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Jardim das Delícias


Segunda-feira, 15.05.17

São de lágrimas os olhos das andorinhas - Eva Cruz

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Eva Cruz  São de lágrimas os olhos das andorinhas

 

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(Augusto Peixoto)

 

 

Acordo com a luz da Primavera

foram-se os cheiros e as cores

a alegria do verde e o azul do céu.

Uma brisa suave leva-me  onde amei

dentro de um sonho que perdeu o futuro.

Não me dou com o malvado do tempo

que nada corrige e a nada obedece.

Fico à espera da manhã azul

e o  tempo adormece.

Os pássaros enamorados

não sabem que o Outono cinzento volta.

Julgam-se donos do mundo.

Tenho vontade de lhes contar a verdade.

Que vivam na ilusão! A Primavera volta sempre, ou talvez não...

Acordo com a luz da Primavera, mas ela vem despida de

azul e são de lágrimas os olhos das andorinhas.  

 

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por Augusta Clara às 15:57

Quinta-feira, 11.05.17

Peregrina da saudade - Eva Cruz

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Eva Cruz  Peregrina da saudade

 

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(Tara Turner, "The same but different")

 

 

   A estrada é de maias amarelas. Solitário, o asfalto cinzento guia os olhos por detrás das lágrimas. Os montes caem em socalcos desdobrando a verdura sob o brilho do sol, coado por núvens brancas a delir-se. As maias são o tempo passado  que há-de voltar. O tempo, tal como o rio, não é de parar.

Os plátanos soltam as plumas e no rio de sombras e brumas  cai o sol a brilhar. Para tràs ficaram as maias amarelas e parte da vida com elas. O Maio há-de voltar de novo,  a florir, quer deseje cá estar, quer deseje  partir.

O rio, negro e fundo, corre manso e frágil sob as águas trémulas, cobertas de algodão branco, como manto de neve no calor da tarde.  Nem o  algodão branco, nem os pássaros vestidos de céu devolvem ao rio da vida  o brilho que a vida perdeu.

Peregrina da saudade, percorro os mesmos caminhos e atravesso as mesmas pontes, segurando-te a mão. Lá em baixo, o rio  reflecte o mesmo céu, mas as  aves nada me dizem, não sabem de ti.

Oiço apenas o eco dentro de mim, o eco da serenidade e da partilha , para o bem e para o mal, naquele cantinho enfeitado com o meu chá e o teu jornal.

Escrevo-te da varandinha do quarto para te dizer que  os plátanos estão enormes. São dois, entrelaçados, abraçando o céu. Como nós, se a noite não fosse vazia e a mão estendida não fosse apenas a coberta branca e macia. 

No banco, à beira do rio, o cantar das rãs rompe a saudade. Tenho tanta inveja do rio, sempre vivo, sem idade!

Peço às estrelas que escrevam no céu, ao lado  de Corconte, a lenda do Palácio cor-de-rosa, que no silêncio daquela tarde, reflectido nas águas do rio, retoma lentamente e  para sempre a cor da pedra.

 

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por Augusta Clara às 17:43

Domingo, 26.03.17

Anda no ar um cheiro triste - Adão Cruz

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Adão Cruz  Anda no ar um cheiro triste

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(Adão Cruz)

 

 

Fujo do rio vazio
e sento-me neste banco cinzento que já foi branco
quando havia borboletas brancas e muitas flores
e alegrias e pedaços de sol entre os braços da sombra.
Fujo deste banco escuro do cais do Ouro
onde os corvos marinhos secam as asas ao sol
e a tristeza invade as margens com a maré cheia.
Fujo do rio quando os barcos se enterram no lodo
e a luz é uma neblina densa que invade a alma pelos olhos dentro
e os corvos marinhos fazem voo rasante para outras paragens.
Fujo do rio e vou sentar-me noutras paisagens
neste banco cinzento que já foi branco e de outras cores
onde tudo o que chama por mim é silêncio
e o corpo me dói
e a alma se dissolve na água da mina
a regar as cinzas e as carnes moles de um corpo velho.
Sento-me na pedra fria deste banco que já foi branco
no tempo das flores e das borboletas brancas
em que não havia desertos ao fim da tarde.

Anda no ar um cheiro triste
e por isso deixei que a tarde me falasse
mas tudo o que chamava por mim era silêncio
e era silêncio o cantar da água que ia regar as cinzas
e as carnes moles de um corpo velho.
Não havia desertos entre a folhagem
neste banco pintado de branco
entre os pedaços de sol e os braços da sombra
mas os desertos aí estão
desertos de areias que são sementes de cabeças de criança
sim
as desse tal Herberto
caminhando ao longe
vagarosamente
sobre as areias do deserto.

Anda no ar um cheiro triste
e eu sento-me na margem húmida do rio num barco inventado
ali mesmo ao lado do minititanic
a sobrar de podre e a dobrar o tempo do amor de um velho
na loucura do sonho do cair da tarde
e a noite não tarda
salpicada de borboletas negras de voo pesado
e barcos enterrados no lodo.
Fujo do rio antes que chegue a maré cheia
e a tristeza baixe as asas dos corvos marinhos
e o sol não seja mais que uma densa neblina afogando o rio
e os corvos marinhos chamem por mim em desafio
e tudo o que chame por mim não passe de silêncio.

Anda no ar um cheiro triste
e eu fujo do rio que dá a ideia que vai secar
como os pedaços de sol e os braços da sombra
e vou sentar-me naquele banco cinzento que fora branco.
Fujo do rio e do cais do Ouro
mas o silêncio beliscado pelo fio de água da mina
a regar as cinzas e as carnes moles de um corpo velho
não passa do silêncio de tudo o que pode ser
o desesperado voo rasante dos corvos marinhos
sobre um rio negro deserto e frio que faz tremer.

 

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por Augusta Clara às 15:06

Quarta-feira, 22.02.17

CRÓNICA-DESABAFO - Adão Cruz

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Adão Cruz  CRÓNICA-DESABAFO

 

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(Adão Cruz)

 

   Depois de um dia de consultas desgastantes, passei  hoje [ontem] pelo hospital onde tenho alguém na Unidade de Cuidados Intermédios, em estado precário, todavia com sinais positivos de recuperação.

Esta melhoria legitimou a minha ida até à Ria de Ovar, a fim de comer qualquer coisa, neste caso concreto, meia dúzia de enguias fritas acompanhadas de dois copos. No fim, sob a abóbada de um crepúsculo quase sinfónico, daqueles que pintam de vermelho o horizonte do mar e dizem ao viajante:  “vermelho para o mar, pega no burrinho e põe-te a andar”, ou que dizem ao lavrador “pega nos bois e vai lavrar”, percorri a passo de caracol a berma da ria, ao som, nem de propósito, de “A Barcarola”, de Offenbach. Que maravilha de casamento entre o céu, a água, a música…e a nossa instabilidade emocional!

No fim desta encantadora peça musical que me encheu sempre a alma, desde remotos tempos em que, à beira-mar, eu procurava a calma e o equilíbrio dos meus momentos de desassossego, ouvi a entrevista de Luís Caetano a Luís Diamantino, um dos responsáveis pelas “Correntes de Escritas” da Póvoa de Varzim. Não digo que tenha ficado desiludido, mas também não me deixei iludir, pois não me iludo sempre que transformam eventos literários, poéticos e artísticos em espectáculos de folclore e feiras de fumeiro.

A criatividade, seja em que campo for, é sempre, sempre fruto de uma liberdade incondicional e não de uma fábrica de saberes. Além disso, a literatura, a poesia e a arte não são mercadorias a promover ou vender em feiras. É a cultura, política e socialmente considerada prioridade social, que deve trazer as pessoas ao encontro da literatura, da poesia e da arte, na descoberta de que a sua vida necessita delas como metabolito essencial, e não o contrário. Não sendo assim, tudo não passa de folclore.

Por exemplo, em vez desta espécie de feira, por que não tentar discutir a fundo e filosoficamente o que é a literatura, o que é a arte e o que é a poesia, que, praticamente, ninguém sabe o que são, a despeito de inúmeras definições, a maior parte verdadeiramente disparatadas e sem jeito nenhum. Além disso, uma boa parte da poesia que para aí se faz e consome, por exemplo, não passa de chachada, e, no entanto, anda por aí, lida, relida, declamada e pendurada em tudo quanto é esquina. Sejamos sérios. De uma vez por todas, para que possamos ter um fio de ligação, não há outra plataforma de entendimento que não seja assentarmos no conceito neurobiológico do sentimento como suporte de entendimento do sentimento artístico e do sentimento poético, iguaizinhos a quaisquer outros sentimentos. Não sendo assim, tudo o resto é fantasia e disparate.

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por Augusta Clara às 14:00

Quarta-feira, 11.01.17

A Falácia da República Portuguesa dos Sovietes - Augusta Clara

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Augusta Clara  A Falácia da República Portuguesa dos Sovietes 

 

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   Para terminar a conversa porque amanhã já estamos "noutra", convoquemos à cena aquela indómita fantasia que por aí fez caminho no chamado "Verão quente" de 1975. Fantasia, sim, só para quem dela se convenceu porque quem a congeminou sabia bem ao que vinha. Tinha ela como argumento a existência do perigo da instalação aqui no país duma república soviética do tipo da existente na então URSS.
Ora, partindo da improvável hipótese de que um cérebro de caracol - lembrem-se que Álvaro Cunhal era um homem de grande inteligência e, como ele, outro(a)s dirigentes político(a)s da esquerda da altura - conseguia pôr em prática esse projecto, a tal República Soviética do Portugal dos Pequeninos ficaria obrigada a passar a fazer a grande maioria das suas trocas comerciais com a URSS lá na outra ponta da Europa porque, pela certa, sofreria o maior boicote económico de todos os tempos por parte dos países da Europa Ocidental e Central bem como dos EUA.
A esquerda queria mais poder? Queria, sem dúvida, porque já era mais do que evidente a guerra que os sectores donos do dinheiro faziam a uma política que pretendia estender os benefícios e garantir uma vida digna a toda a população. Coisa que não lhes agradava porque, evidentemente, iriam perder privilégios. Porque se nacionalizaram os bancos? Porque os capitais começaram a fugir do país. Que pena não terem ficado nacionalizados, não andaríamos agora a pagar do nosso bolso os monumentais roubos do banqueiros ladrões.
Foi esse medo, a perda das vidas faustosas, custassem o que sempre tinham custado a tantos e tantos portugueses durante os 48 anos de fascismo salazarista que levou ao golpe da direita reaccionária em 25 de Novembro de 1975 e não uma guerra civil que ninguém tinha em mente nem temia. Esse era apenas um capítulo da fantasia propagada. Medo esse que já se tinha manifestado nos atentados do ELP e do MDLP tutelados pelo general Spínola. Lembram-se dos incêndios das sedes do PCP e da morte do padre Max e da jovem que o acompanhava?
E pronto, assim viemos parar ao que nos aconteceu nos últimos anos e que o Governo de António Costa, com o acordo que fez com os partidos de esquerda, tem tentado emendar.

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por Augusta Clara às 19:50

Sábado, 07.01.17

EM PORTUGAL OS ÁRBITROS DE FUTEBOL VALEM MAIS DO QUE AS MULHERES - Augusta Clara

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Augusta Clara  EM PORTUGAL OS ÁRBITROS DE FUTEBOL VALEM MAIS DO QUE AS MULHERES 

 

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   Num país onde a ameaça a um árbitro de futebol desencadeia de imediato uma protecção reforçada das forças de segurança a todos os outros e suas famílias enquanto que as queixas de mulheres por violência doméstica levam tanto tempo e tanta burocracia a serem apreciadas que os casos de morte já fazem história, NÃO HÁ MACHISMO?

E o silêncio que sobre isto se faz por parte de um e do outro sexo chama-se como?

É forçoso que hoje deixe aqui um elogio à acção da Polícia Judiciária que ontem, em Grândola, salvou da morte uma mulher.

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por Augusta Clara às 18:15

Sexta-feira, 06.01.17

Dia de Reis - Eva Cruz

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Eva Cruz  Dia de Reis

 

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(Monica Mora e Robin Ryan) 

 

Nasci a 6 de Janeiro.
Minha mãe dizia-me:
— Es rainha. Mas o mais importante é seres rainha nas virtudes.
Não fazia a mínima ideia do que seriam virtudes, e ainda hoje não sou capaz de medir o alcance das suas palavras.
O Dia de Reis era um dia especial.
Começava logo pela véspera, a primeira consoada do ano. Já noite dentro, lá vinha a toada dos Reis, as Janeiras, tocadas e cantadas por músicos da banda que nas festas se exibiam no coreto.
Muito distante no tempo, recordo apenas o som vivo do clarinete que cortava o silêncio sagrado da noite.
Um quarteto de homens vestidos de preto surgia na faixa de luz quando a porta se abria, ofuscados pelo reflexo metálico dos instrumentos.
O Dia de Reis era Dia Santo e as férias do Natal duravam até lá.
Sempre se festejaram os meus anos com amiguinhos da escola, cacau ou banacau, pão com manteiga e doce sortido.
Na mesa havia camélias brancas, as flores preferidas da minha mãe.
Brincadeira até à noitinha, a saltar à corda, jogar à cabra-cega, à patela, à roda ou a correr pelos campos.
As escondidas, lá íamos mirar o poço velho, de onde se tirava água com um sarilho. Era um dos maiores perigos do lugar.
O poço não tinha vedação e nós espreitávamos à volta. Lá em baixo, as nossas cabecitas reflectiam-se nas águas paradas, e no ventre da fantasia e do mistério, via sobre a minha cabeça uma coroa de rainha. Um poço de virtudes, soubesse eu o que eram virtudes!
Fui também rainha dos campos, com coroas de pampilos amarelos tecidas pela inocência da infância. Rainha dos montes com grinaldas de perfume das giestas e eucaliptos. Rainha do rio, com coroas de juncos ou bailando nas cheias que cobriam os lameiros, arrastando tudo em séquito majestoso.
Quando colhi as últimas camélias para a minha mãe, no Dia de Reis, tinha ela cem anos. Com a frescura e a brancura de Janeiro, poisei-lhe um ramo, ao de leve, no regaço.
— São as suas flores predilectas.
— São lindas.
— Faz hoje anos que teve uma menina, estavam a tocar as três para a missa. Lembra-se?
O seu rosto vestiu-se de uma expressão serena, perdida no tempo.
— Talvez.
— Teve uma rainha, não foi?
Revelou alguma surpresa, no ingénuo sorriso da candura da idade.
— Estou agora a sabê-lo!
Todos os Dias de Reis me apetece colher camélias brancas, mas as que mais gostaria de colher ficaram para sempre no seu regaço.
 

(in Cenas do Paraíso, ediçõesengenho)

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por Augusta Clara às 18:00

Sexta-feira, 23.12.16

A verdade (Ou a vinda de Francisco a Fátima) - Adão Cruz

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Adão Cruz  A verdade (Ou a vinda de Francisco a Fátima)

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   Qualquer um de nós que mantenha respeito por si próprio manifesta uma saudável vontade e necessidade de tentar aproximar-se o mais possível da verdade, esteja ela onde estiver. Só a verdade vos tornará livres, disse Cristo.

A mentira é a ofensa mais directa contra a verdade, diz a Igreja Católica, a despeito das fundamentais e colossais mentiras em que assenta.

É frequente ouvirmos comentários a dizer para deixarmos a Igreja em paz, e, se não lhe pertencemos, em nada temos que a criticar. Quem assim fala, obviamente que não reflecte, nem evidencia honestidade de pensamento.

A Igreja é um fenómeno social, um dos fenómenos sociais mais entranhados e mais influentes da nossa sociedade. Se é bom ou mau, pertence a cada de nós sabê-lo, e é obrigação de cada um sabê-lo. O que é certo é que todos nós, crentes, agnósticos, ateus, pessoas de outras religiões, temos o direito, o dever e a obrigação de nos debruçarmos, da forma como entendermos, sobre um fenómeno que nos afecta tão profundamente e que tão dramaticamente interfere nas nossas vidas.

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Todas as nossas vidas, desde o nascimento, estão, com efeito, profundamente influenciadas pelo cristianismo católico. Toda a nossa história, os nossos próprios nomes, os actos sociais, as festas, os nomes das instituições de saúde e educação, e não só os nomes mas toda a cultura que nelas se difunde, a visão do mundo e da ciência, a visão política, económica e financeira, nacional e internacional, as intervenções em todos os quadrantes, nomeadamente as intervenções bélicas estão embebidos pelo que de santo ou diabólico existe na religião e na Igreja.

Tudo o que atrás referi tem como finalidade chamar a atenção para o que nem tudo o que luz é ouro. Chamar a atenção para a necessidade de não nos deixarmos guiar apenas pelos costumes, pelas tradições e por tudo o que nos impingem. Chamar a atenção para a imperiosa necessidade de pensar e de ler, leituras sérias, fundadas e documentadas, que consigam pôr-nos a pensar pela nossa cabeça e não pela cabeça da igreja e dos poderes de que ela dispõe. Lembremo-nos que nada há de mais sagrado do que a nossa razão e a nossa mente. Passarmos por cima delas é o pior de todos os suicídios.

A sorte que actualmente temos de poder dispor, a nível mundial, de uma profusa literatura honesta e credível não pode ser desprezada.

“Mentiras Fundamentais da Igreja Católica”, por exemplo, de Pepe Rodriguez, é um fantástico livro, a não perder por quem sente, como disse atrás, a necessidade da verdade como metabolito essencial da sua existência.

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Pepe Rodriguez é licenciado em ciências da informação, é um destacado jornalista de investigação, um especialista em seitas e religiões comparadas. O livro é de uma seriedade, honestidade e transparência que não deixam dúvidas a qualquer leitor bem intencionado. Pressente-se que o trabalho de investigação que lhe deu origem foi extremamente sério e ciclópico. Basta o astronómico número de referências bibliográficas, e o apoio e colaboração de destacadas figuras da cultura como Victoria Camps, catedrática de ética, Enrique Magdalene conhecido teólogo católico, Maria Martinez Vendrell, psicóloga e Joaquin Navarro Esteban, magistrado da Audiência Provincial de Madrid.

Mas há muitos mais livros francamente aconselháveis, repito, a quem não pode viver acomodado com a pulhice e a mentira, livros que, por certo, mudarão a mentalidade de quem os ler com vontade e intuito de procurar a verdade, dentro do respeito que cada um nutre por si mesmo.

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Refiro apenas alguns do que tenho lido ultimamente:

- “Em nome de Deus” de David Yallop. Sobre o assassinato de João Paulo I pelo Vaticano, sobre o trabalho sujo da Igreja, nomeadamente os escândalos financeiros e a cobertura na fuga secreta dos grandes criminosos nazis bem como a sua colocação em esconderijos na América Latina.

- “A Desilusão de Deus” de Richard Dawkins. Sobre o problema Deus.

- “A Santa Aliança” de Eric Frattini. Sobre toda a ligação criminosa do Vaticano à mafia, loja maçónica, terrorismo de extrema-direita, apoios às mais ferozes ditaduras, e sobre os inimagináveis crimes e fraudes político-económico-financeiros.

- “ A vida sexual do clero” de Pepe Rodriguez. Mal aceite pela Igreja, como é óbvio, mas que ela não conseguiu impedir de chegar às mãos de imensos católicos. O próprio bispo Januário Torgal Ferreira considerou-o não ofensivo nem agressivo, e diz que, ao lê-lo, se tem a sensação de abrir os olhos.

- “Los Papas e el Sexo” de Eric Frattini. Sobre as “castíssimas virtudes” de tudo quanto é perversão papal, desde que o papado existe.

- “O Labirinto de Água” de Eric Frattini. Sobre o Evangelho de Judas Escariote.

- “O Espectáculo da Vida” de Richard Dawkins. Sobre a Evolução. O mais fantástico documento anti-criacionista que já li.

- “El Catolicismo Explicado a las Ovejas” de Juan Eslava Galán.

- “Los Péssimos Exemplos de Dios” de Pepe Rodriguez.

- “deus não é Grande” de Christopher Hitchens. Como a religião envenena tudo.

- “Opus Dei” de Bénédicte e Patrice Des Mazery.

- “CIA, Jóias de Família”, de Eric Frattini.

- “Segredos do Vaticano” de John Follain. Sobre o assassinato do coronel Alois Estermann, da Guarda Suíça, e sua esposa, a venezuelana Meza Romero, perpetrado pelo cabo Cédric Tornay, que se suicidou, e que o Vaticano abafou de forma altamente suspeita.

-“La puta de Babilonia” de Fernando Vallejo.

- “O Empório do Vaticano” de Nino Lo Bello. Sobre tudo o que o título sugere.

- “O Holocausto do Vaticano” de Avro Manhattan. Este livro, especialmente temido e banido pelo Vaticano é algo de tenebroso, recheado de exemplos chocantes do terrorismo contemporâneo do Vaticano, com documentos e fotos dos campos de concentração católicos na Jugoslávia e não só, de execuções de centenas de milhar de não-católicos, e de inacreditáveis atrocidades e execuções em massa, com enterramento de famílias inteiras vivas e conversões forçadas.

- “Vaticano S.A.” de Gianluigi Nuzzi, um documento histórico e exclusivo que revela a mão do Vaticano nos bastidores dos jogos políticos e financeiros.

- “Sua Santidade” de Gianluigi Nuzzi”, as cartas secretas de Bento XVI. Como o Vaticano Vendeu a alma.

-“Conspiração no Vaticano”, de G.L. Barone. Terrorismo, Alta finança, Santo Sudário, Vaticano e Guarda Suíça.

- “Os abutres do Vaticano”, de Eric Frattini, o livro que previu a renúncia de um Papa.

- “Avareza”, de Emiliano Fittipaldi, os documentos que expõem a riqueza, os escândalos e os segredos da Igreja do Papa francisco. Um livro que abalou o Vaticano e levou o autor a tribunal.

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- “Via Crucis”, de Gianluiggi Nuzzi. Francisco, um papa em perigo no seio do Vaticano.

Longe de mim a pretensão de ensinar alguma coisa a alguém, sobretudo em matéria desta ordem. Longe de mim a intenção de procurar distorcer o pensamento de quem quer que seja. Reconheço a minha ignorância em muita e muita coisa, apesar de ter uma grande avidez de conhecimento e saber. Sou suficientemente humilde para reconhecer a fragilidade humana, mas sou suficientemente racional para saber que a verdade, esteja onde estiver, não é esta que para aí impingem de forma dogmática, e que a mentira é demasiado poderosa para a tudo se sobrepor, quando por trás dela existe a indigna exploração da ignorância, escancarada “ad nauseam” em todo este triste folclore a que assistimos, e os inconfessáveis e misteriosos interesses do poder estabelecido. O Vaticano é um regime teocrático arcaico e empedernido, que visa a defesa a todo o custo da sua “religião”, a despudorada propaganda, e a extensão e expansão dos inadmissíveis e obscenos privilégios materiais e temporais de uma religião, cuja essência e verdade pouco ou nada lhe interessa.

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por Augusta Clara às 19:46

Sexta-feira, 16.12.16

Chico Carvalho - Francisco José - António Galopim de Carvalho

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António Galopim de Carvalho  Chico Carvalho - Francisco José

(O Prof. Galopim de Carvalho, tão conhecido pelos seus estudos sobre os dinossauros em Portugal, fala-nos do seu irmão Francisco José que as gerações mais velhas recordam como o cantor de "Olhos castanhos")

 

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 (Francisco José)

   Eu tinha oito anos e ele quinze. A Alemanha dava início à 2ª Guerra Mundial. Meu irmão mais velho, Francisco José, o Chico Carvalho, como era conhecido em Évora, a cidade onde nascemos e fomos criados, começou cedo a interessar-se pelo jogo do bilhar. Logo que a estatura lhe permitiu chegar à altura do tampo verde, pegou no taco e ensaiou as primeiras carambolas. Nessa época e até meados do século passado, o bilhar de carambola dominava entre nós. Só depois assistiríamos à invasão e expansão do snooker, importado da América.

Hoje, praticamente, desaparecido, o bilhar que ele e eu, aprendemos a jogar na Sociedade Harmonia Eborense e que, depois, praticámos no Cafés Montanha e no Café Camões, era o das três bolas, uma vermelha e duas brancas, no qual o jogador, com uma tacada numa das bolas brancas, fazia com que esta tocasse nas outras duas, isto é, carambolasse. Com o tempo, este meu irmão, seguindo as pisadas do nosso pai, tornou-se um grande jogador desta modalidade, quase ombreando com o José Silveira e o Matos, verdadeiros campeões na cidade e no país.

Por todos os cafés e sociedades recreativas com sala de bilhar, era comum o “jogo do tacho”, uma variante a dinheiro, em que o Chico Carvalho era exímio ganhador. No centro do tampo verde das mesas de bilhar colocava-se um pires, a fazer de tacho, dentro do qual, no início do jogo, cada participante colocava uma moeda de dez centavos, um tostão, como se dizia. De cada vez que um jogador tocasse com uma das bolas no tacho, tinha de ali colocar outra moeda. O jogo terminava quando concluídas vinte ou mais carambolas, conforme combinado, e ganhava quem primeiro completasse número de carambolas acordado, arrecadando todo o dinheiro ali acumulado no decurso do jogo.

Sempre com pouco dinheiro no bolso – a semanada era curta – foram muitas as vezes que lhe servi de banca, emprestando-lhe as quantias de que necessitava para jogar ao “tacho”, quantitativos que, no próprio dia ou no dia seguinte, me pagava com juros. Como a maioria das crianças, eu tinha, então, um “migalheiro” de barro onde ia metendo todos os tostões que angariava, os das semanadas e os dos mandados que fazia. Com uma faca e com a minha anuência, o Francisco José fazia deslizar pela lâmina, uma a uma, as moedas com que iria jogar. E a combinação era: por cada dez tostões ele restituía-me onze. O negócio foi bom para ambos. Ele ganhava sempre e o meu mealheiro engordava.

Nesse ano de 1939, subia à cena, no Teatro Garcia de Resende, a revista musical em dois actos “Palhas e Moínhas”, cujas coplas, da autoria de Vasconcelos e Sá, versam múltiplos e variados aspectos da cidade de Évora e, sobretudo, da vida nos campos do Alentejo e da personalidade dos alentejanos.

Com 15 anos fez-se ouvir em público, nesta revista, sem microfone e pela primeira vez, a voz bem timbrada e melodiosa e a dicção perfeita do que, anos mais tarde, foi o cantor dos Olhos Castanhos.

A partir de então foram as actuações nas galas do então Liceu André de Gouveia, por ocasião das festividades evocativas do 1º de Dezembro. Ouvidas nas ruas da cidade, foram, ainda, as serenatas, com ou sem luar, às suas pretendidas ou às dos colegas do liceu, as mais das vezes com público a assistir e a aplaudir. Muito antes de ser Francisco José, o Chico Carvalho era uma voz bem conhecida e apreciada no burgo que o viu crescer.

Com um enorme sucesso no Brasil, nunca igualado por algum seu conterrâneo, veio à terra natal em 1963: A áurea, que trazia, levou a RTP a apresentá-lo num programa musical, em directo e em horário nobre. Ele cantou, cantou e, no final, surpreendeu tudo e todos com a denúncia do tratamento mesquinho que era dado aos artistas nacionais, em contraste com as mãos largas oferecidas aos estrangeiros.

Foi um embaraço para os responsáveis pelo canal televisivo nacional e para os governantes de então. Uma multidão de gente do “reviralho” concentrou-se na Praça do Areeiro, para o aplaudir, frente ao restaurante “O Chicote”, onde actuava no fim do serão. Desde essa data deixou de haver programas de televisão em directo, uma prática só restabelecida com o fim da ditadura.

Como consequência desta sua ousadia foi chamado à PIDE. Não o prenderam, mas, como ele dizia, «leram-me a buena dicha». Nunca mais teve oportunidade de actuar na RTP e nunca mais deixou de estar vigiado. Todas as vezes que vinha a Portugal, desde o desembarque até ao momento de subir para o avião, no seu regresso ao Brasil, tinha um pide a seguir-lhe os passos.

Enquanto estudante universitário e antes de enveredar na carreira que o tornou conhecido, concluíra o essencial das cadeiras dos então Preparatórios de Engenharia. Foi já sexagenário que encontrou ritmo de vida que lhe deu condições para voltar à Universidade. Não para ser engenheiro mas, simplesmente, para estudar. Concluiu então a licenciatura em Matemática o que lhe permitiu ensinar Geometria Descritiva, numa Universidade para a terceira idade, a troco de poder frequentar nela aulas de outras disciplinas como História de Arte e Arqueologia.

 

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por Augusta Clara às 17:00

Quarta-feira, 14.12.16

Ler, vender romances e fazer mágicos - Carlos Vale Ferraz

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Carlos Vale Ferraz  Ler, vender romances e fazer mágicos

 

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InComunidade, Ano 4, Edição 51, Dezembro 2016

 

   Como tantos outros escritores sou às vezes convidado para falar dos meus romances em escolas e noutros locais, para almoços, jantares, tertúlias. Falo com professores, leitores, editores, bibliotecários, livreiros, pessoas que gostam de livros, de romances. Muitas vezes com elevadas habilitações, com muito maior experiência do que eu de contacto com jovens e menos jovens. Ganhei de todas as conversas, charlas e encontros um enorme capital que devia ser de esclarecimentos, mas acumulei dúvidas e perplexidades. Nenhuma das causas para os males da leitura de romances que tenho ouvido me parece responder a essas dúvidas. Existe uma questão comum nas explicações: porque não lêem os jovens, porque não se lê em Portugal? Reuni um catálogo com razões para todos os gostos. Acredito na validade de todas elas: a civilização do imediato, que não concede tempo para a leitura, as novas tecnologias, as intermetes, os tabletes, os telemóveis, os headphones, a cultura do indicador e do polegar, do teclado e do ecrã tátil. A preguiça do ver em vez do ler e do pensar, o pronto-a-vestir das ideias e dos conceitos, a facilidade do Google em vez da complexidade do pesquisar, o caminho direto em vez do labirinto. Ler cansa os olhos, pesa no bolso.

Sinceramente, penso que boa parte da responsabilidade pelo afastamento das pessoas ditas normais, jovens e menos jovens, é dos escritores e daqueles que deviam ser os seus agentes, os editores e os promotores dos livros de ficção. Tenho-me aproximado desta conclusão aos poucos, à medida que vou ouvindo as apresentações que fazem de mim e de colegas meus nessas sessões. Um bilhete de identidade um pouco mais desenvolvido: Local e data de nascimento, lista de obras, resumida, e aqui está o senhor que temos muito prazer em receber e a quem agradecemos a presença. É assim numa sala de aulas, num anfiteatro de biblioteca, num estúdio de televisão. Cá está um funcionário que escreve livros, igual a um operário que faz tijolos. Alguém está interessado num tipo que faz tijolos? Numa criatura ensimesmada, sem charme, que não causa “pica”(embirro com “pica”, mas…), que agradece humildemente falar da sua obra?

Os professores de português, de literatura, os críticos, os jornalistas culturais explicam o romance, ou o conto como um engenheiro civil explica o tijolo: através da composição química, da resistência aos elementos, do número de buracos tem, se não for tijolo burro, da utilidade: quantos tijolos são necessários por metro quadrado. Os mestres literários falam dos romances e dos contos do mesmo modo: o tema principal da obra é, por exemplo, a eterna luta do bem contra o mal, dos tempos da narrativa, das personagens principais e secundárias que variam entre o herói e o anti-herói… Cinco minutos depois o escritor está enterrado, assim como a obra. Aquela criatura carrega os males do mundo, reflete sobre o destino da humanidade, trabalha como um escravo, mas audiência já está noutro lado. Depois o escritor fala, nos casos mais comuns leva-se a sério, assume o seu papel de pensador, de herói ignorado da luta pela cultura nacional tão ameaçada, é um agente cultural que ali está. Ninguém compra esta cultura nacional tendo a selecção nacional de futebol no Palácio de Belém, ou sessões pornográficas em contínuo na Televisão da Teresa Guilherme, ou as sessões da tarde do Portugal é nosso, com concertinas e adolescentes gorduchas a dar à perna para a plateia nacional O escritor é um oráculo, mas isso também é uma senhora que vende horóscopos na televisão. Nos casos mais próximos da imortalidade fala do Homem, mas isso fazem os pastores da igreja maná a multidões nos estádios! O Homem onde tudo começa e acaba. Do Homem entendido como ser humano. Quando o escritor fala do Homem e da sua transcendência – e acreditem que este é um tema das sessões de promoção de romances e escritores, já a audiência está a pensar no jantar, nas férias, nos números da lotaria. E depois há o tema dos sentimentos, que são como os fundos dos mares, mais ou menos profundos. No final, o que levará alguém a ler o tijolo que um operário construiu com o que tinha à mão e com tanto esforço? E a comprá-lo?

Não, o culpado pela seca, pela falta de interesse não são as novas tecnologias, nem a cultura do imediato. A culpa é da chatice dos editores, promotores e escritores. A mais moderna estratégia para ultrapassar o interesse pela literatura é fazer de escritor-palhaço. Quem trata do assunto entendeu que, para incentivar a leitura de um romance, o escritor deve rapar o cabelo, colocar brincos nas pálpebras, cantar um fado, fazer o pino, contar anedotas. Há quem siga esse caminho. Não existindo matéria-prima literária, embrulham a redacção que lhes saiu do computador numa outra capa – que quem tem sempre escapa. Pode ser uma sessão espirita ou a apresentação do ou da namorada, do cão, do gato. Até de um prato de bacalhau. É o truque do escritor feira de enchidos, muito vivenciado e experienciado.

Tenho passado por todas estas dúvidas. Os livros electrónicos vendem mal, os escritores electrónicos também. Os dos programas da manhã são abafados pelas capitosas apresentadoras, os da tarde pelos que andam de mal de amores e das cruzes. Resta a pergunta: para onde foram os antigos leitores de romances? Os concertos estão cheios. Tanto os de música clássica como os das modernas expressões de efeitos especiais. Idiotas sobre um palco enchem salas e escritores tão idiotas como eles são votados ao desprezo, a questão não está na qualidade, nem na indigência, nem no que escrevem nas letras a acompanhar as músicas ou nos romances. Os estádios de espectáculos desportivos estão cheios e as livrarias vazias. E não se escreve melhor com os pés do que com as mãos. Em geral, claro. Os romances são difíceis de perceber, também a lenga-lenga do rap!

Onde está então a diferença entre um concerto, um jogo de futebol e um romance? Há a questão do grupo, do sentido de pertença a uma tribo, a um grupo, a um gangue. Os fans de um músico ou cantor, os adeptos de um clube ou de um jogador sentem o prazer da exibição da pertença, a excitação da matilha que vai à caça. Contra essa excitação a leitura de romances nada pode. Mas pode competir noutras áreas. O romance e o escritor têm uma qualidade que os distingue: são criadores de fantasias. São mágicos e têm de ser apresentados como mágicos. Eu gostava – tenho pensado nisso – de ser apresentado assim, ao som do rufar de tambores: Este senhor (Carlos Vale Ferraz, no caso) criou (criou e não escreveu) uma história que ninguém viveu ou viverá! Criou personagens que os leitores podem encontrar na rua, mas que nunca serão as que o respeitável público julga conhecer e terão pensamentos sobre a vida que talvez reconhecem de outros lugares, de outras pessoas. Este senhor já ouviu mortos falarem da sua vida. É verdade, acreditem. Leiam o que ele tem aqui dentro deste livro. E conheceu um tipo numa floresta de África que andou três dias com um amigo às costas até o salvar e o amigo só se manteve vivo para não o desiludir! E descobriu um homem que nunca se apaixonou até ao momento em que… Também criou uma mulher que escondeu o filho até ele enfrentar quem a desprezou e sabem como? Coisas assim. Se os escritores fossem apresentados como mágicos, em vez de homens que dão conselhos, que mergulham nas profundezas do ser… trabalhadores da escrita! Não os escritores não são trabalhadores da escrita, não são sequer trabalhadores. Fogem do trabalho inventando outros mundos! Se os livros fossem apresentados como caixas de segredos de onde saltam histórias maravilhosas, criminosos, amantes, mulheres louva-a-deus julgo que haveria muito mais leitores para os romances e para os contos. Digo eu…

Carlos Vale Ferraz

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por Augusta Clara às 20:30



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