Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
Delícias são tudo o que nos faz felizes: um livro, a magia dum poema ou duma música, as cores duma paleta ... No jardim o sol não raia sempre mas pulsa a vida, premente.
Allocution du premier ministre A. Tsipras au peuple grec. La choix au peuple souverain . Référendum, par Vangelis Goulas
27 de Junho de 2015
Nous avons livré un combat dans des conditions d’asphyxie financière inouïes pour aboutir à un accord viable qui mènerait à terme le mandat que nous avons reçu du peuple. Or on nous a demandé d’appliquer les politiques mémorandaires comme l’avaient fait nos prédecesseurs. Après cinq mois de négociations, nos partenaires en sont venus à nous poser un ultimatum, ce qui contrevient aux principes de l’UE et sape la relance de la société et de l’économie grecque. Ces propositions violent absolument les acquis européens. Leur but est l’humiliation de tout un peuple, et elles manifestent avant tout l’obsession du FMI pour une politique d’extrême austérité. L’objectif aujourd’hui est de mettre fin à la crise grecque de la dette publique. Notre responsabilité dans l’affirmation de la démocratie et de la souveraineté nationale est historique en ce jour, et cette responsabilité nous oblige à répondre à l’ultimatum en nous fondant sur la volonté du peuple grec. J’ai proposé au conseil des ministres l’organisation d’un référendum, et cette proposition a été adoptée à l’unanimité.
La question qui sera posée au référendum dimanche prochain sera de savoir si nous acceptons ou rejetons la proposition des institutions européennes. Je demanderai une prolongation du programme de quelques jours afin que le peuple grec prenne sa décision.
Je vous invite à prendre cette décision souverainement et avec la fierté que nous enseigne l’histoire de la Grèce. La Grèce, qui a vu naître la démocratie, doit envoyer un message de démocratie retentissant. Je m’engage à en respecter le résultat quel qu’il soit. La Grèce est et restera une partie indissoluble de l’Europe. Mais une Europe sans démocratie est une Europe qui a perdu sa boussole. L’Europe est la maison commune de nos peuples, une maison qui n’a ni propriétaires ni locataires. La Grèce est une partie indissoluble de l’Europe, et je vous invite toutes et tous à prendre, dans un même élan national, les décisions qui concernent notre peuple.
Traduction:Vassiliki Papadaki
Texto publicado em: http://syriza-fr.org/2015/06/27/allocution-du-premier-ministre-a-tsipras-au-peuple-grec-la-choix-au-peuple-souverain-referendum/
Nota: Pode ler aqui uma tradução portuguesa surgida depois desta em francês.
Adélio Martins Guardado está o bocado...
(Adão Cruz)
Nota: o autor é médico cardiologista
Durante cerca de dez anos fui médico de uma simpática velhinha, de rosto muito belo, olhar cândido, que julgava viver com dificuldades. Cobrava-lhe um mínimo, e ela compensava-me contando-me histórias da sua vida. Tinha vivido no Brasil, os pais fizeram fortuna, e no regresso de barco, pelos seus vinte anos, conheceu um rapaz por quem se apaixonou loucamente, e com quem queria casar. Seus pais, pensando que não a merecia, rejeitaram o casamento, o rapaz emigrou para Angola, desconsolado, e ela permaneceu apaixonada para sempre, vivendo um amor platónico. A religião era como um escape para os seus sentimentos. Só confio em si e no padre Manuel, dos meus sobrinhos nem quero ouvir falar, são uns interesseiros...A nossa relação era interessante, e as suas consultas eram leves como o algodão em rama...Mas acontece que a certa altura a doente deixou de vir ao meu consultório, e cheguei a pensar o pior...Um ano após, voltou, pedindo desculpa pela ausência, que justificou pela necessidade que teve de ir ao Brasil, onde possuía vários apartamentos, tendo ido de propósito para ofertar a Nossa Senhora dois que tinha em Copacabana...Trataram-me muito bem, dizia ela referindo-se aos que receberam tão avultada doação...Eu pensei para comigo, bolas, estou eu aqui a fazer de samaritano, e dei ordem à empregada para aumentar ligeiramente o preço da consulta que era ridículo. A senhora teve um esboço de reação, mas aceitou bem. Passados poucos meses, veio-me procurar muito emocionada, para me fazer uma confidência e pedir um conselho. Trazia consigo uma carta escrita pelo seu punho, dirigida ao padre Manuel, onde com todo o respeito lhe pedia para lhe devolver o dinheiro que este lhe tinha retirado da sua conta bancária, no valor de três mil contos, aproximadamente. Disse-me que lhe iria entregar a carta pessoalmente. Foi nessa altura que fiquei a saber que o tal padre todas as quartas feiras lhe papava um almoção, tipo buffet livre no Hotel Ipanema...Esperei por noticias que chegaram no dia seguinte. A senhora estava assustada, tremia-lhe a voz e o corpo todo...O padre Manuel está possuído do demónio senhor doutor...Mal leu a carta na sacristia, começou aos pontapés às cadeiras, e chegou mesmo a tombar uma mesa que lá estava. Aos berros, dizia que eu era uma impostora...À noite telefonou-me a ameaçar-me, e eu não sei que fazer à minha vida, por favor ajude-me...Aconselhei-lhe um advogado de quem tinha a melhor das impressões, para lhe dar apoio, porque o caso já se estava a tornar perigoso...Gostei muito do seu amigo advogado, disse-me a senhora dias depois, ele vai-me ajudar...Efetivamente o jurista, num encontro casual que teve comigo, falou-me da senhora com ternura filial, e eu fiquei descansado...Passados dois anos deixei de ter noticias da senhora, e o advogado disse-se que esta estava a viver num lar no Entroncamento e que inclusivé tinha aproveitado uma viagem a Lisboa para a ir visitar. Que simpatia, fazer um desvio até ao Entroncamento para visitar a minha paciente não é para qualquer um, tem de se ter um bom coração, e subiu ainda mais na minha consideração o advogado...Passaram-se talvez oito longos anos, as preocupações foram-se renovando e a memória destes fatos foi-se esbatendo. Há cerca de três meses recebi o jurista no meu consultório para fazer um eletrocardiograma. Tinha cinquenta anos e havia que olhar pela saúde. Está ótimo, disse-lhe eu com uma palmada nas costas, daquelas que só se dão a quem muito se considera, daquelas que fazem estalo...Dr. Adélio, meu bom amigo, quero informá-lo que vou fechar o consultório, já não preciso de trabalhar mais...O quê? retorqui, saiu-lhe a sorte grande? Bem ,disse-me ele, é que eu herdei a maior jazida de mármore do Alentejo...Lembra-se daquela velhota que me mandou ao consultório? Foi ela...que ma doou...Não sou pessoa de ter inveja de ninguém, mas quando ele virou as costas apeteceu-me dar-lhe um pontapé no traseiro!
Vejam em que consiste esta bárbara tradição da queima de um gato vivo nas Festas de S. João, na freguesia de Mourão, Vila Flor: a população assiste divertida e apoiante à queima dum gato vivo, metido num recipiente de barro preso a um poste que é incendiado.
O vídeo é muito chocante. Se quiser, veja-o neste link: http://ainanas.com/must-see/animais-must-see/em-portugal-queimam-se-gatos-por-diversao-no-s-joao/
Por favor, assine e divulgue a petição. Há que fazer justiça contra este crime.
Carlos de Matos Gomes Os grumetes das naus e as regras da casa
Há poucos dias, a propósito da recusa da Grécia em aceitar os diktat da troika, de o governo grego não fazer aos gregos o que o seu governo faz aos portugueses, Passos Coelho disse esperar que o governo de Atenas «respeite as medidas» da moeda única e da União Europeia e resmungou que a Grécia tem gozado dentro da «casa europeia» de solidariedade e de «alguma excepcionalidade». Quanto às declarações do ministro das finanças grego, que disse não reconhecer a troika como interlocutora válida, Passos Coelho vincou que «todos têm de respeitar as regras que existem na casa».
Cavaco Silva, tal como Passos Coelho, entende que «a Europa não pode ceder a chantagens no caso grego», que a Grécia tem de cumprir as regras da casa. Portugal, não é a Grécia, como têm repetido o presidente da República e o primeiro ministro. Portugal cumpre as regras da casa. Ora, a propósito das regras da casa, existem regras que são para respeitar e regras que são para rejeitar. Tem sido assim ao longo dos tempos e a essa luta contra «as regras da cas» chama-se processo histórico.
Algumas das «regras da casa» que a tomada de consciência dos povos tornou obsoleta, por violadora de princípios básicos, está registada em várias obras de circulação relativamente restrita. Entre elas pesquei-as no livro do historiador Fábio Pestana «Por mares nunca dantes navegados: a aventura dos Descobrimentos», onde ele descreve algumas regras da casa nas embarcações portuguesas na época dos gloriosos descobrimentos e em algumas instituições eclesiásticas.
«Quando não havia mulheres a bordo, os grumetes, que na hierarquia se situavam abaixo dos marinheiros, eram obrigados a satisfazer sexualmente a marujada. As relações realizavam-se pela força bruta, ou pelo peso das hierarquias, que obrigava os mais humildes a satisfazer as vontades dos seus superiores, a despeito de serem crianças entre 9 e 16 anos. Quando tentavam resistir à sodomização, eram estuprados com violência. Por medo ou vergonha, dificilmente se queixavam aos oficiais, até porque, muitas vezes, eram os próprios oficiais que permitiam ou praticavam tal violência. Em suma, imperava a lei e a moral do mais forte.» Também eram estas as regras em certas casas eclesiásticas, «onde os jovens, além de aprenderem as ciências e a piedade, eram iniciados em práticas sexuais homoeróticas, chamadas "relaxações".»
Paul Krugman O que "estão a fazer", "estão a gozar connosco?"
Jorge Silva Melo A cupidez dos produtores
A cupidez dos produtores (muito labregos nesses anos, vindos do pobre sul), tenho andado a pensar nisso desde que aqui chegou a noticia da morte da triste Laura Antonelli. Foi fantástica a liberalização dos costumes nos finais dos anos 60, sim. Mas em Itália acharam que havia um novo fillão ("nicho de mercado") para os seus produtos: sempre o cinema italiano vivera de belas mulheres com grandes decotes, pernas ao léu, rabinho a dar-a-dar. Era um cinema realmente popular e filmava-se o desejo, o sonho. Ah Bosè, Loren, Lollobrigida, Cardinale, Lualdi - que lindos sonhos que sonhámos. Mas agora as garotas despiam-se, deitavam-se na cama, mostravam os redondos rabinhos, saiam do duche como a Vénus... foi um ver se te avias, os produtores levavam-nas para casa, passeavam de descapotável, os magalas masturbavam-se, as sopeiras compravam lingerie... mas foi negócio de vistas curtas. E acabou por ser o fim do grande cinema popular que desde o pós-guerra explodiu naquela península que cheira a flores e a suor. A Antonelli foi uma das vítimas desse cinema soft-porno. Como a maravilhosa Sandrelli, Ou a belissima Muti. Já quase não tiveram tempo para serem actrizes de cinema, só para se despirem enquanto a rosa nao fenece. Como a Silvia Kristel noutras paragens. E depois apareceu a Fenech, rasca, rasca. E o cinema italiano que se podia ver no Condes ou no Politeama, no Avis ou no Império desapareceu. E eu tenho saudades do cinema popular, feito por muita gente ( 5 argumentistas!) com muita gente a rir, a sonhar alto, apaixonada. Não, nada de ícones, não sou dessa religião, quero rapazes e raparigas.
Mais um dia em cheio
O país do Burro, 24 de Junho de 2015
Apesar de ainda faltar o principal, um compromisso de reestruturação de uma dívida impagável nas actuais condições, sem a qual o máximo dos máximos que se poderia retirar de um entendimento seria um adiamento da saída da Grécia do euro, ontem parecia haver um princípio de acordo entre dois lados de um mesmo problema que, com cedências de parte a parte, empregando a expressão infeliz da senhora Lagarde, negociavam aparentemente “como adultos uma solução minimamente satisfatória para todos.
E fica tudo à vista. Os “adultos” jogaram sujo. o Governo grego assumiu a responsabilidade de se expor ao desagrado do seu suporte parlamentar ao ceder até no que era impensável ceder. Enquanto isso, os “adultos” andaram a recrear-se com elogios públicos ao que sempre quiseram recusar com o objectivo de desgastar o apoio interno, que para seu desgosto até tem aumentado, dos gregos a um Governo que finalmente é capaz de representar os interesses do seu país. Ao mesmo tempo, na calada das negociações, os elogios transformaram-nos em pressão, uma pressão que serve o mesmo objectivo de expor o Governo grego à erosão da sua base de apoio. Se dúvidas havia sobre o lado onde mora o radicalismo e a irresponsabilidade, hoje elas dissiparam-se. Nos próximos dias saberemos até onde vai o descaramento destes "adultos" que não levantaram qualquer objecção ao saberem que hoje a TAP e o Oceanário foram oferecidos a privados. Tudo corre bem quando o que é de todos pinga doce onde deve sempre pingar doce.
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.