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Martha Ladesic, Nova York Estado Islâmico e Ucrânia lançam euforia na indústria de guerra americana
Tomahawk prontos a usar a 1,1 milhões cada
29 de Outubro de 2014
O início dos bombardeamentos norte-americanos contra territórios do Iraque e da Síria sob o falso pretexto do combate ao Estado Islâmico e o reforço armamentista nas fronteiras com a Rússia, sob pretexto de defender a Ucrânia, devolveram a euforia financeira à indústria de guerra dos Estados Unidos, que ficara inquieta com a diminuição do peso das ocupações do Iraque e do Afeganistão.
As preocupações dos gigantes militares dos Estados Unidos com as promessas de Obama sobre a redução do orçamento militar duraram pouco: nos últimos meses, as acções dessas expoentes da indústria da morte cresceram entre 5 e 10% apesar de a média de Wall Street ser de uma queda de 2%.
Os principais incentivos aos êxitos financeiros da indústria de guerra foram os ataques ditos contra o Estado Islâmico, um aliado dos Estados Unidos na guerra contra o governo da Síria, a militarização da Europa de Leste com as mais modernas gerações de armas e a multiplicação do recurso aos drones um pouco por todo o lado, “contra o terrorismo”, uma opção militar que “ficará como uma chancela das administrações Obama”, segundo uma fonte do Pentágono.
A guerra supostamente contra o Estado Islâmico, grupo terrorista que, apesar disso, continua a manter-se em alta, tanto na Síria como no Curdistão Iraquiano, iniciou-se a 23 de Setembro com o lançamento de 47 mísseis de cruzeiro Tomahawk, que em vez de atingirem contingentes terroristas destruíram casernas que eles já haviam desocupado e instalações petrolíferas pertencentes ao Estado sírio. Uma tal barragem de fogo custou quase 52 milhões de euros sem que fosse atingido um único dos objectivos proclamados para essa guerra.
Cada míssil Tomahawk custa 1,1 milhões de euros. Depois dos primeiros ataques, e por necessidades de reposição de stocks, o Pentágono encomendou mais armas desse tipo ao respectivo fabricante, a Raytheon, um contrato que atingiu cerca de 200 milhões de euros.
As acções da Raytheon subiram 4% na Bolsa de Nova York, que registava então uma queda média de 2%.
Os tempos de vacas gordas não são exclusivos da Raytheon, segundo elementos estatísticos oficiais que é possível inventariar de várias fontes. A Lockeed Martin conseguiu ir muito mais longe, até subidas de 9,5% no valor das suas acções, graças ao uso cada vez mais intensivo de mísseis Hellfire que são lançados pelos drones Reaper. A Lockheed tira igualmente proveito da maior procura pelo Pentágono de navios capazes de navegar em águas costeiras e pouco profundas, considerados fulcrais nas patrulhas efectuadas pela NATO no Mar Negro para manter a ameaça sobre a Rússia a pretexto da situação na Ucrânia.
O início da instalação dos chamados “escudos defensivos” na Roménia e na Polónia, dotados com meios de espionagem e mísseis Sm-3, também eles ditos “defensivos”, são como bênçãos financeiras para gigantes da morte como a General Dynamics e novamente a Lockheed. Enquanto isso, a Boeing pode já fazer avultadas contas de multiplicar graças ao desenvolvimento do avião espacial robot X-37B, que foi testado durante quase dois anos em órbita e cuja missão é “secreta”.
No entanto, quando responsáveis do Pentágonos são colocados perante a possibilidade de se tratar de um engenho capaz de transportar armas nucleares em órbita ou de liquidar “satélites inimigos” previamente a um ataque nuclear, o silêncio como resposta já quer dizer muita coisa.
Martha Ladesic, Nova York
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