Delícias são tudo o que nos faz felizes: um livro, a magia dum poema ou duma música, as cores duma paleta ... No jardim o sol não raia sempre mas pulsa a vida, premente.
João de Melo José Medeiros, o orgulho dos seus amigos
(Zeca Medeiros)
Tive o maior gosto em participar da homenagem que se prestou ao José (Zeca) Medeiros nos dias 17 e 19 em Ponta Delgada. O Zeca é o melhor do todos nós: um demónio com talento que daria para dois ou três. Tenho a honra de ser amigo dele. E considero um luxo que tivesse sido ele a adaptar um livro meu a série televisiva e a telefilme. Falta editar e pôr à disposição do público quase tudo o que o Zeca realizou para a televisão. E reeditar toda a sua música. E chamá-lo a fazer o grande filme sobre a guerra colonial - que só ele saberá fazer.
Além disso, o Zeca não é apenas ele, mas aquele ninho de outros profissionais, amigos, familiares, actores amadores, espontâneos que ele "visionava" como personagens e que depois operavam milagres de talento, contornando os magros orçamentos com que sempre lidou. Era bom que nos orgulhássemos mais dos nossos valores e menos dos parasitas televisivos que minam a inteligência do povo, cobram milhões e vivem grandes vidas embriagadas pelo "glamour" da mediocridade
Julgo que seja um privilégio ter este Senhor por amigo. Fui confirmar se ele era o realizador José Medeiros que conheci da TV e tem muita qualidade. E é. Lembro-me que o descobri em Xailes negros e que gostei muito de um documentário O barco e o sonho. Quem assim entende a alma humana só pode ser extraordinária pessoa.