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Jardim das Delícias


Sábado, 18.07.15

Grécia: Krugman fala das mensagens de ódio que tem recebido de alemães

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Krugman fala das mensagens de ódio que tem recebido de alemães

 

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Paul Krugman venceu o Nobel da Economia em 2008 e nos últimos anos tem sido muito crítico das políticas de austeridade na Europa.

 

   Notícias ao Minuto, 15 de Julho de 2015

   A crise na Grécia tem tido momentos de particular tensão, que muitas vezes extravasam a discussão financeira. 

No caso de Paul Krugman, economista norte-americano que tem criticado abertamente a postura alemã na crise europeia, nomeadamente na exigência expressa nas políticas de austeridade, isto já lhe está a garantir um número cada vez maior de mensagens de ódio.

Conta o próprio no blogue que assina no New York Times que tem “andado a receber muitos emails da Alemanha, ultimamente”. Krugman diz já estar habituado a este género de missivas. Mas o número tem aumentado consideravelmente e com uma origem em particular a destacar-se: a Alemanha.

Afirmando que sabe que muito do que lhe tem chegado advém de “raiva” e “irracionalidade”, o Nobel da Economia de 2008 diz que as mensagens se têm dividido em dois tipos: umas são simplesmente obscenas, com insultos, tanto em alemão como em inglês.

Já outras acusam Krugman de ser persecutório. Como por exemplo, ‘como judeu devia saber os perigos de demonizar um povo”, adianta o economista sobre as críticas que lhe fazem. Algo a que responde no seu blogue em tom irónico: “criticar a ideologia económica de uma nação é o mesmo que declarar as pessoas sub-humanas”.

Escreve ainda Krugman que “estas cartas dificilmente são representativas” de todos os alemães. Porém, escreve “a noção de vitimização da Alemanha parece real e é um problema para os seus vizinhos”, pode ler-se no blogue de Paul Krugman

 

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por Augusta Clara às 18:25

Quinta-feira, 16.07.15

Vitória de Samotrácia - Maria Teresa Horta

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Maria Teresa Horta  Vitória de Samotrácia

 

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Subia as escadarias do Louvre
e de súbito vi-te
com as tuas asas abertas

Lá em cima...

Como um belíssimo anjo
degolado
na sua veste feminina

Vitória de Samotrácia
– soube, aturdida
com a tua estranheza

E sentei-me nos degraus
de mármore
a chorar de beleza

Lisboa, 16 de Junho de 2015

 

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por Augusta Clara às 18:00

Quinta-feira, 16.07.15

Carlos Leça da Veiga pronuncia-se sobre a prepotência da Alemanha relativamente à Grécia

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Carlos Leça da Veiga  A Alemanha perdeu as duas guerras nos dias em que as começou
 

 

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   Sobre a Alemanha costumo dizer que perdeu as duas Grandes Guerras nos dias em que as começou. Desta vez, inexoravelmente, vai acontecer o mesmo. Qualquer potência continental perde sempre com qualquer potência marítima. Na Europa ocidental só há duas potências marítimas: o Reino Unido e Portugal. No nosso caso, mau grado a falta duma marinha oceânica, temos os Açores - um porta-aviões que não gasta combustível - e o porto de Sines, o único na Europa Ocidental onde podem atracar os novos e enormes navios do comercio. A nossa vantagem sobre a Inglaterra é a de não termos colónias e, como assim, termos uma autoridade política que, infelizmente, nenhum governo post 25 de Abril de 1974 soube aproveitar.
 
Os conservadores em Inglaterra estão mal colocados pois os anti-europeistas tiram-lhes muitos votos. Imagine-se que, face ao tratamento dado à Grécia, é a velha Albion dos conservadores que vem dizer não o aceitar, nem o tratamento que é dado à democracia - a Grécia que nós conhecemos foi inventada pela Inglaterra a quem deram uma dinastia que é da família do Filipe de Edimburgo -  e, então, vem-lhe à lembrança a Polónia de 39 e, sem fazer guerra - esses tempos estão por conta dos ianques - diz não à política europeia e dá à triste e burra Gália/Holande a  força que não tem para guerrear os boches.  Não estou a sonhar, estou a dizer o que, conforme a História da Europa, tem de suceder. Sucederá ? Deus nos salve!!!
 

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por Augusta Clara às 15:30

Quinta-feira, 16.07.15

A boa notícia sobre a noitada de Bruxelas - Ferreira Fernandes

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Ferreira Fernandes  A boa notícia sobre a noitada de Bruxelas

 

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Diário de Notícias, 15 de Julho de 2015

   A única boa notícia sobre a noitada de Bruxelas é que vai haver mais noitadas destas. O problema da Grécia foi empurrado com a barriga por líderes extenuados. Tão extenuados que o seu esgotamento dá alguma credibilidade à hipótese de terem ouvido uma ideia de Passos Coelho. Só de pensar nessa hipótese dá ideia da deriva da Europa. Mais grave: pelo menos um líder europeu acreditou na versão (e contou-a). Naquele filme Daylight, um túnel de Nova Iorque invadido pelas águas, as pessoas também estavam esgotadas e aceitaram a sugestão do Sylvester Stallone. Por amor da santa, ninguém aceita uma sugestão de Stallone desde que ele foi salvar o Afeganistão e deu no que deu. Mas as pessoas estavam extenuadas e seguiram o herói - e não é que se salvaram? Também é verdade que era filme. Voltando à Grécia, da última vez que Passos Coelho teve uma ideia sobre ela falou de "conto de criança". Disse, então: "Como é possível um país não pagar as suas dívidas, querer aumentar os salários, baixar os impostos?..." É a ideia que ele tem de conto de crianças: um curso de Contabilidade. Agora, do género infantil saltou-se para o hardcore: numa festa pela madrugada fora, um grupo de poderosos chicoteia um grego. Melhor, só se ainda houvesse o Varoufakis, motoqueiro vestido de licra... Repito, a única boa notícia sobre a noitada de Bruxelas é que vai haver mais noitadas destas. A este ritmo, em breve vai dar o badagaio a estes nossos líderes europeus.

 

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por Augusta Clara às 10:00

Quarta-feira, 15.07.15

Da Grécia com Carlos Leite

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Da Grécia com Carlos Leite

 

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   Nos céus de Aigina passam durante toda a tarde os Canadair com água para combater o incêndio noutra parte da ilha e que deve ser de grande dimensão, tantos são os voos por cima da minha casa. Na Vouli (Parlamento) a votação far-se-á mais lá para a noite e o tempo custa a passar, mesmo em férias, à beira-mar, sem outras preocupações que não sejam as das férias (comprar bastante água e fruta, ir ao pão, não esquecer mais uma vez o antimosquitos, ir espreitando o FB ...). Mas os dados parecem já ter sido lançados há muito, ficaram suspensos no ar, demoraram imenso tempo a caír, o que foi permitindo o exercício de todos os modos de adivinhação mais ou menos raisonnée, a favor e contra, Nai kai Oxi, com Outubros, Kerenskis, Primaveras de Praga, perdão, de Atenas, Reiches alemães (entramos no IV), russos, colaboracionistas, chineses, Strangeloves de rodas e olhar convenientemente alucinado, donas de casa alemãs avacalhadas em cerveja, gruas francesas de cabelos brancos platinados, aquele Hollande, ó o Hollande e o holandês que nunca voará nem que desfrise o cabelinho que vai escasseando, filas no multibanco, carestia da vida nas ilhas ... Conversa-se muito pelo telefone, durante a noite, as insónias estão em alta, são in, quem se preza não dorme, ou dorme a desoras e sozinho, ou então prescinde, em nome da vontade de viver. O Syriza já não é o Syriza, é outra coisa, mesmo que o Governo não caia. De pouca coisa estamos já certos (há muito que o sabíamos, aliás): não há austeridade de esquerda, rose, rosada, toda ela é sempre e só de direita, neoliberal, eurounionista, alemã; o euro é o marco, se o euro é bom para os alemães, não pode sê-lo também ao mesmo tempo para os portugueses, gregos e outros famélicos europeus. Enfim... Tsipras é um valente, mas um ingénuo. É um bom grego, um bom patriota. Mas ainda estou para saber o que foi que aconteceu que o levou a entregar-se de pés e mãos atadas a partir da noite do referendo .... Hoje até o Iglésias já diz que a Espanha não é a Grécia. Quem, no seu juizo, pode dormir descansado hoje em dia, digo, noite?

 

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por Augusta Clara às 18:30

Quarta-feira, 15.07.15

Grécia: em que consiste a Derrota da Alemanha - texto de "O Economista Português"

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Grécia: em que consiste a Derrota da Alemanha - texto de "O Economista Português"

 

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O Economista Português, 14 de Juulho de 2015

 

   Os mass media europeus, com destaque para os portugueses,  continuam a contar-nos histórias da carochinha como se na cimeira da União Europeia (UE) concluída ontem tivesse havido uma vitória alemã – «a Grécia sucumbiu às exigências dos credores e aceitou um programa de austeridade punitiva», escreve por todos o Wall Street Journal – e por isso a presente «vox clamantis in deserto» julga dever uma clarificação ao leitor; julga dever pormenorizar em que consiste a derrota alemã. Em primeiro lugar, temos que escrever o ponto da situação: a cimeira da UE concluiu ontem de manhã um acordo de sete páginas, sem uma única tabela estatística. Fica a meio caminho entre o acordo transitório e o definitivo. Nem sequer previu o acordo-ponte, isto é, o financiamento até ao acordo definitivo. O Sr. Presidente do Eurogrupo, o inefavelmente inefável Sr. Jeroen Dijsselbloem, ontem reeleito (sem os votos portugueses) devido à sua manifesta incapacidade e aos bons serviços à Alemanha, declarou que serão necessários uns 40 dias para escrever o acordo, isto é: dois meses. O acordo foi possível devido ao uso da tortura do sono à Alemanha: a reunião durou 17 horas. O presidente, o eslavo Tusk prendeu na sala do conselho a germana Merkel até a obrigar a confessar com euros o seu amor aos helenos.

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A Alemanha foi derrotada mas a Srª Merkel (uma ex-propagandista da URSS, lembram-se) prefere ser derrotada e declarar-se vencedora, mesmo quando contra ela se esboça uma campanha espontânea da opinião pública mundial; todos concordam com esta admirável fantasia,colorida pelas manifestações de desagrado gregas: Berlim ganhou. O Economista Português sabe hoje que esse acordo foi fabricado com a manobra francesa e o benfazejo estímulo de Washington (obrigado, Barack!) para levar à certa os carneirinhos do Bundestag, que se preparam para votar a promessa de mais 86 biliões de euros para a Grécia, certos que assim melhor a punirão. É obra. Para conseguir este voto Hollande e Tsipras não cobram a sua vitória. Com papas e bolos se enganam os tolos.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Terça-feira, 14.07.15

Do livro "Um Apartamento em Atenas", de Glenway Wescott

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Glenway Wescott  Um Apartamento em Atenas

 

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   O livro fala da ocupação da Grécia pelas tropas do exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial e acompanha o inferno em que se transformou o quotidiano duma família ateniense obrigada a alojar um oficial nazi que os privou da maior parte da habitação, inclusive da casa de banho que reservou para seu uso exclusivo.

Transformados em autênticos escravos, os Helianos tinham que cuidar do bem estar do capitão nazi que preferia mandá-los entregar os restos das suas refeições ao cão de um amigo a permitir que o casal e os filhos matassem a fome.

Esta foi uma história verídica e, como ela, se imaginam tantas outras.

Como pode a Alemanha ter o desplante de, mais uma vez, humilhar a Grécia como está a fazer agora?

Aqui ficam dois trechos do livro que provam a monstruosidade a que os gregos foram sujeitos. Talvez, ao ler este livro, nos interroguemos como é possivel a um povo que já foi tão vilipendiado aceitar mais esta humilhação. O tempo responderá.

Augusta Clara

 

"A Cruz Vermelha não dispunha de leite ou medicamentos em quan­tidade suficiente para todos; por conseguinte, a política da instituição passava por escolher em cada família pobre a criança mais saudável, aquela que tinha mais probabilidades de sobreviver, e concentrar ne­la os seus esforços. Daí que nas famílias realmente pobres se vissem situações de injustiça e de desigualdade sem precedentes: uma crian­ça afortunada, escolhida, rodeada por irmãos de olhos encovados, es­tômagos inchados e membros cadavéricos, secando e morrendo aos poucos. Não havia nada a fazer. Não se podiam dar ao luxo de des­perdiçar comida com os não-escolhidos. Corria o rumor de que da­vam preferência às raparigas, porque após a guerra um só rapaz po­dia servir várias delas, em termos de repovoamento do país."

(...)

Depois disso a mulher calou-se e concentrou-se nas suas compras, até as terminar. Mas a seguir, recordando, sem dúvida, as palavras amáveis da Sr.a Helianos, viera até junto dela para lhe mostrar os par­cos artigos que conseguira comprar, num dia em que tivera mais sorte do que o habitual.

«Sabe, quando tenho a sorte de arranjar qualquer coisa para comer é uma chatice», dissera ela, «porque tenho de alimentar à parte o da Cruz Vermelha, porque ele está muito mais forte do que o irmão ou a irmã; fica sempre com uma porção maior do que devia.»

 

(in Glenway Wescott, Um Apartamento em Atenas, Relógio D'Água)

 

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por Augusta Clara às 14:00

Terça-feira, 14.07.15

O calvário é um caminho sem fim - Francisco Louçã

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Francisco Louçã  O calvário é um caminho sem fim

 

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   A chantagem de Merkel contra a Grécia é uma página sinistra da história europeia.
Colocar o património do Estado Grego numa empresa privada para garantia de credores é colonialismo puro.
Insisitir nos despedimentos numa sociedade com mais de um terço de desemprego é perseguição por fanatismo ideológico....
Obrigar o governo a reverter em dois dias as suas medidas de apoio social é vingança.
Não sei portanto qual será o resultado da negociação dificilima desta noite. Mas sei que a austeridade não resolve, antes destrói. Sei que a democracia de um país não pode ser rejeitada na Europa. Sei que a Europa que queira destruir um governo por ser de esquerda deixa de ser uma União.
Sei que Merkel é um perigo para a Europa. E para cada um de nós.

 

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por Augusta Clara às 10:00

Terça-feira, 14.07.15

O IV Reich - José Goulão

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José Goulão  O IV Reich

 

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   Todos e qualquer um dos envolvidos na chamada “maratona negocial” de Bruxelas – se é que aquilo teve alguma coisa de negocial – podem reclamar o seu pedacinho de “acordo”, até a paternidade do êxito, como faz o primeiro ministro de Portugal em exercício, mas o mais fácil de tudo é identificar as vítimas: os gregos e, com eles, todos os povos da Europa.

Em bicos de pés, à deriva como sempre, Hollande ufana-se de ter driblado a estratégia alemã de expulsar a Grécia do Euro; Tsipras, que vai ter de explicar a quase dois terços dos gregos que disseram não à troika e à austeridade porque é que eles vão continuar a receber visitas da troika para os esmagar com a austeridade, argumenta que foram derrotados os intentos das forças mais conservadoras da Europa; Tusk, Juncker, Djesselbloem e companhia dirão o que muito bem lhes apetecer por tudo lhes ser permitido.

A senhora Merkel, porém, limita-se a dizer que a Grécia “ainda tem um longo caminho a percorrer” para que o acordo se transforme em nova ajuda envenenada que garantirá mais recessão em cima dos 25% já acumulados – o diagnóstico é feito pelo insuspeito canal Bloomberg.

O senhor Schauble, esse conserva o sábio silêncio dos vencedores. Os mercados respiram aliviados, as bolsas navegam em euforia, os credores afinam as contas à luz das novas operações especulativas que aí vêm. O senhor Schauble pode gozar o triunfo em silêncio, os factos falam por ele, o IV Reich venceu um duro teste e, por isso, sai dele mais reforçado.

A Alemanha pretendia a saída da Grécia da Zona Euro e não o conseguiu? É meia verdade. A saída seria a situação limite no caso de o governo grego manter as exigências que começou por apresentar; Berlim, porém, não desejava a saída pela saída. Esta funcionaria como um castigo exemplar para um caso de persistente rebeldia, mas tornar-se-ia desnecessária se essa atitude se desvanecesse através dos processos de chantagem a que as instituições e dirigentes europeus chamam “negociação”.

Como o governo grego cedeu, e permite até que o processo de privatização do país seja, um quarto de século depois, uma réplica da liquidação da RDA, pode evitar-se a saída do país do Euro e as concomitantes perturbações nos mercados. O exemplo para os eventuais recalcitrantes ficou dado, a par da demonstração de que não há alternativa à austeridade e à liquidação sistemática dos direitos sociais, laborais e humanos. Perfeito.

Reina agora a paz no IV Reich. A experiência de um governo fora do arco da governação, como a que foi tentada na Grécia, está em frangalhos meio ano depois; a troika continua viva e de boa saúde para que os credores recebam tudo a que têm e não têm direito; as dívidas soberanas, impossíveis de pagar, poderão ultrapassar em breve os 200% dos PIB – o que não será difícil com a acelerada degradação destes – pelo que os especuladores exultam. A senhora Merkel necessitou de apenas meia dúzia de horas para reencontrar a moeda de “confiança” que alegou ter perdido antes da reunião fatal para os gregos. E para que o fundo de garantia da “ajuda” à Grécia construído a partir das privatizações do que ainda resta no país não descarrile, por detrás da ideia e da execução estão instituições financeiras alemãs tituladas por gente idónea como o senhor Schauble e o senhor Sigmar Gabriel, o chefe dos sociais- democratas, aliás os inventores da engenhosa estratégia de privatização da RDA.

Alguns ingénuos poderão interrogar-se: mas por onde andam a democracia, a vontade dos povos, no meio disto tudo? A resposta é simples: o IV Reich, como os anteriores, não se orienta pelos ideais democráticos mas sim pelo respeito dos genuínos interesses alemães, na Alemanha e em toda a parte.

Assim nasceram duas guerras mundiais, sem que tenha desaparecido a arrogância germânica, enquanto vai crescendo a sede de vingança. Realidade que se percebe na ânsia não apenas de derrotar os mais fracos, mas também de os humilhar.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Domingo, 12.07.15

«GRÉCIA: MERKEL DERROTADA. PASSOS COELHO ENGANADO PEDIR-LHE-Á INDEMNIZAÇÃO PARA PORTUGAL?» - texto de «O ECONOMISTA PORTUGUÊS»

 

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«GRÉCIA: MERKEL DERROTADA. PASSOS COELHO ENGANADO PEDIR-LHE-Á INDEMNIZAÇÃO PARA PORTUGAL?» - texto de «O ECONOMISTA PORTUGUÊS»

 

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O Economista Português, 10 de Julho de 2015

 

48 horas antes de o Sr. Tsipras escrever o seu plano para Bruxelas, já a imprensa portuguesa sabia que ele continha a derrota moral do ras grego: manchete do Diário de Notícias de anteontem, anunciando que a Grécia «cedeu».  Mas afinal quem cedeu foi a Madrinha, a Srª Merkel. Ou de como somos levados à certa pelos nossos mass media. E o DN nem é dos piores.

 

Quando o Presidente Barack Hussein Obama lembrou à engenheira química Angela Merkelque, no meio da guerra fria com a Rússia, era má ideia entregar a Grécia a Moscovo, o destino da senhora estava resolvido: passava do Departamento do Tesouro para o Pentágono. O Fundo Monetário Internacional (FMI) já começara a tocar-lhe o Kindertoetenlieder, mas ela é dura de ouvido e escapou-lhe a mensagem da música.  Diz-se que o Engº Guterres tinha aprendido a infalível ciência de governo: seguir as sondagens. Sabe-se que a Srª Merkel descobriu um sistema ainda  mais perfeito, simples e barato: para governar o mundo basta-lhe ler todos os dias o canto superior direito da primeira página do Financial Times, que publica o índice da bolsa de valores. Ora a Grécia é uns 2% do PIB europeu e as bolsas apenas piscaram o olho perante as maldades que o Sr. Varoufakis ministrou à nova Cariátide (claro que a Srª Merkel ignora o efeito de uma queda acumulada de 1% num plano de investimento em bolsa e por isso considera 1% uma ninharia). Coitada.  Sic transit gloria mundiO Economista Português pede também ao leitor um pensamento bom em intenção do Sr. Sigmar Gabriel, o socialista alemão que andou a fazer a publicidade da chancelarina e a dizer umas verdades duras aos helenos. 

 

A questão grega resolveu-se, como O Economista Português sempre previu, e perde assim muito do seu interesse pois resume-se agora a saber em que medida seremos prejudicados face aos gregos: medida grande? medida pequena? Mas esta questão interessará a alguém em Portugal? Haverá uma oposição responsável que queira governar e tenha um plano de governo?  Haverá uma opinião pública minimamente informada em matéria económico-financeira?

Com efeito, é certo que a Srª Merkel perdeu e os gregos ganharam. Só os mais bacocos elementos do batalhão de semicomentaristas oficiosos das nossas televisões e jornais se deixam enganar pelos eufemismos com que a propaganda alemã começou ontem a mimosear-nos, para ornamentar a sua derrota: «aliviar» (uma linda metáfora de casa de banho)  a dívida grega  e não reestruturá-la, muito menos perdoá-la. A propaganda dos credores colocou hoje nos jornais uma fuga do pedido grego que exagera a austeridade e, para agradar a Berlim, declara que o perdão da dívida será curto, mas sem o quantificar.  Só segunda feira começaremos a medir a exctensão da derrota alemã.  Falando a sério: ainda ontem, no Palais Bourbon, um chefe da direita francesa pedia a Hollande e a Berlim piedade para Portugal e por extensão para a Espanha e a Irlanda quando perdoassem a Grécia. Deus o ouça.

O Dr. Passos Coelho acreditou e verbalizou que a Alemanha não cederia e por isso enfileira entre os derrotados de hoje. Acreditou com a fé cega que põe nos mitos urbanos. Donde lhe brotava tão comovente fé? Só podia nascer dos lábios flexuosos da chancelarina os quais lhe tinham dado a saber que não cederia aos gregos, que nunca por nunca ser lhes cederia. A Srª Merkel disse em segredo ao Dr. Coelho o que nos disse a todos em público e ele, por beber do fino e o suposto segredo lhe quadrar ao simplismo mental em matéria económico-financeira, acreditou.  Coelho  acreditou acompanhadíssimo:  grandes nomes da estratégia portuguesa, incluindo do PS, outros políticos com nome na praça asseguraram-nos publicamente que ela não cederia, que os gregos perderiam, que a política da troika era o 11º mandamento que Ieová dera a Moisés no deserto para a salvação da classe política portuguesa.Enganaram-se.  Prestaram-se às manobras da nova Cariátide. Fizeram que o nosso país  desempenhsse nesta última farsa da Eurozona o divertido papel do Arlequim da commedia del arte. Nunca repararam que a Srª Merkel é tão fértil em ultimatos como é úbere em recuos perante as putativas consequências desses mesmos Diktate? Nunca viram que ela tem a ameaça fácil e a fuga lépida? Os ludibriados, a começar pelo Sr. Chefe de Governo,  têm um plano B para compensar Portugal pelos prejuízos do logro em que nos fizeram cair, prejuízos resultantes de termos abraçado alianças internacionais nocivas aos nossos interesses de nação devedora? Veremos.

 

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por Augusta Clara às 08:00



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