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Jardim das Delícias


Quarta-feira, 12.04.17

Grande intervenção do representante da Bolívia no Conselho de Segurança das Nações Unidas (completa)

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por Augusta Clara às 02:13

Sexta-feira, 18.09.15

A tortura como segredo de Estado - José Goulão

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José Goulão  A tortura como segredo de Estado

 

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Mundo Cão, 17 de Setembro de 2015

 

   Todos sabemos que os Estados Unidos da América são os campeões dos direitos humanos, qualidade que lhes faculta a possibilidade de actuarem como juízes na matéria e promoverem guerras, assassinando milhares de seres humanos e espalhando multidões de refugiados através do mundo, lá onde os direitos humanos são violados sem qualquer pudor.

É sabido que os Estados Unidos nada têm a ver com o desmantelamento de um país chamado Líbia, a fragmentação do Iraque em múltiplos cenários de guerra, a transformação do Afeganistão no Eldorado dos empresários multinacionais de heroína, ou com a destruição de um país chamado Síria e a liquidação massiva de milhares dos seus habitantes. O apego norte-americano aos direitos humanos é tal que os seus dirigentes, com o presidente Obama à cabeça, estão consternados com a proliferação de refugiados na Europa provocada pelos enunciados conflitos, mostrando-se disponíveis – por enquanto apenas em palavras – para acolher um lote de 10 mil enquanto mandam erguer mais muros e cercas para dissuadir uma praga de mexicanos que sempre os ameaça.

Em matéria de direitos humanos os Estados Unidos da América são igualmente um exemplo no combate à tortura, actividade que não praticam e, como diz gente carregada de más intenções, nem voltam a praticar.

Confirmou-se agora, porém, através das repercussões na comunicação social das notas de um advogado de um detido de Guantanamo, esse campo de férias erguido pelo Pentágono e a CIA em território cubano ilegalmente ocupado, que os presos ali confinados são submetidos a sessões de tortura com alguma regularidade. Um deles, de nome Abu Zubaidah, foi vítima de waterboarding – simulação de afogamento até à inconsciência - 83 vezes num único mês, além de ser alvo de continuados espancamentos e tratamentos humilhantes. Zubaidah, preso há nove anos sem culpa formada – norma corriqueira em qualquer catálogo de direitos humanos – já cegou de um olho em consequência de tão generosa hospitalidade.

Notas de outros advogados revelam que as atrocidades são cometidas por indivíduas e indivíduos embriagados, que recorrem ao que estiver mais à mão sejam martelos, tacos de basebol, prosaicos varapaus ou mesmo aos próprios cintos, como qualquer pai disciplinador com mente medieval. Claro que pessoas com estes comportamentos não podem ser da CIA e outras instituições igualmente democráticas e respeitadoras dos valores básicos “da nossa civilização”. Por isso o presidente Obama, os seus ministros e secretários, os seus conselheiros e agentes de censura decidiram que tais actos não podem ser reconhecidos oficialmente, incluindo as notas dos advogados de defesa, que agora vão ter de se haver com a lei apesar de reclamarem que as suas denúncias são feitas de acordo com a Lei e a Constituição.

Há meses ainda vieram a lume, por acção voluntarista de membros do Congresso – certamente quintas colunas do terrorismo universal – algumas denúncias dessa tortura, ainda que poupando os cidadãos à identificação dos esbirros e aos lugares clandestinos onde praticam tortura, embora se saiba que alguns se situam na democrática Europa. As ondas de choque das revelações, porém, terão incomodado a CIA e o Pentágono, consideradas até nocivas para o esforço de guerra desenvolvido pelos denodados destacamentos libertadores.

Agora o presidente Obama e os seus declararam que tais assuntos são confidenciais, uma vez que segredo de Estado deve continuar a ser segredo de Estado, em nome da segurança do Estado e dos cidadãos, mesmo que o Estado tenha deixado de ter alguma coisa a ver com estes.

Ignore, portanto, tudo quanto atrás ficou escrito sobre práticas violadoras dos direitos humanos pelo país que mais os defende. Ignore que a Administração norte-americana gere lugares clandestinos, ou nem tanto, onde se praticam sessões de tortura. Tal não existe; o que é oficialmente escondido não existe. A bem do respeito pelos direitos humanos.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Segunda-feira, 10.08.15

Nelson Mandela

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por Augusta Clara às 12:00

Quinta-feira, 16.07.15

Acordos com o Irão, o outro lado da ficção - José Goulão

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 José Goulão  Acordos com o Irão, o outro lado da ficção 

 

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Mundo Cão, 15 de Julho de 2015

 

   Uma advertência prévia: onde se lê acordo 5+1 com o Irão deve ler-se acordos; onde se lê 5+1 deve ler-se Estados Unidos, quanto muito mais a Rússia e a China, a ver vamos; quando se relaciona unicamente o resultado das negociações com o fim da suposta ameaça nuclear iraniana toca-se apenas num átomo de uma estrutura complexa e de grande envergadura.

Isto é, esqueça o que os telejornais sintonizados com Washington e demais centrais de propaganda lhe explicam sobre o acordo e vamos à realidade.

O Irão nunca representou, pelo menos a partir de 1988, qualquer ameaça nuclear militar. O mito foi inventado para usar com mil e um pretextos e servir, em última análise, as estratégias militaristas e expansionistas de Israel, além de jogar com os preços do petróleo conforme os interesses do sistema económico e financeiro global. Desde a fatwa (decreto religioso) emanada em 1988, ainda pelo imã Khomeiny, que o Irão renunciou à utilização da energia atómica para fins militares. O resto é ficção e propaganda.

Os acordos agora estabelecidos trazem no bojo intenções muito mais amplas e estruturantes que apenas tocam ao de leve na falsa questão nuclear iraniana, embora esta seja exacerbada para esconder o que foi decidido pelas principais partes envolvidas, os Estados Unidos da América e o Irão: uma partilha de influências no Médio Oriente ampliado, envolvendo pois a chamada Eurásia, capaz de permitir ao Pentágono transferir o núcleo duro do seu impressionante aparelho de guerra do Médio Oriente para a Ásia, posicionando-se ante os novos inimigos, a China e a Rússia.

 

 

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por Augusta Clara às 08:00

Segunda-feira, 29.06.15

Tsunami silencioso no Médio Oriente - José Goulão

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José Goulão  Tsunami silencioso no Médio Oriente

 

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Mundo Cão, 25 de Juho de 2015

 

   A notícia passou quase despercebida, mas ainda assim causou algumas dúvidas e perplexidades: a Arábia Saudita e a Rússia, arqui-inimigos de longa data, assinaram um acordo de cooperação nuclear para fins pacíficos. Em termos mais prosaicos: a petromonarquia comprou 16 centrais nucleares a Moscovo para entrarem em funcionamento dentro de meia dúzia de anos.

Isto é, o maior exportador mundial de petróleo decidiu poupar nos combustíveis fósseis, aproveita a tecnologia associada para desenvolver projectos de dessalinização de águas e elegeu como parceira uma empresa tutelada pelo governo do infiel Vladimir Putin.

É assim, tal e qual. Mas a notícia não passa de um pequeno abalo, uma simples réplica do enorme e silencioso tsunami que por estes dias atinge o Médio Oriente.

O epicentro do magno sismo, como já se focou nestas linhas, é a próxima assinatura de um acordo (que são pelo menos dois) entre outros arqui-inimigos, os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irão. Para consumo geral, um dos acordos é o chamado 5+1, que teoricamente acaba de vez com o mito das nunca existentes ambições iranianas ao nuclear militar; outro é bilateral e traduz uma espécie de partilha de zonas de influência norte-americanas e iranianas em amplos espaços do Médio Oriente, com repercussões colaterais, que podem ou não ser danosas, consoante a perspectiva.

Rezam as fugas de bastidores que os Estados Unidos reconhecerão tacitamente as zonas de influência do Irão em dois terços do Iraque, na Síria, em grande parte do Líbano; em contrapartida, Teerão conforma-se em não “exportar” a revolução islâmica.

 

 

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por Augusta Clara às 08:00

Quinta-feira, 07.05.15

Bárbaros no Capitólio - Viriato Soromenho Marques

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Viriato Soromenho Marques  Bárbaros no Capitólio

 

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Diário de Notícias, 5 de Maio de 2015

 

   Obama aproveitou o 101.º Jantar dos correspondentes de Imprensa na Casa Branca para lançar vários dardos políticos, amaciados pelo humor que se espera do presidente no discurso da ocasião. A flecha mais certeira foi dirigida ao presidente (Speaker) da Câmara dos Representantes, o republicano do Ohio, John Boehner. Brincando com a visível expansão do tom branco no seu cabelo, Obama disparou: "Eu pareço tão velho que John Boehner já convidou Netanyahu [primeiro-ministro de Israel] para falar no meu funeral." A piada foi certeira e amarga. Obama aludiu ao convite que Boehner dirigiu ao chefe do governo israelita para usar da palavra numa reunião conjunta das duas câmaras do Congresso dos EUA (a Câmara dos Representantes e o Senado). Esse discurso teve lugar em 3 de março último, e o conservador israelita não mediu as palavras para atacar violentamente a política de apaziguamento dos EUA em relação ao Irão. Na verdade, esse convite é um sinal claro de que também nos EUA, país que inaugurou o constitucionalismo republicano moderno, a auctoritas das instituições democráticas está a ser devorada pela ascensão de um pessoal político cada vez mais grosseiro e impreparado. O Partido Republicano é hoje um albergue das forças mais sinistras e iliteratas da sociedade norte-americana (desde fanáticos religiosos a analfabetos científicos, que não percebem sequer a física das alterações climáticas). Quando o líder do poder legislativo convida um chefe de Estado estrangeiro para atacar a política do presidente do próprio país, no coração do Parlamento, isso significa que o mais vil espírito de fação se substituiu ao mais básico interesse nacional. Com estes Republicanos, os bárbaros não estão à porta de Roma, mas bem dentro da Cidade. Todos iremos perceber isso dentro de alguns anos.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Sexta-feira, 13.03.15

A veia terrorista de Barack Obama - José Goulão

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José Goulão  A veia terrorista de Barack Obama

 

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   Depois de ter herdado, de início com algum pudor e sob outras designações, a guerra contra o terrorismo inventada pelo seu antecessor, Barack Obama não se limita a igualar George W. Bush no recurso a práticas terroristas como, em alguns casos – e não apenas o do record mundial de execuções extra judiciais cometidas com drones – consegue ultrapassá-lo.

A situação mais flagrante, e que contribuiu para demonstrar como os Estados Unidos são governados por um partido único, porque em matéria de violações dos direitos humanos não há quem consiga distinguir um democrata de um republicano, é a da proliferação de ameaças, tentativas e execuções de golpes de Estado.

No reinado de Obama a série faz corar de inveja alguns dos mais empedernidos falcões que passaram pela Casa Branca: Honduras, Paraguai, Ucrânia, Macedónia, Egipto, Qatar, Síria, Líbia, Iraque, Mali, República Centro Africana e, como não podia deixar de ser, Venezuela.

O assunto venezuelano poderá ter passado quase despercebido. Foi escondido para com isso se tentar abadar o fracasso da intentona, ou então explicado ao contrário através dos mecanismos censórios doutrinários que caricaturam o papel da comunicação social.

O golpe esteve marcado para 12 de Fevereiro, tentando reeditar a tragédia chilena de 1973, mas as autoridades venezuelanas anteciparam-se e puseram a nu um contexto através do qual se prova que em Washington não se olha a princípios nem a meios para alcançar os fins pretendidos, sempre apresentados, como é de bom-tom, como a instauração da democracia onde supostamente ela não existe.

Nesse dia 12 de Fevereiro, no quadro da chamada “Operação Jericó”, um bombardeiro Tucano ENB 312, já anteriormente envolvido num atentado contra dirigentes das FARC colombianas, deveria ter bombardeado o palácio presidencial de Caracas, a Assembleia Nacional, instalações da ALBA e a televisão TeleSur para instaurar um “governo de transição” a entregar a reconhecidos fascistas como António Ledezma, significativamente conhecido como “o vampiro”, Maria Corina Machado e Leopoldo Lopez. O avião, pintado com as cores da aviação venezuelana, pertence a um bando de mercenários integrado na máfia mundial dos exércitos privados e empresas de segurança que dá pelo nome de Academi e outrora se chamou Blackwater – de que todos já ouviram falar como um dos mais activos braços terroristas na invasão do Iraque. Empresa onde pontificam um ex-patrão da NSA (Agência Nacional de Segurança) e o ex-procurador geral da Administração Bush.

A trama da intentona conduz ao quartel-general de operações em Bogotá e ao comandante da operação, Ricardo Zuñiga, assessor de Barack Obama para a América Latina e também, porque quem sai aos seus não degenera, neto do presidente do Partido Nacional das Honduras que organizou os golpes fascistas de 1963 e 1972. Acresce que Washington recorreu a outsorcing para montar a operação, atribuindo ao Canadá a gestão dos aeroportos civis a utilizar, ao Reino Unido a propaganda e ao Mossad israelita as eliminações físicas consideradas necessárias. Ledezma, o “vampiro”, viajara recentemente a Israel, onde foi recebido afectuosamente por Netanyahu, Lieberman & Cia.

Como o golpe falhou e foi desmascarado, em 9 de Março Barack Obama accionou o estatuto que lhe permite declarar a Venezuela “uma ameaça contra a segurança nacional” dos Estados Unidos, previsto para os casos em que exista “uma extraordinária e invulgar ameaça à segurança nacional e à política externa, situação que deve ser tratada como uma emergência nacional”. Isto é, Barack Obama instaurou a estratégia terrorista de golpe de Estado permanente contra a Venezuela, alegando a corrupção dos dirigentes de Caracas e a violação dos preceitos democráticos.

Ironia do destino, um dos escolhidos para o tal “governo de transição”, o supracitado “vampiro” Ledezma, em tempos autor do “Caracazo”, massacre de centenas de estudantes que protestavam contra a austeridade, é o governador da região de Caracas, eleito através dos mecanismos de um regime que ele próprio e os seus tutores não consideram democrático.

Eis como Obama em nada se distingue dos mais tenebrosos falcões que passaram pela Casa Branca. Anote-se, por ser verdade, que na Venezuela, na Ucrânia, na Macedónia e onde quer que tal lhe convenha, o presidente dos Estados Unidos não tem qualquer pudor em recorrer a dirigentes e grupos de assalto nazi-fascistas desde que seja, ele o diz, para instaurar a democracia.

 

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por Augusta Clara às 18:00

Sexta-feira, 13.03.15

Preparando a agressão militar contra a Venezuela - Atilio Borón

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Atilio Borón  Preparando a agressão militar contra a Venezuela

 

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(Politólogo e sociólogo argentino de nascença e latino-americano por convicção. Diretor do Programa Latino-americano de Educação à Distância em Ciências Sociais, em Buenos Aires)

 

 

diárioliberdade, 12 de Março de 2015

 

[Tradução do Diário Liberdade] Barack Obama, uma figura decorativa na Casa Branca que não pôde impedir que um energúmeno como Benjamin Netanyahu se dirigisse a ambas as câmaras do Congresso para sabotar as conversas com o Irã em relação ao programa nuclear deste país, recebeu uma ordem terminante do complexo "militar-industrial-financeiro": deve criar as condições que justifiquem uma agressão militar contra a República Bolivariana da Venezuela.

 

   A ordem presidencial emitida a poucas horas e difundida pela secretaria de imprensa da Casa Branca estabelece que o país de Bolívar e Chávez "constitui uma infrequente e extraordinária ameaça à segurança nacional e à política exterior dos Estados Unidos", razão pela qual "declaro a emergência nacional para cuidar dessa ameaça".

Esse tipo de declaração geralmente precede agressões militares, seja pelas próprias mãos, como a cruel invasão do Panamá para derrubar Manuel Noriega em 1989, ou a emitida em relação ao sudeste asiático, que culminou com a Guerra da Indochina, especialmente no Vietnã, a partir de 1964. Mas também pode ser o prólogo de operações militares de outro tipo, onde os EUA atuam em conjunto com seus lacaios europeus, reunidos na OTAN, e as teocracias petroleiras da região.

Exemplos: a Primeira Guerra do Golfo, em 1991; ou a Guerra do Iraque, 2003-2011, com a entusiasta colaboração da Grã-Bretanha de Tony Blair e o Estado espanhol do pouco apresentável José María Aznar; ou o caso da Líbia, em 2011, montado sobre a farsa encenada em Benghazi onde supostos "combatentes da liberdade" - que depois se provou que eram mercenários recrutados por Washington, Londres e Paris - foram contratados para derrubar Gadafi e transferir o controle das riquezas petroleiras desse país aos seus amos. Casos mais recentes são os da Síria e, sobretudo, o da Ucrânia, onde a esperada "mudança de regime" (eufemismo para evitar falar em "golpe de Estado") que Washington busca sem pausa para redesenhar o mundo - e sobretudo a América Latina e o Caribe - à sua imagem e semelhança se conseguiu graças à inestimável cooperação da União Europeia e da OTAN, e cujo resultado foi o banho de sangue que continua na Ucrânia até hoje. A senhora Victoria Nuland, secretária de Estado Adjunta para Assuntos Eurasiáticos, foi enviada pelo insólito Prêmio Nobel da Paz de 2009 à Praça Maidan de Kiev para expressar sua solidariedade aos manifestantes, incluindo os grupos de neonazistas que logo tomariam o poder à força, e os quais a bondosa funcionária entregava bolachas e garrafas de água para matar sua sede para demonstrar, com esse gesto tão carinhoso, que Washington estava, como sempre, do lado da liberdade, dos direitos humanos e da democracia.

Quando um "estado canalha" como os Estados Unidos, que o é por sua sistemática violação da legalidade internacional, profere uma ameaça como a que estamos comentando, é preciso levá-la muito a sério. Especialmente se recordarmos a vigência de uma velha tradição política estadunidense que consiste em realizar auto-atentados que sirvam de pretexto para justificar sua imediata resposta bélica.

Fez isso em 1898, quando fez explodir o cruzeiro estadunidense Maine na Baía de Havana, enviando para o túmulo dois terços de sua tripulação e provocando a indignação da opinião pública norte-americana que impulsionou Washington a declarar guerra ao Estado espanhol. Isso voltou a ocorreu em Pear Harbor, em dezembro de 1941, sacrificando nessa infame manobra 2.403 marinheiros estadunidenses e ferindo outros 1.178. Reincidiu quando eclodiu o incidente do Golfo de Tonkin para "vender" sua guerra na Indonésia: a suposta agressão do Vietnã do Norte a dois cruzeiros norte-americanos - logo desmascarada como uma operação da CIA - fez com que o presidente Lyndon B. Johnson declarasse emergência nacional e pouco depois, a Guerra ao Vietnã do Norte. Maurice Bishop, na pequena ilha de Granada, também foi considerado como uma ameaça à segurança nacional estadunidense em 1983, e derrubado e liquidado por uma invasão de Marines. E o suspeito atentato do 11 de setembro para lançar a "guerra contra o terrorismo"? A história poderia se estender indefinidamente.

Conclusão: ninguém poderia se surpreender se nas próximas horas ou dias Obama autorizasse uma operação secreta da CIA ou de alguns dos serviços de inteligência ou as próprias forças armadas contra algum objetivo sensível dos Estados Unidos na Venezuela. Por exemplo, a embaixada em Caracas. Ou alguma outra operação truculenta contra civis inocentes e desconhecidos na Venezuela tal como fizeram no caso dos "atentados terroristas" que sacudiram a Itália - o assassinato de Aldo Moro em 1978 ou a bomba detonada na estação de trens de Bolonha em 1980 - para criar o pânico e justificar a resposta do império chamada a "restaurar" a vigência dos direitos humanos, a democracia e as liberdades públicas. Anos mais tarde foi descoberto que esses crimes foram cometidos pela CIA.

Recordar que Washington acolheu o golpe de Estado de 2002 na Venezuela, talvez porque quisesse assegurar o fornecimento de petróleo antes de atacar o Iraque. Agora está lançando uma guerra em duas frentes: Síria/Estado Islâmico e Rússia, e também quer ter uma retaguarda energética segura. Grave, muito grave. Se impõe a solidariedade ativa e imediata dos governos sul-americanos, em forma individual e através da UNASUL e da CELAC, e das organizações populares e forças políticas de Nossa América para denunciar e deter essa manobra.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Quarta-feira, 18.12.13

11 de setembro de 1973 no Chile, por Ken Loach

 

 

11 de setembro de 1973 no Chile, por Ken Loach

 

11 diretores foram convidados para fazer um filme sobre a queda das torres gêmeas em 11 de setembro.
Essa é a brilhante contribuição de Ken Loach que traça um paralelo com um outro 11 de setembro, aquele de 1973 no Chile.

 

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por Augusta Clara às 08:00



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