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Jardim das Delícias



Quinta-feira, 14.06.18

Ao fim da tarde - Adão Cruz

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Adão Cruz  Ao fim da tarde

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(Adão Cruz)

 

Ainda é dia ao fim da tarde
ainda há uma réstia de sol no horizonte.
Entre o fim do dia e a morte
ainda há uma ponte onde mora o frio
e onde o coração bate
ao som das luminosas águas de um rio.

Não te posso responder a quente senão choro…
o que há muito não acontece.
À margem da realidade
na magia de um sonho impossível que esmorece
nada mais consigo do que estender meu braço
e tocar os dedos da tua mão firme.
Mas tudo muda e resplandece
e se acende dentro de mim
no frágil redemoinho das palavras que disseste
e só a alma entende.
A música sorridente do teu rosto
canta bem fundo na alma nua da utopia
que ilumina a ponte da tristeza e da agonia.
Não saias dos meus olhos
e deixa-te estar um pouco mais
sobre esta ponte do fim da tarde em que ainda é dia
e há uma réstia de sol no horizonte
deliciosa mentira de uma primavera tardia
no castelo sideral da fantasia
onde hoje habito entre os teus olhos e o infinito.

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por Augusta Clara às 14:00




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