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Jardim das Delícias



Terça-feira, 23.06.15

S. João - Marcos Cruz

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Marcos Cruz  S. João

 

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   João estava são mas não tencionava ir ao S. João. Era uma contradição evidente, pois no Porto só não vai ao S. João quem estiver morto ou doente. Mas João tinha uma explicação assaz convincente: o seu cão, pouco paciente, não lhe daria paz em noite tão exigente. Uma solução era deixar o cão na vizinha, mas esta, tripeira dos quatro costados, queria também ir à festa, e sozinha, sem atrelados. O que fazer, então? Das tripas coração? Talvez não. Para o João, afinal, o S. João não valia tanto como aquele espanto de animal. No entanto, mais do que ninguém, estava o dono seguro de que quem troca a sardinha na brasa e o pão, mole ou duro, por passar, com o cão, em casa, um serão distinto, sem um grãozinho na asa, não sabe o que perde, pois como isso não há nada, nem o chouriço, o vinho, verde ou tinto, nem a própria martelada. Bailarico popular é o S. João, e só ficam a ganhar os que lá vão. Já resignado à desdita, o João, acabrunhado, teve súbita visita de uma cantora de fado. Ainda ela lhe dizia que viera de Lisboa rever uma velha amiga mas não a tinha encontrado, logo o João, animado, deu corda à imaginação, pensando se não seria a sumida rapariga a sua vizinha do lado. Era mesmo, pois então, e foi em tom de cantiga que o bom do João propôs à querida fadista condição oportunista para lhe dar guarida até ao regresso da amiga: tomar-lhe conta do cão. Ela ficou convencida e, pronto, missão cumprida, lá foi ele, feliz da vida, cumprir também a tradição.

 

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por Augusta Clara às 18:10

Terça-feira, 23.06.15

CONVICÇÕES LXXXIV - Adão Cruz

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   Já fui convidado para alguns almoços e jantares ditos gourmet. De uma maneira geral posso dizer que foram barretes. A pagar nunca aconteceu e estou convencido de que, por vontade própria, nunca acontecerá. Há dias, por engano e porque não tinha alternativa entrei num desses restaurantes e fiquei estarrecido mal abri o cardápio. O menu mais barato andava pelos oitenta euros e nem reparei se não seria, porventura, o menu infantil, pois os outros iam por ali acima. A servir-me havia aí uma dúzia de pessoas, entre rapazes e raparigas. Uma apresentou-me com ar glorioso a lista, outro trouxe-me uma infindável variedade de pão, outra verteu um pouco de azeite numa pequena concha a que juntou umas gotas de vinagre balsâmico, um rapaz trouxe um prato, outro rapaz transportou o talher, uma rapariga apresentou os vinhos à taça, entre seis e dez euros cada meio copinho e outro rapaz verteu a amostra de vinho no meu copo.

Vi-me à rasca para escolher alguma coisa que eu entendesse ter ar de comida normal, pois todos os pratos tinham uma classificação com mais vocábulos do que a classificação científica de qualquer espécie biológica. Como só havia uma sopa, dita de peixe, escolhi essa. Havia um prato que me parecia o menos misterioso, pois tinha no meio da frase a palavra cabrito e que eu também escolhi. Quanto a preços andava tudo ela por ela, mas muito acima dela. Alguém me trouxe o prato da sopa, salvo erro uma menina, com dois ou três pedacinhos de peixe no fundo – disse-me ela que era peixe – sobre os quais verteu um consommé pelo bico de um bule. A minha profissão não é cozinheiro mas cozinho há quase meio século e não tenho a menor dúvida de que esta amostra de sopa, que não se pode dizer que estivesse má, fica a milhas de uma verdadeira sopa de peixe. Quanto ao cabrito, que era comestível mesmo dentro do inabitual fenótipo, nada tinha do verdadeiro genótipo culinário do nosso cabritinho português. Uma espécie de mutação digna de ser enviada ao IPATIMUP.

Mas o pior de tudo foram todas as paneleirices que rodearam a refeição. Desculpem o termo mas não encontro palavra mais adequada. Eu sei que os empregados e empregadas, coitados, têm de cumprir os protocolos impostos pelos iluminados e por vezes ridículos coreógrafos destas fofoquices tão queridas daqueles que passam a vida a comer dinheiro. Mas com franqueza! Não sendo de minha natureza ser indelicado, vi-me obrigado a pedir a uma menina que não me descrevesse tão pormenorizadamente o que eu ia comer, pois dava-me a sensação de que iria ingerir um complicado sistema de relojoaria.

Ao fim de uma dezena de perguntas ao longo da entediante refeição, elaboradas e repetidas por cada uma e cada um dos empregados: a sopinha estava boa…, o cabritinho está bom…, que tal o vinho…,está a gostar…, está tudo bem…, não falta nada…, precisa de ajuda…? Com esta última não me contive e disse à menina: esta é a pergunta que eu faço aos meus netos, quando eles arrastam as colheres da sopa. Queres ajuda?

Está tudo bem menina, não pergunte mais nada e traga-me a conta por favor.

 

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por Augusta Clara às 14:00

Terça-feira, 23.06.15

Demasiado lampeiros para serem sérios - José Pacheco Pereira

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José Pacheco Pereira  Demasiado lampeiros para serem sérios

 

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Público, 20 de Junho de 2015

 

   Então como é? O país está mal ou não está? Está. Então deixem-se de salamaleques politicamente correctos.

A língua portuguesa está cheia de palavras certíssimas para designar quase todas as cambiantes do comportamento humano. Escritores como Vieira, Bernardes, Camilo, Eça e Aquilino, levaram-na tão longe, que em português tudo se pode dizer, todas as infinitas flutuações das pessoas encontram uma ágil palavra para as designar.

Agora que a nossa bela língua está a ser atacada por todos os lados, na sua ortografia, na sua complexidade vocabular, na sua riqueza expressiva, é sempre bom encontrar um refúgio nos falares antigos, ou naqueles que pouco a pouco estão a ser esquecidos por falta de uso. A semana passada falei de “tresvaliar”, palavra de Sá de Miranda, e esta semana Fernando Alves na TSF fez uma crónica sobre “surdir”, palavra usada por Camilo (sempre ele) e Eça, tudo palavras esquecidas.

O que se passa hoje é como se, invisivelmente, se estivesse a realizar uma das funções essenciais que Orwell atribuía ao Big Brother, que era tirar todos os anos algumas palavras de circulação, porque sabia que é mais fácil controlar pessoas cujo vocabulário é restrito e que, por isso, tem dificuldades em expressar-se com clareza e riqueza e, em consequência, dominam menos o mundo em que vivem. O incremento de formas de expressão quase guturais como os SMS e o Twitter, apenas dá expressão a um problema mais de fundo que é desertificação do vocabulário, fruto de pouca leitura, e de um universo mediático muito pobre e estereotipado. Salva-nos o senhor Vice-Primeiro Ministro Portas que anda para aí a dizer que as “exportações estão a bombar”, convencido que ninguém o acha ridículo no seu afã propagandístico. Viva o Big Brother!

Tudo isto vem a propósito da palavra que mais me veio à cabeça – bem sei que uma cabeça muito deformada pelo “ressabiamento” por este governo não me ter dado um cargo qualquer – quando ouvi o debate parlamentar com o Primeiro-ministro na sexta-feira passada. Como ele está lampeiro com a verdade! Lampeiro é a palavra do dia.

Lampeiros com a verdade, neste governo e no anterior, há muitos. Sócrates é sempre o primeiro exemplo, mas Maria Luís Albuquerque partilha com ele a mesma desenvoltura na inverdade, como se diz na Terra dos Eufemismos. E agora Passos deu um curso completo dentro da nova tese de que tudo que se diz que ele disse é um mito urbano. Não existiu. Antes, no tempo do outro, era a ”narrativa”, agora é o “mito urbano”.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Segunda-feira, 22.06.15

Saudade - Thievery Corporation

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Thievery Corporation  Saudade

 

 

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por Augusta Clara às 21:00

Segunda-feira, 22.06.15

Sento‑me na madrugada - Adão Cruz

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Adão Cruz  Sento‑me na madrugada

 

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(Adão Cruz) 

 

 

Sento‑me na madrugada e deixo‑me banhar na fresca luz do

amanhecer

Ocorre‑me sair para norte… ou será para o sul

Coabitar comigo mesmo as horas do sol presente aprender a

revisitar sem mágoa o tempo das horas que sempre foram

madrugada

Sem voz nova na garganta ver cair a água da montanha

levando consigo a canção gelada que o sol e sombra da

memória ainda cantam

Esquecer todos os recantos deste canto por onde passo e me

revejo na luz difusa de outra madrugada anoitecida antes de

o sol ser dia de todas as manhãs

 

(in Adão Cruz, VAI O RIO NO ESTUÁRIO. Poemas de braços abertos, ediçõesengenho)

 

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por Augusta Clara às 18:00

Segunda-feira, 22.06.15

O cheiro a batata "tirada" à terra - Eva Cruz

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Eva Cruz  O cheiro a batata tirada à terra

 

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(Adão Cruz)

 

 

   É por estas alturas, princípios de Junho, que se tiram as batatas. Há quem semeie no cedo e já tenha batata nova na prateleira ou na barrela, como acontece nas aldeias onde quase tudo se passa como antigamente.

As tradições de cultivo assentam ainda nos costumes e sabedoria dos mais velhos. Hoje o tractor e o semeador amansam muito o trabalho da enxada que na mão do cavador abria outrora os sulcos e as leivas.

O batatal a pouco e pouco vai crescendo, batatinha quando nasce esparrama pelo chão, e aparecem as primeiras flores brancas ou rosadas conforme a batata é branca ou vermelha. Mais tarde, no meio da folhagem, nasce um fruto que não é mais do que uma pequenina bola verde ou amarelada. E assim o batatal se transforma num jardim de verdura salpicado de outras cores discretas.

Atento, o lavrador vai sachando e regando as batatas, regalando os olhos com a farta nascença que se adivinha pela pujança da rama. E pela rama se vão dando palpites de boa ou má colheita.

Na altura da flor há surpresas. O maior inimigo do batatal é um bichinho alaranjado, oval, de cabeça escura com riscas negras nas asas duras. Uma beleza! O escaravelho. Começa a sua vida em pequenos ninhos de ovos amarelos agarrados à folha, que passam a larvas alaranjadas, volumosas e repelentes que as crianças gostavam de esmagar com o pé.

Antes que a rama definhe e afecte o crescimento do tubérculo debaixo da terra há que dar solução a esta praga. O batatal é borrifado com o temível remédio do escaravelho. Mas tem de haver cuidados especiais porque o produto é muito venenoso. Nada se deve colher nas redondezas durante uns dias, e melhor será esperar por alguma chuva que venha lavar o veneno.

Mas o remédio do escaravelho não serve só para matar estes bichos. Também é muitas vezes tentação a jeito para a morte de pessoas. Foi há muitos anos, era eu menina, uma criança que teve a sorte de viver no campo e de nele enraizar o pensamento, o sentimento e o caminho da vida. Numa tiragem de batatas, uma jornaleira deu a triste notícia sobre uma rapariga, ainda nova, que eu conhecia. A Maria matou-se com remédio do escaravelho.

Pararam as enxadas que arrancavam da terra os cachos de tubérculos, brancos ou vermelhos, pequenos ou grandes, a pensar noutra cova que haviam de abrir. Pararam as mãos de crianças e adultos e também o olho da enxada de separar as batatas grandes das pequenas ou cortadas pelo gume e que seriam as primeiras a ser comidas. Dizem que estava grávida e não se sabia quem era o pai.

Não à boca cheia mas por entre dentes toda a gente sabia quem era o pai. Um homem casado. Nessa altura havia muitos filhos de pais incógnitos, ainda que bem conhecidos, se mais não fosse pela pinta.

Nesses tempos havia poucas armas e muitos suicídios eram com o remédio do escaravelho ou por afogamento no rio, sobretudo quando ia a monte! Mais do que a morte da mãe, mexeu comigo a morte da criança, talvez por perder para sempre o direito de brincar…

Hoje, o cheiro da terra revolvida pela tiragem das batatas desperta-me na memória aquela promessa de vida e apetece-me esborrachar os escaravelhos.

 

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por Augusta Clara às 14:00

Segunda-feira, 22.06.15

Europa à deriva - José Goulão

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José Goulão  Europa à deriva

 

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Mundo Cão, 21 de Junho de 2015

 

   Ao contrário das aleivosias debitadas pelos escribas de serviço aquém e além-fronteiras, o que se passa com a Grécia não é uma “tragédia grega”, é um processo de deriva da União Europeia que envolve todo o continente, porque um abalo como este não reconhece fronteiras.

E por muito que se busquem bodes expiatórios, habilidade que serve recorrentemente para fugir à essência dos problemas, a culpa não é inteirinha do senhor Schauble, ou da senhora Merkel, ou da senhora Lagarde, ou do senhor Juncker, de todos juntos ou das supostas intransigências dos senhores Tsipras ou Varoufakis.

O que se passa com a Grécia é o fracasso rotundo do chamado “projecto europeu”, da moeda única, da estafada lenga-lenga do espaço comunitário “democrático e solidário”. Não se venha igualmente com o argumento de que estes políticos não prestam, bons sim eram os “pais fundadores”, todos eles homens de Estado cheios de boas e nobres intenções, muito amigos dos pobres e desvalidos. Tretas.

A União Europeia, se é ou foi um “projecto”, nasceu inquinado, proclamou como objectivos mirabolantes aquilo que nunca passou de propaganda, enquanto a realidade era outra. A Comunidade Económica Europeia - e os seus sucessivos arranjos - nasceu e desenvolveu-se como uma forma de reorganização do capitalismo e da exploração do trabalho na Europa, como instrumento da guerra fria, a par da NATO. E foi em paralelo com este braço armado que enveredou pela lógica sociopata do neoliberalismo quando teve condições para isso, a seguir ao descalabro soviético. Ao ritmo frenético, eufórico, sem freios imposto pela anarquia própria do casino financeiro, a Comunidade foi queimando etapas, cresceu como um monstro sem consolidar esses supostos avanços, convenceu-se da impunidade absoluta e chegou aonde não contava chegar, fiada na eficácia do rolo compressor: ao momento em que o rei vai nu. Se ele tem a cara de Scheuble, ou Merkel, ou Lagarde são pormenores. Não são seres isolados, como Hitler não era um lunático sozinho. Por detrás deles espreitam os de sempre, neste momento muito, mas mesmo muito mais fortes que há sete décadas, assentes em suportes tecnológicos de capacidades incalculáveis, na concentração monopolista e monstruosa de marcas e empresas, na universalização ditatorial do mercado, na dimensão global do casino financeiro, que especula ao segundo com muito mais riqueza virtual do que a real, a que resulta de actividades produtivas.

A Grécia é o grãozinho na engrenagem que chegou contra a corrente e se transformou num enorme pedregulho. Afogada por uma crise que se arrasta, a União Europeia vê-se perante um inesperado frente-a-frente, um risco que julgava ter banido durante a triunfal cavalgada: o ajuste de contas entre a democracia e a gula sem limites do império económico-financeiro, representada pela tropa de choque dos seus agiotas.

Tratados como escravos, verbos de encher, peões descartáveis da estratégia da especulação que tem na União Europeia germanizada o seu braço político operacional no continente, os gregos mostraram, quando não se esperava e para surpresa dos carrascos financeiros, que o que ainda resta da democracia pode servir para furar o cerco do arco da governação.

Este frente-a-frente, uma espécie de duelo de David contra Golias, pode ter até o resultado que ficou inscrito na lenda. Basta que a Grécia não ceda e poderá chegar o dia das surpresas. Sair do euro não é, para os gregos – e assim seja igualmente para o seu governo –, uma mera questão de dignidade. Apesar das dúvidas que existem quanto às consequências, será um mal menor em que terão de contar – isso diz-nos respeito a todos – com a solidariedade activa dos povos do mundo e dos governos não sintonizados com o poder imperial. A cedência, pelo contrário, seria um revés para a resistência democrática que sobra, o triunfo exemplar à escala europeia da ditadura do arco da governação e dos agiotas que a teleguiam.

A saída da Grécia do euro será como tirar uma pedra da base de um castelo que parece imponente, assustador, soberbo, inexpugnável e que a partir daí se desmoronará sem apelo, apurando-se que fora construído sem alicerces nem argamassa. Não bastará dizer que a União Europeia nunca mais será a mesma. O mais certo é, mais-dia-menos-dia, é a União Europeia deixar de o ser. O que para os povos, verdade seja dita, não será nenhuma tragédia.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Domingo, 21.06.15

FILME - Agatha ou as Leituras Ilimitadas - Marguerite Duras

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Marguerite Duras  Agatha ou as Leituras Ilimitadas

 

 

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por Augusta Clara às 14:00

Sábado, 20.06.15

Solidariedade com a Grécia já está nas ruas da Europa

 

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infoGrécia, 20 de Junho de 2015

 

   Muitos milhares de pessoas desfilaram este sábado em várias capitais europeias contra a austeridade e em solidariedade com a Grécia. Na segunda-feira será a vez de Lisboa.

Mais de dez mil pessoas desfilaram pelo centro de Paris na abertura da semana internacional de solidariedade com a Grécia. Em Berlim, milhares de pessoas compareceram ao protesto de solidariedade com a Grécia e por outra política europeia de acolhimento, para assinalar o Dia Mundial dos Refugiados. As bandeiras gregas também marcaram presença na gigantesca marcha anti-austeridade de Londres e na manifestação contra o aumento do preço da água em Dublin. Veja aqui algumas das imagens desses protestos.

 

Paris (10.000 pessoas)

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Toulouse

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 Berlim

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 Dublin

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 Londres

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por Augusta Clara às 18:50

Sexta-feira, 19.06.15

Tis agapis aimata (Axion Esti) - Irene Papas

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Irene Papas  Tis agapis aimata (Axion Esti)

 

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por Augusta Clara às 21:00




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