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Jardim das Delícias


Quarta-feira, 12.04.17

Grande intervenção do representante da Bolívia no Conselho de Segurança das Nações Unidas (completa)

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por Augusta Clara às 02:13

Quarta-feira, 12.08.15

Uma agressão que prossegue - José Goulão

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José Goulão  Uma agressão que prossegue

 

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Mundo Cão, 11 de Agosto de 2015

 

   Quarenta anos depois de terem sido escorraçadas do solo vietnamita, levando consigo um escabroso Nobel da Paz atribuído a um fabricante de ditadores chamado Henry Kissinger, as tropas imperiais continuam a matar. Os sinais da agressão terrorista dos Estados Unidos da América contra o povo do Vietname, cometida no âmbito da cruzada permanente supostamente para expurgar o comunismo da face da Terra, ainda estão vivos – não apenas na memória dos que a sofreram, mas na carne e no sangue de milhares e milhares de pessoas que nascem hoje, muito depois do auge da tragédia.

Tal como aconteceu em Hiroxima e Nagasaki, a arrogância, a insensibilidade e a desumanidade dos exércitos imperialistas deixaram mecanismos de morte com efeitos contínuos, de origem atómica nos casos do Japão e de acção química no caso do Vietname. Neste país, onde o exército norte-americano abriu vias para as suas ofensivas à força de napalm, cujas nuvens de chamas cremaram todas as formas de vida por décadas e décadas em extensas áreas territoriais, milhares de crianças continuam a nascer com malformações, problemas neurológicos e cancerígenos devido aos efeitos da dioxina decorrentes de um outro exercício de extermínio: neste caso, o cometido com recurso ao chamado agente laranja – aliás um herbicida que multinacionais continuam a comercializar alegando, e mentindo, que está livre de agentes nocivos para a vida humana.

De acordo com dados norte-americanos, as tropas enviadas por Washington para o Vietname lançaram 80 milhões de litros de agente laranja contaminados com 400 quilos de dioxina só em cinco anos da invasão, que se prolongou por 14 anos. Usado para destruir florestas e todo o tipo de vida que elas protegem, o agente laranja causou danos irreparáveis que funcionam ainda hoje como uma catástrofe em todo o Vietname e, acima de tudo, liquidou, afectou e continua a atingir milhões de vidas humanas através dos seus efeitos prolongados. Fontes de Washington pretendem explicar, de modo recorrente, que o uso do agente laranja não se destinava a atingir vidas humanas, mas sim a desfolhar florestas onde se acoitavam “os terroristas”. A coisa só correu mal, dizem, porque devido às pressões da guerra foi preciso recorrer a agente laranja de “purificação imperfeita”, pelo que a contaminação com dioxina provocou – onde é que já ouvimos isto? – “danos humanos colaterais”.

As vítimas vietnamitas do agente laranja formaram uma associação através da qual pretendem que o mundo conheça esta realidade tão escondida pelos canais da propaganda mundial, exigindo ainda que os autores da chacina e seus herdeiros políticos e militares assumam a responsabilidade por esses crimes de guerra e contra humanidade – com os quais nenhum tribunal internacional, em Haia ou qualquer outro lugar, parece disponível para se sobressaltar. Até agora, como é de esperar da mentalidade que governa a América e o mundo, não há responsabilidades a assumir. Se o napalm e o agente laranja continuam a matar quarenta anos depois, o azar é das vítimas.

Ironia do destino: em tempos, uma associação de veteranos de guerra dos Estados Unidos levantou uma acção legal em defesa de soldados que participaram na invasão do Vietname e foram também contaminados pela dioxina. Um acordo que previa indemnizações de 93 milhões de dólares foi invalidado em último recurso por uma sentença determinando que “não existe qualquer base legal” que sustente as alegações das vítimas, tanto em termos domésticos como nas leis internacionais.

As acções de extermínio cometidas pelas tropas imperiais contra o povo do Vietname, com a agravante de continuarem através de efeitos retardados, estão ao nível dos maiores crimes contra a humanidade que a História regista. Ao contrário dos conceitos defendidos pelo Nobel da Paz e criminoso de guerra Henry Kissinger, separando ditadores bons dos maus, também não existe terrorismo bom ou mau: há terrorismo. De que a invasão norte-americana do Vietname foi e continua a ser um exemplo.

 

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por Augusta Clara às 11:20

Sábado, 24.08.13

As “armas químicas" que dão jeito à NATO - José Goulão

 

José Goulão  As “armas químicas" que dão jeito à NATO

 

 

   Não estou em condições de tentar explicar-vos o que na realidade se passou com o alegado “massacre” de mais de 1500 pessoas supostamente cometido por tropas do exército regular sírio recorrendo, a fazer fé na versão do Exército Sírio da Liberdade, à utilização de armas químicas.

O que posso garantir-vos, com uma certeza de cem por cento, é que o episódio tem vindo a ser descrito com histórias mal contadas e incongruências que deixam muito a desejar sobre a boa fé de bastiões da chamada “informação ocidental” e sobre a integridade de alguns dos mais importantes dirigentes mundiais.

Antes de mais, um facto que deve ser recordado agora que volta a falar-se na utilização de armas químicas na Síria. Apesar das acusações recorrentes, ainda ninguém provou que as tropas leais à autocracia de Bachar Assad tenham recorrido a esse tipo de engenhos. Acusações há muitas, provas nenhuma, o resto são suposições e ameaças. Do lado da oposição armada sabe-se, porém, que a Turquia detectou, porque o anunciou, o transporte de gás sarin para reforçar as capacidades bélicas dos grupos que querem tomar o poder em Damasco. Além disso, são para reter declarações proferidas pelo jesuíta italiano Paolo Dall’Oglio – que defendia a união de todos os islamismos, incluindo o da Al Qaida, para derrubar Assad e morreu às mãos de um desses grupos – admitindo a hipótese de recurso à armas químicas pela oposição. Digamos que, na dúvida, existe um empate técnico: a questão das armas químicas não é unilateral, pelo que os pareceres sobre o assunto também não deveriam sê-lo.

Agora vamos ao “massacre”, desmentido pelas autoridades de Damasco. No local onde se realizou a operação militar há muito que não existiam populações civis, em debandada devido ao tipo de governo das “zonas libertadas” imposto pelos jihadistas. Acresce que, ao contrário do que acontece com os casos humanos de vítimas de armas químicas expostos pela oposição, não foi encontrado na região atacada um único animal morto com sinais de gases tóxicos. Estaremos perante armas tão inteligentes como as bombas de neutrões: estas poupavam os edifícios, será que os engenhos usados por Damasco poupam as espécies selvagens? Responda quem puder.

O “massacre” aconteceu em 21 de Agosto. Porém, existem no Youtube vídeos sobre a “matança” com data de dia 20. Sabemos que esta guerra tem vertentes religiosas, quiçá miraculosas, mas convenhamos que, ao contrário do que acontece com espíritos visionários como os dos Srs. Hollande e Obama, há milhões de pessoas no mundo que ainda não acreditam em milagres. Tanto mais que algumas das fotografias divulgadas como exemplo do “massacre” na Síria também já foram usadas, por sinal há pouco, para ilustrar a matança no Cairo de manifestantes da Irmandade Muçulmana pelas tropas egípcias – neste caso, ao que parece, sem armas químicas.

Saudemos a disponibilidade dos grupos da oposição síria para entregarem aos inspectores da ONU amostras de ADN confirmando o uso de armas químicas. O problema é que perante vídeos premonitórios e fotografias multiusos, o que pensar destas amostras?

Por outro lado, mesmo os crédulos perante tais milagres poderiam ter uns instantes de lucidez para reflectir sobre o que levaria o governo sírio, dono e senhor da situação militar no terreno, a cair ainda mais nas más línguas internacionais usando armas químicas quando isso nada adianta à superioridade operacional que tem demonstrado. 

Obama, Hollande e outros guardiões da paz mundial – não é assim que se diz? – é que não querem entreter-se com reflexões, são homens de acção. Engrossam a voz, falam cada vez mais na necessidade de uma intervenção militar directa, confessando assim que a estratégia de fazer a guerra contra Damasco através de bandos de mercenários, sejam fundamentalistas, moderados ou assim-assim, já falhou. A operação com “armas químicas” veio mesmo a calhar para alterar essa estratégia e preparar o terreno à intervenção da NATO. Tal opção não era a desejada pelos atlantistas depois dos caóticos episódios recentes e que deixaram o Médio Oriente como rastilho infalível para os que queiram fazer deflagrar a próxima guerra mundial. Mas se o objectivo é mesmo derrubar Assad e desfazer a Síria em pedaços, parece não haver outro remédio. Lançar guerras com base em mentiras e falsificações não é metodologia virgem. Os resultados é que serão, por certo, ainda bem mais trágicos do que as experiências anteriores.

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por Augusta Clara às 08:00



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