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Jardim das Delícias



Sexta-feira, 29.09.17

O pássaro de todos os tempos - Eva Cruz

ao cair da tarde 5b.jpg

 

Eva Cruz  O pássaro de todos os tempos

bridgette guerzon mills1.jpg

(Bridgette Guerzon Mills)

 

Arrefecem os dias nas tardes pardas e nas manhãs claras. O sol vai

baixo no céu, perdendo o brilho sob um véu de neblina com reflexos

de púrpura, lá para os lados do mar. A brisa da tarde faz trocar a

solidão da mesa e da cadeira no cantinho do pátio pelo aconchego da

lareira.

 

Os pássaros ainda por lá andam à solta, em pios desgarrados de

partida e em jeito de despedida das árvores e dos restos da colheita

 

No topo de um abeto muito alto, tão alto que quase toca o céu, há

sempre um passarinho que fica, saudoso como eu. O pássaro de todos

os tempos. Nunca envelhece, nunca morre e canta sempre a canção

da vida, sem  chegada nem partida.

 

No Outono, antes que a Natureza complete mais um ciclo, o

passarinho, sempre criança como todas as crianças, pede muito à

Primavera que volte. Vem querido Maio e traz de novo rouxinóis e

lindos cucos. Acima de tudo, traz muitas violetazinhas contigo! “ O

komm, lieber Mai, wir kinder, wir bitten gar zu sehr! O komm und

bring´vor allem uns viele Veilchen mit! Bring´auch viel Nachtigallen

und schöne Kuckucks mit!“

 

E a música suave de Mozart desce do bico esguio do abeto, enche o

pátio de nostalgia, acompanha o cantar da água da mina, e por ali

fica, a amansar a saudade, até que volte a Primavera enquanto a

eternidade deixar. 

 

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por Augusta Clara às 14:00




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