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Jardim das Delícias



Segunda-feira, 31.08.15

Beethoven Violin Concerto - Itzhak Perlman

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Itzhak Perlman  Beethoven Violin Concerto

- orquestra dirigida por Daniel Barenboim -

(o violinista Itzhak Perlman faz hoje 70 anos) 

 

 

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por Augusta Clara às 20:00

Segunda-feira, 31.08.15

Aquela janela - Eva Cruz

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Eva Cruz  Aquela janela

 

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(Adão Cruz)

 

 

   Já a tarde de Domingo ia no fim, quando subi os degraus de madeira até à salita que fora sua. Tudo por ali a faz recordar. A mesa, os retratos e as bonecas.

Ao cima das escadas, a ceifeira colhendo flores no meio do feno. Do outro lado da parede o seu retrato a óleo, apoiada na bengala, o lencinho ao pescoço, o brilho do cabelo. Só a expressão não é sua. Não é fácil pintar a doçura do seu olhar, a rebeldia e irrequietude da sua natureza meiga e maternal. Talvez eu o conseguisse…se soubesse pintar.

Sentei-me no seu sofá rosa velho com flores já desbotadas e olhei para aquela janela virada a poente. O sol desenhava no branco da cortina uma janela mais pequena, de brilho muito intenso.

Se eu soubesse pintar, para além da doçura do seu olhar, pintava aquela janela a abraçar a Primavera, enfeitada de glicínias, lírios roxos e amarelos no meio do orvalho, aquela janela ao rubro com o sol de Verão, o cortinado de luas e estrelas, um balão de S. João de todas as cores, ramalhos das cascatas e cheirinho a manjerico, hidrângeas outonais abraçadas aos abetos, anjinhos papudos, o Pai Natal no meio do azevinho de bolinhas vermelhas e…quem sabe a saudade.

Se eu soubesse pintar, pintava aquela janela com as cores de todas as cores e nela desenhava uma velhinha sentada à espera de ver o sol a pôr-se e não pintava essa madrugada.

 

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por Augusta Clara às 14:00

Segunda-feira, 31.08.15

O neurologista Oliver Sacks morreu este domingo e deixa-nos os seus livros que, descrevendo casos clínicos, são verdadeiras obras literárias

 

Leia, também, aqui um trecho da sua autobiografia Sempre em Movimento.

 

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por Augusta Clara às 11:00

Segunda-feira, 31.08.15

"Observando la foto de decenas de náufragos libios ..." - Carlos Di Palma

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Carlos Di Palma  "Observando la foto de decenas de náufragos libios ..."

(o autor é uruguaio, licenciado em História e vive em Granada)

 

 

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   Observando la foto de decenas de náufragos libios flotando en el mar a punto de morir ahogados que ha publicado el diario El País de España, yo, Carlos Di Palma, asumo mi condición de profesor de Historia, para decir avergonzado que nuestra “civilización”, “cultura” o como quiera definirse, Occidental y Cristiana, pasará a la historia como la más cruel, sanguinaria y terrorista que jamás haya conocido la Humanidad. Eso será lo que enseñen mis colegas en sus clases dentro de unos cien, o a lo sumo 200 años en sus clases (si antes no nos cargamos el Mundo entero) No conozco culturas ,o imperios que hayan sobrevivido más de 2.000 años. Nosotros estamos en ese límite. Empezamos a molestar y matar a esta pobre gente ya en tiempos de las Cruzadas. No queríamos solo matar a los infieles, sino lo que buscábamos era robarles sus riquezas. Hubo pueblos como los chinos que hicieron murallas para no ser invadidos, pero nosotros teníamos el espíritu de invadir y saltar esas murallas .Los pueblos que construyen muros o murallas para separarse de otros pueblos son siempre necios, o simplemente no han aprendido nada de la Historia. Mandamos a gente como Marco Polo que era nada más que un espía para informar que había de robable en tan lejanas tierras. Lo mismo hicieron los exploradores ingleses en la India y en el África. Luego de sus informes, venían los ejércitos.

A principios del siglo XX se despertó la necesidad del petróleo, y ahí fuimos a robar el oro negro. Casta que se doblegaba, le perdonamos la vida y la llenamos de lujo como Arabia Saudí, y los que se rebelaron fueron exterminados. Últimamente hemos visto como hemos destruido sociedades como la afgana, la iraquí, la libia etc, etc, etc. Nos mostraban los noticieros a la hora de la cena como nuestra maravillosa tecnología bélica podía hacer volar una aldea, un barrio entero colocando una cámara de TV en la punta del misil, destruyendo familias enteras, rebaños, cultivos considerándolos simplemente “daños colaterales” Ahora tenemos los Drones, que matan por control remoto… ¿es esto terrorismo? No sé ustedes, pero a mí me produce mucho terror. No recordemos las bombas atómicas sobre Japón , ni las de napalm sobre Viet-Nam. Ellos no tienen “drones”, pero la desesperación los lleva a un arma aún más terrible y precisa: los “drones humanos”. Hemos destruido Libia que era un país estable y próspero. Era necesario eliminar al dictador Kadafi para “regalarles “ la democracia. Francia formó parte de la coalición y luego firmó contratos petroleros con las nuevas “autoridades” quedándose con el 40% de la producción. Pues que ahora el país de la “libertad, igualdad y fraternidad” se haga cargo del 40% de los refugiados. Una importante funcionaria de la ONU ha propuesto bombardear los puertos de salida de estas embarcaciones precarias, y da igual si los barcos están vacíos o llenos de gente. Los refugiados, los desplazados, los desesperados se están agolpando en nuestras fronteras. Será imposible frenarlos porque le hemos destruido todo y solo les queda lanzarse al mar. Estamos pagando las consecuencias de los estragos que hemos cometido para lograr “espacio vital”. Nuestra civilización es un barco que se hunde… pronto estaremos como estos desgraciados de la fotografía de la vergüenza.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Domingo, 30.08.15

FILME - Bajo el Volcán, de John Huston (legendado em castelhano)

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John Huston  Bajo el Volcán

(segundo o romance de Malcolm Lowry)

 

 

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por Augusta Clara às 14:00

Sábado, 29.08.15

Vem comigo - Al Berto

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Al Berto  Vem comigo

 

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(Adão Cruz)

 

 

Vem comigo
ver as pirâmides fantásticas do vento
no interior luminoso da terra encontrarás
o segredo de quartzo para desvendares o tempo
onde contemplamos a fulva doçura das cerejas
iremos para onde os restos de vida não acordem
a dor da imensa árvore a sombra
dos cabelos carregados de pólenes e de astros
crescemos lado a lado com o dragão
o súbito relâmpago dos frutos amadurecendo
iluminará por um instante as águas do jardim
e o alecrim perfumará os noctívagos passos
há muito prisioneiros no barro
onde o rosto se transforma e morre
e já não nos pertence
vem comigo
praticar essa arte imemorial de quem espera
não se sabe o quê junto à janela
encolho-me
como se fechasse uma gaveta para sempre
caminhasse onde caiu um lenço
mas levanto os olhos
quando o verão entra pelo quarto e devassa
esta humilde existência de papel
vem comigo
as palavras nada podem revelar
esqueci-as quase todas onde vislumbro um fogo
pegando fogo ao corpo mais próximo do meu

(in O Medo, Assírio & Alvim)

 

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por Augusta Clara às 17:00

Sábado, 29.08.15

Te imaginas, Pablo...? - Luís Sepúlveda

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Luís Sepúlveda  Te imaginas, Pablo...?

 

 

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   Te imaginas Pablo, qué habría pasado si en 1939 los chilenos hubieran obedecido las consignas derechistas que clamaban por dejar que los españoles del Winnipeg se ahogaran en el mar?

Te imaginas Pablo, qué habría pasado si ese pueblo chileno no hubiera alzado la voz diciendo que vengan, son víctimas de un drama humanitario, que vengan?

Te imaginas Pablo, a esos 2200 refugiados españoles que zarparon en el Winnipeg, desde Trompeloup con destino a Valparaíso, a la deriva en el mar cruel de los naufragios?

Te imaginas Pablo, un barco fantasma tripulado por 2202 cadáveres, porque dos refugiados nacieron durante el viaje del Winnipeg a Chile?

Te imaginas Pablo, al puerto de Valparaíso vacío, sin esos cincuenta mil chilenas y chilenos que acudieron a recibir al Winnipeg y dijeron ellos son nuestros hermanos y no van a refugios, van a nuestras casas?

Ese barco fletado por tí, Pablo, empeñando hasta la camisa para pagarlo, que todavía navega en la memoria de algunos, por cierto muy pocos, fue y es la demostración de un pueblo decidido a saltarse las leyes si es necesario, para cumplir con el deber elemental y puro de la solidaridad.

Te imaginas Pablo, Pablo Neruda, hermano mayor de la palabra Compañero, qué hermosa sería la vida si el espíritu del Winnipeg ardiera de Humanidad en estos días?

 

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por Augusta Clara às 14:00

Sábado, 29.08.15

Os campos, novamente - António Guerreiro

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António Guerreiro  Os campos, novamente

 

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        Ípsilon, 28 de Agosto de 2015

   Os campos, sob a forma de centros e lugares de retenção, voltaram à Europa e disseminaram-se por toda a fronteira do Sul da União Europeia. São espaços geridos pela polícia, subtraídos à ordem jurídica normal, que funcionam como diques para reter o enorme caudal dos “fluxos migratórios”. A situação está fora de controlo e assemelha-se àquela “explosão” que se deu no coração do continente europeu entre as duas guerras mundiais, assim descrita por Hannah Arendt em O Imperialismo, num capítulo em que a filósofa analisa o declínio do Estado-nação e o fim dos direitos do homem: “[As guerras civis] desencadearam a emigração de grupos que, menos felizes do que os seus predecessores das guerras de religião, não foram acolhidos em nenhum sítio. Tendo fugido da sua pátria, viram-se sem pátria; tendo abandonado o seu Estado, tornaram-se apátridas; tendo sido privados dos direitos que a sua humanidade lhes conferia, ficaram desprovidos de direitos”. E num artigo de 1943, We Refugees, escrito para um jornal judeu de língua inglesa, Arendt terminava em tom de exaltação, como se tivesse acabado de identificar um novo sujeito da história: “Os refugiados representam a vanguarda dos seus povos”. Mas o refugiado que Arendt definiu a partir do modelo do apátrida — produto de uma dissociação entre as fronteiras administrativas do Estado e a realidade política dos homens — implicava, como o nome indica, a ideia de refúgio, tanto geográfico como jurídico: os refugiados judeus que, no início da Segunda Guerra Mundial, conseguiram embarcar para a América tinham um destino que os orientava à partida e contavam com a vontade política de uma protecção. Os actuais “migrantes” que se lançam ao mar para alcançarem o território europeu são, pura e simplesmente, “deslocados”, fogem da guerra e da miséria, na esperança de conseguirem encontrar um lugar, uma direcção, um sentido. Verdadeiros refugiados na Europa, no sentido jurídico da Convenção de Genebra de 1951, são uma ínfima parte deste fluxo de forçados migrantes que, mal entram em território europeu, são ainda menos do que párias: são uma massa incontrolada de indesejáveis estrangeiros, assaltantes contra os quais a fortaleza europeia não consegue erguer muros eficazes nem fazer valer as suas armas de dissuasão. À nossa frente, está a passar-se algo que não queremos olhar: o regresso a formas de brutalização e barbárie, a instauração de espaços anómicos onde, novamente, “tudo é possível”. Sem conseguirmos vislumbrar soluções para o problema, desistimos também de uma vigilância capaz de nos lançar este alerta: os campos que regressaram à Europa, em grande número e por todo o lado, muito embora não sejam regidos pelo regime de excepção que presidiu à tanatopolítica — à política da morte — dos regimes totalitários, não nos dão garantias de que nenhum descarrilamento terá lugar e nenhuma inclinação criminosa latente poderá seguir o seu curso. Não podemos hoje ignorar que há uma lógica terrível imanente ao campo como figura: ele acaba por desenvolver uma zona cinzenta onde todas as situações-limite, à margem de todos os direitos, se tornam possíveis. A imensa bibliografia sobre o que aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial, tanto os testemunhos dos sobreviventes como as descrições e análises historiográficas, mostram que uma biopolítica humanitária, como aquela que se tenta difundir na projecção pública dos campos actuais, também esteve presente nos campos de retenção nazis, antes da instauração dos campos de extermínio. A fé na história e na razão, como sabemos, é a última religião de doutos muito imprudentes.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Sexta-feira, 28.08.15

Estátua - Rogério Edgardo Xavier

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Rogério Edgardo Xavier  Estátua

 

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(Robert Mapplethorpe)

 

Sou uma estátua de mármore
Lisa
Fria
Cega
Até que me acordes
E me bebas
Devagar
Até que pouses em mim
Lânguido e líquido
O teu olhar azul de mar
Profundo


 (in O Canto da Pedra, Papiro Editora, 2009)

 

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por Augusta Clara às 19:00

Sexta-feira, 28.08.15

A Europa só tem um problema: os seus bancos! - Carlos de Matos Gomes

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Carlos de Matos Gomes  A Europa só tem um problema: os seus bancos!

 

 

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   Refugiados? Um caso de polícia. As coisas são como são. Prioridades de atuação traduzem opções de vida, carácter e moral. Política.

Em 2011, a Europa teve de enfrentar a possibilidade de falências dos seus bancos, os seus especuladores estavam aflitos. A União Europeia sobressaltou-se e tomou medidas de emergência, nomeando um ditador para as finanças: Schauble. Estabeleceu um programa: austeridade para os povos e transferência de riqueza pública para os privados. Montou uma Inspeção Geral de Finanças: a troika, com um banco europeu, um cônsul da União e uma entidade de controle mundial, o FMI.

O assunto das finanças, da manutenção do sistema de especulação, da transferência de riqueza era o problema sério da União Europeia e tinha de ser tratado pelos melhores especialistas e com os melhores remédios. Schauble passou a ser o senhor Europa, acolitado por uma corte, o Eurogrupo.

A União Europeia concentrou os seus meios no objectivo principal: finanças.

Em 2015, a Europa enfrenta a maior onda de refugiados desde a IIGM. Em parte pela política de extracção de matérias primas em bruto de África e do Médio Oriente que praticou desde a Conferência de Berlim, no século XIX, em parte pelos ventos que semeou desde a invasão americana do Iraque, já no século XXI. Os resultados das brilhantes acções no Iraque, na Síria, na Líbia surgem agora nas fronteiras da Europa. Os Estados Unidos, entretanto, tiraram o seu cavalinho da chuva. Para qualquer pessoa de algum senso trata-se de um complexo e gigantesco processo político, que tem origem no modo como o Ocidente se relaciona com outras áreas do planeta, que afeta a segurança presente e futura da Europa.

Para a União Europeia, estas massas humanas são números, números de afogados, número de resgatados, número de migrantes, divididos por regiões de origem. São insetos em movimento. A questão é grave? Parece que não. A mesma União Europeia que nomeou o senhor Schauble ditador das finanças tem tratado o assunto como um caso de ordem pública e assistência social. Umas reuniões dos ministros das polícias de França e de Inglaterra, em Calais, umas reuniões com os ministros das polícias da Grécia e de Itália. Umas barreiras de protecção. Uns muros. Uns ouriços de arame farpado. Umas bastonadas e umas granadas de fumos. Umas patrulhas no Mediterrâneo.

A União Europeia criou algum Eurogrupo de ministros do interior, ou dos negócios estrangeiros, ou da defesa? Os chefes de governo já reuniram para tratar do assunto? Talvez lá para Novembro. A União Europeia já chamou os Estados Unidos para assumirem a parte da responsabilidade que lhes cabe nesta tragédia? Há algum Schauble nomeado para os refugiados? Há algum Schauble nomeado para enfrentar a ameaça do ISIS? Entretanto, a NATO, que reúne a força militar dos Estados Unidos e da Europa, está hirta, atenta e vigilante, em alerta, de olhos no inimigo russo! Ou faz exercícios em Portugal, que tem bom clima e fica longe dos conflitos. Cuidado com os russos!

 

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por Augusta Clara às 08:00

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