Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Jardim das Delícias


Quinta-feira, 24.09.15

A campanha eleitoral - Augusta Clara

o balanço das folhas2.jpg

 

Augusta Clara  A campanha eleitoral

 

   Só me apetecia fazer campanha para que ninguém visse nem ouvisse nada da campanha.

Lembrassem-se só, com muita força, de tudo o que os partidos deste (des)governo nos fizeram:

- dos despedimentos;
- das famílias cada vez mais pobres que ficaram sem casas;
- das crianças com fome;
- dos velhos a comerem nos contentores do lixo e sem dinheiro para os medicamentos;
- do número crescente de pessoas a dormir nas ruas;
- dos cortes nos salários e nas pensões;
- dos milhares de portugueses que tiveram de emigrar, entre os quais muitos jovens da geração mais qualificada formada nas últimas décadas, de cujas competências tanto necessitamos e estão a ser postas ao serviço dos países ricos;
- da destruição do nosso Serviço Nacional de Saúde, um dos melhores do mundo;
- da crescente descriminação no Ensino e do vergonhoso desprestígio dos professores;
- de todos as grandes fraudes bancárias que vêm às nossas algibeiras buscar o remédio;
- do desprezo pela cultura;
- da venda a estrangeiros das grandes empresas que deviam ser património nacional
- e de tantas outras acções maléficas do governo de Passos Coelho e Paulo Portas, essas abomináveis criaturas que chegaram ao poder para meter a marcha atrás num país que seguia o seu rumo e, apesar de tudo, apesar desta falsa União Europeia de todos os países e povos, apesar dela, não tinha sofrido, antes deles, uma tão grande destruição.

Sinceramente, não acho que valha a pena ouvir sempre o mesmo que todos estamos fartos de conhecer.

Mas há uma coisa que me preocupa bastante: quando o terror dura muito tempo e faz grandes estragos, é frequente muitas vítimas se cansarem e aceitarem a tirania. É precisamente esse o maior perigo nestas eleições.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 08:00

Segunda-feira, 29.06.15

Grécia. O sofisma dos Nem Nem - Augusta Clara

bandeira grega1a.jpg

 

Augusta Clara  Grécia. O sofisma dos Nem Nem 

 

grécia referendo.jpg

 

   E eis que,de repente, saltou para a ribalta um conjunto de comentadores que, ou eu fiquei estúpida dum dia para o outro, ou não entendo o motivo que os leva a baralhar ainda mais o que já está demasiado complicado.

Não entendo é forma de expressão, porque isto de apoiar e condenar, ao mesmo tempo, as decisões dos gregos não se prende com qualquer sintoma esquizofrénico. Antes fosse. Mas trata-se de gente responsável ao nível do exercício da opinião pública.

Resumindo: neste dramático momento, parece-me a mim, que ou se está do lado de quem vai sendo esmagado ou de quem tudo cilindra para salvaguardar a Europa dos poucos mas muito ricos contra a dos muitos e muito pobres.

Não há mas nem meio mas sobre esta situação. Ou se está com deus ou com o diabo. Não vale baratinar.

Os gregos têm direito a fazer o referendo, é a máxima expressão da democracia. Tsipras é um grande homem de Estado. Tem defendido o seu povo com unhas e dentes. Poucos governantes, só quem tem dignidade que chegue, aguentariam a chantagem que Tipras e Varoufakis têm aguentado naquelas reuniões.

A Grécia é soberana. Deixem-se de conversa intelectualoide retorcida, tão parecida, mas tão parecida com a de quem quer ver a Grécia afundar-se.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 11:00

Quinta-feira, 11.06.15

A CAMPANHA ANTI-VACINAS - Augusta Clara

o balanço das folhas1.jpg

 

Augusta Clara  A CAMPANHA ANTI-VACINAS

 

Voltemos ao assunto porque é demasiado sério para se deixar caír.

 

1 - Lembrando o caso da criança catalã que está em risco de vida por não ter sido vacinada e ter contraído difteria.

2 - Voltando a um vídeo publicado no Youtube e que circula na Internet cujo conteúdo é contra a vacinação.

 

1 - Os pais do rapazinho gravemente doente confessaram que não estavam bem informados e, por isso, não vacinaram os filhos. Como se pode calcular e os jornais noticiam, encontram-se devastados e correram a vacinar a restante família.

2 - Se o que se passou com esta criança é grave, o que se pode ouvir no vídeo reproduzido em baixo é gravíssimo.

Quem fala neste vídeo é alguém de nome Lanctot Ghislaine, médica canadiana expulsa do colégio de médicos e a quem foi retirada a licença para exercer medicina por ter escrito um livro intitulado "A Máfia Médica".

Depois de ter ouvido com atenção tudo o que diz neste vídeo nada me parece mais lógico do que a sua proibição de exercer a profissão. Esta senhora parece não estar no pleno uso das suas faculdades, o que até pode acontecer, mas não se trata apenas disso. É bem mais grave.

Este vídeo é uma das armas mais perigosas da campanha anti-vacinas de que já tive conhecimento. Perigosa por quem a faz e perigosa pela subtil desonestidade de utilizar argumentação, eventualmente credível em alguns aspectos, para induzir comportamentos prejudiciais à saúde daqueles que se deixarem levar pela falsa veracidade da grande maioria dos argumentos.

Há um ditado popular que diz "Com a verdade me enganas". E, de facto, é o que esta criatura aqui faz.

Atente-se em algumas afirmações suas:

"O que aprendi na medicina era como deixar as pessoas mais enfermas"

"As pessoas não dão conta de que os médicos fazem parte do sistema de saúde o qual pretende fazê-los enfermos e matá-los"

"A vacinação está ao serviço de quem? (...) as vacinações estão ao serviço dos interesses militares e industriais".

São acusações que desacreditam por completo a medicina, a prática médica e todos os profissionais da saúde, incutindo nas pessoas a desconfiança, o medo e o completo descrédito de todos a quem têm que recorrer quando estão doentes.

O seu discurso de 20 e tal minutos mais parece uma prédica da igreja Jeová ou o guião dum filme de ficção científica.

Há várias coisas curiosas nisto tudo:

- Não explica o mecanismo de imunidade que as vacinas induzem alegando que é muito complicado para os leigos perceberem;

- Diz que as vacinas matam - sendo preventivas têm livrado da morte e da incapacidade milhares de crianças -, que podem provocar malefícios vários e são de alto custo, mas nunca se refere à miríade de medicamentos nem às multinacionais farmacêuticas que os põem no mercado.

- Na verdade, sem vacinas, quem contraísse uma virose grave, na melhor das hipóteses, teria de consumir muitos mais medicamentos.

Não vale a pena continuar.

Este vídeo tem que ser visto com atenção.

A que deus serve esta personagem?

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 11:00

Sábado, 09.05.15

Por onde andava o Deus dos católicos? - Augusta Clara

o balanço das folhas1.jpg

 

Augusta Clara  Por onde andava o Deus dos católicos?

 

igreja católica e nazismo.jpg

(um representante do Papa com Hitler)

 

   Ao ver a série sobre Treblinka que termina hoje na RTP2, ao ouvir a descrição pormenorizada dum nazi que julgou não estar a ser gravado, os relatos de sobreviventes que tiveram de executar as piores tarefas nas câmaras de gás e nos crematórios para poderem sobreviver, por cujas mãos passavam familiares, amigos, vizinhos, conhecidos, pergunta-se: - Onde estava a Igreja? Por onde andavam os cristãos deste mundo que viraram as costas a esta incomensurável monstruosidade?

A Igreja estava com os nazis, estava com Hitler. Pio XII ficou conhecido como o Papa de Hitler.

Fotografias da cúria no meio dos monstro não faltam. Até os casamentos lhes abençoavam - aqui vê-se o casamento de Göring. Ter-lhe-ão abençoado o suicídio?

Muito gostava de saber o que pensam os católicos disto tudo. É que, para eles, o Papa é o representante de Deus na Terra.

igreja católica e nazismo1.jpg

 

o casamento de goering.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 08:00

Quinta-feira, 26.03.15

A propósito da candidatura de Henrique Neto

o balanço das folhas2.jpg

 

Público, 26 de Março de 2015

 

A candidatura de António Guterres fá-lo-ia desistir?...

"Já não. António Guterres é um homem com qualidades muito especiais e por quem nutro admiração. Mas teve práticas políticas na sua governação — não ter uma estratégia — a ponto de eu lhe ter escrito uma carta aberta em que já expunha algumas destas coisas de que falo. Guterres foi eleito, entre outras coisas, com críticas fortes à política de betão de Cavaco Silva. Ele aumentou a política de betão. Também trabalhou na política da educação mas a política de betão foi fatal.

Além disso, foi muito influenciado por pessoas que o rodeavam. Não considero que António Guterres possa regressar a Portugal e fazer as mudanças que o país necessita." (da entrevista de hoje ao Público)"

 

E, AGORA, PERGUNTO EU: Ai foi? E, então, quando nessa altura, andavam os investigadores do INETI a fazer propostas para a reestruturação daquele organismo de investigação, no tempo em que o Mariano Gago resolveu dar uma machadada nos Laboratórios do Estado - Cavaco Silva já tinha permitido o sumiço de muito do dinheiro vindo da UE -, e um tal Engenheiro Henrique Neto, dono duma fábrica de moldes, resolveu pronunciar-se pela pura extinção daquela instituição com áreas de investigação dirigida a variados ramos da indústria, com um quadro de experientes investigadores em todas elas, excelentes instalações e equipamento, num dos melhores campus científico/tecnológicos do país?

Pois, ao contrário do que diz, quando António Guterres foi eleito Primeiro-Ministro, é que nós sentimos a esperança de que alguma coisa poderia mudar na investigação científica e nos mobilizámos numas Jornadas que quase sentimos como "um novo 25 de Abril no INETI". Sabe deus ou o diabo quem terá puxado as rédeas para trás. Mas quem tão fácil e radicalmente faz propostas de demolição de estruturas válidas não vai levar, certamente, o meu voto para Presidente da República.

Augusta Clara

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 18:15

Segunda-feira, 16.02.15

A armadilha antecipada - Augusta Clara

o balanço das folhas2.jpg

 

Augusta Clara  A armadilha antecipada

 

união europeia.jpg

 

   Cada vez mais considero a criação da União Europeia e, em sequência, a do euro como as maiores armadilhas que nos arruinaram a soberania e nos destruiram os vários tipos de património: roubaram-nos a agricultura a favor da agricultura francesa e exerceram influência para a substituição de espécies florestais típicas das várias regiões nacionais. Tudo isto levou à desertificação do interior do país. Reduziram as pescas e a frota pesqueira segundo distribuições feitas ao belo critério das instâncias europeias a favor de outros países, da Espanha por exemplo, induziram o abandono da marinha mercante, da construção naval com a consequente ruína dos estaleiros, alguns deles classificados aos melhores níveis mundiais, cuja actividade foi desviada para outros quadrantes do planeta.

Com o eclodir dos novos dirigentes perfeitamente sintonizados com a política alemã o saque passou a ser feito já sem grandes malabarismos justificativos. Às descaradas vão-nos desmembrando, vendendo tudo o que tem valor financeiro e simbólico, enxotando a juventude mais dotada daqui para fora - até agora já emigraram 300.000 jovens, muitos deles tão necessários ao desenvolvimento da investigação científica - "rebentaram com tudo" segundo as palavras do Prof. Sobrinho Simões. E, de malefícios aos portugueses em geral, é este governo pródigo.

Mas, na actual tragédia, há uma personagem central: Cavaco Silva que teve rédea solta para começar a destruição ainda como primeiro ministro e se investiu, depois, em guardião dos incompetentes recrutados nos viveiros das juventudes partidárias e a quem deu, igualmente, toda a liberdade para exercitarem a incompetência e a insensibilidade social que lhes permitiu tratar o povo português como números, não como pessoas.

E, disto, nós os portugueses temos que nos livrar sem qualquer hesitação, a fim de recuperarmos a soberania perdida nas mãos da Alemanha.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 08:00

Segunda-feira, 07.07.14

As vacinas - ciência, religião e obscurantismo - Augusta Clara Matos

 

 

Augusta Clara Matos  As vacinas - ciência, religião e obscurantismo

 

 

 

   Numa das últimas madrugadas assisti a uma parte do programa "Toda a Verdade", da SIC Notícias, e fiquei estarrecida.

O tema era a vacinação anti-polio e a reportagem tinha sido realizada no Paquistão onde os talibãs se recusam a deixar vacinar os filhos porque os mullahs dizem nas mesquitas que a vacina provoca o cancro. Se eles adoecerem, será por vontade de Alá, afirmava um deles cujo filho tinha já contraído o vírus.

A doença é ainda endémica no país e a situação torna-se muito dramática porque proibir a vacinação causou já o aumento para o triplo do número de casos de poliomielite em pouco tempo, estimando-se que este procedimento possa atingir as 200.000 crianças infectadas num período próximo.

Duas de três mulheres que andavam a vacinar crianças pelas povoações foram assassinadas em Dezembro último.

Mas a desaustinada campanha contra as vacinas não atingiu apenas os fanáticos islâmicos. Aqui no Ocidente católico existem grupos com idêntica atitude - também pensarão que o seu Deus os protege? - e, a rapazinhos cuja idade não lhes permite ainda nem  conhecimento científico nem maturidade suficiente para afirmações tão peremptórias, ouvi dizer convictamente que os pais não os vacinaram porque a doença (creio que se referiam até a mais do que uma patologia) já não existe na zona do mundo onde habitam. Não sabem, ou não lhes disseram, que isso se deve aos muitos programas de vacinação que, ao longo de décadas, protegeram milhões de crianças e adultos. Baixem-se as guardas e o retrocesso será inevitável. Começa  já a acontecer em alguns pontos do globo.

Faz lembrar o Diabo de Mark Twain que nas "Cartas da Terra" escrevia aos amigos arcanjos Miguel e Gabriel manifestando a sua estranheza sobre os humanos: 

"Então, tendo feito do Criador responsável por todas as dores e misérias supraditas, que aquele poderia não ter permitido, o prendado do cristão chama-lhe lisonjeiramente «Nosso Pai»!". (1)

 

(1) Mark Twain, Cartas da Terra, Bertrand Editora, p. 44

 

O vídeo seguinte mostra as condições em que a equipa de Jonas Salk trabalhou para conseguir uma vacina contra o vírus da polio, tanto quanto à certeza dos resultados como aos riscos corridos pelo grupo dos investigadores.

A ciência faz parte da cultura e as suas descobertas não têm qualquer semelhança com mercadorias em que os donos do dinheiro tudo tentam transformar. Talvez tenham mais a ver com a arte, para nossa felicidade.

Vale a pena vê-lo até ao fim e divulgá-lo o mais possível, contra o obscurantismo.

 

Veja, também, aqui a declaração da Organização Mundial de Saúde (OMS) em Abril deste ano.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 08:00

Segunda-feira, 09.06.14

O GMT, os seus sinónimos ... e mataram eles o Trotsky! - Augusta Clara

 

 

Augusta Clara  O GMT, os seus sinónimos ... e mataram eles o Trotsky!

 

 

(Adão Cruz)

 

 

   Se os dirigentes da esquerda se preocupassem em esclarecer-nos sobre o que se negoceia e se pretende assinar em 2015 entre os EUA e a UE, talvez nos evitassem este mergulho na mediocridade do actual panorama político português. Porque, a ser assinado o tal mega-acordo denominado, entre outras designações - serão várias para proteger  o segredo das cláusulas -, por Grande Mercado Transatlântico (GMT), dos Antónios, tanto nos faz que seja o Costa ou Seguro a ficar à frente do PS, como quem vierem a ser os futuros Primeiros-Ministros e Presidentes da República.

Quem passa a mandar são as multinacionais, não os Estados, e de forma muito pior do que a que tem vigorado nestes tempos da dita globalização. O tal acordo entre as actuais duas maiores potências comerciais mais propriamente deveria ser chamado Tratado da Escravatura Mundial.

Prevê-se a aprovação de legislação que nenhum Estado nem organização de qualquer natureza poderá contestar sob pena de ficar sujeito a multas milionárias aplicadas por um grupo de arbitragem privado internacional. Visa ultrapassarem-se todos os constrangimentos que têm impedido não só a redução das barreiras alfandegárias como a das "chamadas barreiras "não tarifárias" : quotas, formalidades administrativas ou normas sanitárias, técnicas e sociais". (1)

A esse propósito já no "Jornalistas Sem Fronteiras", sob o título "Países europeus submetem-se ao direito norte-americano", escrevia Pilar Camacho "Por estes comportamentos podemos ver o que se prepara através do o chamado acordo de comércio livre entre a União Europeia e os Estados Unidos” (TTIP), afirma María Concha Martínez, assessora no Parlamento Europeu. “Com leis europeias suspensas, na prática, ficaremos indefesos perante produtos norte-americanos de qualidade duvidosa para a saúde pública, como é o caso dos transgénicos, carne e derivados de animais alimentados com essas matérias geneticamente modificadas”, acrescentou. “Leis europeias que nasceram de tanta discussão e elaboração de estudos no sentido de defender os cidadãos podem agora ser ultrapassadas e invalidadas à revelia desses mesmos cidadãos”, segundo María Concha Martínez (2)

São as soberanias nacionais definitivamente hipotecadas aos senhores do dinheiro e às multinacionais que, atrás desta legislação, ficam com impunidade garantida para procederem à rapina dos recursos naturais de qualquer latitude, como a já posta em prática no roubo das sementes aos agricultores pela Monsanto de que tanto temos ouvido falar     

E é destas janelas que se olha a Ucrânia, se ouve falar na ajuda do Ocidente à luta pela "democracia" contra as forças russas, mas com a participação dos grupos nazis promovidos e armados pelos EUA com o apoio dos dirigentes da UE.  E é delas que se se vê passar a falsa informação com que nos intoxicam dia a dia.

Se quisermos analisar o que por cá se passa, temos que ir à janela das traseiras. É no quintal que os galos lutam por um lugar no poleiro.

Na sua monumental obra Vida e Destino, (3) durante a hecatombe da batalha de Stalinegrado, Vassili Grossman põe Stalin a interrogar-se se não teria errado ao liquidar tantos dos seus colaboradores mais próximos, entre eles Trotsky. Afinal, não teria Trotsky razão ao defender  a extensão da revolução a outros países? Mesmo o ditador louco e sanguinário que foi Stalin pode ter tido um momento de lucidez naquele período dramático da história da União Soviética.

Verdade ou ficção é uma interrogação que não comporta hoje nenhum motivo para nos merecer dúvidas porque o ataque é global.

Como afirma Serge Halimi no Le Monde Diplomatique (versão portuguesa) deste mês de Junho "Bem conduzida [a luta contra o GMT] poderá consolidar solidariedades democráticas internacionais, hoje atrasadas por comparação com as que existem entre as forças do capital".

Se não ficarmos pelo galinheiro nem pela copa mundial.

 

(1) Raoul Marc Jennar e Renaud Lambert, "Globalização feliz, modo de usar", Le Monde Diplomatique (ed. portuguesa), Nº. 92, Junho 2014, pág. 7.

(2)  http://www.jornalistassemfronteiras.com/

(3) Vassili Grossman, Vida e Destino, Dom Quixote.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 08:00

Sábado, 03.05.14

Veiga Simão, um homem inteligente e controverso - Augusta Clara

 

 

Augusta Clara  Veiga Simão, um homem inteligente e controverso

 

 

   O Professor Veiga Simão que morreu agora aos 85 anos foi um homem simultaneamente de grande inteligência, visão alargada e uma personalidade muito controversa.

Como Ministro da Educação, ainda no Estado Novo, criou o ensino técnico-profissional - abolido já no tempo da democracia -, que permitia a aprendizagem duma profissão a todos aqueles que não tinham acesso ao ensino superior - a maioria da população portuguesa -, e dividiu os cursos universitários em dois ramos: o do ensino e o da investigação científica, duas alterações importantes no ensino. Na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, a "Reforma Veiga Simão" iniciou-se em 1964, o ano em que nela entrei para estudar Biologia.

Já depois do 25 de Abril, no fim da década de 1970, Veiga Simão criou o LNETI - Laboratório Nacional de Engenharia e Tecnologia Industrial que agregou vários outros organismos do Estado onde existiam laboratórios de investigação. Tudo levava a crer que o LNETI, onde trabalhei, pretendia ser a realização do sonho de criação dum MIT português para o que possuía um número considerável de valências. Os primeiros anos do laboratório foram tempos de grande entusiasmo para todos os que lá trabalhavam.

Mas assim não foi. O LNETI já não existe e hoje não sei nem me interessa o que aquilo é. Já não estou no activo.

Vários erros terão sido cometidos, alguns ainda no tempo em que Veiga Simão era seu presidente, erros que não vale a pena referir neste momento. Mas há algo que na mentalidade portuguesa, pródiga em menorizar-se relativamente a outros países, terá impedido, no caso do LNETI, a explosão da criatividade e o livre desenvolvimento das competências dos seus investigadores: a convicção de que em Portugal, sendo um país pequeno e não abastado, o Estado não deveria financiar a investigação fundamental nos seus laboratórios, apenas a investigação tecnológica.

Desenvolver aqui este tema daria azo a uma discussão que já teve lugar em vários fora, e deveria continuar a tê-lo não fosse a progressiva destruição em curso de tudo o que pertence ao sector público.

Faço justiça a Veiga Simão, cuja visão para além do imediato, poderia tê-lo levado a admitir esta lacuna, apesar de certa contracorrente que o rodeava. Mas, após a sua saída da presidência do LNETI e a chegada dos governos de Cavaco Silva, uma cortina burocrática e de menoridade intelectual, obscureceu o caminho dos Laboratórios de Investigação do Estado, apesar do dinheiro vindo da Europa que entrava a rodos e sabe-se lá para onde foi parar.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 18:30

Quarta-feira, 23.04.14

Hoje é o Dia Mundial do Livro ...

   ... e, segundo o Jornal de Notícias, a Leya destruíu edições históricas. Leia aqui.

 

A destruição de livros pelas editoras devia ser condenada por lei. Andamos nós à procura de livros esgotados, de que ainda deve haver alguns exemplares em depósito, e destroem-nos em vez de os porem à venda ou de os doarem. Mas este caso não é único, acontece mais vezes, não vem é a lume.

 

Depois venham cá falar-nos em pirataria e em direitos de autor quando publicamos algum texto - são as editoras quem mais esperneia, não os autores. Pelo menos não queimamos – ai, perdão – não deitamos fora leituras que tanta falta fazem a quem não tem dinheiro para comprar livros.

 

Augusta Clara

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 17:02



Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes


Links

Artes, Letras e Ciências

Culinária

Editoras

Filmes

Jornais e Revistas

Política e Sociedade

Revistas e suplementos literários e científicos