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Jardim das Delícias



Quinta-feira, 25.11.21

Eu sou maior do que eu - Adão Cruz

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Adão Cruz   Eu sou maior do que eu

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(Adão Cruz)

 

A noite passou
já as estrelas se apagaram
novo sol não tarda
já doura o fio dos montes
e o fantasma é um lençol no meio do chão
porque eu sou o vencedor de todos os fantasmas.
Vai ser quente o dia
apesar do ar frio da noite
vem comigo
olha aquelas duas palmeiras que viçosas
tão altas na mira do céu
e eu sou maior do que o céu.
O desvio termina aqui
o caminho é novo ainda que não permita grande correr
não temas
tudo há-de ser como eu quiser
porque eu sou maior do que eu.
Por cima do teu corpo há um leito de espuma
que eu bebo de um trago
porque eu sou maior do que o mar
e mais fundo do que o meu ser.
Brota das entranhas um mundo novo
onde o coração pulsa à transparência
que nasce da sombra da noite
porque eu sou o alvorecer de todas as manhãs.
A sombra da floresta é apenas sombra
onde a medo o sol penetra
e cria fantasmas nas árvores e monstros nos charcos
mas eu sou o guardião do templo do sol.
A nova estrada é de ilusão
não tem altos nem baixos
o caminho da cidade é o caminho do centro da cidade
ali à mão
mas a cidade sou eu.
O mar de ondas verdes e fundas
quebradas em catedrais de espuma nas rochas negras e nuas
refulge de prata os abraços frios da alma
mas eu sou maior do que o mar
e da alma há muito me perdi.
O sol brilha na areia escaldante
onde o teu corpo se deita num leito de espuma
espargida de mil gotas
e o céu azul beija o mar ao longe
onde os olhos cansados sempre teimam repousar.
No sono da tarde
vai-se quebrando o pensamento em pedaços de luz e sombra
que o vento preso à cidade resolve levar para bem longe
como plácidas gaivotas
porque eu sou escravo e não senhor do pensamento.
 
 

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por Augusta Clara às 16:58

Segunda-feira, 15.11.21

A pobreza - Adão Cruz

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Adão Cruz  A pobreza

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(Adão Cruz)

   A pobreza transformou-se em bandeira eleitoral de muitos daqueles que por ela são responsáveis. Descarada hipocrisia. Em nome da competitividade e da convergência cometeram-se e cometem-se as maiores barbaridades. A competitividade e a convergência, a globalização, a modernidade, a flexibilização, o liberalismo e a privatização, são palavras inquestionáveis das estratégias de dominação por parte daqueles que sabem quem tudo ganha à custa de quem tudo perde. Tais fórmulas transformaram-se numa ideologia sem sentido que leva à destruição sistemática do Homem, através do desemprego, do baixo salário, da pobreza, da toxicodependência, do crescimento dos sem-abrigo, do desespero, da delinquência, da apatia e iliteracia da juventude. O assalto às economias pelas mãos de luva branca, hoje quase institucionalizado entre muitos políticos e muitos manipuladores do dinheiro, que mais não são do que homens sem qualquer honra, vergonha ou dignidade, levou à perversão dos conceitos, à aniquilação da resistência e da vontade dos homens dignos, à inoperância e colaboracionismo da Justiça. Todos estes fenómenos se acentuaram quando se desenvolveram políticas doentias de saque e destruição, destinadas a reforçar o poder do capital de forma profundamente criminosa, através de absurdos superlucros e mais-valias, e do escandaloso roubo e desvio do nosso dinheiro para obscenas e obscuras transacções, salários e reformas de ninhadas de parasitas, à custa do esmagamento da qualidade de vida da maior parte do povo. Circulam no mundo triliões de dólares avidamente à procura do sítio onde se lucra mais, nem que esse sítio seja o imenso cemitério para onde resvalam milhões de vítimas. Não basta os políticos tidos por sérios dizerem que a solidariedade é um factor fundamental e o princípio mais importante do nosso século. Não basta dizerem que continua a haver países mais ricos e outros mais pobres e, dentro dos mais ricos, cada vez maior abismo entre ricos e pobres. Não basta lamentarem a pobreza e dizerem que a pobreza e a exclusão geram guerras intermináveis. Tudo isto é sabido e não é cantarolando a Paz e a Cooperação, de mão dada com os corruptos, os ladrões e os senhores da guerra que se ganha o título de vencedor. Muitos destes políticos pregadores da paz e da liberdade foram e são co-responsáveis pelo engrossamento do exército de famintos, refugiados, oprimidos e condenados da terra. Co-responsáveis no abrir de portas e no estender de tapetes às chancelarias do crime organizado. Por mais que preguem, por mais debates e conferências que façam, não anulam o descrédito em que caíram ao pretenderem convencer-nos de que as expectativas de paz, liberdade e justiça são possíveis com o aperto de mão dos verdadeiros terroristas do mundo ou com as orações a Deus, as quais, pelos vistos, só são ouvidas quando saem da boca dos afortunados e não quando tomam a forma de gemidos. Nós andamos distraídos com os fumos de incenso que os responsáveis vão espargindo pelos quatro canais da estupidez institucionalizada. E tudo isto porque muitos dos importantes grupos económicos, células de um cancro universal, tomaram conta do poder político, transformaram os governantes em lacaios e limparam os pés à soberania. Arrepanharam toda a informação global, e com ela o poder de mudar e moldar os comportamentos e as mentalidades até à anulação da verdade, da razão e do pensamento. De forma humilhante e perversa criaram uma maquiavélica desinformação, com a qual inundaram de publicidade enganosa e de ignominiosas mentiras as cabeças de um povo cada vez mais roubado, massificado, ridicularizado e estupidificado.

 

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por Augusta Clara às 20:56

Domingo, 07.11.21

MARIE CURIE (Polónia,1867 - França, 1934)

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MARIE CURIE, foi o primeiro cientista a ganhar dois Prémios Nobel, o primeiro da Física em conjunto com o marido Pierre Curie e o segundo, já após a morte dele, o da Química.
 
Como mulher da sua época, apesar da sua notoriedade científica, na altura em que lhe foi atribuído o segundo Nobel, recebeu uma carta do Comité Nobel aconselhando-a a não ir a Estocolmo receber o prémio devido à campanha contra ela montada pela imprensa a propósito de uma fase da sua vida privada. Mas ela foi. Corajosa como sempre, deu a cara perante uma instituição a quem só envergonhou o comportamento que teve por não se manter imune à pestilência social que a atingiu.
 
A propósito deste incidente, sugiro o livro da escritora espanhola Rosa Montero "A Ridícula Ideia De Não Voltar a Ver-te", escrito a propósito da morte do seu marido mas que, não sendo uma biografia, relata de forma muito interessante a vida de Marie Curie.

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por Augusta Clara às 23:33

Sexta-feira, 05.11.21

Ouço o silêncio - Adão Cruz

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Adão Cruz  Ouço o silêncio

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(Anne Magill)

Ouço o silêncio dos olhos que se fecham na falta de
esperança
Amo o silêncio das cores vivas e do sonho que nos tece a
alma entre a vida e a morte
Dói-me o silêncio negro dos gritos proibidos e sinto o
dourado silêncio dos gestos da noite que nos abrem os olhos
Amargo o silêncio das horas sem brilho e vivo o silêncio do
mar que risca na areia a força vencida
Assumo o silêncio sagrado da liberdade e da vida e o silêncio
de um céu de fogo que nos abre a cova na terra fria

 

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por Augusta Clara às 19:18

Terça-feira, 02.11.21

Reserva de aves no Cais do Ouro, Foz do Douro

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Fotografias de Adão Cruz

 

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por Augusta Clara às 14:04

Segunda-feira, 01.11.21

CONTOS DO SER E NÃO SER, de Adão Cruz, a sair em Dezembro.

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   Em conversa com o jornal Labor de S. João da Madeira, a representante da Europa Editora referiu que além de "o livro ser excelente, o desenho da capa, também da autoria de Adão Cruz, é uma obra-prima".

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por Augusta Clara às 20:41



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