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Jardim das Delícias



Quinta-feira, 14.12.17

Lágrima de sol - Adão Cruz

ao cair da tarde 5b.jpg

 

Adão Cruz  Lágrima de sol

os vampiros1.jpg

 

(Adão Cruz, 2017)

 

 

O sol vem sempre, vermelho e quente.

O sol não mente, queimando a sede e roendo a fome de tanta gente inocente e sem nome.

Também o sol vem sempre, pálido e frio.

O sol não mente, congelando a sede e empedrando a fome, ainda que a gente o não veja e pareça ausente.

E também o deserto, o deserto não mente, o deserto sempre aberto na alma desta gente, ainda que pareça certo o caminho em frente.

Vem sempre a dor na secura das carnes, a dor não mente, ainda que ao mundo pouco importe a dor que dói a tanta gente.

E também a dor da alma não mente o sofrimento no esbugalhar dos olhos, ainda que a mente enlouqueça e até se esqueça de que é alma de gente.

E morre a paz, a paz podre não mente, ainda que na vaga esperança da sorte não seja mais do que a paz da morte.

 

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por Augusta Clara às 15:44




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Comentários recentes

  • Bea

    Interessante, este tipo de pintura.

  • Anónimo

    Obrigada:). Enfim li a triste notícia.

  • Anónimo

    i love poema

  • Augusta Clara

    Quem morreu foi Marielle Franco.

  • Anónimo

    Um grande poeta não morre senão de corpo.


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