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Jardim das Delícias



Terça-feira, 28.11.17

A árvore onde estivemos - Adão Cruz

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Adão Cruz  A árvore onde estivemos

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(Adão Cruz)

 

Está seca e nua a árvore onde estivemos, nem verde botão de primeira folha

nem rebentos de céu dentro de nós.

Naquela tarde de palavras e raízes da árvore que nos viveu quis o rio nascer nos braços do estuário, quis a terra ser o leito onde a infância adormeceu.

Está seca e nua a árvore onde estivemos no calor dos lábios da ilusão, não tem folhas de primavera nem frutos de verão nem brisas inocentes tremulando por entre os ramos.

Tem restos de poemas secos pendurados nos braços negros e versos apodrecidos pelo chão e vozes mudas que ligam a noite às folhas mortas de solidão.

Está seca e nua a árvore onde estivemos, crestada pela geada e pelo frio de ser tão fria a madrugada.

No silêncio da utopia e na triste melancolia, a árvore onde estivemos secou e com ela a poesia.

 

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por Augusta Clara às 14:00




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