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Jardim das Delícias



Sábado, 31.05.14

Cuidado! O Grupo de Bilderberg está reunido - Lourdes Hubermann, Norman Wycomb, Edward Barnes

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Lourdes Hubermann, Norman Wycomb, Edward Barnes, Copenhaga  Cuidado! O Grupo de Bilderberg está reunido

 

 

   29 de Maio de 2014

   Chegou a hora do grande conclave anual, desta feita no Marriott de Copenhaga, sob os efeitos da dissonância de Putin, dos resultados das eleições europeias e outras conjunturas mais ou menos actuais, para prosseguir a obra de construir o governo mundial, a empresa mundial única, continuar o caminho para a política universal única. A ordem do dia será a estratégia para consumar o tratado de comércio livre entre a União Europeia e os Estados Unidos, como há 20 anos foi a de programar o nascimento do euro. O Grupo de Bilderberg está reunido.
A fina flor dos banqueiros, dos magnatas, de monarquias decadentes, dos agentes de espionagem, dos proprietários de casinos financeiros, dos pensadores neoliberais e pós-neoliberais, das gentes que inventaram e fizeram medrar troikas, agita Copenhaga nestes dias, uma Copenhaga que já encaixou sem grandes alarmes os 27 por cento que os neofascistas receberam nas eleições europeias, legitimando afinal na Dinamarca uma ascensão que na Ucrânia foi alcançada a golpe de Estado.
Não faltam Joszef Ackermann, o todo-poderoso do Deutsche Bank, ainda que já não formalmente, acompanhado por um executivo em exercício, a senhora Lagarde do FMI, o sr. Zoellick que já foi do Banco Mundial e agora está na Goldman Sachs, o general Petraeus, ainda a limpar as nódoas de sangue trazidas do Iraque e do Afeganistão, o inconfundível e omnipresente Kissinger, a princesa Beatriz da Holanda e a rainha de Espanha – esta para desanuviar dos escândalos familiares com os dinheiros do povo – acompanhada pelo seu ministro dos Negócios Estrangeiros. Estão igualmente Mario Monti, Carlo Bildt, chefe da diplomacia sueca, o imprescindível secretário geral da NATO, os representantes da Microsoft, da Caixa Bank, da LinkedIn, da Saint Gobin, da Nokia, da Airbus – enfim, a lista é longa mas vale a pena conhecê-la na íntegra para que todos saibamos quem nos governa, imune a quaisquer resultados eleitorais.
O que não é verdade absoluta. Também há eleitos de múltiplos centrões governantes, pós e pré-governantes, conservadores e sociais democratas, sociais democratas e conservadores, a ordem é arbitrária. Veja-se o caso de Portugal, representado pelo ministro vedeta Paulo de Macedo, quem sabe se em tirocínio para primeiro ministro de um governo para chegar, e pela deputada socialista Inês de Medeiros, quem sabe na corrida para lugar de ministra ou secretária de Estado desse ou outro vindouro governo.
Aqui estão também em Copenhaga alguns dos mais dotados operacionais da propaganda mundial, presentes bem no centro das decisões mundiais para que desempenhem cada vez melhor o seu papel de megafones da ordem universal: o sr. Balsemão da Impresa – aliás uma figura executiva do Grupo de Bilderberg - o sr. Cebrian do El País/Prisa, o Le Monde, o Svenska Dagbladet, The Economist, o  Financial Times – em suma, pessoas e instituições que são “bíblias”, “de referência” e “fazem opinião” para que a opinião sempre seja coincidente com a verdade, e a verdade quem a define é o Grupo de Bilderberg.
“De Le Monde vem a directora executiva, a srª Natalie Nougayrède, cujos métodos e linha editorial ainda recentemente provocaram a demissão de conceituados jornalistas da casa”, recorda Thomas Feldmann, um jornalista alemão que há muito acompanha os trabalhos do Grupo de Bilderberg.
“A presença deste núcleo de patrões e executivos da comunicação mundial é uma afronta aos jornalistas e pessoas da comunicação que prezam o seu trabalho, defendem a sua independência e, sobretudo, deveria fazer reflectir todos os cidadãos do mundo sobre a informação que consomem”, alerta Friedrich Agnarsson, jornalista dinamarquês. “Como podemos acreditar na independência destes proprietários e directores que são presenças permanentes, ou quase, num grupo onde se trata de negócios, lucros, poder, comando, guerra e governação do mundo? – pergunta Agnarsson.
Lydia Stromberg, analista política que tem realizado investigações sobre o funcionamento e as actividades “entre reuniões” do Grupo de Bilderberg, chamou entretanto a atenção para o significado de algumas presenças no conclave deste ano – presenças frequentes ou não.
“Estão aqui fortemente representadas a Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA), a CIA, os serviços secretos britânicos e pessoas que, mesmo sendo identificadas noutras qualidades, também estão intimamente relacionadas com a espionagem”, afirma Lydia Stromberg.
“Tal participação, embora normal em reuniões deste tipo, traz este ano dossiers sobre ‘os efeitos Snowden’ e também a situação na Rússia e na Ucrânia – razão pela qual estão o secretário geral da NATO, altos representantes do Comando Supremo Aliado na Europa, generais e estrategos do expansionismo imperial como suporte do governo mundial único”, acrescentou.
FMI, Banco Central Europeu, Comissão Europeia, eurodeputados constituem uma nutrida delegação representativa das troikas como instrumentos da ordem financeira e das transformações – melhor dizendo regressões – em curso no mundo do trabalho.
“A Goldman Sachs, o Deutsche Bank, a grande banca europeia e norte-americana têm um papel determinante nestas reuniões. Este ano trazem como dossier fundamental o tratado de comércio livre entre a União Europeia e os Estados Unidos (TTIP), um passo que consideram tão fundamental para a governação económica mundial como a criação do euro, que também foi desenhada neste grupo há 20 anos”, afirma Thomas Feldmann.
“Não é por acaso que o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, esteve na reunião de Bilderberg o ano passado e pouco depois apresentou em Bruxelas a elaboração desse tratado como a grande coroa de glória da ponta final do seu mandato”, atalhou Lydia Stromberg.
“Este ano vem a comissária europeia Vivianne Reding, titular da Justiça e Direitos Fundamentais – imagine-se o que isto significa para os mentores de Bulderberg”, prosseguiu a analista política. “Daqui poderemos provavelmente concluir que Redding vai continuar, quem sabe se será promovida, nas altas posições europeias, e que as questões de cidadania e da imigração também estão no centro dos debates deste ano”.
“Chamo a atenção para a presença do Irlandês Peter Sutherland, que está ao mesmo tempo envolvido nas questões da imigração e no ramo internacional da Goldman Sachs – cada um extraia daqui as conclusões que quiser”, notou Friedrich Agnarsson.
Diz um cartaz de manifestantes dinamarqueses, perigosos para a segurança mundial porque a polícia os mantém bem longe do Marriott: “Cuidado, eles estão a tramar-nos!”. Alguns metros mais longe ainda, numa tarja mostrada por duas mulheres muito jovens, lê-se: “Eles governam... Quem os elegeu?”

 

Anexo da edição: lista dos participantes na reunião do Grupo Billderberg

http://paradigmatrix.net/?p=11887 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 18:55


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