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Jardim das Delícias



Segunda-feira, 29.09.14

La vendemmia dell'amore - Marie Laforet

 

Marie Laforet  La vendemmia dell'amore 

 

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por Augusta Clara às 21:00

Segunda-feira, 29.09.14

El quejido de Ullate, Morente y el 'Guernica'

 

Enrique y Estrella Morente frente a 'Guernica'

 

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por Augusta Clara às 19:30

Segunda-feira, 29.09.14

Borboletas brancas - Eva Cruz

 

Eva Cruz  Borboletas brancas

 

 

 

 

 

   Com uma estaca comprida tendo na ponta um funil de lata, fui colhendo peras e maçãs dos ramos mais altos onde só com uma escada era possível chegar. Alguns frutos ainda não estavam bem maduros mas se assim não fosse, nem os provava.

A grande colheita já tinha sido feita pela passarada que por ali andara aos bandos. Não cantam de graça.  Mesmo assim, o preço da beleza da melodia, do ritmo, da riqueza e variedade da música é pequeno. Desde o cantar da alvorada em revoadas de trinados, passando pelas desgarradas ao longo do dia até à nostálgica cantilena do fim da tarde, toda a sinfonia é um concerto de eloquente orquestra regida pela batuta do sol, o seu exímio maestro.

- Oh menina, não se esforce tanto por tão pouco!

Aquelas palavras fizeram-me voltar muito atrás no tempo. Só podiam ter sido ditas por alguém mais velho. O sabor veio no vento, no sol, na chuva, no nevoeiro da memória de borboletas brancas a acasalar na Primavera, do pinta o bago do Verão, das ramadas vergadas de cachos tintos e brancos do Outono, do rabusco a anunciar o Inverno.

- Vale sempre a pena, nem que seja só para aproveitar metade ou um gomo!

O sabor é único. Sabe a uma vida inteira, sabe a  criança e bonecas brincando nos regos com barquinhos de papel. Sabe a merendas de pão de centeio e azeitonas no meio da seara, sabe a uvas e figos à sombra das árvores. Sabe a desfolhadas, dançando à volta das espigas fartamente vestidas de barba e de folhelho, entre o cheiro da broa cozida de fresco e do vinho doce da lareira.

A vida passou. A vida passou depressa. No amargo de hoje, o doce encanto desta orquestra deixa acatar serenamente a inevitabilidade, o fim da caminhada,  quando o maestro baixa a batuta e mergulha no horizonte.

As hydrangeas tomam as cores de Outono. De azuis passam a violeta, de rosa a cor de vinho, pintalgam-se de manchas verdes, de malva e púrpura, e os pintassilgos namoram os cosmos ao fim da tarde, até que a noite caia.

Duas borboletas brancas passam lado a lado. Acasalaram na Primavera. Voam agora serenas, pelos tempos fora, brilhando as suas asas com a luz ténue dos últimos raios de sol.

Vem à mente Aurora de Nietzsche e a esperança de um novo mundo com o nascer do dia.

 

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por Augusta Clara às 17:00

Segunda-feira, 29.09.14

CONVICÇÕES LVI - Adão Cruz

 

   Apesar do termo “inteligência emocional”, isto é, segundo Goleman, a capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros e de gerirmos bem as emoções dentro de nós e nos nossos relacionamentos, e embora as definições tradicionais enfatizem os aspectos cognitivos como a memória e resolução de problemas, para mim a inteligência é só uma, dentro da sua complexa neuronalidade. Assim sendo, os sentimentos constituem um mundo tão vasto de diferenças que me parece podermos incorrer em algum grau de estultícia, ao pretendermos dissecá-los, dimensioná-los, fraccioná-los, escaloná-los, hierarquizá-los, atribuir-lhes uma cronologia e uma metodologia intrínsecas, fora do campo neuro-científico. E muito menos separá-los, dentro do cesto da inteligência, em cognitivos e emocionais, como se de fruta se tratasse.

 

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por Augusta Clara às 14:00

Segunda-feira, 29.09.14

Cavaco e os seráficos apelos a todos - Carlos Esperança

 

Carlos Esperança  Cavaco e os seráficos apelos a todos

 

 

   Vindo da clandestinidade onde mergulhara, o homem mais sério de Portugal e um dos mais sérios de Boliqueime, surgiu ontem para proferir o veredicto sobre a colaboração de Passos Coelho na Tecnoforma: “Passos prestou todos os esclarecimentos”.

Dada a reputação de Cavaco Silva com as ações da SLN, a casa da Coelha e o alegado caso das escutas, sem falar dos vizinhos e antigos colaboradores, acabou, perante os portugueses mal formados, a comprometer ainda mais o PM de quem se fez porta-voz.

Depois, reincidindo na obstinada crença de que está vivo, apelou à colaboração de todos para ajudarem a resolver o problema Citius. Só uma alma generosa, amigo da harmonia partidária, que tanto se esforça por promover, poderia apelar ao empenho coletivo para resolver o enigma de um sistema informático.

Aqueles assessores devem ter-lhe dito que o Citius era o local onde se armazenavam os processos judiciais e se tinham perdido 3,5 milhões. Pensou o PR, em seu pensamento, que o Citius era um armazém, que os processos sumidos podiam ser procurados nas ruas e alombados, por voluntários, para o Citius.

Na ingénua bondade com que observou o sorriso das vacas açorianas, imaginou o País a acudir ao seu apelo, à cata dos processos desaparecidos, em entusiástica colaboração, a empilhá-los como caixas de fruta em frigoríficos industriais.

Faltou apelar aos professores desempregados para se oferecerem às escolas, para que as aulas pudessem começar. O regular funcionamento das instituições ficaria assegurado.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Domingo, 28.09.14

FILME - As aventuras do ladrão de Baghdad, de Arthur Lubin

 

Arthur Lubin  As aventuras do ladrão de Baghdad

 

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por Augusta Clara às 14:00

Sábado, 27.09.14

"Embrasse moi" & "L'homme d'amour" - Jeanne Moreaux

 

Jeanne Moreaux  "Embrasse moi" & "L'homme d'amour"

 

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por Augusta Clara às 21:00

Sábado, 27.09.14

O Catur e o funeral do Martins (Crónica) - Carlos Esperança

 

Carlos Esperança  O Catur e o funeral do Martins

 

 

   Numa placa de bronze da estação do Caminho de Ferro estavam gravadas em relevo, em letras maiúsculas, as seguintes palavras: «Aos 12 dias do mês de Abril de 1964, Sua Ex.ª o Governador Geral de Moçambique, Contra Almirante Manuel Maria Sarmento Rodrigues, deu início aos trabalhos de construção do último troço do Caminho de Ferro para a cidade de Vila Cabral», com letras destacadas para o Governador e a cidade.

Era do Catur, onde chegavam de comboio, que partiam as tropas, em viaturas militares, para o distrito de Niassa, rumo a Malapísia, Massangulo e Leone ou, com passagem por Vila Cabral, para Meponda, Litunde, Cantina Dias, Unango, Chiconono, Maniamba, Metangula,  Nova Coimbra, Lunho, Miandica, Cobué, Macaloge, Valadim, Luatize e, no  extremo norte, Pauíla e Olivença.

Colunas de viaturas levavam as Companhias cujos militares aguardavam o paludismo, a morte e os aleijões, do corpo e da mente, na guerra inútil e criminosa que uma ditadura quis, até ao golpe de misericórdia, de um punhado de heróis, numa madrugada de abril.

Em finais de 1967 havia mais meia dúzia de quilómetros de carris e a terraplanagem que se dirigia a Nova Guarda, um acampamento a meio caminho de Vila Cabral, a cerca de 40 km de cada lado. O Santos e o Martins eram dois capatazes que vigiavam os negros, os únicos a quem o trabalho duro na via férrea era destinado.

O Santos era solteiro. O Martins vivia com a mulher e a filhita de tenra idade quando ali chegou o Batalhão de Caçadores n.º 1936. Ambos frequentavam livremente a cantina do aquartelamento onde arranjavam parceiros para jogarem à malha na «avenida», o largo caminho de terra batida que as chuvadas convertiam em lamaçal até voltar a ser avenida depois de uma hora de sol.

Numa madrugada de finais de 1968 ou início de 1969, a memória já não recorda a data e quanto desejaria esquecer os factos, o quartel acordou com o estrondo de uma explosão a cerca de três quilómetros. O Torres, despertado pela detonação e vestido à pressa, não se atrasou a partir com uma secção reforçada a verificar a ocorrência, seguindo a picada que ladeava a linha do caminho de ferro. Minutos depois viu o guarda-costas do Martins, ferido sem gravidade, e dele colheu as primeiras informações. Restou seguir o rasto de sangue depois de os soldados terem procedido à macabra recolha de despojos humanos, pedaços de corpo espalhados, incluído o dedo que guardou a aliança.

Algumas centenas de metros depois, quando os carris tomavam a inclinação ascendente, lá estava, imobilizada, a zorra. No lugar do condutor estava sentado o que restava de um corpo, aquilo a que ficou reduzido o Zé Martins. Uma granada de bazuca atingiu-o em cheio na espera que lhe fizeram, obra da Frelimo, execução ou vingança, já não importa.

A granada decepou literalmente o corpo, desde o ombro esquerdo, levando o mamilo direito, num tétrico plano oblíquo que espalhou pedaços em redor. Os restos do Martins foram transportados, com lágrimas e terra, por soldados que os juntaram à parte inferior do corpo, num saco de plástico opaco, antes de acabarem na urna que iria para a Missão de Massangulo, em cujo cemitério foram sepultados.

No dia do funeral o major Beirão pediu-me para comandar a escolta que lhe concederia honras militares, a salva de tiros que, em zona de guerra, equiparava civis caucasianos a soldados. Alegou que eu era visita de casa dele, era verdade, onde jantei várias vezes a seu convite. Não era difícil gritar as ordens em que a última seria: fogo! E assim foi.

Depois disso bastaria um olhar para que a urna descesse à cova e o coveiro lançasse a primeira pazada de terra antes de se ouvir o som cavo da pancada na madeira da urna. Só não contei que, antes disso, o pai do Martins, que viera de Lourenço Marques, dilacerado, se abeirasse de mim e, ajoelhando, com a voz embargada, suplicasse para deixar abrir o caixão. Para dar ao filho um último beijo, na testa.

Ficaram suspensos os que empunhavam as cordas que desceram a urna. O meu olhar ou alguma lágrima foi o sinal para continuarem.

Um «não» impercetível perdeu-se no espaço lúgubre do cemitério da Missão enquanto o padre cobria com orações o silêncio e a imagem de um homem dilacerado pela perda do filho.

 

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por Augusta Clara às 19:15

Sexta-feira, 26.09.14

Emigrantes da quarta dimensão - José Mário Branco

 

José Mário Branco  Emigrantes da quarta dimensão

 

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por Augusta Clara às 21:00

Sexta-feira, 26.09.14

Amigos inseparáveis

 

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por Augusta Clara às 18:20

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