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Jardim das Delícias



Segunda-feira, 07.11.16

O Inexistente dilema das eleições americanas - Augusta Clara de Matos

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   A realidade é que, nos Estados Unidos da América, desde há muito que os presidentes não têm o poder que aparentam ter. Podem até fazer importantes reformas internas em vários sectores, como algumas que Obama terá feito, mas na política mundial, neste momento de clarissimas características expansionistas, quem manda são os poderosos grupo e "lobbies" financeiros e industriais. Os presidentes eleitos ou acatam as ordens desse poder ou, à mais pequena desobediência, correm o risco de curto mandato ou curta vida. É uma opção que têm de fazer.

Diz Oliver Stone que Obama é míope. A mim parece-me que míope só foi durante a campanha eleitoral. Depois, pôs lentes de contacto e passou a aperceber-se com clareza da realidade em que se movia. E optou por ser americano com tudo o que isso implicou para o resto do mundo.

Mas, se recordarmos o que aconteceu com Abraham Lincoln, em pleno século dezanove em que as lutas se processavam ainda dentro do próprio espaço do continente norte-americano, ficamos esclarecidos quanto ao domínio dos ricos americanos sobre o poder dos presidentes. Quando Lincoln não aceitou que a guerra entre o Norte e o Sul terminasse apenas com o fim da escravatura e exigiu que os negros passassem a ter os mesmos direitos políticos que os brancos, levou um tiro.

Mais tarde, já na fase do império, quando John Kennedy, que até tinha sido eleito com o apoio da mafia californiana, tentou esboçar uma aproximação a Cuba, sofreu o mortal e obscuro atentado que o afastou do poder. O mesmo aconteceu ao seu irmão Robert, Ministro da Justiça, ao travar o poder do sinistro Hoover director do FBI.

A América, o único país que enriqueceu e ganhou poder com a Segunda Guerra Mundial, só quer saber de si. O tão incensado Plano Marshall que ajudou a Europa a reerguer-se não foi uma acção nada desinteressada do império americano. A Europa era o seu principal parceiro comercial e estava em ruínas tal como o resto do mundo. Para onde iriam escoar os produtos da sua crescente pujança produtiva?

O resto da história estamos fartos de saber: o aumento da riqueza requereu uma crescente obtenção de matérias-primas e o seu roubo onde quer que elas fossem abundantes, até aos dias de hoje. O Médio Oriente e o continente africano foram os primeiros a pôr a cabeça no cepo e o desastre é tremendo.

Não vale de nada tanto reboliço à volta destas eleições porque para o mundo, na melhor das hipóteses que infelizmente não me parece a mais provável, nada vai mudar, nomeadamente para esta Europa cujos dirigentes traíram os seus povos. A menos que estes resolvam dar a volta.

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por Augusta Clara às 20:22


1 comentário

De Augusta Clara a 09.11.2016 às 20:58

Que Trump tenha sido eleito, NO SEU PAíS, por toda a gente que espezinhou é o mais grave disto tudo.
Nunca tomei posição por nenhum destes dois candidato porque não vivo nos EUA e, em termos internacionais, qualquer um deles é perigoso. E não acho que venha aí o fim do mundo porque ele já cá está.
Mas ser cidadão norte-americano de alguns grupos - imigrante, homossexual, mulher, doente terminal, preto, amarelo, ateu, pobre, desempregado,etc., etc. - e ter eleito um mentecapto com características nazis para presidir ao seu destino, dá conta do grande grau de incultura geral e política daquele povo. Até alguém que estava nesta corrida não sabia o que era Aleppo.
Não pode ser só masoquismo.
As universidades que se preparem que agora vêm aí os religiosos todos para tentarem impor o Criacionismo como teoria científica. E é só um exemplo da contribuição do homúnculo para a intensificação da ignorância e do retrocesso cultural. Fora o resto.

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