Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Jardim das Delícias



Sexta-feira, 30.03.18

Adão Cruz

ao cair da tarde 5b.jpg

 

Adão Cruz

 

CL2a.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 19:43

Sexta-feira, 30.03.18

O caso Skripal e as dúvidas que ainda subsistem - Major-General Carlos Branco

o balanço das folhas3a.jpg

 

Major-General Carlos Branco  O caso Skripal e as dúvidas que ainda subsistem

 

major-general carlos branco.jpg

 

Expresso, 29 de Marlço de 2018

   Na sequência das declarações de Theresa May, a primeira-ministra britânica, no parlamento, a 12 de março, e de Boris Johnson, o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, sobre o alegado envenenamento do agente duplo Sergei Skripal e de sua filha Yulia, as relações político-diplomáticas entre os países ocidentais - nomeadamente Estados Unidos e Reino Unido - e a Rússia deterioram-se a um ponto nunca visto desde o fim da guerra-fria, piores mesmo do que nos anos cinquenta do século passado. Theresa May acusou a Rússia de ser “muito provavelmente” responsável pelo duplo envenenamento. O assassinato “teria sido planeado diretamente pelo Kremlin”, ou a “Rússia teria permitido que o gás tivesse caído em mãos erradas”.

Desconheço quem possa estar por detrás deste incidente, mas estou particularmente interessado em saber o que realmente aconteceu. A serem verdadeiras as acusações feitas à Rússia justifica-se uma resposta firme. Contudo, a argumentação utilizada pelas autoridades britânicas apresenta algumas fragilidades não negligenciáveis. Mais de três semanas passadas sobre o incidente, justificava-se a apresentação de provas inequívocas e irrefutáveis sobre o envolvimento russo. Continua-se sem conhecer a identidade do perpetrador, assim como as circunstâncias e o local da ocorrência. O que se tem sabido é pela comunicação social e a informação é contraditória. Uns falam num pub, outros num restaurante, parece que os Skripal teriam sido encontrados moribundos num banco de jardim. Segundo alguns relatos o polícia que os encontrou teria tido contacto com o veneno em casa dos Skripals, segundo outros durante a prestação do auxílio. Seria conveniente conhecer a versão oficial.

Preocupa-me sobretudo a desastrosa gestão política do acontecimento. A falta de evidência tem sido acompanhada por um retórica inaceitável, pouco consentânea com aquilo que são as boas práticas da diplomacia internacional. O assunto deveria ter sido logo encaminhado no dia 4 de março para a OPWC, o fórum próprio onde o assunto deveria ser analisado. A Rússia argumenta com os termos do Artigo IX da CWC, que estipula a necessidade de se efetuar um primeiro esforço para clarificar e resolver, através de troca de informações e consultas entre as partes, qualquer assunto que possa colocar em dúvida o cumprimento das normas em vigor. Por seu lado, o governo britânico recusou-se a partilhar as alegadas evidências, assim como as amostras do produto alegadamente utilizado. A sua publicitação seria um xeque-mate. Contudo, não o fez, prolongando inutilmente (ou não) uma discussão.

O Reino Unido optou por politizar o assunto e levá-lo ao Conselho de Segurança da ONU, no dia 14. Nesse mesmo dia, já com todas as “certezas”, as autoridades britânicas convidaram a OPWC a levar a cabo uma investigação independente. Com a crise já instalada, a 19 de março – duas semanas após o envenenamento - chegaram ao Reino Unido os especialistas da OPCW. Felizmente que o tema não foi considerado ao abrigo do Artigo V pela NATO, apesar de ser considerado um ataque a um país da Aliança. Um caso baseado em hipóteses e não sustentado em evidências foi rapidamente equiparado a um ato de guerra. Teria sido mais curial esperar pela finalização das investigações. Acusar primeiro e investigar depois não parece ser a prática mais adequada.

Esta questão assume contornos burlescos quando o laboratório científico inglês que fez análises ao sangue dos Stripal concluiu pela exposição a um “nerve agent or related compound”… e as amostras indicaram a presença de um “novichok class nerve agent or closely related agent), não se comprometendo com uma prova irrefutável. Esperava-se que May tivesse promovido uma audição parlamentar ao diretor do laboratório para que este fornecesse todas as evidências e prestasse todos os esclarecimentos, nomeadamente sobre a origem russa da substância, uma prática comum nas democracia avançadas.

Ao contrário do que afirmou Theresa May são muitos os possíveis perpetradores, para além da Rússia, claro está. Naturalmente que a Rússia não poderá ser excluída da lista dos suspeitos, assim como muitos outros, nomeadamente os mais de 300 espiões que constavam na lista que Skripal entregou às autoridades britânicas. Mas a lista de putativos suspeitos não acaba aqui. São conhecidas as ligações profissionais de Skripal a Christopher Steele, e ao seu possível envolvimento no Russiagate. Skripal tinha-se tornado um elemento perigoso que podia causar danos na comunidade de inteligência americana, no Partido Democrata e por aí adiante. Existem vários precedentes similares. As autoridades policiais britânicas, tão zelosas noutras circunstâncias, revelaram-se particularmente descuidadas na proteção dos Skripal.

Não podemos deixar de nos interrogar sobre o que é que objetivamente teria a Rússia a ganhar - a alguns meses da realização do campeonato mundial de futebol no qual investiu avultadas somas de dinheiro para fosse um sucesso - em liquidar nesta altura um simples espião que deixara há muito de constituir um perigo, agravando assim as já tensas relações com o ocidente? A resposta não é evidente. Putin tem provado ser um ator racional. Tendo tido a oportunidade para eliminar Skripal enquanto este permaneceu nos calabouços russos, não o fez, porque o faria agora, depois de este viver oito anos em Inglaterra? É de facto difícil descortinar uma razão (lógica).

A argumentação de May apresenta igualmente fragilidades quando responsabiliza Putin por ter permitido a fuga do gás. Como se sabe, nos tempos da União Soviética, o novichok era produzido no Uzbequistão, fábrica essa que foi desmontada com a ajuda dos Estados Unidos em 1993. Sem salários, a venda de Nnovichok foi uma forma que na altura muitos funcionários encontraram para sobreviver. Dizer que se trata de um gás do “tipo desenvolvido pela Rússia”, não prova que a substância utilizada tenha sido processada na Rússia. Ser atropelado por um Mercedes não significa que a responsabilidade seja “muito provavelmente” do governo alemão.

É desconcertante vir agora o Reino Unido acusar a Rússia de não ter declarado todas as suas capacidades, não cumprindo as suas responsabilidades no âmbito CWC. A ser verdade – o que desconheço – sendo esta informação conhecida antes de 27 de setembro de 2017, a data em que a OPCW declarou a total destruição do arsenal russo, porque é que o Reino Unido não informou a OPCW com base no seu próprio intelligence, que tanto quanto sei tinha a obrigação de o fazer? Seria muito importante ouvir o que os responsáveis britânicos têm a dizer sobre isto.

Para além das questões de natureza técnica apontadas – que não se encontram esgotadas – há várias outros aspetos a relevar. Em primeiro lugar, o rasto de fiabilidade deixado pelos dois personagens responsáveis pela presente crise. Um, ainda ontem fazia campanha contra o Brexit e hoje lidera o processo de separação do Reino Unido da União Europeia, que por sinal lhe está a correr bastante mal; o outro, liderou a campanha contra o Brexit mas depois não quis assumir as devidas responsabilidades colocando a responsabilidade na condução do processo no primeiro. Convém lembrar que o partido liderado por May não tem, nem nunca teve pruridos em ser financiado pelos pouco recomendáveis oligarcas russos que se refugiaram em Londres, transformando a city num enorme tanque de lavagem de dinheiro russo. De acordo com o London Times e o Daily Telegraph, o partido da Sr.ª May terá recebido deles donativos no valor de £820,000.

Em segundo lugar, convém trazer à memória as conclusões do relatório Chilcot aprovadas pelo parlamento inglês, que chamava à atenção para as narrativas deliberadamente exageradas apoiadas em intelligence fabricado à “medida das necessidades” para convencer e receber o apoio das opiniões públicas. Claramente que esta possibilidade não pode nem deve ser descartada neste caso. Terão sido as mesmas fontes - igualmente credíveis - em que se baseiam agora May e Johnson que terão convencido Blair da irrefutável posse de armas de destruição massiva pelo Iraque. São conhecidas as consequências desastrosas dessas crenças sem a devida certificação.

Recordamos ainda o papel desempenhado pelas chamadas empresas de “Strategic Communications” como a Cambridge Analytica e a Strategic Communication Laboratories próximas do partido Conservador e do aparelho militar britânico, contratadas para influenciar a opinião pública levando-a apoiar o Brexit, algo de que apenas se conhece a ponta do iceberg. É pois na palavra destas pessoas que estamos a colocar o nosso futuro coletivo. Fará, provavelmente, algum sentido parar para pensar e refrear os ânimos.

Encontramo-nos numa estrada perigosa. Assistimos a algo que se assemelha ao início de uma guerra. As guerras, leia-se os confrontos militares generalizados, são sempre precedidos por uma escalada que passa pela subida de tom na retórica, a demonização do oponente, o reforço dos dispositivos militares e a conquista da opinião pública para apoiar ações mais assertivas contra o oponente. Depois é necessário criar um acontecimento, um pretexto que não tem necessariamente de ser causado pelo oponente e que é normalmente provocado por quem pensa que vai beneficiar com o resultado da guerra. Sabe-se hoje quem montou a armadilha que levou à guerra do Vietnam, à guerra espanhola-americana e muitas outras mais recentemente. Por isso, convinha que prevalecesse o bom senso.

Começa a ser claro que o campeonato mundial de futebol será um palco desta luta. Mas enquanto for só isso… a histeria russofóbica faz parte da operação de moldagem das opiniões públicas, preparando-as para o confronto. Com o clima criado poderá nem ser necessário conceber um pretexto. Bastará um imprevisto, um erro de cálculo para nos levar para uma situação sem retorno, fazendo com que a crise político-militar se transforme numa confrontação militar direta. Essa possibilidade afigura-se-nos muito elevada. A nova postura nuclear dos Estados Unidos e a crença de que se consegue manter uma guerra ao nível nuclear tático, sem evoluir para o patamar estratégico e para a destruição total são mais alguns ingredientes que nos devem fazer refletir. A presente crise – real ou fictícia – enquadra-se perfeitamente no modelo. O que está mesmo a fazer falta é testar os efeitos das novas armas hipersónicas.

  

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 19:02

Sexta-feira, 23.03.18

Loui Jover

a noite fez-se para amar 1a.jpg

 

Loui Jover

 

loui jover1a.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 18:25

Segunda-feira, 19.03.18

Adão Cruz, 2018

ao cair da tarde 5b.jpg

 

Adão Cruz

 

IMG_5849a.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 16:02

Domingo, 18.03.18

Morreu.- Anielli, Poeta de V Redonda

a noite fez-se para amar 1a.jpg

 

Anielli  Morreu

 

marielle franco.jpg

 

 

Morreu a preta da maré,
a negra fugida da senzala
que foi, sentar com "os dotô" na sala
e falar de igual pra igual com "os homi".
A negra que burlou a fome de se saber,
que fez crescer dentro dela, o conhecimento.
Aquela, que por um momento de humanidade,
sonhou com a justiça, lutou por liberdade
e ousou ir mais alto,
do que permitia sua cor.
"Mas preta sabida, não pode!
Muito menos pobre! Não tem valor."
Diziam as más línguas na multidão.
E ela ousou tirar seus pés do chão.
Morreu.
Morreu a "preta sem noção",
que falava a verdade na cara do patrão,
que carregava a coragem, como bagagem,
no coração.
O tiro foi certo,
acertou com maldade,
ecoando seco no centro da cidade.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 03:04

Quarta-feira, 14.03.18

Adão Cruz, 2018

a noite fez-se para amar 1a.jpg

 

Adão Cruz

 

IMG_5848a.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 22:28

Domingo, 11.03.18

“CAMBADA DE IMBECIS” - Augusta Clara de Matos

o balanço das folhas3a.jpg

 

Augusta Clara de Matos  “CAMBADA DE IMBECIS”

 

eu6 (2).jpg

 

       Foi como nos intitulou ontem o jornalista Pedro Marques Lopes, com anuência dos colegas Clara Ferreira Alves e do exótico Luís Pedro Nunes, no programa “Eixo do Mal” – também não costumo ver mas ontem vi -, a todos aqueles que, nas redes sociais, a espinha encalhada na garganta dos nossos jornaleiros, se têm pronunciado contra a contratação de Passos Coelho como professor catedrático convidado numa instituição da Universidade de Lisboa, Pública.

Sabe-se que as opiniões mudam facilmente de direcção. O pior é quando os valores invertem o sentido ou vão dar uma volta.

Tão forte foi a lixívia neste caso, que até gente de esquerda admite como aceitáveis certas cláusulas do contrato.

Vai daí, Passos Coelho passou a ser a vítima e nós os algozes do rapazinho que nada tinha feito na vida que se conhecesse e se viu alcandorado a Primeiro-Ministro pela mão de Padrinhos, por não lhe concedermos o direito de ser professor catedrático da cadeira, de mestrados e de doutoramentos que só podem visar a crescente especialização num único tema - “Experiência de como se destrói um país”.

Pela minha parte,

- Por todas as pequenas empresas e o pequeno comércio que tiveram de fechar portas durante o seu Governo;
- Pelos milhares de pessoas que ficaram sem emprego e sem saber como dar de comer aos filhos;
- Pelos que caíram na mais profunda miséria e vi a procurar lixo nos contentores para se alimentarem;
- Pelos novos e menos novos que se viram obrigados a emigrar;
- Pelos jovens cuja formação fazia falta ao país e ele mandou embora;
- Pelos cortes na saúde, na educação e na investigação;
- Pelo desprezo com que atacou e roubou os funcionários públicos, pensionistas e reformados para, de gatas, entregar aos bancos alemães o produto desse roubo;
- Pelas grandes empresas património nacional como a TAP. A EDP , os CTT, etc. que entregou de mão beijada ao capital estrangeiro;
- Por todos aqueles que, perante este desastre, desistiram de viver tendo alguns levado filhos consigo;
- Pela indiferença e ausência de compaixão perante os efeitos da destruição que foi causando, e, também, pelo modo maldoso e cínico com que tratou os portugueses como inimigos ;

Pela minha parte, juro com a mão sobre a Constituição da República que ele desrespeitou, que estarei disposta a contribuir com uma fatia dos meus impostos para a sua alimentação … atrás das grades.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 20:59

Terça-feira, 06.03.18

Adão Cruz, 2013

a noite fez-se para amar 1a.jpg

 

Adão Cruz

 

018-2013a.jpg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 02:59

Sexta-feira, 02.03.18

"Marcelo e Varela Gomes defendem conceitos de liberdade e de democracia muito distintos" - Carlos Matos Gomes

pingos1.jpg

 

Carlos Matos Gomes  "Marcelo e Varela Gomes defendem conceitos de liberdade e de democracia muito distintos"

Varela Gomes.jpg

 

(Fotografia de Alfredo Cunha)

 

   Uma lagartixa nunca será um jacaré. Provérbio africano que escolhi para comentar a nota do Presidente da República a assinalar a morte. do coronel Varela Gomes cujo funeral se realizou hoje. A foto é Alfredo Cunha, 1975. Foi publicada nas redes sociais e por isso a reproduzo para ilustrar a rejeição do Estado - representado pelo seu chefe - a homens como Varela Gomes, homens de ideais, que lhe são estranhos. A nota do presidente da República a propósito da morte de Varela Gomes é um desapiedado revelador da personalidade de Marcelo Rebelo de Sousa e do regime a que preside.

Diz a nota: “ o chefe de Estado envia condolências à família e invoca a militância cívica do coronel destacando, “em particular, a sua consistente luta contra a ditadura constitucionalizada antes do 25 de abril de 1974”.

O Estado Novo é, formalmente caraterizado como uma ditadura constitucionalizada. O acrescento “constitucionalizada” tem a óbvia intenção de adoçar a ditadura do Estado Novo e, fundamentalmente a de salientar que aquela era um regime de ordem, anti-caótico ao contrário do que sucedeu após o 25 de abril de 1974, data referida expressamente na nota, marcando uma fronteira. Marcelo é um homem de ordem.

Isto é, em 2 linhas, o que Marcelo afirma. Há o essencial que ele apaga. Nunca refere a liberdade. E Varela Gomes lutou pela liberdade. Mas não é a liberdade que interessa a Marcelo Rebelo de Sousa. Ele também nunca refere a palavra democracia. Varela Gomes lutou pela democracia. Mas não é a luta pela democracia de Varela Gomes que Marcelo quer salientar. Pelo contrário, quer silenciá-la. Para ele MRS só existe uma democracia.

Marcelo e Varela Gomes defendem conceitos de liberdade e de democracia muito distintos.

Para Varela Gomes a liberdade inclui os direitos sociais associados, a liberdade depende da possibilidade de a exercer, de ter tempo, de ter acesso à educação e à cultura, à saúde, a um nível de bem estar que permita educar os filhos, por exemplo. Varela Gomes tem um conceito de liberdade alargado e generoso. Marcelo tem da liberdade o conceito dos sistemas mercantis da liberdade de expressão a quem dispuser de poder para dominar os meios de comunicação. Marcelo não podia falar da luta pela liberdade de Varela, porque a liberdade de um – a de Varela – torna a liberdade de outro – Marcelo – uma caricatura de liberdade.A liberdade de Marcelo é restrita e condicionada económica e socialmente.

Quanto à democracia. Marcelo é um mecanicista (para não dizer que pensa como um mecânico). Democracia, para Marcelo, é uma máquina que funciona segundo as regras que foram estabelecidas pelo fabricante e dentro do regime inscrito no livro de instruções (uma constituição) – a democracia de Marcelo é um regime constitucionalizado, que difere da ditadura constitucionalizada apenas pelo numero de utilizadores.

A democracia para Varela Gomes é um regime participado e baseado no esclarecimento.
Os dois têm conceitos incompatíveis de democracia.

Para Marcelo, um homem de ordem e de hierarquização social (os afetos são populismo) a democracia é o regime de menor denominador possível, o oposto de Varela Gomes. Para Marcelo, a democracia é representativa, assenta no exclusivo da decisão nos aparelhos partidários, funciona através de um sistema de rodas bem engrenadas, hermeticamente fechado num contentor estanque (Assembleia da Republica, comissões politicas, pex).

Marcelo é um bispo de diocese, capaz de excelentes sermões, de largas bênçãos às multidões, mas que nunca sairá debaixo do palio, que nunca causará um estremeção de dúvida nos fiéis, que defenderá a doutrina da infalibilidade da cúria papal e da verdade revelada. Estará sempre do lado do clero contra o povo.

Será sempre uma lagartixa. É da sua natureza e ser assim parece que é do agrado geral. Os rebeldes, os altercadores, os que duvidam são pedras no sapato. Hoje desapareceu definitivamente mais uma dessas pedras. Para Marcelo ele já tinha desaparecido em 25 de Abril de 74. Andou a incomodar a sua democracia até agora, 44 anos! Eu já nunca mais lhe darei lume para acender o charuto. Até eu já deixei de fumar. Obrigado ao Alfredo Cunha pela foto.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 14:46

Quinta-feira, 01.03.18

A ONU e os conflitos no Médio Oriente — Guterres, deixe-se de lamurias e diga o que se passa.- Carlos Matos Gomes

pingos1.jpg

 

Carlos Matos Gomes  A ONU e os conflitos no Médio Oriente — Guterres, deixe-se de lamurias e diga o que se passa

 

carlos matos gomes3.jpg

 

   A ONU e o Médio Oriente. Desde o final da II Guerra Mundial (ou da IGG, consoante as interpretações), as potências ocidentais, em particular os EUA e a Inglaterra, têm como estratégia central desestabilizar a região. Os resultados são os que temos, da criação do Estado de Israel à atual guerra na Síria. A guerra tem sido a situação permanente no Médio Oriente. A talhe de foice para recordar: guerras Israel-Palestina, Israel-Líbano, Israel-Iraque, Israel-Egito, Israel-Siria, invasão do Iraque, do Afeganistão, guerra no Iémen (Arábia Saudita)… criação da Alqueda, do Daesh e bandos associados...

A ONU nunca teve um papel na resolução de qualquer destes conflitos a não ser o de cobertura a acções dos Estados Unidos. A ONU não é, manifestamente, uma organização com qualquer capacidade nem credibilidade para se envolver no conflito.

A desestabilização do Médio Oriente começa (é uma das opções) pelo embuste da criação do Estado de Israel. A fase mais recente começa com a mentira das armas de destruição em massa do Iraque e da mentira da responsabilidade do Afeganistão nos atentados das torres gémeas em Nova Iorque.

O caos no Médio Oriente foi criado pelas potências ocidentais (é um facto explicável pela sua centralidade mundial), com base em embustes e mentiras:

– criação do Estado de Israel para recompensar os judeus do Holocausto e proporcionar-lhes uma terra prometida onde vivessem na paz do seu Senhor (foi este o conto para crianças apresentado à opinião pública);

- “bombas atómicas” nas caves e arrecadações de Saddam para justificar a invasão do Iraque;

- preparação dos voos contra as torres gémeas em Nova Iorque por terroristas da Alquaeda sob o mando de Bin Laden (um saudita agente dos Estados Unidos contra a URSS), nas grutas do Afeganistão.

A ONU nunca interveio no caos do Médio Oriente a não ser através de declarações piedosas, quando os aliados ou os bandos a mando dos Estados Unidos estão em aflições, o que tem sido mais evidente agora na Síria, dado a intervenção da Rússia e a ação da Turquia terem criado situações delicadas para as forças apoiadas pelos americanos.

Todos os massacres são condenáveis e merecem a maior repulsa por parte da comunidade internacional e de cada um de nós. Os da Síria evidentemente. Mas a ONU, mais uma vez, não é fiável como intérprete da nossa repulsa (falo por mim).

A situação no Médio Oriente é uma teia de embustes, em que a guerra também é feita de falsa informação. A desinformação e a deturpação da realidade através de técnicas de manipulação da opinião, fazem parte do arsenal no campo de batalha;

A ONU soma desde a primeira intervenção militar da ONU, no Congo ex-Belga em 1960, intervenções desastrosas na construção ou na manutenção da paz .

Parece evidente que as Nações Unidas não são adequadas à função de promotoras da paz e que deviam abster-se de se envolverem em conflitos.

Em resumo e sob a forma de petição: Seria pedir muito que, em vez de patéticos e inconsequentes apelos à paz, a cessar-fogos para ações humanitárias, que o secretário-geral das Nações Unidas, o nosso querido António Guterres, fizesse o que era e é possível para ajudar de facto a comunidade a contribuir para acalmar o conflito e que seria apenas prestar uma informação neutra, clara, esclarecida, que ultrapassasse as cortinas de fumo sobre o que se passa no Médio Oriente?

Falo por mim:

- Não me comovem os apelos das Nações Unidas e do seu secretário-geral.

- Desconfio do que as Nações Unidas e o seu secretário-geral me dizem, dado serem coniventes, enquanto instituições, com as mentiras que conduziram ao atual estado do conflito.

Penso com a minha cabeça.

Só pretendo que as Nações Unidas e o seu secretário-geral me transmitam informação neutra sobre o que se passa. Não pretendo resoluções, pretendo informações.

Sei que é pedir muito. Sei que é ir contra a natureza das coisas. As Nações Unidas fazem parte do jogo de sombras.

Dispensem-me então as expressões pungentes à hora dos noticiários e os avisos de que as imagens são chocantes. Serão, mas também podem ser falsas, ou serem apenas as convenientes.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 20:46



Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Augusta Clara

    Essa da democracia nazi é que não percebi de que s...

  • frar

    O PROBLEMA DO POLITICAMENTE CORRECTO NÃO É A JUSTI...

  • Anónimo

    o anónimo é adão cruz

  • Anónimo

    De pleno acordo

  • Augusta Clara

    Já vi, Adão. Obrigada. Disseram-me que já tinham r...


Links

Artes, Letras e Ciências

Culinária

Editoras

Filmes

Jornais e Revistas

Política e Sociedade

Revistas e suplementos literários e científicos