirás para toda a vida.

 

E os muros da concha esboroada

- Coração de lar desabitado -

Encherás do murmúrio da espuma,

De neblina, de vento e de chuva...

 

(in Ossip Mandelstam, Guarda Minha Fala Para Sempre, Assírio & Alvim)

 

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por Augusta Clara às 19:00

Sexta-feira, 31.05.13

Homenagem ao pintor Luis Dourdil (1914-1989)

 

O Lápis como Instrumento Soberano

 

 

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por Augusta Clara às 17:00

Sexta-feira, 31.05.13

Em louvor das crianças - Eugénio de Andrade

 
Eugénio de Andrade  Em Louvor das Crianças
 
(Ana Maria Pintora, Galeria Zeller) 
 
(Ilustrações no texto de Alice Vegrova e Maggie Taylor)
   Se há na terra um reino que nos seja familiar e ao mesmo tempo estranho,
fechado nos seus limites e simultaneamente sem fronteiras, esse reino é o da infância. A esse país inocente, donde se é expulso sempre demasiado cedo, apenas se regressa em momentos privilegiados — a tais regressos se chama,... às vezes, poesia. Essa espécie de terra mítica é habitada por seres de uma tão grande formosura que os anjos tiveram neles o seu modelo, e foi às crianças, como todos sabem pelos evangelhos, que foi prometido o Paraíso.
 
A sedução das crianças provém, antes de mais, da sua proximidade com os animais — a sua relação com o mundo não é a da utilidade, mas a do prazer. Elas não conhecem ainda os dois grandes inimigos da alma, que são, como disse Saint-Exupéry, o dinheiro e a vaidade. Estas frágeis criaturas, as únicas desde a origem destinadas à imortalidade, são também as mais vulneráveis — elas têm o peito aberto às maravilhas do mundo, mas estão sem defesa para a bestialidade humana que, apesar de tanta tecnologia de ponta, não diminui nem se extingue.
 
O sofrimento de uma criança é de uma ordem tão monstruosa que, frequentemente, é usado como argumento para a negação da bondade divina. Não, não há salvação para quem faça sofrer uma criança, que isto se grave indelevelmente nos vossos espíritos. O simples facto de consentirmos que milhões e milhões de crianças padeçam fome, e reguem com as suas lágrimas a terra onde terão ainda de lutar um dia pela justiça e pela liberdade, prova bem que não somos filhos de Deus.
 
Eugénio de Andrade, in 'Rosto Precário' .
 
(Halina Tymusz)

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por Augusta Clara às 14:00

Sexta-feira, 31.05.13

1 de Junho, Povos Unidos Contra a Troika - Boaventura de Sousa Santos

 

Boaventura de Sousa Santos

 

 

 

   "As manifestações convocadas para o próximo dia 1 de Junho em muitas cidades europeias são o contributo importante para travar o assalto à nossa esperança e à nossa dignidade. Queremos derrubar os governos conservadores ao serviço do capital financeiro mas queremos sobretudo mudar de política. Queremos tornar claro que: - Entre mercados e cidadãos não há opção - A vida está acima da dívida - A crise é uma burla. Que a pague quem a inventou. - Apliquemos as  taxas de solidariedade aos bancos. Nunca às pensões - Inventaram os paraísos fiscais para mandar o povo para o inferno um abraço muito solidário Boaventura"

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por Augusta Clara às 13:00

Sexta-feira, 31.05.13

1 de Junho, Povos Unidos Contra a Troika - Susan George (escritora e activista internacional)

 

Susan George

 

   "I hope everyone in Europe will come out ...on the first of June to protest against the troika. Why must we protest against the troika? Because here we are up against three institutions, all of which are completely undemocratical. The first is of course the International Monetary Fund which by the way have said that they know now that austerity is going to create huge unemployment and be extremely costly to the economy and not promote growth at all. They now this. They've studied it. They published. But they are still not changing policy. The second is the European Central Bank, again, appointed. The head of it is a very smart man, Mario Draghi which was also an employee of Goldman Sachs. Who do you think he is going to priviledge in his decisions? Will it be the people or will it be the banking system? The third is off course the European Commission, and these people are not elected either. The three of them together are taking onto their own shoulders the policy decisions of member countries. No one has ever signed up for that. Now we have treaties that are putting us in a straitjacket, we are told that the European Commission and these other unelected people will deal with our won budgets, with our own debt and repayment system, that they are going to deal with everything all the things that are the most important functions of a government and particularly of a parliament which we have elected. They may be good, they may be bad, but at least we have elected them. We have to say no to this destruction, this systematic destruction of democracy. We have to say no to the policies that these people are putting in place, because these policies are invented in the name of the financial industry, the corporate sector and a very tiny minority of europeans, for whom the crisis is an opportunity to enrich themselves. This is an anti-democratic, anti-people and anti-human policy which all europeans must oppose, because if they don't, they'll be the next victims."

 

 

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por Augusta Clara às 12:00

Sexta-feira, 31.05.13

Libertar Portugal da Austeridade - Doutor António Sampaio da Nóvoa

 

Discurso do Professor Sampaio da Nóvoa, Reitor da Universidade de Lisboa, na Conferência "Libertar Portugal da Austeridade", ontem na Aula Magna

 

 

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por Augusta Clara às 09:00

Sexta-feira, 31.05.13

No reino dos irresponsáveis - José Goulão

 

José Goulão  No reino dos irresponsáveis

 

   O presidente de França e o primeiro ministro do Reino Unido anunciaram o levantamento do embargo do fornecimento de armas aos chamados “rebeldes sírios”, designação simplificada de uma constelação onde avultam terroristas e outros criminosos, de fanáticos religiosos a mercenários puros e simples, formada de fora para dentro com o objetivo de derrubar o regime sírio.

Hollande e Cameron não revelaram nada que os seus países não fizessem já, porque o fornecimento de armas aos citados bandos nunca deixou de existir, por vias indiretas, mais disfarçados, o que ia dar ao mesmo. Agora resolveram assumir essa prática à boleia de informações divulgadas por jornalistas do Le Monde dando conta que o regime sírio utiliza armas químicas contra a população.

Longe de mim duvidar da idoneidade dos jornalistas em causa, não desejo despertar os demónios corporativos que fazem a opinião e vigiam a ética por eles próprios fabricada.

Desejo sim contribuir para ampliar essa informação, sem a veleidade de a querer completar, partindo do princípio que o regime sírio recorre supostamente a armas químicas.O regime sírio é uma ditadura político-militar, um sistema de poder autocrático, de índole familiar, desvirtuando a maior parte dos fundamentos em que prometeu assentar quando se institucionalizou através do partido Baas, dito socialista. A laicidade do Estado foi o único alicerce não abalado.

E quem são os rebeldes? O que pretendem? Qual a sua imagem de futuro da Síria? Esse é o problema fulcral. O sistema que existe é conhecido. O que se cozinha é uma incógnita, ou pelo menos a esmagadora maioria dos que para ele trabalham não querem que se saiba.

Quando começou a guerra civil, isto é, quanto grupos armados importados tomaram conta do movimento iniciado pelas manifestações inspiradas na “Primavera Árabe”, dizia-se que o objetivo era “democratizar a Síria. Cameron, Hollande, Obama, Barroso, terão até a ousadia de continuarem a dizer o mesmo.

Ficamos assim a saber que para os principais dirigentes mundiais a democracia se constrói com fanáticos religiosos, com grupos integrados na rede da Al Qaida, com o patrocínio de dinheiro, mercenários e apoio político de ditaduras como a Arábia Saudita, o Qatar, o Bahrein – onde a “Primavera Árabe” foi afogada em sangue pelos exércitos destes e outros países. A democracia constrói-se fazendo da base da NATO na Turquia um centro de treino e armamento de mercenários fundamentalistas islâmicos infiltrados depois na Síria com apadrinhamento da CIA.

A democracia na Síria está a construir-se mais ou menos da mesma maneira como foi criada no Afeganistão por Reagan, Clinton, Bush e Obama, ou no Iraque pelos Bush pai e filho, ou na Líbia por Obama e os gendarmes europeus França e Reino Unido, que bem podem orgulhar-se da bela obra que ali deixaram. A democracia na Síria constrói-se com armas químicas, é verdade, que são de “destruição massiva” quando os “maus” as usam e de libertação quando os “bons” a elas recorrem, sejam ou não da Al Qaida – que tanto podem ser “bons” como “maus”, depende dos caprichos da Geografia. Armas químicas que a insuspeita magistrada suíça Carla del Ponte, ao serviço da ONU, está certa de serem usadas pelos “rebeldes sírios”, tal como informou o secretário geral, atacado de surdez no momento.

O Le Monde revelou as armas químicas do regime, está no seu direito e assim se levantou um embargo que nunca existiu. Acontece que no caso de essas armas existirem não são as únicas, todos os lados as usam, a irresponsabilidade criminosa é geral, tanto dos atores no terreno como dos seus mandantes pelo mundo fora. E muitas delas entram pela Turquia, nas barbas dos generais da NATO e dos espiões da CIA.

Israel, que vem atacando a Síria com regularidade, fazendo a sua parte do trabalho ao lado dos fundamentalistas islâmicos sunitas (sem que os donos do mundo se aflijam nem montem ou quebrem embargos), aguarda que do caos sangrento saia o que tanto deseja. Não a prometida democracia em Damasco, mas antes  uma poeira de pequenas entidades inofensivas, entretidas a competir pelos seus pequenos poderes no território onde existiu a Síria.

Haverá então pelo menos um grande e incólume vencedor da guerra civil síria, centenas de milhares de vidas inocentes depois.

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por Augusta Clara às 08:00

Quinta-feira, 30.05.13

Nabucco (coro dos escravos hebreus legendado em português) - Verdi

 

Verdi  Nabucco

 

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por Augusta Clara às 21:00

Quinta-feira, 30.05.13

O sorriso dos teus olhos tristes - Adão Cruz

 

Adão Cruz  O sorriso dos teus olhos tristes

 

(Adão Cruz) 

 

 

Cai sobre mim o amputado sorriso dos olhos tristes numa

altura em que os corpos não bailam e as crianças já não são

crianças

Não sei se me ouves e se me ouves não sei se entendes a

arritmia do ventre das nuvens onde não entra o sol e se

entra é o sol antigo dos olhos inteiros

Cerrado no grito que se não solta aqueço na sombra da

memória as lágrimas frias tecendo de ternura a força

quebrada que liga o sonho aos destroços da madrugada

O pão largo do teu corpo teima em não voltar para dentro de

mim como se o nada fosse o palácio das esperanças todas

O amor é por vontade minha e meu silêncio mas o sorriso

dos olhos tristes acende a toda a hora a primavera

Confundimos a paixão com jornada de lágrimas e risos e

suspiros e delírio onde a aurora desponta e onde começa a

morrer o manso regato do bosque sombrio

Trocámos inconscientemente a água pura fugidia sinuosa

por rectilíneas fábricas de vento e eu fiz do vento o hálito da

minha boca estranha aliança entre o vinho e o génio entre o

altar e o chão

Mesmo assim o sorriso dos olhos tristes renasce sempre

num rio de pranto e corre e salta pelos campos em direcção

à cabana onde ainda guardo o mel para as tuas feridas

 

(in Adão Cruz, VAI O RIO NO ESTUÁRIO. Poemas de braços abertos, ediçõesengenho)

 

 

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por Augusta Clara às 19:00

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