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Jardim das Delícias


Quarta-feira, 05.05.21

PAUL KLEE - Jarras com flores

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por Augusta Clara às 19:19

Segunda-feira, 03.05.21

O velho eléctrico - Eva Cruz

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Eva Cruz  O velho eléctrico

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   O rio, junto à Foz, é quase um lago de águas paradas. Não tem a cor do ouro que lhe dá o nome, antes reflecte o azul do céu e do mar que ali o espera um pouco mais à frente para o abraço final. A remos ou à vela por lá deslizam barcos e barquinhos ao sabor da brisa leve desta luminosa primavera. Centenas de gaivotas, algumas garças, patos bravos, corvos marinhos, os habituais donos destas margens espreguiçam-se ao sol, ou dançam no ar em voos suaves, ou se lançam em corridas quase rasantes sobre as águas. Os corvos marinhos alinhados no que resta de terra na maré cheia, abrem as asas a todo o pano para receberem o sol que as vai secando. É Domingo. A correr e a caminhar, ao ritmo das forças de cada um, toda a gente saiu de casa em busca do sol e da liberdade que entrou de rompante pelas portas do desconfinamento.
Amarelo de sempre, por vezes esverdeado ou pintalgado de modernice, arrastado de tempo e de memórias, lá vai e vem o eléctrico gemendo sobre a linha ao longo da margem, levando a Ribeira até à Foz, e trazendo de volta o romântico Passeio Alegre com a sua alameda de palmeiras e as lindas casas da Foz Velha. A linha 1, uma das três linhas sobreviventes de entre muitas, juntamente com a linha 18, de Massarelos à Cordoaria, e a 22 entre o Carmo e a Batalha. Pequenos restos do século XIX que teimam em não se desgarrar de um velho Porto que é só memória e saudade.
Nos meus tempos de menina de Liceu, sempre foi o eléctrico a levar-me onde eu queria. E mesmo nos tempos de minha mãe que viveu a sua juventude entre Gaia e Porto, assim teria sido também, pois lembro-me de ela ter falado no eléctrico, aquando de um acidente na Rua 31 de Janeiro, em que o guarda-freios não conseguiu travá-lo e ele veio desenfreado e de escantilhão até à Baixa.
Sentei-me ao sol num dos muitos bancos que seguem a margem desde a Cantareira ao Cais do Ouro, e lembrei-me do livro de Tennessee Williams “A Street Car named Desire” ( Um Eléctrico chamado Desejo). Nada tem a ver com este eléctrico que geme atrás de mim, mas levou-me a desnudar uma espécie de nostálgica reminiscência do passado que, serenamente, criou em mim algum disfarce da desilusão e alguma fantasia que me permitiu esquecer por momentos a realidade da velhice.

 

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por Augusta Clara às 20:25

Quinta-feira, 29.04.21

Minha amiga Maria da Criatividade - Adão Cruz

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Adão Cruz  Minha amiga Maria da Criatividade

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(Adão Cruz)

 

   Dentro das alegorias possíveis e de uma espécie de polifonia pictórica, considero-te a música do Universo, a mulher reinventada nas vivências e passagens do tempo, elemento de candor poético na intimidade afectiva do quotidiano. Nunca te outorguei o exíguo papel que outros te atribuem, quem sabe, decorrente do hormonalismo poético da tua imagem feminina. Mas pago bem caras a aspiração da tua pureza, a procura da tua inocência, a adoração da tua beleza, a ansiedade do teu absoluto que fazem de mim um náufrago de sonhos preso nos lastros da realidade.

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por Augusta Clara às 18:09

Domingo, 25.04.21

25 de Abril, o grande vencedor - Adão Cruz

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Adão Cruz  25 de Abril, o grande vencedor

   O 25 de Abril foi o mais importante fenómeno político-social da nossa história moderna. O mais fascinante fenómeno político-social da vida de todos aqueles que tinham dentro de si a terra preparada para nascerem cravos.

Foi uma rajada de vento estilhaçando as janelas do tempo e deixando entrar o futuro e os sonhos pela mão dos pequenos gestos de cada um de nós. Uma generosa pincelada de cor e de vida nas paredes gastas da existência, nas palavras desencantadas e nos rostos mortos da esperança. O abrir da madrugada que há tanto tempo se recusava a ser dia.

Sensação única e irrepetível. A praça do entusiasmo era demasiado grande e a alegria brotava em cada esquina, entoando canções que ardiam no ventre da arte e da poesia. Eram muitas as certezas, ainda mais as incertezas e uma cândida ingenuidade brilhava em todos os olhos. Acreditava-se que neste pérfido mundo ainda havia almas grandes, as únicas capazes de ultrapassar a fronteira para além da qual o homem adquire a dimensão da cidadania, da honra e da dignidade.

Ao calor do 25 de Abril se deve o germinar da revolucionária ideia de que é na relação com os outros que nós percebemos quem somos e que o sentido da nossa existência é o sentido da nossa coexistência. A maior conquista do 25 de Abril foi, de facto, o nascimento de uma necessidade crescente de sentir a beleza, o autêntico, a verdade, o gosto da vida para cada um e para todos, a solidariedade, a sede de saber e a consciência da soberania da liberdade e da justiça.

Comemoramos hoje os quarenta anos do nascimento de uma vida por que tanto lutámos. Mas é com tristeza que penduramos o cravo na lapela e uma lágrima nos olhos. Hoje já não sabemos se é dor ou alegria o que sonhamos quando abrimos ao sol as portas de Abril. Não sabemos se é dor, tristeza oualegria, aquilo que sentimos quando a revolução faz tantos anos de saudade e nostalgia.

O 25 de Abril sempre teve e tem alma de esquerda. Nunca poderia ser o gene da nova ditadura que aí está desde há muito, cada dia mais tecnologicamente evoluída e sofisticada. Não demorou muito depois de Abril a incubação do ovo da serpente. Como fazem os micróbios quando aprendem a utilizar o antibiótico como alimento, os saudosos do antigo regime apoderaram-se da palavra democracia, usando-a como rótulo do veneno que lentamente foram injectandonas consciências e nas inconsciências do nosso povo.

O seu caldo de cultura é não só o domínio da comunicação, onde ferreamente institucionalizou a desinformação e a mentira com máscaras de informação, mas também a eterna manutenção da ignorância, da estupidificação, da pobreza e do obscurantismo. Tudo em nome da competitividade e da convergência, da globalização, da modernidade, da religiosidade, da flexibilização, da privatização, palavras inquestionáveis das estratégias de dominação por parte daqueles que sabem quem tudo ganha à custa de quem tudo perde.

São estes responsáveis pelo abrir de portas e pelo estender de tapetes às chancelarias do crime que provocaram ou facilitaram esta barbárie dos tempos modernos, a corrupção, os roubos ao país, os cortes de salários e o esbulho das pensões, a degradação social, a fome ao lado da loucura do consumismo, o monetarismo e o ultraliberalismo cujo útero reside nos tecnocratas da rapina e na cabeça do patrão planetário que os condecora por cavarem cada vez mais fundo o fosso entre ricos e pobres.

De cravo ao peito ou sem ele, comemoram com toda a desfaçatez a honrosa revolução que sempre odiaram, numa tentativa de a desnaturar e de neutralizar o genuíno espírito de Abril. O que se passa na Assembleia da República é paradigmático. A hipocrisia é maior do que o monte de cravos ali aprisionados nesse dia. Dia que muitos suportarão com dificuldade, conhecidos que são osseus claros sinais de alergia.

Nos dias que correm, a luta tem de ser redobrada dentro de cada um de nós. Não é o grau de facilidade ou dificuldade ou a carga pragmática ou utópica que ditam o que deve ser feito ou obstam àquilo que deve ser feito, mas é, sobretudo, a resistência e a força da verdade da nossa consciência perante a submissão.

A identificação com os autênticos valores de liberdade em todo um processo de valorização pessoal e colectiva, exprime uma inquestionável adesão ao Bem e à Justiça, uma interioridade e uma nobreza de carácter só reconhecidas às almas grandes. É por tudo isto que ABRIL é e será sempre o GRANDE VENCEDOR.

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por Augusta Clara às 00:49

Quinta-feira, 22.04.21

Os caramuleiros - Eva Cruz

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Eva Cruz  Os caramuleiros

 

   O novo abrandar do confinamento logo acelerou a vontade de respirar ar puro. Desta vez o ar da Serra do Caramulo. O dia era um esplendor e a temperatura de Verão. A “Alma”, romance-poema de Manuel Alegre, enfeitou a memória dos caminhos de Águeda, por onde há muito não passávamos, quando começámos a subir a montanha, revivendo passeios de outros tempos com os filhos ainda crianças. Já quase no alto, o meu irmão Adão e eu Eva, encontrámos um recanto maravilhoso à beira do rio, com açude e ponte romana, por engraçada coincidência denominado “Parque de merendas Paraíso”. Ali abrimos o farnel que nos soube melhor do que a maçã, sem que ninguém nos expulsasse.

Chegados ao alto do Caramulo, uma das mais belas serras de Portugal, recordei de imediato a “prima Laurindinha”, prima com quem minha mãe viveu na juventude, e personagem do meu livro “Aurora Adormecida”. Por ali passou tristes dias da sua vida em busca da cura para a tuberculose. Os bons ares do Caramulo transformaram esta serra na estância sanatorial mais importante da Península Ibérica, estando o médico Jerónimo Lacerda ligado à construção do mais antigo sanatório do Caramulo, que data de 1922. Foi um médico visionário que conseguiu dotá-lo das melhores infra-estruturas para a época, dando assim um enorme contributo para a erradicação da tuberculose no país. Pois foi nesse mesmo sanatório que a prima Laurindinha esteve internada. De nada lhe valeu, infelizmente, pois a doença matou-a ainda muito nova. Outros sanatórios foram criados, tornando-se o Caramulo, nos anos vinte e trinta, na mais “elegante” estância de saúde do País. Sobre este assunto transcrevo aqui algumas passagens do meu livro: “O ambiente do sanatório era deprimente. As fumigações de formalina cheiravam a morte. Embrulhados na sua tosse de tísicos, os doentes agasalhavam a doença dia e noite sem esperança. Na sua fraqueza trocavam olhares de forte cumplicidade, fazendo nascer amizades e amores que a dor e o sofrimento alimentavam. Montanha Mágica de sentimentos, de superstições, de medos e de morbidez, onde em vez de retratos se trocavam radiografias!”

Como satélites do grande sanatório, outros mais pequenos se espalharam pela montanha. E como os doentes, também foram morrendo ao longo do tempo. Hoje formam uma impressionante constelação de esqueletos, de janelas estilhaçadas, de paredes descarnadas e buracos entranhados de silêncio, solidão, pedaços de dor e saudade pelos que ali sofreram e ali morreram”. Com a erradicação da tuberculose, a estância do Caramulo foi votada ao abandono, mas a paisagem que os nossos olhos alcançam do cimo da Serra continua a ser de uma beleza única na sua lonjura a perder de vista e a conter a respiração. Nem tudo a morte levou, deixando viva a natureza em toda a sua plenitude. E foi a olhar ao longe que me veio lá do fundo da memória outra recordação, agora da minha infância, os Caramuleiros. Pelos dias frios de Inverno apareciam na minha aldeia, todos os anos, os Caramuleiros a vender carvão para o ferro de engomar e cobertores da serra. Dizia-se que vinham de muito longe, da Serra do Caramulo, e as crianças fugiam assustadas com as caras desconhecidas dessa gente pobre e estranha. Hoje já ninguém se lembra deles, nem dos ferros de brasas, nem dos cobertores serranos.

E assim, no meio dos montes, entre memórias e saudades, se passou este belo dia de desconfinamento, não só do corpo mas sobretudo do espírito.  

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por Augusta Clara às 14:36

Quarta-feira, 21.04.21

Reflexão - Adão Cruz

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Adão Cruz  Reflexão

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(Adão Cruz)

 

   A genuína pureza da poesia vive e anda por aí em tudo o que é vida, mas não é fácil captar a sua complexa simplicidade. Como não é fácil - ou não se quer - entender a complexa simplicidade da evidência que também anda por aí, em quase tudo. O medo da evidência apavora as mentes que, de uma forma ou de outra, perderam a liberdade ou rejeitam a liberdade, sobretudo a liberdade de pensar. Interiorizam mecanismos fortemente redutores que são aceites acriticamente, porque não existe ou foi tacticamente anulada a capacidade crítica, ou são impostos por uma espécie de fé ou crença consuetudinária, impiedosamente dogmática, que cristaliza toda a forma de pensar, mesmo de pessoas habituadas e traquejadas numa moderna cultura científica da evidência. Estas as pessoas, ainda assim, de boa fé. Porque as há, e não são poucas, que fazem da má fé o antídoto da evidência que não conseguem negar.

 

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por Augusta Clara às 15:27

Segunda-feira, 19.04.21

À nossa!

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por Augusta Clara às 21:08

Sábado, 10.04.21

Um texto de João Vasconcelos-Costa sobre as vacinas

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João Vasconcelos-Costa é médico e virologista e foi director do Departamento de Virologia do Instituto Gulbenkian de Ciência
 
VACINA DA ASTRAZENECA
 
   Parece-me que não é preciso ser-se adepto de teorias da conspiração para se suspeitar de que há muito de económico e político nesta história da AstraZeneca. Por exemplo, não deixa de ser estranho que os países europeus se tenham sempre escudado nesta pandemia em recomendações técnicas supranacionais, como na aprovação das vacinas pela EMA e não pelos seus “infarmeds” nacionais e agora não sigam a opinião da EMA de que os riscos da vacina AZ são infimamente inferiores aos seus benefícios. Mas, como não tenho dados suficientes sobre isso, vou comentar apenas os aspetos médicos e científicos.
Não há nenhuma vacina, como nenhum medicamento, que não tenha efeitos secundários. Por exemplo, a vacina da febre amarela, que toda a gente é obrigada a levar como condição de viagem para muitos países, causa ocasionalmente em pessoas mais velhas consequências que podem ser graves. O que há a fazer sempre é uma avaliação de risco. É dado objetivo que, com dezenas de milhões de vacinados com a AZ, as dezenas de casos de acidentes trombóticos, principalmente a trombose venosa do seio cavernoso cerebral, representam um risco cerca de 100000 vezes menor do que o risco de morte pela COVID-19. Note-se que estes acidentes também ocorrem com a tomada de anticoncepcionais, até em maior percentagem, que nunca ninguém se lembrou de retirar do mercado ou de recomendar só a mulheres acima dos 60 anos…
Com isto, é de temer, legitimamente, que o medo instalado pelas medidas de muitos países – agora também Portugal – de limitação do uso da vacina AZ leve a recusa de vacina por muita gente, com uma probabilidade de aumento de mortes pela doença muito maior do que a probabilidade de acidentes vacinais. Eu próprio já recebi bem uma dezena de telefonemas a pedir-me opinião, sentindo que, no fim da conversa, as pessoas continuaram a não querer serem vacinadas com a AZ.
A isto, soma-se toda a incerteza sobre a capacidade de vacinação em massa sem o aproveitamento de todo o fornecimento da AZ. Também, como sempre, o nosso eurocentrismo esquece que a AZ é o fabricante que melhores condições comerciais (a preço de custo) e técnicas (condições de armazenamento, por exemplo) oferece ao terceiro mundo, cujas populações certamente vão ficar inquietas com o que se está a passar.
Ainda não se conhece o mecanismo desta anomalia da coagulação, provavelmente ligada a uma disfunção plaquetária. Um estudo inicial sugere um mecanismo de agressão por complexos antigénio-anticorpo em pessoas, principalmente do sexo feminino, que têm naturalmente anticorpos contra um fator de regulação das plaquetas, situação muito rara. O que não s sabe é qual a relação com a vacina. Uma hipótese plausível é que isto se relacione com o vetor viral de adenovírus utilizado na vacina AZ. Se assim for, isto coloca um problema adicional, que ainda não vi referido. É que há outras vacinas contra o SARS-CoV-2 baseadas na mesma tecnologia e usando adenovírus.
Uma, já em uso, é a Sputnik. Seria natural que já se estivesse a investigar se já ocorreram na Rússia acidentes do mesmo tipo. Curiosamente, no momento em que restringe o uso da AZ, a Alemanha está a negociar a compra da Sputnik. A outra vacina do mesmo tipo é a Jansen, cujo fornecimento em prevista larga escala estava a ser a base para a previsão de uma alta percentagem de vacinação na Europa no segundo trimestre a até ao outono.

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por Augusta Clara às 18:54

Quinta-feira, 01.04.21

Hino ao 1º. de Abril - Jorge de Sena

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Jorge de Sena  Hino ao 1º. de Abril

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(Adão Cruz)
 
 
 
Os milicos milicazes
nunca foram maus rapazes.
Quando matam, quando esfolam,
quando capam, quando amolam,
quando todos se rebolam
prós ianques que os engrolam,
ou quando cantam de galo,
ou relincham de cavalo,
ou vão puxando o badalo
mais o saco do gargalo,
ou quando vendem a terra
e as riquezas que ela encerra,
ou quando rolham quem berra
ou mesmo quem embezerra,
ou quando as serras napalmam,
e com fogo tudo acalmam,
ou quando bancos empalmam
e corruptos se desalmam
é tudo sempre por bem.
De Pelotas a Belém
não duvide nunca alguém
seja fortudo ou pelém,
que os milicos milicazes
nunca foram maus rapazes.
1/4/70
(in 40 Anos de Servidão, Moraes Editores)

 

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por Augusta Clara às 13:00

Segunda-feira, 22.03.21

Sem palavras - Eva Cruz

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Eva Cruz  Sem palavras

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(Miki de Goodboom)

 

Sons de silêncio
nas cores perfumadas dos lilases
ao longe o estalar da casca de um pinheiro
na tranquilidade dos guizos do rebanho que pasta.
Cantar da água pela borda fora
entre manchas de mil verdes
na beleza nua da música a preto e branco
em claves de sol e de cor
e de dor de não ser capaz de a tocar…
Um pombo rolo canta e desafia a timidez da poesia.
Abraçar sonhos solitários
quando na boca morre a palavra da cidade metafísica
ou apenas do pequeno recanto
onde vive o perfume de uma rosa
ou o encanto da mariposa de meados de Abril.
Canta solitário o verdilhão
a canção simples da sedução
em voo ondulante cortejando a fêmea
e sem palavras
no mais calado silêncio
nasce no coração da Primavera a poesia.

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por Augusta Clara às 16:21



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