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Jardim das Delícias



Sábado, 20.02.16

Há 100 anos, em Verdun, a mais brutal e cruel carnificina - Alfredo Barroso

  

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   Há exactamente 100 anos, a meio da Grande Guerra de 1914-1918, entre 21 de Fevereiro e 19 de Dezembro de 1916, travou-se uma das mais brutais e sangrentas batalhas de toda a história das guerras, na Região fortificada de Verdun, durante 300 dias e 300 noites, à razão de mil mortos por dia, saldando-se, no final, por mais de 700 mil mortos, feridos e desaparecidos.

Os alemães dispararam em média 100.000 obuses por dia. Nove vilas e aldeias, «mortas pela França», foram definitivamente riscadas do mapa. Das 95 divisões que constituíam o Exército francês, 70 divisões combateram em Verdun.

Quer pela sua longa duração, quer pelos terríveis meios de destruição empregues, quer pelo encarniçamento dos adversários na luta, quer pelo horror dos combates, quer pela gigantesca amplitude das perdas, a batalha de Verdun marca uma viragem histórica na maneira de fazer a guerra, alterando completamente a noção tradicional de batalha como confronto breve e violento, mas decisivo, que se tornou obsoleta.

De realçar, também, a incompetência e crueldade de muitos generais, que não hesitaram em mandar escolher à sorte, para serem julgados sumáriamente e condenados à morte, a título de exemplo, meia dúzia de soldados de uma companhia que se recusasse a avançar em campo aberto sob fogo cerrado do inimigo (como é mostrado com toda a crueza no terrível filme «Paths of Glory», de Satanley Kubrik, estreado em 1956, e proibido de ser exibido em França durante cerca de duas décadas).

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Nota minha: a cena final do filme "Path of Glory" de Stanley Kubrick, 1957, em que jovens soldados franceses são fuzilados, acusados de cobardia no campo de batalha, por ordem das bestas dos seus generais.

O filme esteve proibido em França durante 20 anos.

 

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por Augusta Clara às 18:00

Quinta-feira, 18.02.16

Piensa en mi - Luz Casal

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Luz Casal  Piensa en mi 

 

 

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por Augusta Clara às 21:30

Quinta-feira, 18.02.16

A cheia - Eva Cruz

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Eva Cruz  A cheia

 

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   Toda a noite caiu água.

Logo de manhã, da varanda, contemplei o vale a acordar. Estava irreconhecível. Não havia combros, nem vedações. Apenas as pontas de algumas ramadas mostravam que por ali deveria ser a orla de um ou outro campo.

O Caima andava a monte lá para Entre-Pontes, quase cavalgando a Ponte de Cornados, e nas Remolhas, na foz do Vigues, ambas as águas se fundiam no abraço dos rios.

Mais abaixo, no meio daquele mar de água, emergia um carreirinho mais escuro, no topo do paredão que antigamente dava saída à Ponte do Pinho, que encurtava o caminho lá para os lados de Areias.

De onde lhe viera o nome não sei. A ponte era de pinho, muito estreita e comprida com fios de arame a todo o correr. Assentava do lado norte no último degrau de uma estreita e íngreme escada de pedra e do outro lado sobre um pilar de onde descia outra escada para a margem esquerda do rio. Pinho tanto poderia ser o nome do arquitecto, formado na escola da vida com a sabedoria bastante para a manter segura por tantos anos, como o costumeiro nome de gentes e famílias que por ali tinham lameiros de um e de outro lado do rio. Fosse qual fosse a origem, a ponte sempre fora uma bênção para os lavradores, na árdua travessia de carregos e molhos entre as duas margens.

Hoje a ponte já não existe, para tristeza de muitos. Arrastara-a uma cheia em tempos idos, deixando metade ao dependuro, num penoso quadro de abandono como amputado braço entre as terras de um e outro lado. E os caminhos que outrora dela nasciam também morreram, comidos pela lama e pela erva, assim apagando para sempre os passos dos que por lá trilharam tantos anos de labuta.

Reconheci com saudade o meu rio de menina na sua majestade impiedosa, no seu barulho de cachoeira no pino do Inverno, e recordei-o na sua canção de Verão, de pouca água, descendo suavemente os açudes, bordado de espuma branca, estendendo pequenos braços por entre salgueiros e amieiros. O meu rio das merendas à beira das poças de água ou da levada, dos meninos a nadar, das lavadeiras a corar a roupa branca, das amoras silvestres, dos cardumes de peixinhos e das enguias a rabear por entre as pedras.

Contemplei o rio na sua majestade. Um grande e alargado caudal, mais veloz no meio da torrente, deixando que as águas laterais, junto às margens, se arrastassem mais lentas e menos enfurecidas, e até parassem, por vezes, frente a qualquer obstáculo. Todavia, os tempos são outros. Outrora, quando todos os campos eram de cultivo, o rio levava tudo o que encontrasse pela frente, abóboras, medas de palha, porcos, galinhas, em patético baile ao sabor da corrente. Hoje arrasta apenas o tempo do mudo e desértico abandono.

Perdi-me na canção do rio, e arrebatada pela fantasia, deixei que a cheia me levasse até aos confins do tempo e lá me deixasse no aconchego da saudade.

As cordas grossas da chuva foram-se lentamente adelgaçando e de repente parou de chover. Assim também lentamente se desfizeram os fios da fantasia e o meu rio há-de voltar ao seu leito.

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por Augusta Clara às 18:15

Quarta-feira, 17.02.16

A Síria depois de Munique - José Goulão

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José Goulão  A Síria depois de Munique

 

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Mundo Cão, 16 de Fevereiro de 2016

 

   As centrais de propaganda postas em acção no âmbito do projecto de destruição da Síria, a pretexto da instauração da democracia, receberam os resultados da reunião internacional de Munique com inegável contrariedade e, desde então, lançaram uma onda de confusão e desinformação para abafar os passos no sentido da pacificação do país que foram dados na capital bávara.

Como se percebe olhando as páginas dos principais diários e semanários europeus, e dedicando alguma atenção aos serviços noticiosos radiofónicos e televisivos, os russos passaram a ser os maus da fita, violadores ostensivos de um pretenso cessar-fogo. Bachar Assad reapareceu como o demónio a quem os russos sustentam e, para que conste, os grupos terroristas como o Estado Islâmico e a Al-Qaida quase parecem pobres vítimas da clique de Damasco.

Passemos então em revista os resultados da reunião do Grupo Internacional de Apoio à Síria realizada há dias em Munique e as suas repercussões no teatro de guerra.

O grupo integra 17 países, designadamente os Estados Unidos e a Rússia, as principais potências da União Europeia, a Turquia, Israel, Qatar e Arábia Saudita. A reunião reafirmou a validade das resoluções 2253 e 2254 do Conselho de Segurança da ONU e também o acordo de Genebra de 2012, que determinam como objectivo a formação em Damasco de um governo de união nacional estabelecido por consenso mútuo – isto é, ao contrário do que países como a França e a Arábia Saudita continuam a insistir, o presidente em exercício, Bachar Assad, deverá ser parte da solução. O que Munique veio clarificar foi a exclusão dos grupos terroristas do processo de união nacional, uma vez que não depuseram as armas; pelo contrário continuam a recebê-las e a engrossar em número de mercenários, devido aos apoios logísticos e financeiros incessantes da Turquia e da Arábia Saudita.

Em termos práticos, a reunião de Munique entregou o processo negocial ao secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e ao ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov. O negociador da ONU fica, de facto, sob a tutela destes; ao secretário-geral adjunto da ONU, Geoffrey Feltman, é retirado o dossier sírio. Esta decisão é da máxima importância: Feltman foi um dos ideólogos golpistas da Ucrânia e, como representante dos falcões neoconservadores de Washington, tem usado o cargo para sustentar, sem excepção, os grupos terroristas introduzidos na Síria. Por isso, na reunião de Munique foi deliberado que os apoios humanitários a desenvolver a partir de agora serão apenas isso: humanitários. Feltman utilizava-os para abastecer os grupos terroristas, Estado Islâmico incluído, o que está abundantemente provado.

A decisão de Munique que tem merecido os favores mediáticos como objecto de confusão, de modo dar a impressão de que as tropas russas e de Damasco estão a violá-la, é a declaração da cessação de hostilidades prevista para dentro de dias.

Na verdade, essa trégua ainda não está em vigor. Por outro lado, o acordo de Munique não só legitima a intervenção russa, iniciada em 30 de Setembro do ano passado e que alterou profundamente os dados da guerra, como salvaguarda a continuação da guerra contra quatro grupos terroristas: Daesh ou Estado Islâmico, Al-Nusra ou Al-Qaida, Ahrar el-Sham (Movimento Islâmico dos Homens Livres da Síria) e Jaysh El-Islam (Exército do Islão). O Ahrar el-Sham é apoiado pela Turquia e o Qatar, treinado por instrutores paquistaneses e tem ligações aos talibãs afegãos; O Jaysh El-Islam está subordinado à Arábia Saudita, os seus instrutores pertencem ao exército privado norte-americano Blackwater-Academi e tem ligações à Al-Qaida.

Perante este jogo de interesses percebem-se as ameaças proferidas precisamente pela Turquia e a Arábia Saudita, cujos governos se declaram prontos a invadir a Síria. O primeiro-ministro turco disse nas últimas horas que “não permitirá” a “queda” de cidades sírias fronteiriças nas mãos do exército de Damasco. Isto é, uma potência estrangeira, por sinal da NATO, declara-se disposta a impedir militarmente que o exército de um país restaure a soberania e a integridade desse país. Esta sim é uma violação grosseira do direito internacional e dos acordos já negociados sobre a Síria.

O acordo de Munique e a reafirmação da validade do acordo de Genebra de 2012 só foram possíveis com a alteração da relação de forças no cenário de guerra, decorrente da intervenção russa iniciada em 30 de Setembro e da ofensiva terrestre do exército sírio lançada em 6 de Janeiro deste ano. Em quatro meses, os aviões russos destruíram a maior parte das fábricas de armamentos e munições usadas pelos grupos terroristas, dos bunkers subterrâneos, dos depósitos de combustíveis e meios de contrabando de petróleo, centros de comando e comunicações do Estado Islâmico e da Al-Qaida. A ofensiva terrestre síria libertou várias frentes, aeroportos, vilas e aldeias na maior parte do país, com excepção dos bastiões terroristas do nordeste.

Os resultados da ofensiva russa fizeram ruir o boicote contra o acordo de Genebra de 2012, montado pelos neoconservadores norte-americanos sob a designação de “amigos da Síria”, apoiados por Alemanha, França, Reino Unido, Turquia, Israel, Arábia Saudita, Qatar e também pela Exxon-Mobil, a Blackwater-Academi e pelo fundo de investimento KKR. São fáceis de perceber a ambiguidade e mesmo a contrariedade manifestadas pelos países citados, com destaque para a França, a Arábia Saudita e a Turquia, perante o protagonismo da Rússia e dos Estados Undos chancelado na reunião de Munique, e que traduz uma pronunciada guinada da administração Obama perante o problema sírio. Esta viragem da Casa Branca não é mais do que o alinhamento com o parecer do poderoso grupo de pressão Rand Corporation, que já no Outono de 2014 chegara à conclusão de que a integridade territorial e a pacificação da Síria, com um governo estável em Damasco, é a solução mais favorável aos interesses dos Estados Unidos.

Não é a Rússia que viola os acordos que vão sendo estabelecidos sobre a Síria; é a União Europeia que, mais uma vez, está a perder o comboio, atrelando-se desta feita às ditaduras islâmicas da Turquia, Arábia Saudita e Qatar e, na prática, aos seus ramos terroristas em acção. Entretanto, o primeiro ministro de François Hollande, Manuel Valls, conseguiu inscrever o estado de emergência na Constituição do país da “liberdade, igualdade e fraternidade”. Diz ele que é para “combater o terrorismo”.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Terça-feira, 16.02.16

Carta para Alexandra - Ana Paula Tavares

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Ana Paula Tavares  Carta para Alexandra

 

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(Autor desconhecido)

 

 

             Kuito, Angola, longe, muito longe do mundo

          Alexandra:

   Um manto de silêncio desce das montanhas, agora que o calor começa, e deixa semear o milho, colher amoras silvestres e mel, faz aumentar o choro das crianças e as barrigas das mulheres. Sabemos que vai durar pouco e todas as noites recolhemos preces novas, para juntar às antigas e, na pá de zinco dos sacrifícios, queimamos alecrim e eucalipto com açúcar mascavado. Quando a noite começa, o nosso medo aumenta: «Os bárbaros aparecem à noite. Antes de escurecer, deve recolher-se a última cabra, trancar os portões, colocar uma sentinela, em todas as guaritas, para gritar o alerta está. Toda a noite, diz-se, os bárba­ros rondam para matar e roubar. Em sonhos, as crian­ças vêem o rosto feroz dos bárbaros a espreitar pelos postigos. «Os bárbaros estão aqui!», gritam, sem poder ser consoladas. As roupas desaparecerão das cordas de secar, a comida, das despensas, ainda que estejam bem trancadas. «Os bárbaros cavaram um túnel sob as muralhas», dizem as pessoas. «Vão e vêm como querem...» Os lavradores ainda cultivam os campos, mas têm que sair em bando, nunca sozinhos. Trabalham sem ânimo. «Os bárbaros estão só à espera que as colheitas estejam preparadas, e então inunda­rão os campos outra vez», disse o escritor (1) e a avó também falou. Nós acreditamos, porque as nossas noi­tes já não são como antigamente. Um cheiro espesso de guerra ficou aqui para sempre. As nossas casas ainda existem, porque nascemos aqui e as sabemos contar. O que resta delas são paredes porosas que suportam o céu. A superfície, podemos ver agora o entrançado de bordão e capim, todo ligado por uma argamassa que sabe a cal, mas talvez não seja bem isso, mas as próprias entranhas da terra sem tratamento. Por entre os buracos das balas, escapa-se uma luz coada, como se mil pólens a tornassem sólida como o gelo. À noite, nada, isto é, só o nosso medo e as espe­ras. Temos fome, mas ninguém se lembra, e os campos ainda demoram um pouco para produzir. Salvam-nos as folhas que ainda conseguem nascer, o leite das cabras e das mulheres de barriga inchada, outra vez inchada, como se tivessem que transportar a terra inteira às costas e por dentro de si próprias.

Sei que estás no centro da terra e de lá escreves o mundo. Amiga, que os deuses da manhã transformem os teus pés descalços no suporte do teu corpo e lhes dêem a pele da serpente, para que mude a cada ferida. Vais ficar com as cicatrizes, mas isso já é normal. Todo o nosso corpo antigo transporta os lugares de lentas e infinitas cicatrizes, as que herdámos do lado da mãe, que já transportava as das avós e das tias, complexas como os cestos tecidos de fibras de várias cores, ou os tapetes que contam a vida e a morte das crianças. Que as tuas mãos guiem cada letra da ciência da escrita que tão bem praticas, para gravar no papel as palavras da denúncia, os gritos do desespero, a espera silenciosa de quem já não consegue falar nem gritar e anda às voltas em busca de um local de silêncio, como esses agora espalhados por toda a parte e que se chamam campos e são só outras maneiras de dizer reservas, lugar das pessoas perdidas para sempre. Bem que a avó tinha razão, quando dizia que o mundo ia mudar.

Teus olhos, Alexandra, tão lindos como sempre, estão de certeza abertos para fixar esses pássaros doi­dos que se estilhaçam nas montanhas e matam as flo­res antes dos ciclos. No que resta da janela das duas paredes que sobraram da nossa antiga casa, num car­taz, ainda pode se ler «Em Soweto, Alexandra, reben­tam bombas no sexo dos anjos» (2) ... Tudo o resto desapareceu, comido pelo sol, desfeito pela chuva. Mas alguém pensou em ti, há muito tempo e sabia o teu caminho, antes do tempo da lua e dos sinais.

Não sei a que cheira uma guerra nova, amiga. A guerra que passou aqui misturou os cheiros todos, os da pólvora (unia pólvora lenta, como algodão-em-rama, esteve aqui parada durante muitos anos), o cheiro seco da poeira (que afastou a chuva, a manteiga e as rãs) e o dos soldados (suor azedo e cansaço mistu­rado com medo e violência). Mas mesmo assim não sei, amiga, a que cheira uma guerra nova e por isso não posso ajudar-te a preparar os óleos essenciais para poderes resistir a esse novo odor. A única coisa que sei é que deve ser um cheiro seco, de montanha moída, de barro, de cimento e de ferro. Lembrei-me dos fer­reiros e do ferro a derreter o interior da terra. Mas tudo isso é antigo, como os livros que restam no meu chão e estas paredes lentas, que mostram o seu avesso e deixam que o vento dos espíritos sopre por aqui sem limites. A única coisa que posso dizer-te é que as his­tórias ajudam a espantar o medo e, como à noite e na falta de mantas nos enovelamos de histórias, roubei algumas da avó para te mandar, com a certeza de que te serão úteis.

Não posso falar-te de tempo, porque aqui mis­turámos os tempos todos. Ontem, hoje, amanhã não significa nada. O nosso tempo é um tempo dos bár­baros e só sabemos dos dias e das noites e da espera.

 

Há mesmo gente que constrói altares. Talvez para que o sacrifício seja mais fácil. Para ti, minha irmã do mundo, desejo-te sorte, e que consigas dizer da morte anunciada das mulheres, do choro das crianças, lá em todos os sítios onde, ao que parece, o mundo anda do avesso e a terra não consegue completar as suas tre­zentas e muitas voltas em torno do Sol.

 

(1) J. M. Coetzee, A Espera dos Bárbaros, Lisboa, Publicações D. Quixote, 1986, p. 109.

(2) Frase de David Mestre incluída num cartaz publicado em Luanda, em 1978.

 

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por Augusta Clara às 17:00

Segunda-feira, 15.02.16

Canção de Fevereiro - João Miguel Fernandes Jorge

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João Miguel Fernandes Jorge  Canção de Fevereiro

 

Egon Schille (1913)_ Setting Sun1.jpg

 

(Egon Schiele)

 

A nuvem de inverno e
tempestade move-se -
incêndio de
neblina
desperta o ardor dos
lábios sobre a flor
da ameixeira brava - vem o
vento de fevereiro, logo
a desfaz
no juvenil tormento - é
a primavera a
chegar - corrompe
o chão a adormecida voz dos
cardos, a luz
incendeia
a folha vermelha da
ameixeira brava.
 

(in "O bosque")

 

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por Augusta Clara às 17:00

Sexta-feira, 12.02.16

A dor vestiu‑se de mulher - Adão Cruz

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Adão Cruz  A dor vestiu‑se de mulher

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(Adão Cruz)

 

 

A dor vestiu‑se de mulher de terra e flores e voou para lá das

nuvens onde mora o vento

A vida é um lugar muito longe lá para as bandas do sonho

nas margens do silêncio na arte do encontro‑desencontro na

alegria de ser triste

Nesta Galiza de poetas e água e céu e solidão onde um mar

de rias baixas desagua dentro de nós pinta Jordi um rosto de

mulher a ocre terra‑siena e carmim

...Que os cabelos e os jardins querem‑se soltos e naturais

como as aves e as manhãs

Um homem nu toca Mussorgsky ao vivo como se Jordi

pintasse Quadros de Uma Exposição

Bem perto daqui há muito foi sonhada a Nostalgia mas

ninguém viu a luz vermelha fendendo as águas verdes e a

dor já se vestia de terra e flores e a dor já fugia para lá dos

montes onde moram mulheres de vento

 

(in Adão Cruz, VAI O RIO NO ESTUÁRIO. Poemas de braços abertos, ediçõesengenho)

 

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por Augusta Clara às 16:30

Quinta-feira, 11.02.16

Monica Lewinsky: O Preço da Vergonha - TED

   Aposto que muita gente não vai ver, nem ouvir, este vídeo por deparar com a cara de Monica Lewinsky. Mas faz mal porque o que ela diz é muito importante.

Monica Lewinsky tem agora 40 anos. Já não é a rapariguinha de 22 anos que se apaixonou pelo patrão, como ela diz, que, para azar seu, era o Presidente dos Estados Unidos da América.

E fala disso, claro que fala disso. Conta como a sua vida se tornou um inferno e só não terminou graças ao grande apoio familiar e de vários outros tipos de apoio que a ajudaram a ultrapassar a condenação, o opróbrio e a humilhação que o mundo lhe despejou em cima. Do modo como o espartilhamento das nossas mentes por esta sociedade de moral bolorenta, que se quer do "homem unidimensional" a arrastou pela lama das ruas da amargura.

Mas não é de auto-comiseração que trata este vídeo. Passados todos estes anos, ela reflecte àcerca da vigilância constante e apertada a que as tecnologias avançadas nos submetem a todos, sejamos ou não personagens duma história relevante; de como o chamado "cyberbulling" pode destruir, e destrói, personalidades e vidas com toda a facilidade; como a nossa desprevenção face ao mundo das redes sociais que hoje todos habitamos nos pode tornar cúmplices desses atentados.

É importante, repito, exaustivo e muito bem exposto e desenvolvido o raciocínio de Monica Lewinsky sobre os perigos que TODOS corremos, tal como TODOS lhe lançámos um pedaço de lama em 1998.

Por tudo isto insisto que vale a pena ouvi-la.

A. Clara

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por Augusta Clara às 18:20

Quinta-feira, 11.02.16

Intervenção de Alexandre Quintanilha sobre ciência e política científica na sessão de ontem na AR.

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por Augusta Clara às 08:00

Quarta-feira, 10.02.16

Choir! sings Sinéad O'Connor Nothing Compares 2 U

a noite fez-se para amar 1a.jpg

 

Nothing Compares 2 U

 

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por Augusta Clara às 20:00




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