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Jardim das Delícias



Sexta-feira, 05.01.18

Quando vens ao meu encontro - Adão Cruz

ao cair da tarde 5b.jpg

 

Adão Cruz  Quando vens ao meu encontro

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(Adão Cruz)

 

Quando vens ao meu encontro para lá da ponte que leva aos restos das paredes onde vivo, quando trazes contigo um resto de lume daquela tarde incendiada da nossa ilusão, fico preso aos ponteiros de um relógio em desacerto, nas horas amargas da solidão.

Ainda há nos teus olhos pequenas estrelas de magia que levam os meus para lá do tempo, de onde regressam cegos como os teus lábios secos.

Não há palavras para me sentir perto do teu rosto, nem são oásis as falésias ou as fendas do deserto, nem são de acerto as horas do sol-posto.

O poema de outrora desnuda-se a si mesmo, dentro dos restos das paredes onde vivo.

Mesmo assim, quando trazes contigo a cinza daquela tarde incendiada, fico a pensar se foi ontem o amanhã… ou se ainda há horas de verdade nas entrelinhas da secura.

 

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por Augusta Clara às 16:46




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