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Jardim das Delícias


Quarta-feira, 21.02.18

Adão Cruz, 2018

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Adão Cruz

 

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por Augusta Clara às 16:00

Sexta-feira, 16.02.18

Adão Cruz, 2018

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Adão Cruz

 

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por Augusta Clara às 15:11

Sábado, 10.02.18

O meu gesto das coisas simples - Adão Cruz

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Adão Cruz  O meu gesto das coisas simples

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(Adão Cruz)

 

Fui à caixa dos gestos e baralhei-os todos, cheio de raiva por não encontrar o meu gesto das coisas simples.

Há muitos anos que o perdi e nunca mais consegui encontrá-lo.

Esperemos mais um par de noites, pois os sonhos, às vezes, trazem-nos aquilo que julgamos perdido para sempre.

Os sonhos adormecem, muitas vezes, no regaço da realidade, e outras vezes a realidade esconde-se no meio dos sonhos.

Onde estará o meu gesto das coisas simples?

Ora bem, talvez o gesto das coisas simples ande por aí perdido nalgum sonho.

 

Foi numa noite de tempestade.

Um refulgente relâmpago estralejou lá fora e faíscas de luz incendiaram as frinchas da janela.

Um ribombante trovão abanou o quarto e o sonho foi-se.

Os sonhos não gostam de tempestades nem do abuso das realidades.

Acendi a luz e vi no tapete o meu gesto das coisas simples.

Peguei-lhe com toda a ternura e pareceu-me que ele queria aninhar-se entre os meus dedos.

Confesso, dei-lhe um beijinho.

 

Fui ao monte das recordações.

O meu gesto das coisas simples espremeu uma lágrima quando lhe mostrei as coisas esquecidas, abandonadas, desde os tempos em que nós os dois éramos apenas simples.

O entrosamento das palavras e das imagens das coisas simples teciam uma espécie de fábula que deliciava a nossa inocência.

Às curvas do tempo não é fácil reter as coisas simples, e, como o amor, as coisas simples vão perdendo os seus lugares nas curvas do tempo.

O meu gesto das coisas simples parecia tremer de desânimo e fadiga, confundindo ingénuos impulsos com efemérides de granito e rumores de árvores dos dias felizes.

O meu gesto das coisas simples estava com medo.

Mas a nossa grande afeição há-de ser a aliança renascida entre a poesia e o gesto das coisas simples.

 

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por Augusta Clara às 17:30

Segunda-feira, 05.02.18

Adão Cruz, 2018

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Adão Cruz

 

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por Augusta Clara às 16:03

Sexta-feira, 02.02.18

Jean-Michel Basquiat, 1982

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Jean-Michel Basquiat

 

jean-michel basquiat (1960-1988), intitled, 1981a.

 

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por Augusta Clara às 14:00

Quinta-feira, 01.02.18

Adão Cruz, 2018

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Adão Cruz

 

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por Augusta Clara às 16:29

Domingo, 28.01.18

Monte das oliveiras - Adão Cruz

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Adão Cruz  Monte das oliveiras

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(Adão Cruz)

 

Não sei o que entra em mim no cálido fim desta tarde alentejana, não sei ao certo o que me diz o silêncio aberto destes campos sem fim, nem sei se procuro o lugar seguro para abrir o pensamento.

Há qualquer coisa para lá do horizonte entre a angústia e a Esperança, estranha esperança de futuro no silêncio aberto destes campos sem fim, qualquer coisa que arde no cair da tarde entre a magia da vida e a dor contida no monte das oliveiras.

Para lá do horizonte, no fim de La Codozera, não havia ninguém à minha espera no cálido fim desta tarde alentejana.

Nesta tarde alentejana, feita de silêncio aberto e de campos sem fim, parei o carro na berma da estrada que vinha do nada de onde parti à procura da cidade com todas as ruas que há dentro de mim.

Há anos que não me adormecia um sono tão profundo nem o sol trigueiro me dourava a figura, num quase azul, pintando de ternura esse sonho perdido no fim do mundo.

 

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por Augusta Clara às 14:00

Sexta-feira, 26.01.18

Impossibilidade - Adão Cruz

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Adão Cruz  Impossibilidade

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(Adão Cruz)

 

Persegue-me a impossibilidade de lá chegar…

Como se fora um belo dia de primavera nos olhos de um prisioneiro atrás das grades.

Faltam-me as pernas, o tempo, as palavras e o caminho.

Falta-me a força das coisas simples e o gesto subtil da liberdade.

Cada dia é um mundo oferecendo-me todos os frutos que não sei colher, cada cidade um labirinto por onde não sei andar.

A minha fragilidade é metade de um sonho inacabado, a outra metade é este quadro que pinto numa manhã de sol da minha doce loucura.

Tremem-me as pernas a caminho de Belvedere onde me espera Egon Schiele, num salão enorme tendo ao fundo uma mulher.

 

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por Augusta Clara às 16:37

Sexta-feira, 05.01.18

Quando vens ao meu encontro - Adão Cruz

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Adão Cruz  Quando vens ao meu encontro

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(Adão Cruz)

 

Quando vens ao meu encontro para lá da ponte que leva aos restos das paredes onde vivo, quando trazes contigo um resto de lume daquela tarde incendiada da nossa ilusão, fico preso aos ponteiros de um relógio em desacerto, nas horas amargas da solidão.

Ainda há nos teus olhos pequenas estrelas de magia que levam os meus para lá do tempo, de onde regressam cegos como os teus lábios secos.

Não há palavras para me sentir perto do teu rosto, nem são oásis as falésias ou as fendas do deserto, nem são de acerto as horas do sol-posto.

O poema de outrora desnuda-se a si mesmo, dentro dos restos das paredes onde vivo.

Mesmo assim, quando trazes contigo a cinza daquela tarde incendiada, fico a pensar se foi ontem o amanhã… ou se ainda há horas de verdade nas entrelinhas da secura.

 

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por Augusta Clara às 16:46

Sábado, 23.12.17

Os meus sonhos - Adão Cruz

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Adão Cruz  Os meus sonhos

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(Adão Cruz)

 

Repousa na almofada a minha cabeça cansada de tanto amar os peixes verdes que há nos olhos dos meus sonhos.

Repousa na almofada a minha cabeça cansada da luz dos corais incendiados nos olhos verdes dos meus sonhos.

Repousa na almofada a minha cabeça cansada do verde brilho do mar que há nos olhos incendiados dos meus sonhos.

Repousa na almofada a minha cabeça cansada do inquieto desalinho que a lua tece entre as algas e os sedentos olhos dos meus sonhos.

O amor não tem limites na utopia dos gestos simples dos meus sonhos.

Há muitas cores nos olhos d’água dos meus sonhos, mas eles acordam na última estrela da madrugada que se esfuma com o erguer do sol.

E a beleza perde-se entre o botão da primeira folha verde e a saudade dos meus sonhos.

E a cabeça cansada de acordar repousa na areia entre os lábios de mármore de uma noite de amor.

 

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por Augusta Clara às 15:56



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