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Christopher Wadi, Cairo Gaza em asfixia total
2 de Novembro de 2014
Israel anunciou o encerramento dos postos fronteiriços de Kerem Shalon e Erez, os únicos acessos ainda possíveis à Faixa de Gaza. A partir de agora, o território palestiniano está completamente “fechado ao mundo”, como diz um habitante contactado telefonicamente.
As autoridades israelitas anunciaram a medida poucas horas depois de terem reaberto o acesso à mesquita de Al Aqsa, em Jerusalém, depois de o encerramento ter provocado uma onda mundial de protestos.
O motivo invocado oficialmente pela administração de Telavive para fechar as entradas é o de que da Faixa de Gaza foi disparado um engenho para território israelita. Israel reconhece que o disparo não provocou prejuízos e que a sua autoria não foi reivindicada.
“É a medida punitiva mais grave tomada por Israel até hoje”, diz um professor do território contactado telefonicamente. “Receamos que esteja para acontecer uma nova escalada de violência israelita e agora a nossa asfixia é total, porque nada podemos esperar também do Egipto”.
No Cairo tem subido continuamente de tom a propaganda contra os túneis que ligam o Egipto à Faixa de Gaza, que eram as mais importantes vias de abastecimento de víveres e apoio sanitário ao território onde vivem mais de milhão e meio de pessoas em apenas 320 quilómetros quadrados.
“Os Estados Unidos e Israel não deixam respirar o governo militar de Al Sissi para que este isole ainda mais os palestinianos de Gaza”, diz um activista de um grupo de resistência contra o sistema ditatorial. “O regime de Al Sissi mandou construir uma ‘zona tampão’ entre o território do nosso país e a zona de Rafah, onde o único local de acesso a Gaza a partir do Egipto também está fechado. A partir de agora, Gaza está também bloqueada pelo Egipto e temos conhecimento de que muitas pessoas estão a abandonar Rafah temendo o pior”, informou a mesma fonte.
“Aqui em Gaza não temos dúvida de que o míssil de que Israel fala é um caso mal explicado e não passa de um pretexto para nos bloquear totalmente”, denuncia o professor contactado no território. “Se ninguém reivindicou o seu lançamento qualquer coisa soa a falso, porque os grupos da resistência em Gaza assumem sempre as suas acções. Estamos perante uma vingança sobre as populações palestinianas ainda resultante do golpe sofrido por Israel pelo facto de a Suécia ter reconhecido o Estado da Palestina”, acrescenta a fonte.
Segundo o habitante de Gaza contactado, a “mensagem de Israel ao mundo é simples: se outros países seguirem o exemplo da Suécia serão os palestinianos a sofrer tanto através da colonização, como dos bloqueios, como da guerra”.
“Nós também temos a nossa mensagem”, disse o professor. “Precisamos de mais e mais reconhecimentos de muitos países de todos os continentes; estamos dispostos a resistir para conseguir a nossa libertação. Além disso, estamos conscientes de que os países do mundo têm cada vez mais a noção de que aquilo a que Israel chama ”negociações” ou “processo de paz” não existe, é apenas uma armadilha para fazer passar o tempo até que a criação do nosso Estado seja impossível na prática”.
Segundo os responsáveis israelitas, apenas o que qualificam como “auxílio humanitário crítico” poderá entrar em Gaza. Durante a recente operação de agressão ao território, o exército israelita provocou mais de 2150 mortos, 11 mil feridos e a destruição de 15670 casas.
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