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Jardim das Delícias


Terça-feira, 22.08.17

Coro a bocca chiusa (Madame Butterfly) - Giacomo Puccini

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Giacomo Puccin  Coro a bocca chiusa

 

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por Augusta Clara às 00:56

Sexta-feira, 18.08.17

Barcelona - Freddie Mercury and Montserrat Caballe

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Freddie Mercury and Montserrat Caballe  Barcelona

 

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por Augusta Clara às 02:33

Quarta-feira, 26.07.17

Magic night - Mikis Theodorakis e Vasilis Saleas

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Mikis Theodorakis e Vasilis Saleasvadi  Magic Night

 

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por Augusta Clara às 01:52

Segunda-feira, 24.07.17

Não ando muito de escritas,... - Marcos Cruz

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Marcos Cruz  Não ando muito de escritas,...

 

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(actuação de Manel Cruz em Amarante, 23 Julho 2017)

   Não ando muito de escritas, há fases assim, mas até por me ser improvável gostava de rasgar este interregno com um testemunho sobre o momento artístico do meu irmão, Manel Cruz. Durante 16 anos, mais coisa menos coisa, cobri a cultura aqui a Norte pelo Diário de Notícias, tendo o início desse ciclo coincidido com o aparecimento dos Ornatos, a que nunca pude, como parte interessada que me reconhecia, dar atenção jornalística. Atravessei então toda a vida dessa primeira banda na qualidade de irmão, um privilégio, julgo eu, em face do que senti. Foram muitos momentos de arrepio, entre concertos incríveis, muito bons, bons, menos bons e até maus, foi um curso de emoções. Aquilo acabou, não interessa agora revisitar os porquês, e cada um deles, mais cedo ou mais tarde, se fez ao caminho. O Manel criou os Pluto, os Supernada, o Foge Foge Bandido e, após ter-se experimentado de forma diversa em todos esses projectos, assumiu-se finalmente em nome próprio. Não que andasse à procura de um novo registo onde pudesse fincar bandeira, isso não é, nunca foi e arrisco dizer que nunca será a cara do Manel. Tenho algum pudor neste tipo de discurso quando falo do meu mano, mas porque o amor é forte e ontem me emocionei vou deixar sair: o Manel é um artista. Um puto dum artista. Um gajo corajoso, bom, verdadeiro, que não desiste de lutar por aquilo em que acredita. Há poucos assim – eu, como ele, não conheço.

Para que não descambe aqui em lamechices, fico-me pela partilha de um texto que lhe enviei há uns meses e de que me lembrei ontem, com um sorriso na cara, a ver o concerto. E desculpem o tom de tudo isto.

"Pediu-me o Manel para escrever umas linhas sobre ele, por ser esse um palco a que não gosta de subir. O pudor da autorreferência sempre caracterizou o meu irmão, o que encerra um paradoxo interessante, na medida em que se há música reveladora da pessoa que a faz é a dele. Se recuar à nossa infância consigo vê-lo outra vez a brincar com os bonecos, empreendendo lutas, diálogos, celebrações e sonhos como quem constrói o seu próprio mundo. O desenho, que apareceu mais tarde, e a música, depois ainda, obedeceram à mesma pulsão: criar ilusões. Acontece que quando se é criança nos legitimam o espaço ilusório e, assim, mesmo brincando sozinhos estamos com os outros, somos o que é suposto sermos. Crescer implica, de certo modo, aceitar que há uma realidade, um planeta, mas a violência desse processo depende do que cada um de nós vai deixando em planetas anteriores. Ora, eu acredito que o Manel, tendo comprovadamente crescido e sustentado a sua residência neste chão, sente muitas vezes saudades das migalhas que de si foram voando pelo “existido”, como ele dizia quando era pequeno. Talvez, então, a arte seja para ele, entre os modelos de actividade que o planeta compreende, mais do que uma escolha, uma inevitabilidade. A nave onde rasga o universo à procura dos bonecos perdidos, dos desenhos perdidos, dos versos perdidos, das melodias perdidas, na esperança que não se lhe apaga de os poder vir a reunir, outra vez, lá mais à frente, e acabar a vida como a começou: brincando sozinho, com todos."

 

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por Augusta Clara às 15:49

Quarta-feira, 28.06.17

Sunrise - Ravi Shankar e Jean Pierre Rampal (Sitar and Flute)

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Ravi Shankar e Jean Pierre Rampal  Sunrise

 

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por Augusta Clara às 16:47

Quinta-feira, 18.05.17

Capricho Arabe de F. Tárrega, por Tatyana Ryzhkova

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Tatyana Ryzhkova  Capricho Arabe

 

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por Augusta Clara às 01:49

Sexta-feira, 28.04.17

Ruas de Lisboa - Carlos Mendes

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Carlos Mendes  Ruas de Lisboa 

 

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por Augusta Clara às 22:39

Sábado, 01.04.17

Geni e o zepelim - Chico Buarque

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Chico Buarque  Geni e o zepelim

 

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por Augusta Clara às 03:38

Quarta-feira, 22.02.17

CRÓNICA-DESABAFO - Adão Cruz

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Adão Cruz  CRÓNICA-DESABAFO

 

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(Adão Cruz)

 

   Depois de um dia de consultas desgastantes, passei  hoje [ontem] pelo hospital onde tenho alguém na Unidade de Cuidados Intermédios, em estado precário, todavia com sinais positivos de recuperação.

Esta melhoria legitimou a minha ida até à Ria de Ovar, a fim de comer qualquer coisa, neste caso concreto, meia dúzia de enguias fritas acompanhadas de dois copos. No fim, sob a abóbada de um crepúsculo quase sinfónico, daqueles que pintam de vermelho o horizonte do mar e dizem ao viajante:  “vermelho para o mar, pega no burrinho e põe-te a andar”, ou que dizem ao lavrador “pega nos bois e vai lavrar”, percorri a passo de caracol a berma da ria, ao som, nem de propósito, de “A Barcarola”, de Offenbach. Que maravilha de casamento entre o céu, a água, a música…e a nossa instabilidade emocional!

No fim desta encantadora peça musical que me encheu sempre a alma, desde remotos tempos em que, à beira-mar, eu procurava a calma e o equilíbrio dos meus momentos de desassossego, ouvi a entrevista de Luís Caetano a Luís Diamantino, um dos responsáveis pelas “Correntes de Escritas” da Póvoa de Varzim. Não digo que tenha ficado desiludido, mas também não me deixei iludir, pois não me iludo sempre que transformam eventos literários, poéticos e artísticos em espectáculos de folclore e feiras de fumeiro.

A criatividade, seja em que campo for, é sempre, sempre fruto de uma liberdade incondicional e não de uma fábrica de saberes. Além disso, a literatura, a poesia e a arte não são mercadorias a promover ou vender em feiras. É a cultura, política e socialmente considerada prioridade social, que deve trazer as pessoas ao encontro da literatura, da poesia e da arte, na descoberta de que a sua vida necessita delas como metabolito essencial, e não o contrário. Não sendo assim, tudo não passa de folclore.

Por exemplo, em vez desta espécie de feira, por que não tentar discutir a fundo e filosoficamente o que é a literatura, o que é a arte e o que é a poesia, que, praticamente, ninguém sabe o que são, a despeito de inúmeras definições, a maior parte verdadeiramente disparatadas e sem jeito nenhum. Além disso, uma boa parte da poesia que para aí se faz e consome, por exemplo, não passa de chachada, e, no entanto, anda por aí, lida, relida, declamada e pendurada em tudo quanto é esquina. Sejamos sérios. De uma vez por todas, para que possamos ter um fio de ligação, não há outra plataforma de entendimento que não seja assentarmos no conceito neurobiológico do sentimento como suporte de entendimento do sentimento artístico e do sentimento poético, iguaizinhos a quaisquer outros sentimentos. Não sendo assim, tudo o resto é fantasia e disparate.

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por Augusta Clara às 14:00

Sexta-feira, 16.12.16

Chico Carvalho - Francisco José - António Galopim de Carvalho

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António Galopim de Carvalho  Chico Carvalho - Francisco José

(O Prof. Galopim de Carvalho, tão conhecido pelos seus estudos sobre os dinossauros em Portugal, fala-nos do seu irmão Francisco José que as gerações mais velhas recordam como o cantor de "Olhos castanhos")

 

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 (Francisco José)

   Eu tinha oito anos e ele quinze. A Alemanha dava início à 2ª Guerra Mundial. Meu irmão mais velho, Francisco José, o Chico Carvalho, como era conhecido em Évora, a cidade onde nascemos e fomos criados, começou cedo a interessar-se pelo jogo do bilhar. Logo que a estatura lhe permitiu chegar à altura do tampo verde, pegou no taco e ensaiou as primeiras carambolas. Nessa época e até meados do século passado, o bilhar de carambola dominava entre nós. Só depois assistiríamos à invasão e expansão do snooker, importado da América.

Hoje, praticamente, desaparecido, o bilhar que ele e eu, aprendemos a jogar na Sociedade Harmonia Eborense e que, depois, praticámos no Cafés Montanha e no Café Camões, era o das três bolas, uma vermelha e duas brancas, no qual o jogador, com uma tacada numa das bolas brancas, fazia com que esta tocasse nas outras duas, isto é, carambolasse. Com o tempo, este meu irmão, seguindo as pisadas do nosso pai, tornou-se um grande jogador desta modalidade, quase ombreando com o José Silveira e o Matos, verdadeiros campeões na cidade e no país.

Por todos os cafés e sociedades recreativas com sala de bilhar, era comum o “jogo do tacho”, uma variante a dinheiro, em que o Chico Carvalho era exímio ganhador. No centro do tampo verde das mesas de bilhar colocava-se um pires, a fazer de tacho, dentro do qual, no início do jogo, cada participante colocava uma moeda de dez centavos, um tostão, como se dizia. De cada vez que um jogador tocasse com uma das bolas no tacho, tinha de ali colocar outra moeda. O jogo terminava quando concluídas vinte ou mais carambolas, conforme combinado, e ganhava quem primeiro completasse número de carambolas acordado, arrecadando todo o dinheiro ali acumulado no decurso do jogo.

Sempre com pouco dinheiro no bolso – a semanada era curta – foram muitas as vezes que lhe servi de banca, emprestando-lhe as quantias de que necessitava para jogar ao “tacho”, quantitativos que, no próprio dia ou no dia seguinte, me pagava com juros. Como a maioria das crianças, eu tinha, então, um “migalheiro” de barro onde ia metendo todos os tostões que angariava, os das semanadas e os dos mandados que fazia. Com uma faca e com a minha anuência, o Francisco José fazia deslizar pela lâmina, uma a uma, as moedas com que iria jogar. E a combinação era: por cada dez tostões ele restituía-me onze. O negócio foi bom para ambos. Ele ganhava sempre e o meu mealheiro engordava.

Nesse ano de 1939, subia à cena, no Teatro Garcia de Resende, a revista musical em dois actos “Palhas e Moínhas”, cujas coplas, da autoria de Vasconcelos e Sá, versam múltiplos e variados aspectos da cidade de Évora e, sobretudo, da vida nos campos do Alentejo e da personalidade dos alentejanos.

Com 15 anos fez-se ouvir em público, nesta revista, sem microfone e pela primeira vez, a voz bem timbrada e melodiosa e a dicção perfeita do que, anos mais tarde, foi o cantor dos Olhos Castanhos.

A partir de então foram as actuações nas galas do então Liceu André de Gouveia, por ocasião das festividades evocativas do 1º de Dezembro. Ouvidas nas ruas da cidade, foram, ainda, as serenatas, com ou sem luar, às suas pretendidas ou às dos colegas do liceu, as mais das vezes com público a assistir e a aplaudir. Muito antes de ser Francisco José, o Chico Carvalho era uma voz bem conhecida e apreciada no burgo que o viu crescer.

Com um enorme sucesso no Brasil, nunca igualado por algum seu conterrâneo, veio à terra natal em 1963: A áurea, que trazia, levou a RTP a apresentá-lo num programa musical, em directo e em horário nobre. Ele cantou, cantou e, no final, surpreendeu tudo e todos com a denúncia do tratamento mesquinho que era dado aos artistas nacionais, em contraste com as mãos largas oferecidas aos estrangeiros.

Foi um embaraço para os responsáveis pelo canal televisivo nacional e para os governantes de então. Uma multidão de gente do “reviralho” concentrou-se na Praça do Areeiro, para o aplaudir, frente ao restaurante “O Chicote”, onde actuava no fim do serão. Desde essa data deixou de haver programas de televisão em directo, uma prática só restabelecida com o fim da ditadura.

Como consequência desta sua ousadia foi chamado à PIDE. Não o prenderam, mas, como ele dizia, «leram-me a buena dicha». Nunca mais teve oportunidade de actuar na RTP e nunca mais deixou de estar vigiado. Todas as vezes que vinha a Portugal, desde o desembarque até ao momento de subir para o avião, no seu regresso ao Brasil, tinha um pide a seguir-lhe os passos.

Enquanto estudante universitário e antes de enveredar na carreira que o tornou conhecido, concluíra o essencial das cadeiras dos então Preparatórios de Engenharia. Foi já sexagenário que encontrou ritmo de vida que lhe deu condições para voltar à Universidade. Não para ser engenheiro mas, simplesmente, para estudar. Concluiu então a licenciatura em Matemática o que lhe permitiu ensinar Geometria Descritiva, numa Universidade para a terceira idade, a troco de poder frequentar nela aulas de outras disciplinas como História de Arte e Arqueologia.

 

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por Augusta Clara às 17:00



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