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Jardim das Delícias



Sábado, 27.01.18

Empresas de celulose, os grandes vampiros do país - Augusta Clara de Matos

o balanço das folhas3a.jpg

 

Augusta Clara de Matos  Empresas de celulose, os grandes vampiros do país

 

envenenamento do tejo.jpg

(fotografia de Paulo Cunha/Lusa)

 

   Na actual fase de desenvolvimento da ciência e da tecnologia, das várias tecnologias, as grandes empresas podem e deviam investir uma parte substancial dos lucros em investigação e equipamento de forma a que os detritos e efluentes resultantes da sua produção, como neste caso os que estão a envenenar o rio Tejo, fossem tratados em instalações suas criadas para o efeito sem deixarem todo esse trabalho para as ETARs. Mas não querem. Preferem distribuir os lucros anuais aos seus accionistas e gestores mesmo que o aumento da riqueza pessoal dessa frota resulte nas maiores tragédias a que temos assistido: os incêndios grandemente potenciados pela cultura desenfreada de eucaliptos e o envenenamento dos rios como está a acontecer neste momento com o Tejo pelo despejo dos efluentes atribuído pela população local à CELTEC, uma das grandes empresas de celulose deste país.

O Governo propõe medidas atenuantes da catástrofe exigindo a redução da laboração e das descargas de uma das empresas, a CELTEJO, enquanto se fala também numa tal medida de Valores Limite de Emissão de efluentes que flutua ao sabor de quem está no poder.

E nós, este povo de brandos costumes vai-se conformando ao “antes assim que pior” sem perceber que este não é só um problema de regime mas um problema de sistema, o capitalista a que, agora, se dá o nome de Mercado. A Democracia pouco tem ligado ao ambiente, esta democracia capitalista que tem um olho no burro e outro no cigano, até já vai aos fóruns dos mais ricos do planeta não se percebe defender o quê. O Ambiente só como fantasia que não é coisa que interesse aos ricos defender. O aumento das suas monumentais fortunas – um pequeno grupo de pessoas possui 80% da riqueza mundial – alimenta-se da destruição dos bens naturais: os rios, as florestas em conjunto com o desaparecimento de grande parte da fauna e da flora que neles tem o seu habitat.

Portanto, quando me dizem que o Governo teve coragem de … eu pergunto: coragem de fazer quê? Reduzir a laboração a metade, segundo a óptica das empresas, só irá prejudicar os trabalhadores, vamos ver se não vai, e não resolve de modo nenhum a despoluição do rio.

É que, de facto, isto não é um problema deste Governo nem tão pouco dos anteriores. Nem só do nosso país. É uma ratoeira em que caímos todos os que defendemos a Democracia. Defendemos, e continuamos a defender, um regime que, ao contrário dos estados totalitários, nos garanta a igualdade de direitos e dignidade de vida para todos, a liberdade de expressão e opinião e de todos os outros direitos fundamentais dos seres humanos. Mas sem a manutenção da vida saudável desta Terra que habitamos nada disso vale a pena porque se está a contribuir para a sua destruição, embora eu acredite que mais para a nossa, a da espécie humana. A Natureza, sem nós, regenerar-se-á.

Os rios são para os peixes e para os seus restantes habitantes animais e vegetais. E também para os humanos gozarem das suas águas, em trabalho ou em lazer. Mas não para os bandidos da finança lhes escarrarem e evacuarem as feses do seu dinheiro a mais.

Nas histórias costumam combater-se os vampiros mostrando-lhes uma cruz. Os bentinhos que vão à missa talvez pudessem dar uma ajudinha na limpeza do Tejo.

 

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por Augusta Clara às 19:45




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