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Jardim das Delícias



Segunda-feira, 20.11.17

Ouarzazate (Secreta ironia) - Adão Cruz

ao cair da tarde 5b.jpg

 

Adão Cruz  Ouarzazate (Secreta ironia)

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(Adão Cruz)

 

 

As franjas da memória abrem-se na manhã fria da solidão como torvelinho de água nas despojadas pedras do tempo.

Eis que nos damos conta de uma longa viagem a qualquer cidade para lá do horizonte, quando um mar de cal viva queima os sentimentos no estribo de um velho comboio sem princípio nem fim.

Eis que nos damos conta das lágrimas contidas por um mar de cinza que cobre a alegria de viver, quando se apaga o sol que brilha entre as mãos.

Eis que no crescer da angústia uma infinda tristeza afoga a razão, entranhando no sangue a sombra espessa da desilusão.

O coração tomba perdido na poeira da cidade, preso à orla do deserto de Ouarzazate como criança sem asas.

Na terra sem trilhos e sem regresso aos olhos onde se abre o sorriso de todas as manhãs, eis que nos damos conta de não fazermos parte do mundo.

E cai o sofrimento no profundo silêncio das noites sem nome, suspensas das estrelas.

E resta a saudade, ardendo em fogo lento como ramo seco da primeira folha verde.

 

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por Augusta Clara às 17:13


2 comentários

De Anónimo a 21.11.2017 às 23:29

estás como o vinho do Porto

De Augusta Clara a 22.11.2017 às 01:53

Quem é este anónimo?

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