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Jardim das Delícias


Quarta-feira, 21.06.17

É IMPOSSÍVEL APAGAR INCÊNDIOS FLORESTAIS - José Vítor Malheiros

  

josé vótor malheiros.jpg

 

   Ninguém o diz e menos ainda os políticos e os bombeiros, mas a verdade verdadinha é que é impossível apagar incêndios florestais. Repito em maiúsculas para dar nas vistas: É IMPOSSÍVEL APAGAR INCÊNDIOS FLORESTAIS.

Há algum exagero? Há, porque esta é a verdade em versão curta.

É evidente que se for um incendiozinho pequenino, num bosque pequenino, bem delimitado por largos aceiros, povoado de carvalhos verdes e frondosos, sem casas de habitação que exijam protecção especial, se houver um bom acesso para os carros dos bombeiros, se estes estiverem sido avisados precocemente, se houver água de acesso fácil nas imediações, o incêndio pode ser controlado e, eventualmente, até extinto.

Só que isto nunca acontece. A "floresta" em Portugal não é floresta nenhuma (com a biodiversidade que o conceito implica) mas sim uma plantação de postes de eucalipto combustíveis como paus de fósforo, plantados para benefício das celuloses e sem os cuidados mínimos para salvaguardar as pessoas, os bens ou o ambiente, não há acessos, não há aceiros, não há água, não há avisos precoces.

O que fazem os bombeiros? Rezam para que o vento amaine e não sopre daqui e sim dali, tentam proteger as casas envoltas no arvoredo em chamas, evacuam aldeias em risco, fecham estradas. De facto, tentam deixar arder com o mínimo de risco (e fazem bem) mas nem sequer há condições para fazer isto em condições, porque falta o cumprimento das consabidas regras de segurança para que o fogo não se propague excessivamente: faltam os aceiros, o perímetro de segurança em volta das casas, a margem de segurança nas estradas, etc.

Quando os jornalistas perguntam se os meios para combater o fogo foram suficientes, se são suficientes, se vão ser suficientes a única resposta possível é que não, não são e nunca podiam ser. Teríamos de ter 500 CanadAir a despejar água num só incêndio para que aquilo fizesse alguma diferença. Porque É IMPOSSÍVEL APAGAR INCÊNDIOS FLORESTAIS nestas condições. Seria preciso não uma esquadrilha de CanadAir mas um tsunami. Alguém já viu o que acontece à água lançada de um helicóptero ou de um avião? Se se tratar de uma zona de rescaldo o efeito pode ser visível, mas apenas aí. Deitar água nas fornalhas que temos visto na televisão é como borrifar uma lareira.

A única coisa possível é ordenar a floresta de forma

- que não possua tanto material combustível disponível para o primeiro raio que caia (limpeza de matas, seja qual for a técnica e a táctica)
- que arda com menos intensidade quando há um fogo (biodiversidade das florestas, outras espécies de árvores)
- que o fogo não se propague a áreas muito extensas e fique limitado (aceiros)
- que existam corpos profissionais que conheçam CADA floresta e saibam o que fazer em cada caso para controlar o fogo e onde colocar a ênfase do combate.

Continuar a vender a ideia de que o fogo se evita e se combate com mais bombeiros e mais aviões é uma tolice (se não um crime).

 

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por Augusta Clara às 22:53

Quinta-feira, 05.09.13

Júlio Machado Vaz publicou ... só.

 

Júlio Machado Vaz publicou ... só.

 

   Faleceu nesta terça-feira mais um bombeiro que ficou gravemente ferido em Tondela, no combate ao incêndio que lavrou na semana passada na serra do Caramulo.
O bombeiro estava internado no Hospital da Prelada, no Porto, desde quinta-feira. Este é o sexto bombeiro a falecer este ano no combate aos incêndios.
Segundo a agência Lusa, que cita fonte do Hospital da Prelada, Bernardo Cardoso, de 18 anos, da corporação de Carregal do Sal, morreu ao início da noite desta terça-feira, depois de ter sofrido graves queimaduras, falência multiorgânica e “danos irreversíveis na via aérea".
O jovem, que ficou com queimaduras em 55% do corpo, estava em estado muito grave desde quinta-feira passada (29 de Agosto), dia em que, no mesmo incêndio (em São Marcos/Muna, na Serra do Caramulo), morreu a bombeira Cátia Pereira Dias, de 21 anos, e um terceiro bombeiro ficou ferido com gravidade.
A notícia da morte de Cátia Pereira Dias foi conhecida enquanto se realizava o funeral de Bernardo Figueiredo, de 23 anos, da corporação do Estoril (Cascais,) que não resistiu a ferimentos graves resultantes de outro incêndio também no concelho de Tondela.
Na Serra do Caramulo morreu ainda, no dia 22 de agosto, a jovem Ana Rita Pereira, de 24 anos, pertencente à corporação de Alcabideche (Cascais).
No mês passado morreram também António Nuno Ferreira, de 45 anos, operador de central no quartel dos bombeiros de Miranda do Douro, e Pedro Rodrigues, de 40 anos, que combatia um incêndio no concelho da Covilhã.
Na segunda-feira, fonte do Hospital da Prelada referiu que o prognóstico do outro bombeiro internado na unidade – Daniel Falcão, de 25 anos, operacional de Miranda do Douro – evoluiu de muito reservado para reservado. O homem mantém-se, no entanto, numa “situação grave”, depois de ter dado entrada com 70% a 80% do corpo queimado.
Também na segunda-feira, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra informou que o estado clínico dos cinco bombeiros ali internados se mantém complicado para três deles – um, com 50 anos e transferido do Hospital de Braga, com prognóstico “muito reservado”, e os outros dois com prognóstico “reservado”.
Nesta condição estão um operacional de 45 anos, proveniente de Bragança, e outro de 62 anos, oriundo da Figueira da Foz.
Só em Agosto, arderam 72.284 hectares de floresta e mato, uma área mais de três vezes superior à que ardeu nos restantes meses deste ano. E as últimas duas semanas foram as mais negras: de 16 a 31 de Agosto, arderam cerca de 63 mil hectares, mais do que o dobro da área ardida até 15 de Agosto.
Até à segunda quinzena de Agosto os incêndios florestais tinham consumido cerca de 31 mil hectares.
Segundo o mais recente relatório do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) sobre os incêndios, desde o início do ano até 31 de Agosto, arderam 94.155 hectares, mais 25% do que em igual período de 2012. Mais de três quartos desta área (77%) arderam em Agosto, mês em que se registaram 7283 ocorrências (cerca de 52% do total até à data), um valor bastante acima da média dos últimos dez anos para este mês: 5467.

 

Público

 

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por Augusta Clara às 08:00

Terça-feira, 03.09.13

"A floresta é riqueza, então que os ricos cuidem dela!" - Rafael Rodrigues

 

Declarações de Rafael Rodrigues, ex-comandante de bombeiros, sobre a morte de bombeiros no combate aos incêndios florestais dos últimos dias

 

 

(Capitão Rafael Rodrigues, ex-comandante de bombeiros)
 
   Publicado por AOFA - Associação dos Oficiais das Forças Armadas, 29 de Agosto de 2013 
   Tenho estado remetido ao silêncio com a “mortandade” que atinge os bombeiros, sejam homens ou mulheres! Fui comandante de bombeiros! Mas chegou a hora de dizer: BASTA!!!
 
E, basta porquê? Porque os nossos homens e mulheres que abraçam a vida de bombeiro e entregam o seu saber e a sua voluntariedade à causa comum não têm o dever de serem sacrificados por situações que qualquer comando ou chefia deviam acautelar: a SEGURANÇA!
 
Porque o que está em causa é a segurança, a segurança dos homens que combatem os fogos mas que não se devem suicidar no fogo nem devem ser mandados para situações em que a morte é previsível e que essas mortes em grandes fogos não deve ser alimentada pelos nossos bombeiros sejam homens ou mulheres, na maioria jovens.
 
O risco cabe aos comandos avaliar, decidir comandando e se é de forma a não por em risco a vida dos seus comandados…não é possível aceitar 5 mortos em incêndios florestais, repito em incêndios florestais, e um número elevado de feridos sem que não se equacione o que está a correr mal!
 
E, se conheço a voluntariedade, a força de vontade e abnegação de todos os jovens que combatem os incêndios, também sei que não devemos contribuir para termos heróis mortos ou feridos por causa de uma certa ingenuidade e vontade aventureira de combater todos os fogos custe o que custar sem necessariamente e obrigatoriamente se avaliar o risco do benefício ou custo em que o custo primeiro é a vida! 
 
O lema é “vida por vida” e o que em incêndios florestais está em causa não são vidas, são arbustos, árvores, mato, etc. em que no próximo Verão já estão novamente a crescer e, a vida dos nossos homens e mulheres não renasce como renasce a floresta! A floresta é riqueza, então que os ricos cuidem dela, quando digo isto, refiro-me aos proprietários sejam particulares ou Estado!
 
Não peçam mortes para cuidar do suposto tesouro que votam desleixadamente ao abandono para depois serem os bombeiros a cuidar dele no Verão.
 
O maior tesouro, a riqueza de um comandante são os seus homens e mulheres. É a vida deles que enriquece o seu Corpo de bombeiros pelo que é aí que deve estar a luta! O combate!
 
A prudência tem que ser lema de todos os bombeiros e sobretudo dos comandantes que devem refrear essa vontade dos bombeiros em querer resolver os incêndios florestais a qualquer preço…temos que friamente deixar arder o que não vale o risco de vida de um bombeiro ou bombeira e saber aceitar a crítica daqueles que aparecem nos incêndios a fazer “turismo de catástrofe” com as tácticas e estratégias de decisão de um combate que só por si é complexo por tão dinâmico ser no seu desenvolvimento.
 
Daqui, do meu lugar de ex-comandante, de ex-líder de homens e mulheres, apelo que tenhais sempre em mente que só uma vida vale o sacrifício das nossas vidas! Não tem sido o caso!
 
Não esqueçam, Bombeiros deste pobre Portugal, nunca deixem de ter em mente, que uma árvore, pinheiro ou sobreiro, renascem e não terão familiares a chorar por eles nem políticos a fingirem que choram, tal como por vós poderão chorar se não tiverem em mente que em qualquer incêndio a missão principal é voltar, voltar, voltar depois de cumprirem as tarefas de que são incumbidos sem o sacrifício da vida por não ser por uma vida humana que combateis!
 
Srs. Comandantes sejamos realistas! Nada substitui um bombeiro morto! Já morreram demais!
 
Vergo-me perante os caídos nessa luta inglória e apelo aos vivos: ACORDAI e digam BASTA!!!
 
Rafael Rodrigues

 

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por Augusta Clara às 10:00



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