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Jardim das Delícias



Sexta-feira, 11.04.14

Assunção Esteves, a AR e os capitães de Abril - Carlos Esperança

 

Carlos Esperança  Assunção Esteves, a AR e os capitães de Abril

 

 

 

(os logótipos do 25 de Abril são da autoria de Adão Cruz)

   Os capitães de Abril foram convidados, como sempre, para estarem presentes na AR, na cerimónia oficial do 25 de Abril, mas perante a liquidação sistemática das conquistas de Abril, fizeram depender a presença do uso da palavra.

Depois de ter prometido telefonar ao presidente da Associação 25 de Abril, a informá-lo sobre a decisão, a presidente respondeu, através da comunicação social:  "O problema é deles", disse sobre a eventual ausência dos "capitães de Abril" na sessão solene no parlamento.

Salgueiro Maia não precisou de um regimento para obrigar Marcelo Caetano à rendição e tomar o Quartel do Carmo. Bastaram-lhe alguns pelotões, a coragem, a determinação e a honra, para fazer germinar aí a liberdade de um povo e cumprir a missão de que Vasco Lourenço, Vítor Alves e Otelo eram os guardiões, designados pelos seus pares.

Hoje é o regimento da AR que serve de pretexto ao silêncio imposto a quem lhe deu voz e legitimidade democrática.

Somos um país estranho, onde a liberdade viajou de Chaimite, os cravos floriram nos canos das espingardas. E as únicas balas da Revolução saíram das janelas da Pide para assassinar as suas últimas vítimas.

Há quarenta anos viviam-se os últimos dias do medo impostos pelo partido único. Hoje, ofendidos e revoltados, vivemos entre os que sonham verdades únicas, os que querem o passado e os que sonham improváveis utopias .

Refocilam na gamela do orçamento os filhos daqueles que nos reprimiam, denunciavam e prendiam, dos que iam em bandos agradecer a Salazar a defesa das colónias e a morte dos jovens, dos que conviviam com a ditadura e ovacionavam os seus próceres.

Das prisões, da tortura, da guerra e das perseguições ficaram em silêncio os cúmplices do fascismo, a remoer o ódio, e hoje, com o poder tomado pelo voto, aí estão os filhos a reescrever a História e a ofender e silenciar quem ousou transformar Portugal numa democracia e os portugueses em cidadãos.

Há cogumelos que brotam da lixeira, veneno que sobrou da ditadura, imundície de um declínio cívico e ético de quem desconhece o valor da liberdade e a honra de um país. De quem morde a mão que os alimentou.

 

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por Augusta Clara às 08:00


1 comentário

De armando rodrigues a 12.04.2014 às 08:38

Ela vem da terra dos trauliteiros a bradar o inconseguimento ao nível frustracional numa europa inconseguida pelo falta do seu soft-power sagrado.
Meu Deus, tanto inconseguimento frustracional! Ora esta, a língua portuguesa anda muito frustracional!

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