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Jardim das Delícias



Terça-feira, 24.02.15

A União Europeia, a Grécia e o que adiante se verá - Carlos Esperança

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Carlos Esperança  União Europeia, a Grécia e o que adiante se verá

 

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   Enquanto a Europa se debate em contradições internas, entre uma Europa cada vez mais alemã e a Alemanha progressivamente euro-evasiva, a fome, vinda através do Magreb, afoga-se no Mediterrâneo ou, se sobrevive, entra por Lampedusa, Chipre ou pelas ilhas gregas onde se perde o rasto de origem dos esfomeados.

A UE lambe feridas na Ucrânia, onde o entusiasmo mal pensado mantém um conflito de interesses entre os EUA e a Europa, com uma guerra no horizonte. Gorbatchov avisou a Europa das injustiças contra a Rússia, com a obsessão da Nato a querer cercá-la. Dentro de fronteiras, as mesquitas e madraças são uma ameaça constante à paz e à liberdade.

É neste caldo de cultura, onde se joga a paz e a democracia, que a luta ideológica toma o lugar do pragmatismo no diferendo interno que opõe a Grécia aos credores que desejam vacinar os povos contra a esperança, perante um Golias que deseja salvar da fome o seu povo enquanto os governos de Portugal e Espanha têm sido a escória dos falcões.

A luta do Governo grego é uma gesta heroica de quem não renuncia à luta, sabendo que a vitória é difícil e mitigada. Tem contra ele a rede de interesses partidários e a sede de vingança dos que, fazendo chantagem sobre os eleitores gregos, se viram vencido nas urnas. A vitória da coragem, inteligência e patriotismo esbarra no medo do contágio do eleitorado dos países que se renderam e deixaram humilhar.

A Europa devia ser uma federação de países e não um mosaico de interesses nacionais, uma união civilizacional e não a arena onde se digladiam interesses nacionalistas a que nem o internacionalismo capitalista – o único que subsiste –, parece conseguir opor-se.

Penso que a Grécia merece a solidariedade de todos e uma contenção na luta ideológica dos que, de um lado e doutro, pretendem tirar dividendos do sacrifício de um povo e dos patriotas que têm nas mãos a responsabilidade de o defender. Paradoxalmente, Merkel e Hollande deram-se conta do perigo europeu de humilharem a Grécia enquanto Rajoy e Maria Luís foram os rostos da desonra e da degradação política.

A vingança dos fracos é a catarse da impotência e da vergonha quando o futuro é cada vez mais imprevisível e o presente já não é o que julgávamos.

 

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por Augusta Clara às 08:00


1 comentário

De Beatriz Santos a 25.02.2015 às 13:58

...e logo temos de pertencer a um dos dois países da desonra. De há uns anos a esta parte que me envergonha ser representada por gente que não me representa, não representa o país e a quem até o livre arbítrio do pensamento individual falha. Que raio de geração eu ajudei a vingar e que frutos podres deu uma revolução tão bonita e cheia de ideais!

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