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Jardim das Delícias



Quarta-feira, 26.02.14

Como em Agosto, na Ria, ... - Manuel Alegre

 

Manuel Alegre

 

(Adão Cruz)

 

 

   Como em Agosto, na Ria, quando chegas da Barra e te lanças à água, finges de afogada, eu corro a sal­var-te, trago-te ao colo e nado sem esforço, tu não pesas, somos os dois um só, uma só forma. Alquimia, conjunção astral, o que quiserem.

Sempre que vou à Barra vejo ainda a tua casa ape­sar de demolida, procuro-te nas águas, agora negras, no cheiro às ervas das areias, na maresia e na salsugem, procuro-te na luz, a luz branca das salinas, estás ainda na ponte de madeira que já não há, passa um barco da Capitania, quem sabe se não te leva para a Torreira ou S. Jacinto, procuro-te na maré cheia e na maré baixa, nas gaivinas, nos patos reais, nos maçari­cos, nas rolas que passam no fim de Agosto. Há uma gaivota que voa em direcção ao sol.

— Aquela gaivota enlouqueceu, diz Afonso Fur­tado, meu pai, que é tu cá tu lá com as aves da Ria.

 

(in A Terceira Rosa, Dom Quixote) 

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por Augusta Clara às 15:00


1 comentário

De Beatriz Santos a 26.02.2014 às 16:09

Gosto muito de Manuel Alegre. Mas de nenhum livro tanto como "A Terceira Rosa".

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