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Delícias são tudo o que nos faz felizes: um livro, a magia dum poema ou duma música, as cores duma paleta ... No jardim o sol não raia sempre mas pulsa a vida, premente.
Rogério Edgardo Xavier Baselitz, o tosco?
(Georg Baselitz)
Era tosco. A mãe teve-o num lugar inóspito em precariedade total. Por falta de água limpou-o como pode e vestiu-o de ternura. Quando se achou só para tomar a sua parte do mundo não sabia os códigos de boa conduta social e tudo lhe pareceu com racionalidade discutível. O desacerto fez com que a comunicação do seu pendor artístico se traduzisse com uma terna raiva, à revelia do que a maioria pensava, sabia, acreditava ou fazia. Só pelo coração se lia a sua obra arrancada da matéria com desacerto desesperado. Dizia tudo ao contrário e o amor crescia por dentro das atitudes, avesso do que parecia, tão grande, tão terno, tão puro que até mesmo a porção pobre do que lhe coube se tornou ouro. A obra que sangrava contra a suavidade falsa era, afinal, limpa, doce, terna. Sem verdade factual eu gostaria de, assim, explicar Georg Baselitz, Pintor e Escultor alemão, nascido em 1938. Isto porque ninguém costuma aceitar resultados sem conhecer os dados da fonte, sem conferir as parcelas, sem pedir a confirmação a peritos dos EUA onde ele é conhecido como neorrealista. Por cá dizem que é pós-moderno. Eu prefiro dizer que, à margem das etiquetas, ele tem uma genuína forma de amar.
Edgardo Xavier
Publicado RDL, 2015.
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