Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Jardim das Delícias



Segunda-feira, 06.07.15

A Reabilitação da Democracia - José Goulão

mundo_cao1.jpg

 

José Goulão  A Reabilitação da Democracia

 

josé goulão.jpg

 

 

Mundo Cão, 5 de Julho de 2015

 

   Antes que a realidade dos números seja pasto das análises e da torrente de futurologia que aí vem, vamos aos factos que é fundamental reter desta lição que os gregos e o seu governo deram a toda a Europa.

A geração actual dos gregos mostrou ser digna da herança deixada há mais de 75 anos pela resistência aos invasores alemães. O povo grego não disse apenas não à austeridade, disse não à subserviência, aos governos de protectorado estrangeiro e à troika. E fá-lo pela segunda vez em seis meses, para que não restem dúvidas.

O fosso entre o não e o sim, entre a dignidade e a subserviência, é tanto mais admirável quanto é certo ter sido cavado perante uma poderosíssima campanha de intimidação, terror e mentira com que a Grécia foi bombardeada desde que foi anunciado o referendo. Os gregos não se limitaram a ser dignos e a ter vontade própria. Foram lúcidos e, sobretudo, muito corajosos frente a práticas que decorrem de mentalidades terroristas.

Os dirigentes da União Europeia têm-se escudado numa suposta legitimidade democrática argumentando que além de não haver alternativa à austeridade ela é compreendida pelos povos dos Estados membros. O castelo de cartas da propaganda ruiu.

Uma das circunstâncias que provavelmente inquieta neste momento a clique que manobras as instituições europeias é o facto de este referendo não ter volta. Até agora, sempre que uma consulta popular  no espaço europeu tinha um resultado contrário ao pretendido por Bruxelas repetia-se as vezes necessárias até que os números fossem satisfatórios. Foi assim na Holanda, em França, na Irlanda, onde os governos alinharam nessas mascaradas de democracia. Na Grécia não vai ser assim: o povo decidiu, está decidido.

O que os gregos cometeram nesta jornada memorável no espaço europeu foi o acto heróico de reabilitar a democracia como instrumento contra a viciação austeritária. Fica muito bem terem sido os gregos a fazê-lo. Além da simbologia que traduz, é a mensagem de esperança que o povo mais sacrificado pela crueldade dos especuladores financeiros envia a todas as outras vítimas da mesma tragédia.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 08:00


4 comentários

De João Carlos Reis a 06.07.2015 às 10:47

Dixit...

De J.S.M.suave e nas tintas a 06.07.2015 às 11:40

Concordo plenamente consigo desde que este acto de coragem, como lhe chama, seja consequente, isto é, desde que os gregos estejam dispostos a assumir as consequências da sua decisão - o que parece não ser o caso, uma vez que pretendem continuar a beneficiar dos empréstimos dos outros membros da união ( cujos regimes também são democráticos ). Se saírem voluntariamente da união são corajosos e dignos, se não saírem são uns trapaceiros!

De Augusta Clara a 06.07.2015 às 15:44

As consequências da decisão dos gregos são continuarem a lutar pela defesa da sua soberania como país. É possível haver ainda quem não se tenha dado conta de que a União Europeia já não existe como tal? Quem manda é a Alemanha que sempre teve, e continua a ter, intensões expansionistas e se acha com direito de interferir na política interna dos países que aderiram à UE.
Quanto as questões financeiras, para desfazer tanta confusão, aconselho-o a ouvir as explicações de dois jovens economistas conhecedores e competentes chamados Mariana Mortágua e Ricardo Paes Mamede.

De J.S.M.suave e nas tintas a 07.07.2015 às 02:41

Economistas, há para todos os gostos. É óbvio, pelo meu comentário, que eu não concordo com economistas afectos ao Bloco. A economia, sendo uma ciência social, serve todas as ideologias.

Comentar post




Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes


Links

Artes, Letras e Ciências

Culinária

Editoras

Filmes

Jornais e Revistas

Política e Sociedade

Revistas e suplementos literários e científicos