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Jardim das Delícias


Terça-feira, 06.12.16

A VOZ AO LONGE - Exposição de pintura de Adão Cruz, Museu de Ovar, Setembro de 2016

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   Vídeo da exposição de pintura de Adão Cruz "A Voz ao Longe", no Museu de Ovar, realizado e gentilmente oferecido pelo amigo Dr. Jorge Bacelar. Honrosa oferta, dado que o Dr. Jorge Bacelar é um fotógrafo de renome internacional e prémio mundial da UNESCO.

 

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por Augusta Clara às 17:00

Terça-feira, 22.11.16

GRANDE REPORTAGEM SIC - Angola, um país rico com 20 milhões de pobres - 17 Novembro 2016

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   Na última década, Angola registou um dos maiores crescimentos económicos do mundo mas manteve-se líder nos índices de mortalidade infantil. Uma semana depois de se assinalarem os 41 anos da independência de Angola, a Grande Reportagem SIC mostra-lhe um país que tem um dos maiores consumos de champanhe per capita e onde 70% da população vive com menos de dois dólares por dia. (youtube)

 

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por Augusta Clara às 08:00

Segunda-feira, 29.08.16

O julgamento de "impeachment" de Dilma Rousseff em directo

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por Augusta Clara às 20:30

Quarta-feira, 22.06.16

LE VOYAGE MEXICAIN de Bernard Plossu

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por Augusta Clara às 17:00

Segunda-feira, 25.04.16

Hoje é Dia 25 de Abril.

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A Revolução dos Cravos faz 42 anos

 

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por Augusta Clara às 07:00

Terça-feira, 12.04.16

Intervenção de Mariana Mortágua na AR sobre os offshores

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por Augusta Clara às 08:00

Segunda-feira, 28.03.16

Em memória de uma vítima esquecida do mundo que a Globo ajudou a criar em 1964. Por Paulo Nogueira

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Dodora e o seu sorriso invencível

 

DCM (Diário do Centro do Mundo), 25 de Abril de 2015

 

   Uma figura feminina aparece na minha mente sempre que leio a respeito do papel da Globo no golpe de 1964.

Não a conhecia até recentemente, mas me apaixonei assim que a vi.

Ela estava num documentário sobre o golpe a que assisti no ano passado.

É um trabalho rústico, uma câmara e depoimentos. E é sublime como retrato de uma época sinistra.

O documentário foi gravado em 1971, no Chile. Os autores foram dois cineastas americanos – Haskell Wexler e Saul Landau — que estavam no Chile para entrevistar Allende.

Eles souberam que havia um grupo de exilados brasileiros com histórias de tortura e decidiram registrá-las com sua câmara. O grupo tinha sido trocado pelo embaixador da Suíça no Brasil.

Surgiria, como que por acaso, “Brasil, um relato da tortura”, um pequeno épico do cinema que não se curva aos poderosos. Eram talentosos os americanos. Haskell posteriormente receberia dois Oscars por trabalhos na área de fotografia de grandes produções de Hollywood.

É uma mulher que me fisga no filme, uma jovem médica que narra as barbaridades que ela e os companheiros sofreram nas mãos dos agentes da ditadura.

Ela é bonita, articulada, e pesquisando vejo que fascinou também os documentaristas americanos.

Ela tinha 25 anos na ocasião, e riu ao lembrar as torturas, que narrou meticulosamente. Parecia invencível diante das violências.

“Fui colocada nua numa sala com cerca de 15 homens”, disse ela. “Fui espancada e esbofeteada.”

Seu rosto bonito ficou, contou ela, completamente deformado, conforme queriam os algozes.

Durante a sessão puseram num volume ensurdecedor “música de macumba”, e ela lembrou que os torturadores pareciam “excitados, felizes” como se estivessem numa festa.

A certa altura, a agarraram pelos seios e puseram uma tesoura em seu mamilo. Pressionavam e soltavam, e ameaçavam extirpá-lo. Também diziam que iriam matá-la.

Uma das forças do vídeo é que os entrevistados mostram como eram as torturas, como o pau de arara. São reproduções realistas e assustadoras.

Comecei a ver, por sugestão de minha filha Camila, e não consegui parar em quase 1 hora de conteúdo extraordinário. Fiquei perturbado como há muito tempo não ficava.

E depois quis saber mais das pessoas. Particularmente dela: passados mais de quarenta anos, que estaria fazendo?

E então vem a parte triste. Como escreveu Machado de Assis em Dom Casmurro quando as coisas degringolam, pare aqui quem não quer ver história triste.

Maria Auxiliadora Lara Barcelos, este o nome daquela guerreira que comoveu aos cineastas e a mim. Dora ou Dodora, como a chamavam.

Ela não viveu para ver o fim do horror militar.

Pouco tempo depois, como Ana Karenina, se jogou sob as rodas de um trem. Ela estava com problemas psiquiátricos derivados da selvageria a que foi submetida, e tinha acabado de se consultar com seu médico.

Morava, então, em Berlim.

Dois anos depois de feito o documentário, Pinochet tomou o poder no Chile, e Dora teve que partir de novo.

Primeiro foi para a Bélgica, e depois para a Alemanha Ocidental. Era brilhante: passou em primeiro lugar entre 600 estrangeiros e conseguiu aprovação para complementar seus estudos de medicina na Universidade de Berlim.

Fiquei triste, quase enlutado, ao saber do que ocorreu com ela. Já imaginava entrevistá-la, e especulava sobre como ela estaria hoje. Conservaria vestígios da beleza sobranceira e altiva do passado?

Num voo mental, penso que se ela tivesse nascido na Escandinávia, hoje seria uma avó, cheia de histórias para contar aos netinhos. Fantasio-a de bicicleta em Copenhague, feliz entre pessoas que são felizes porque aquela é uma sociedade como prescreveu Rousseau: sem extremos de opulência e de miséria.

Mas ela nasceu e cresceu na terra da iniquidade, que combateu com coragem assombrosa e idealismo inexpugnável. Não há em sua fala vestígio de remorso por ter caminhado o caminho que escolheu.

Em Laura, o filme clássico de Preminger, o detetive se apaixona pela foto de uma mulher assassinada. Como que me apaixonei por Dora ao vê-la no documentário.

Fico tolamente satisfeito quando minha filha Camila me conta que, pesquisando, descobriu que Dilma prestara tributo àquela brasileira indomável.

Em fevereiro de 2010, quando o PT confirmou a candidatura de Dilma para a presidência da república, Dilma disse em seu discurso: “Não posso deixar de ter uma lembrança especial para aqueles que não mais estão conosco. Para aqueles que caíram pelos nossos ideais. Eles fazem parte de minha história. Mais que isso, eles fazem parte da história do Brasil.”

Dilma citou três pessoas. Uma delas era Dodora. “Dodora, você está aqui no meu coração.”

E no meu também.

E é nela que penso quando reflito sobre o papel da Globo no golpe.

E nela projeto todos os outros tombados.

A Globo ficará eternamente impune – rica e impune — pelos assassinatos que indiretamente promoveu ao abrir as portas para a ditadura?

Nem um miserável pedido de desculpas será endereçado à memória de Dodora?

Ninguém a protegeu em vida, que ela ceifou ao se atirar sob as rodas de um trem nas remotas terras germânicas.

E a opulência impeninente da Globo em seu cinquentenário mostra que também na morte Dodora continua desprotegida.

Roberto Marinho virou bilionário com o mundo que ele se empenhou tanto por moldar, o das botas e das metralhadoras assassinas, e Dodora só conseguiu escapar de tudo sob as rodas de um trem.

Tinha 31 anos.

 

O vídeo em que Dodora conta as torturas que sofreu

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por Augusta Clara às 08:00

Sexta-feira, 11.03.16

Quando vier a Primavera - Alberto Caeiro, por Pedro Lamares

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por Augusta Clara às 23:00

Terça-feira, 08.03.16

Virginia Woolf - a mulher e a escritora - Augusta Clara de Matos

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Augusta Clara de Matos  Virginia Woolf - a mulher e a escritora

 

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   Virginia Woolf (1882-1941) nasceu no seio duma família inglesa da pequena aristocracia vitoriana. Quando o seu pai, Sir Leslie Stephan, filósofo erudito e uma figura tutelar algo despótica, faleceu a família mudou-se para a área londrina de Bloomsbury onde, mais tarde, haveria de formar-se o grupo com esse nome, constituído maioritariamente por elementos trazidos de Cambridge pelo seu irmão Thoby a que se juntariam os economistas Lynton Strachey e John Maynard Keynes, os escritores E.M. Foster e T.S. Eliot, os pintores Roger Fry e Duncan Grant e outros, entre os quais o próprio Leonard Woolf, historiador, com quem Virginia viria a casar-se. O círculo de Bloomsbury pretendia uma mudança na vida cultural inglesa conciliando "arte e moral", "tradição e verdade".  

A acidentada vida familiar de Virginia Woolf ganhou alguma estabilidade, aos 30 anos, após o casamento, embora as crises depressivas que frequentemente a atormentavam não tivessem desaparecido. Ela e o seu marido compraram uma pequena impressora e constituiram uma editora. Mas era de escrever que Virginia gostava.

Ainda criança Virginia Woolf tinha manifestado a vontade de ser escritora. Apesar dos condicionalismos da época relativamente à educação e à vida intelectual das mulheres, a biblioteca do seu pai tinha-lhe sido franqueada sem quaisquer restrições. De inteligência brilhante, sabia-se uma privilegiada. Tinha consciência de como à generalidade das mulheres do seu tempo estava impedido o desenvolviemento intelectual e o acesso à cultura. As veementes intervenções que teve contra esse estado de coisas granjeram-lhe reacções adversas.

No livro Um quarto que seja seu, constituído por duas prelecções feitas nas universidades femininas de Newham e Girton, em Cambridge, Virginia aborda o problema da sujeição da capacidade intelectual das mulheres da sua época e da falta de condições quer financeiras quer de autonomia para poderem expressar essa capacidade. Porém, o conteúdo destas conferências nada teve de panfletário. Para abordar o tema central, ela desenvolveu a sua argumentação com fineza de raciocínio e de espírito. O conhecimento da vida, da literatura e da História estão bem patentes nestas páginas e, certamente, deliciaram quem a ouviu. Fiquemos nós, agora aqui, com algumas linhas delas extraídas: 

Ao longo de todos estes séculos as mulheres têm servido de espelhos, dotados do poder mágico e maravilhoso de reflectirem a figura do homem com o dobro do tamanho normal. (...) O Czar e o Kaiser nunca teriam usado coroa, nem as perderiam. Qualquer que seja a sua utilização nas sociedades civilizadas, os espelhos são a mola essencial de todo o acto violento e heróico. (...) Este o motivo porque tanto Napoleão como Mussolini insistem com tanta ênfase na inferioridade da mulher, pois se não fossem inferiores eles deixariam de engrandecer. (...) a inquietação que sentem, ante a crítica delas; é impossível que, ao dizer-lhes que este livro é mau, este quadro é fraco ou qualquer outra coisa, deixem de ofender e irritar muito mais do que se fosse um homem a fazer uma crítica idêntica. (...) Como conseguirá pronunciar opiniões, civilizar selvagens, escrever livros, preparar-se e discursar em banquetes, a não ser que ao pequeno almoço e ao jantar lhe reste a possibilidade  de se olhar ao espelho e de se ver pelo menos com o dobro da estatura?

Mas asseguro-vos que esta amostra pouco diz da totalidade desse Um quarto que seja seu, um inteligente livro de ensaios sobre o problema "A Mulher e a Ficção".

Virgínia Woolf foi principalmente romancista. Contudo, alguns dos seus contos revelam-nos bem o modo como soube captar a vida duma maneira muito própria.

Aos 59 anos, com toda a lucidez, atormentada pela constante depressão em que mergulhava, encheu de pedras os bolsos do casaco e deixou-se ir nas águas do rio Ouse escrevendo uma carta ao marido onde explicava porque tomara aquela decisão: Tenho a certeza de que vou enlouquecer outra vez. E sinto-me incapaz de enfrentar de novo um desses terríveis períodos. Começo a ouvir vozes e não consigo concentrar-me (...). Se alguém pudesse salvar-me serias tu (...). Não posso destruir a tua vida por mais tempo.

 

Na única entrevista de que há registo sonoro, dada por Virginia Woolf à BBC em 29 de Abril de 1937, ela põe a tónica na importância das palavras, que existem sobretudo na nossa mente, por muitos dicionários de que possamos dispor. Daí que, por vezes, nos seja tão difícil encontrar a palavra exacta para expressar uma ideia ou exprimir um sentimento. Escutemo-la, pois.

 

 

Livros de Virginia Woolf publicados em Portugal:

 

  • Um Quarto que Seja Seu, Vega
  • Os Três Guinéus, Vega
  • A Casa Assombrada, Relógio d'Água
  • Diário, Vols. I e II, Bertrand Editora
  • Os Contos de Virginia Woolf, Relógio d'Água
  • O Quarto de Jacob, Cotovia
  • Orlando, Livros do Brasil
  • As Ondas, Col. Mil Folhas, Público
  • Rumo ao Farol, Edições Afrontamento
  • Entre os Actos, Cotovia
  • Os Anos, Moraes
  • Mrs. Dolloway, Livros do Brasil
  • A Festa de Mrs. Dolloway, Cotovia
  • Flush, Edições Afrontamento

 

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por Augusta Clara às 15:00

Terça-feira, 19.01.16

Morreu um democrata

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por Augusta Clara às 14:00



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