Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Jardim das Delícias


Quarta-feira, 12.04.17

Grande intervenção do representante da Bolívia no Conselho de Segurança das Nações Unidas (completa)

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 02:13

Sexta-feira, 07.04.17

59 mísseis para o regresso à normalidade americana da guerra - Carlos de Matos Gomes

pingos1.jpg

 

Carlos de Matos Gomes  59 mísseis para o regresso à normalidade americana da guerra

 

siria.jpg

siria1.jpg

 

 

59 mísseis para o regresso à normalidade americana da guerra.

Os 59 mísseis disparados pelos EUA contra um objectivo na Síria representam o regresso à agenda de guerra da política externa estabelecida no final do século XX. Trump sofreu mais uma derrota. Na campanha eleitoral Trump prometeu desinvestir nas guerras do Médio Oriente (o termo técnico é baixar o nível de empenhamento), porque o petróleo estava barato, era abundante e ele preferia o carvão que dava emprego a americanos. Trump considerava a NATO obsoleta e a Rússia um parceiro em vez de um inimigo.

Esta agenda colidia com os interesses de Israel e da Arábia Saudita que há décadas (pelo menos desde Nixon e Kissinger) dominam a matilha política de Washington. Os tiranetes radicais da Arábia Saudita e de Israel necessitam da desestabilização da região para se manterem no poder. Um Médio Oriente estabilizado é o fim dos negócios e do poder da família Saud e dos radicais judeus. A agenda tradicional dos EUA, a agenda de Clinton, marido e mulher, de Bush pai e filho, de Obama foi a de criar e manter um turbilhão na zona.

Em 2007, o general Wesley Clark, antigo comandante supremo da NATO, numa entrevista muito difundida, desvendou o plano dos EUA e dos seus aliados locais e europeus de tomarem ou destruírem 7 países em 5 anos: Síria, Líbano, Líbia, Somália e Irão, que iriam fazer companhia ao caos do Iraque. Era este o programa de Hillary Clinton.

Em 3 de Fevereiro de 2017, logo após a posse de Trump, o general David Petraeus, antigo director da CIA, alertava o novo presidente para o perigo de alterar a “war agenda”. Numa conferência na Comissão Militar afirmou que a América não podia dar como garantida a atual situação (a situação herdada de Obama). Esclarecia que essa situação não era autosustentada e que fora criada pelos Estados Unidos. Se não for mantida colapsará, garantiu.

Os 59 mísseis lançados sobre uma base siria demonstra que os velhos poderes já estão bem instalados em Washington. A velha situação de desestabilização não colapsou. A família Saud e Benjamin Netanyahu podem celebrar de novo a vitória. Os lobistas do armamento, das companhias militares privadas podem acender charutos.

Não deixa de ser caricato que Trump tenha justificado a sua derrota com um impulso piedoso devido ao choque sofrido com as imagens das crianças atingidas pelas armas químicas. Armas cuja origem ninguém se interessou em investigar, a começar pelo próprio Trump. Já o mesmo tinha acontecido com as armas de destruição em massa de Saddam Hussein, que levaram Bush filho à segunda invasão do Iraque.

A velha ordem regressou a Washington. E à Europa também, com uma diferença: a doutrina Blair de sujeição activa da Europa ganhou adeptos. Hollande e Merkel não estiveram à altura de Chirac e Schroeder. Esses também tinham que vender armas, mas a estes não lhes custa serem rafeiros…

Tudo como dantes. Quartel em Abrantes

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 23:43

Quinta-feira, 06.04.17

OS JUÍZES PORTUGUESES NÃO MERECEM CONFIANÇA - Augusta Clara

o balanço das folhas3a.jpg

 

Augusta Clara  OS JUÍZES PORTUGUESES NÃO MERECEM CONFIANÇA

 

Eu1.jpg

 

   Lamento insistir no tema, mas este é um caso que não pode cair no esquecimento.

Quem se sentir ofendido, abra a boca e denuncie o que se passou neste e se passa noutros julgamentos da mesma natureza porque os portugueses têm sido espoliados das mais diversas maneiras, desde ficarem sem as economias que tinham depositadas nos bancos até lhes terem sido subtraídas parcelas consideráveis dos salários e pensões, mesmo aos mais pobres, durante um período alargado para fazer face ao desfalque dos milhares de milhões de euros roubados à economia nacional.

E onde andam esses milhões? Com toda a certeza em offshores onde ninguém pode ir recuperá-los e que continuam a permitir aos agora libertos continuarem a ter vidas confortáveis comparadas com as de todos os que sacrificaram.

Desconfio e desconfiarei de todos os juízes enquanto nenhum deles tiver a honradez de mostrar solidariedade com os seus concidadãos.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 16:25

Quinta-feira, 06.04.17

PEQUENA ODE, EM ANOTAÇÃO QUASE BIOGRÁFICA - Ana Luísa Amaral

agnes noyes goodsir (pntora australia 1864-1939) a

 

(Agnes Noyes Goodsir)

Bom dia, cão e gata,
por essa saudação e de manhã,
o corpo de veludo, a língua suave,
em simultânea tradução:
bom dia

Bom dia, sol, que entraste aqui,
me ofereces este espelho
onde me vejo agora, e tão de frente,
tornaste um pouco clara a folha de papel
e nela: em faixa transparente,
o tempo

Bom dia, coisas todas que brilham na varanda,
folha de japoneira, o nome cintilante,
o som daquele pássaro,
como se o mundo, de repente,
se fizesse mais mundo, e de maneira tal
que nunca mais se visse
escurecente o dia

Bom dia, gente pequenina
que não consigo olhar desta cadeira,
mas que está: formigas e aranhas,
minúsculos insectos
que hão-de morrer, mas aqui nascerão,
todos os dias

Bom dia, minha filha, igual a girassol,
quantas mais vezes te direi bom dia,
olhando o corredor,
tu, já não de baloiço, mas de amor
e pura filigrana,
eu, quase entardecendo

Bom dia, meu sofá,
onde me sento à noite, e devagar,
as flores que ora não são, ora às vezes
povoam esta mesa, a porta em vidro,
iluminada, em mais pura esquadria,
livros e quadros, curtas
fotografias em breve
desalinho

Bom dia, a ti também,
pelo perfume em fio que me trouxeste,
como se encera um chão rugoso de madeira,
os veios de uma planta desejosa de folhas,
ou mesmo as falhas na paz que me ofereceste,
e que desejo tua

Mesmo no tom cruel
que é acordar todos os dias
para um mundo sem sol em tantas mãos,
mesmo nesse desmando e tão violento curso
que é o mundo,
ainda assim, esta pequena anotação
de abrir os olhos e dizer bom dia,
e respirar de fresco o ar de tudo
em tudo –

(in E todavia, Assírio & Alvim, 2015)

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 00:47

Quinta-feira, 06.04.17

OS CRIMINOSOS AMIGOS DE CAVACO SILVA FICARAM ILIBADOS - Augusta Clara

o balanço das folhas3a.jpg

 

Augusta Clara  OS CRIMINOSOS AMIGOS DE CAVACO SILVA FICARAM ILIBADOS 

 

Eu1.jpg

 

   Neste país os crimes de colarinho branco vivem num ambiente singular: descobre-se sempre tudo, ficamos a saber o que se passou. Depois, não se consegue provar nada.

Dizia ontem um inteligente da nossa praça que não vivemos no tempo dos tribunais plenários. Por isso, se não há prova não se pode condenar ninguém. Pois não, nem queremos de volta os tribunais plenários, mas noutros países onde a justiça funciona como era suposto funcionar a nossa, justiça de um Estado de Direito, tem havido gente presa por graves delitos financeiros: nos ESTADOS UNIDOS, Madox foi condenado a prisão perpétua; a ISLÂNDIA prendeu 29 banqueiros e levou um ex-governante a tribunal; em ESPANHA foram presos banqueiros pela primeira vez, no princípio deste ano, em número de seis - não foi preso o cunhado do rei, aqui os amigos do Cavaco-presidente; a GRÉCIA condenou um ministro a prisão perpétua, prendeu três antigos banqueiros e o presidente do Hellenic Postbank.

Em Portugal, onde os bandidos da área financeira andam todos à solta, a rir-se da nossa complacência, o que se adquire na escola de juízes? A capacidade para o exercício da profissão com competência ou a preparação para a conivência?

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 00:28

Sábado, 01.04.17

Geni e o zepelim - Chico Buarque

a noite fez-se para amar 1a.jpg

 

Chico Buarque  Geni e o zepelim

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 03:38

Domingo, 26.03.17

Anda no ar um cheiro triste - Adão Cruz

ao cair da tarde 5b.jpg

 

Adão Cruz  Anda no ar um cheiro triste

36-2013a.jpg

(Adão Cruz)

 

 

Fujo do rio vazio
e sento-me neste banco cinzento que já foi branco
quando havia borboletas brancas e muitas flores
e alegrias e pedaços de sol entre os braços da sombra.
Fujo deste banco escuro do cais do Ouro
onde os corvos marinhos secam as asas ao sol
e a tristeza invade as margens com a maré cheia.
Fujo do rio quando os barcos se enterram no lodo
e a luz é uma neblina densa que invade a alma pelos olhos dentro
e os corvos marinhos fazem voo rasante para outras paragens.
Fujo do rio e vou sentar-me noutras paisagens
neste banco cinzento que já foi branco e de outras cores
onde tudo o que chama por mim é silêncio
e o corpo me dói
e a alma se dissolve na água da mina
a regar as cinzas e as carnes moles de um corpo velho.
Sento-me na pedra fria deste banco que já foi branco
no tempo das flores e das borboletas brancas
em que não havia desertos ao fim da tarde.

Anda no ar um cheiro triste
e por isso deixei que a tarde me falasse
mas tudo o que chamava por mim era silêncio
e era silêncio o cantar da água que ia regar as cinzas
e as carnes moles de um corpo velho.
Não havia desertos entre a folhagem
neste banco pintado de branco
entre os pedaços de sol e os braços da sombra
mas os desertos aí estão
desertos de areias que são sementes de cabeças de criança
sim
as desse tal Herberto
caminhando ao longe
vagarosamente
sobre as areias do deserto.

Anda no ar um cheiro triste
e eu sento-me na margem húmida do rio num barco inventado
ali mesmo ao lado do minititanic
a sobrar de podre e a dobrar o tempo do amor de um velho
na loucura do sonho do cair da tarde
e a noite não tarda
salpicada de borboletas negras de voo pesado
e barcos enterrados no lodo.
Fujo do rio antes que chegue a maré cheia
e a tristeza baixe as asas dos corvos marinhos
e o sol não seja mais que uma densa neblina afogando o rio
e os corvos marinhos chamem por mim em desafio
e tudo o que chame por mim não passe de silêncio.

Anda no ar um cheiro triste
e eu fujo do rio que dá a ideia que vai secar
como os pedaços de sol e os braços da sombra
e vou sentar-me naquele banco cinzento que fora branco.
Fujo do rio e do cais do Ouro
mas o silêncio beliscado pelo fio de água da mina
a regar as cinzas e as carnes moles de um corpo velho
não passa do silêncio de tudo o que pode ser
o desesperado voo rasante dos corvos marinhos
sobre um rio negro deserto e frio que faz tremer.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 15:06

Sábado, 25.03.17

A tempestade - Ian Hamilton

a noite fez-se para amar 1a.jpg

 

Ian Hamilton  A tempestade

rebecca guay, love poem1.jpg

(Rebecca Guay, "Love poem"

 

Ao longe rebenta a tempestade. Encrespa o nosso quarto.
Tu olhas para a luz em cima e ela te apanha um lado
Da cara, a tua boca firme, o teu olhar espantado.
Voltas-te para mim e quando chamo vens
Até mim e ajoelhas-te ao lado, querendo que tome
A tua cabeça entre as mãos como se fosse
Uma delicada taça que a tempestade podia quebrar.
Queres que me ponha entre ti e a brutal trovoada.
Mas na tua carne as minhas mãos se agitam,
Pulsam em ti e então, sem saber como, apertam.
A tempestade rola em mim ao abrir-se a tua boca.

(in Antologia da Poesia Britânica Contemporânea, Livros Horizonte)

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 21:19

Quarta-feira, 22.03.17

"Procuro-te por toda a parte ao longo dos campos a florir de Primavera" - Eva Cruz

 

a noite fez-se para amar 1a.jpg

 

Eva Cruz  "Procuro-te por toda a parte ao longo dos campos a florir de Primavera"

 

toshiyuki enoki1.jpg

 (Imagem de Toshiyui Enoki)

Procuro-te por toda a parte ao longo dos campos a florir de Primavera.

Vestida de menina despida de nada nesta emboscada do sonho perdido.

Voam borboletas brancas prenúncio de vida a partir do nada.

E chegam as primeiras andorinhas e o cantar dos melros.

Procuro-te por toda a parte e lá te encontro em tudo o que nasce.

A árvore vai florir de novo em seiva de cinzas.

A minha vida corre para a tua ausência e uma nova natureza há-de cantar o nosso encontro.

Tive um sonho .

Um sonho lindo!

Novos filhos nascem do nosso amor.

Vestidos de Primavera.

 

Nota: Em homenagem ao Orlando que agora partiu e foi o companheiro de toda a vida da Eva Cruz, uma amiga de ambos escreveu o texto que se segue:

 

(Relembrando com saudade a última vez que estive com o Orlando…)

 

   Murcharam as rosas que a Eva comprou no Dia dos Namorados. Duas. Vermelhas de sangue, de vida, de paixão. A Eva alimentava o Amor com pequenos gestos, momentos de ternura, rituais próprios… Orlando retribuía com um sorriso cúmplice, a tender para o irónico, os olhos babados de admiração e orgulho. Gente feliz!

Fevereiro era frio e o vento entrou, causando estragos. Nas flores e nos corações…

A Eva bem que tentou manter as rosas vivas por mais tempo mas o esforço foi inútil. Em vão as cuidava diariamente, o frio fora implacável. As rosas são efémeras e as pétalas foram caindo uma a uma…efémeras como a vida!

Em casa da Eva haverá sempre duas rosas vermelhas que nenhuma aragem poderá destruir. E que o seu perfume suavize o momento!    

Obrigada, Orlando, por ter adotado como seus os amigos da Eva!

Obrigada pelo convívio, pelas conversas, pelas viagens e pelos bons momentos que partilhámos em conjunto!

Obrigada por ter sido o amante, o companheiro, o cúmplice, o crítico que fizeram da Eva uma mulher feliz!

Será sempre recordado com muita saudade.

Carmina, 15/3/2017

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 21:00

Quarta-feira, 22.03.17

Começo a entender - Adão Cruz

janet fitch.jpg

 

(Janet Fitch)

 

(Para a Eva)

 

Começo a entender dentro desta idade esgotada

Que a vida tem sempre uma entrada que vai dar ao nada

E tem sempre uma saída que é sempre partida

Para nova entrada que vai dar ao nada.

Começo a entender nesta idade avançada

Que a ilusão é sempre entrada

Para a saída desencontrada da desilusão.

Começo a entender nesta idade escurecida de emoções

Palmilhada ao lado da fantasia e da loucura

Que o sangue dos sonhos e da esperança

Nunca pintou as caras pálidas das multidões.

Começo a entender no fim de contas desta idade

Que no deve-haver da memória e do segredo

Não há mais entrada para as palavras

Nem qualquer saída  para o medo.

Começo a entender que o roçar da vida

O rumor dos passos

A pedra do moinho a apertar o peito

O sol e a lua das Figueiras

E o saudoso cair da tarde dentro de mim

Nada mais são que restos perdidos do íntimo silêncio

Das esquinas de um tempo que sobrou até ao fim.

 

Adão cruz, 12 de Março de 2017

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 00:29



Pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Maio 2017

D S T Q Q S S
123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031


Comentários recentes

  • Eva

    Obrigada Clarinha pela tua amizade.

  • Clara Reis

    Simples, lindo, sentido e que faz sentir.É assim q...

  • Anónimo

    Lindo, ao estilo da Eva! A saudade descrita como s...

  • separatista-50-50

    «Tudo como dantes. Quartel em Abrantes» não é bem ...

  • adão cruz

    Completamente de acordo. Alguém tem dúvidas das mo...


Links

Artes, Letras e Ciências

Culinária

Editoras

Jornais e Revistas

Política e Sociedade

Revistas e suplementos literários e científicos