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Jardim das Delícias



Sexta-feira, 28.03.14

A tua mão - Adão Cruz

 

Adão Cruz  A tua mão

 

(Adão Cruz) 

 

 

 

Como simples aves damos as asas a caminho do sol para

 fugir às lágrimas que a terra espreme

 A luz incendeia a vontade de fugir mas a mão serena abre

 o coração à esperança onde a angústia cresce por entre

 músicas perdidas e restos de flores

 Eu continuo o caminho dos lábios que deixaram de suspirar

 e dos olhos que pararam de girar confundidos entre

 lágrimas e risos

 Eu sigo o longo caminho das sombras onde as plantas não

 falam nem as fontes nem os pássaros

 Mas a mão apertada mesmo que incrédula murmura

 baixinho que os prados se estendem a nossos pés

 As brandas ondas do mar deslizam suavemente sobre a

 areia cobrindo de espuma o teu corpo sonâmbulo que à noite

 desperta por entre o labirinto dos meus sonhos

 E pelos claustros do vento impaciente os cabelos de fogo

 vencem a idade em que o coração treme sem casa para

morar

(in Adão Cruz, VAI O RIO NO ESTUÁRIO. Poemas de braços abertos, ediçõesengenho)

 

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por Augusta Clara às 19:00




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