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Jardim das Delícias



Segunda-feira, 31.03.14

Aida - Marcha triunfal, Giuseppe Verdi

 

Giuseppe Verdi  Aida - Marcha triunfal

- Lund International Choral Festival, 2010 -

 ( coro e orquestra conduzidos por Roger Andersson)

 

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por Augusta Clara às 21:00

Segunda-feira, 31.03.14

Esplanada - Manuel António Pina

 

Manuel António Pina  Esplanada

 

 

(Paulo Ossião)

 

 

Naquele tempo falavas muito de perfeição,

da prosa dos versos irregulares

onde cantam os sentimentos irregulares.

Envelhecemos todos, tu, eu e a discussão,

 

agora lês saramagos & coisas assim

e eu já não fico a ouvir-te como antigamente

olhando as tuas pernas que subiam lentamente

até um sítio escuro dentro de mim.

 

O café agora é um banco, tu professora do liceu;

Bob Dylan encheu-se de dinheiro, o Che morreu.

Agora as tuas pernas são coisas úteis, andantes,

e não caminhos por andar como dantes.

 

(in Todas As Palavras, Assírio & Alvim)

 

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por Augusta Clara às 19:00

Segunda-feira, 31.03.14

A ilha que todos somos - Augusta Clara

 

Augusta Clara  A ilha que todos somos

 

 

   Não sei fazer crítica literária nem quero saber. Fico até indiferente quando leio que um livro é o melhor do século tal ou de determinado ano. Sorrio sempre que acontece haver mais do que um assim classificado em simultâneo. Regra geral não se trata de ex-aequo, trata-se de interesse comercial. Mas “A Ilha de Arturo”, de Elsa Morante, é, de certeza, um dos mais poderosos romances que já li caracterizando o tumulto das emoções humanas. Neste caso, particularmente, sobre a evolução da passagem entre a infância e a adolescência de um rapazinho de vida selvagem.

A crisálida a sair do casulo, a dor de romper os fios tão bem tecidos que nos protegem nas primeiras fases da vida, a curiosidade de afastar a cortina de espuma que nos defendia os sonhos e a imaginação. O que essa travessia tem de complexo na alma humana irrompe em algumas das mais belas páginas deste livro.

Depois, a transmutação desse mundo primeiro e maravilhoso, arrastando ainda, colados ao corpo, os restos da seda protectora da infância, no tormentoso caos do mundo adulto onde os artifícios passam a ser o casulo. Tão bem descrita é esta passagem rápida de um mundo ao outro, quase sem transição, como se não houvesse tempo para isso, como se fosse demasiado perigoso deixar vazios.

Julgo eu, que não pertenço ao mundo dos psis, ser aí que residem as dores da adolescência. E Elsa Morante traduziu-as com uma mestria sem par. Por fim, já, também, nós nos reconhecemos ali naquele menino que se transmuta em adulto, com as nossas falsidades, os nossos disfarces, o nosso medo do amor, aquilo a que a nossa traidora oralidade nos confina e tudo o mais que iludiu a dimensão de pessoa que estávamos fadados para ser.

Já ali reconhecemos a ilha em que todos nos tornamos.

 

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por Augusta Clara às 17:00

Segunda-feira, 31.03.14

CONVICÇÕES XXX - Adão Cruz

   Com Papa Francisco ou sem Papa Francisco a Igreja continua ser a mesma que sempre foi, um dos maiores potentados económico-financeiros do planeta, cúmplice e parte integrante dos crimes e das piores consequências do selvagem regime capitalista.

 

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por Augusta Clara às 14:00

Domingo, 30.03.14

FILME - Luz de Inverno, de Ingmar Bergman

 

Ingmar Bergman  Luz de Inverno

 

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por Augusta Clara às 14:00

Sábado, 29.03.14

Muxima - Waldemar Bastos

 

Waldemar Bastos  Muxima

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por Augusta Clara às 21:00

Sábado, 29.03.14

O Silêncio dos Corações - Aldora Amaral

 

Aldora Amaral  O Silêncio dos Corações

 

 

(Oscar Nyemier)

 

 

   Naquele tempo um bater suave e profundo expressava a paz sentida. Não, não vivia num qualquer céu, repleto de harpas e vestes suaves cobrindo corpos ondulados e belos, de longos cabelos loiros. Não, naquele tempo os corações falavam e os espaços tinham faces conhecidas. O tempo era um aliado e companheiro. Os ritmos, outros.

Lembra-se das longas conversas entre batimentos tão próximos. Falava-se de amor, da amizade, de alegria mas também das tristezas, dos sofrimentos que cada um sentia ou sabia habitar um outro. Sim, porque naquele tempo de proximidade, qualquer arritmia, qualquer movimento era por todos sentido, tal era a empatia existente entre esses órgãos fundamentais da vida física, símbolos poéticos de existências solteiras do que quer que seja ou mergulhadas em laivos de lucidez mais ou menos constantes.
À medida que os ritmos cardíacos se afastavam cresciam as distâncias entre corações. Com o tempo, essas distâncias foram reforçadas por couraças cada vez mais sofisticadas. A respiração viu-se obrigada a reforçar a intensidade das trocas que constituem a sua natureza. O cansaço instalou-se.
Com a distância veio também a solidão. Corações couraçados ocuparam o lugar dos outros: os desprevenidos, os guerreiros de Shambala cujo coração sangra de sensibilidade, os corações escancarados, aqueles que detêm a paz, a liberdade, a alegria pura.
De couraça em couraça, vão esquecendo quem são e as interligações que estabelecem. Vivem no silêncio das mortes lentas, anunciadas. Falam línguas de fogo, com que queimam as esperanças. Decidem sobre as vidas dos outros esquecendo de que matéria são feitos. Tornam-se duros. Pulsam para si próprios. Vivem sob a capa opaca, pesada, do medo. Adoecem precocemente, param subitamente.
Como em todos os tempos, há os que resistem, numa teimosa mas firme certeza de que foram feitos para o amor, para batimentos conjuntos. Recordam algures o tempo dos encontros entre corações e sabem que esse tempo existe, ainda, perdido no universo. Procuram outros e reconhecem-nos, se param para os escutar. Esses encontros, pródigos em linguagens ricas e verdadeiras, tendem a mostrar a beleza de tudo o que existe. O tempo, esse aliado e companheiro de corações que o entendem, que o aceitam, que lhe dão a mão e com ele bailam a dança da vida, está bem presente e mostra-lhes a disponibilidade dos grandes espaços. No encontro, entre corações a alegria descobre-se, o amor despe-se de todas as escravidões. Soltam-se amarras e a viagem rumo ao amor em liberdade tem início, sem nunca ter tido fim.
É no silêncio dos corações que a morte habita, negra, hirta, gelada.
Hoje, neste tempo de mortes lentas e anunciadas vou aquecer o meu coração, pintá-lo de branco e atirá-lo ao alto, como um balão colorido que desperta a alegria nas crianças e o desejo, esquecido, reprimido, de brincar, que nem os corações couraçados alguma vez perderam. O tempo, esse aliado, chega então de mansinho e avaria os relógios. O homem ri, rebola-se na relva junto do menino que persegue o cão. A lua aparece no horizonte, empurrando o sol para o outro lado do planeta.
O mundo cala-se. Faz-se silêncio. Dos corações renasce a luz das vozes inaudíveis.

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por Augusta Clara às 14:00

Sábado, 29.03.14

Palavra de honra - Fernanda Câncio

 

Fernanda Câncio  Palavra de honra

 

 

   Diário de Notícias, 28 de Março de 2014

   "O corte de remunerações, por imperativo legal, só pode ser transitório. Medidas deste tipo apenas podem ser justificadas em condições excepcionais e as condições excepcionais não podem ter duração indefinida." Gaspar, 17/10/2011

"[É preciso evitar] medidas intoleráveis como o despedimento indiscriminado de funcionários públicos. O Estado tem compromissos a que não deve renunciar, nem numa situação de emergência. É a pensar na prioridade do emprego que o OE 2012 prevê a eliminação dos subsídios de férias e de Natal [para funcionários públicos e pensionistas]. Esta medida é evidentemente temporária e vigorará apenas na vigência do programa de assistência económica e financeira." Passos, 3/10/2011

"Não me parece que estejamos num ciclo perverso. A austeridade é necessária para evitar precisamente uma austeridade mais descontrolada e selvagem" Gaspar, 28/2/2012

"A suspensão [dos subsídios de Natal e de férias de pensionistas e funcionários públicos] vigorará até ao final da vigência do programa de ajustamento, como é claramente dito no relatório do OE 2012. Esta é a posição que o Governo tem, é a posição que o Governo sempre teve." Gaspar, 4/4/2012

"A partir de 2015 iniciaremos a reposição gradual dos subsídios de férias e de Natal bem como os cortes nos salários da função pública efectivados em 2011. O Documento de Estratégia Orçamental hoje aprovado não prevê mais medidas de austeridade e novos impostos. Este documento fixa o nível de despesa do Estado até 2016." Passos, 30/4/2012

"O programa de rescisões na função pública deve ser encarado como uma oportunidade e não uma ameaça. Apenas sairão os que o desejarem." Passos 18/3/2013

"Nos 12 primeiros meses no sistema de requalificação o trabalhador terá direito a 60% da remuneração a que tinha direito antes. A partir dos 12 meses, a compensação será 40%. Tem sempre possibilidade de acesso a rescisão por mútuo acordo." Rosalino, 12/9/2013

"Cortes de salários na função pública vão estender-se para além de 2014, são transitórios mas não anuais." M. Luís Albuquerque, 15/10/2013

"Os cortes salariais assumidos para a função pública este ano são temporários. Mas não podemos regressar ao nível salarial de 2011 nem ao nível das pensões de 2011." Passos, 5/3/2014

"Corte permanente nas pensões é alarmismo injustificado. Não é intenção do Governo haver qualquer tipo de reduções adicionais relativamente aos rendimentos dos pensionistas." Marques Guedes, 27/3/2014

"Não faz sentido fazer especulação sobre um eventual corte permanente nas pensões. O debate em Portugal devia ser mais sereno e informado e os membros do Governo deveriam contribuir para isso." Passos, 27/3/2014

 

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por Augusta Clara às 08:00

Sexta-feira, 28.03.14

Piano Quintet - Frank Bridge

 

Frank Bridge  Piano Quintet

 

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por Augusta Clara às 21:00

Sexta-feira, 28.03.14

A tua mão - Adão Cruz

 

Adão Cruz  A tua mão

 

(Adão Cruz) 

 

 

 

Como simples aves damos as asas a caminho do sol para

 fugir às lágrimas que a terra espreme

 A luz incendeia a vontade de fugir mas a mão serena abre

 o coração à esperança onde a angústia cresce por entre

 músicas perdidas e restos de flores

 Eu continuo o caminho dos lábios que deixaram de suspirar

 e dos olhos que pararam de girar confundidos entre

 lágrimas e risos

 Eu sigo o longo caminho das sombras onde as plantas não

 falam nem as fontes nem os pássaros

 Mas a mão apertada mesmo que incrédula murmura

 baixinho que os prados se estendem a nossos pés

 As brandas ondas do mar deslizam suavemente sobre a

 areia cobrindo de espuma o teu corpo sonâmbulo que à noite

 desperta por entre o labirinto dos meus sonhos

 E pelos claustros do vento impaciente os cabelos de fogo

 vencem a idade em que o coração treme sem casa para

morar

(in Adão Cruz, VAI O RIO NO ESTUÁRIO. Poemas de braços abertos, ediçõesengenho)

 

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por Augusta Clara às 19:00

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