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Jardim das Delícias



Domingo, 01.08.21

Mas - Carlos Matos Gomes

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Carlos Matos Gomes  MAS

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Dos que atiram a pedra e escondem a mão
 
   Além dos putativos herdeiros dos movimentos mais violentos e totalitários da história moderna e contemporânea de Portugal, desde a Vilafrancada miguelista de 1823, até aos bombistas e saqueadores reunidos na sé de Braga e nas escritórios do franquismo em Madrid, do cónego Melo ao comandante Alpoim Calvão que colocaram “Portugal a arder” com o ELP e o movimento Maria da Fonte, dos que ainda choram o fim da ditadura e da guerra colonial, a morte de Otelo Saraiva de Carvalho proporcionou o ressurgimento de um outro grupo, o do “mas”. O grupo dos falsos “cândidos”, dos que argumentam candidamente que a operação militar foi boa, “mas” a revolução não foi democrática e o seu desenrolar até foi atribulado.
Os do “mas” não perdoam a Otelo a responsabilidade de ter transformado um putsh militar numa revolução, incentivado os portugueses a agir e a organizar-se espontaneamente para decidir o que fazer após o derrube da ditadura, o fim da polícia política, dos tribunais plenários, da censura, do poder patronal absoluto! Ora, esta liberdade tomada por necessidade e impulsionada por Otelo, constituiu e constitui uma ofensa imperdoável aos “mas” sobre o que “devia ser uma democracia”, trazida já talhada, pronta-a-vestir do Posto de Comando da Pontinha, ou, ainda melhor, de casa do general Spínola.
O grupo do “mas” acusa Otelo de ter aberto as portas a uma democracia para a qual não se tinham preparado, que não lhe reservara lugares, que não respeitava os seus chefes de clãs, que não resultava de confrarias e ordens com santos hierarquizados, doutrinas e credos estabelecidos, com programa, estatutos, cartões, controleiros e chefes de secção! Otelo abriu as portas a uma democracia sem ungidos, sem secretários-gerais e adjuntos, herética aos olhos dos defensores do condicionamento político da sociedade, para quem a democracia é um exclusivo dos partidos e, destes, apenas os das famílias com denominação de origem controlada — DOC — pela elite europeia e americana.
Otelo não foi nem quis ser o fila guia, o turibulário, o incensador de um golpe que se limitaria a legalizar o Partido Comunista e a distribuir os lugares e prebendas no aparelho do Estado até aí exclusivas da União Nacional/ANP por pessoal de confiança das famílias políticas europeias do pós II Guerra. Uma nova elite que, quanto ao problema colonial, se libertasse da guerra na Guiné, dividisse Moçambique e se concentrasse em preservar o domínio de Angola pelos grandes grupos europeus e americanos e que, quanto a Portugal, abrisse o mercado e não assustasse os falangistas espanhóis. Este era o papel reservado a Spínola e aos partidos que iriam ser fundados, ou desenvolvidos a partir de embriões de recente fecundação.
O reconhecimento imediato da independência da Guiné declarada pelo PAIGC por parte dos militares do Movimento dos Capitães local e das negociações desde logo iniciadas com a FRELIMO, em Moçambique, pelos oficiais do Movimento daquela colónia não permitiu a Spínola desempenhar o papel de “descolonizador conveniente”; e o aparecimento do COPCON, comandado por Otelo, como um contrapoder e não como um aparelho repressivo, impediu a rápida partidarização do novo regime, a sua “normalização, ou domesticação. É esta conjugação de fatores que os adeptos do “mas”, os falsos cândidos, apelidaram de PREC, que levou Spínola à demissão em Setembro de 1974, ao 11 de Março de 1975 e ao “Verão Quente”.
A descolonização imposta pela recusa das tropas de continuarem a combater em África e o subdesenvolvimento de Portugal não permitiram a “transição pacífica” do regime, a maquilhagem do Estado Novo colonial numa “democracia” sem alterar as relações de poder das castas superiores e mantendo os cidadãos à distância, como viria a acontecer em Espanha.
Na morte de Otelo, os “ressabiados”, herdeiros do absolutismo, do Portugal grotesco e caceteiro, arrogante e pesporrente, saíram à luz do dia a verter lágrimas de crocodilo pelas vítimas da violência, sendo que esta sempre constituiu a sua principal ferramenta de domínio, os “ mas” vieram apoucar o papel de Otelo, reduzi-lo a um major de artilharia que rabiscou um plano de operações numa folha de A4 e num mapa do Automóvel Clube, que não sabia o que era “uma democracia como devia ser”. Classificam-no como uma personalidade controversa e contraditória, sem perceberem que o estão a distinguir e a elevar entre os comuns. Os primeiros, os ressabiados, são os “tios” e “tias” que continuam a lamentar o fim das criadas de servir, os agrários que se queixam do fim dos trabalhadores pagos à jorna e dos ranchos de “ratinhos” idos das Beiras para o Alentejo, os patrões que viviam à custa de operários sem direito a sindicato ou a até a horário. Os segundos, os “mas”, são os que temeram e temem uma democracia da qual não fossem e não sejam os mestres!
Otelo não levantou nem guarneceu as barreiras de proteção que, segundo os ressabiados e os “mas”, deviam separar o povo instalado na geral do teatro do poder do dos senhores doutores acomodados nos camarotes! A sua morte trouxe para os jornais e televisões os herdeiros dos integralistas e relembrou a persistência de um Portugal de seres mesquinhos, interesseiros, de um lupmen de bem-apessoados e bem instalados que, para defender os seus interesses, não hesitará em colocar um “mas” na fórmula atual de democracia e de Estado de Direito, de se unir aos ressabiados, não certamente para melhorar a vida dos portugueses, nem lhes acrescentar liberdade, mas para impor um regime que lhes seja mais rentável, porque sempre viveram de rendas e de ausência de princípios."

 

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por Augusta Clara às 23:53


1 comentário

De frar a 12.08.2021 às 12:59

NÃO FALES EM EUROPA FALA EM LIBERDADE!
---> a liberdade de ter o SEU espaço e prosperar ao seu ritmo.
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Milénios de História não enganam:
- muitos, muitos europeus aspiram à cidadania de Roma (isto é: aspiram à existência de outros como fornecedores de abundância de mão-de-obra servil).
.
Pois é:
-> o 'problema' do europeu-do-sistema XX-XXI não é Identidade, mas sim, 'tiques-dos-impérios' (/cidadanismo de Roma)!
Ora, de facto, este europeu (para além de projetar uma economia de índole esclavagista) não gosta de trabalhar para a sustentabilidade; pois, em vez de trabalhar para a sustentabilidade, este europeu quer é estar na gestão:
- quer é estar na gestão da atribuição da nacionalidade;
- quer é estar na gestão da atribuição de vistos de trabalho.
-etc.
.
O europeu-do-sistema XX-XXI é da mesma laia dos nacionalistas-esclavagistas!
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Os nacionalistas- esclavagistas foram '''pioneiros''':
1- renegaram o Ideal Identitário que esteve na origem da nacionalidade (''ter o seu espaço, prosperar ao seu ritmo'');
2- projectaram uma economia de índole esclavagista (partiram  do pressuposto da existência de outros como  fornecedores  de abundância  de mão-de-obra servil; nota: era preciso rentabilizar o investimento na construção  de caravelas);
3- executaram as mais variadas sabotagens sociológicas anti-intenções Identititárias... pois, pois, intenções Identitárias prejudicavam interesses económico-financeiros.
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O europeu neo-esclavagista (o europeu-do-sistema XX-XXI) é mais do mesmo:
1- renega o Ideal Identitário que esteve na origem da nacionalidade;
2- projecta uma economia de índole esclavagista;
3- executa as mais variadas sabotagens sociológicas anti-intenções identitárias...
.
.
[na impossibilidade da existência de outros... o europeu 'tiques-dos-impérios' (/cidadanismo de Roma) XX-XXI está focado nos europeus cujas intenções Identitárias prejudicam interesses económico-financeiros]
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[os supremacistas demográficos (africanos e outros...) que se entendam com o europeu 'tiques-dos-impérios' XX-XXI: estes europeus são neo-esclavagistas!
-> Os Identitários, esses, estão interessados é em LIBERDADE: a liberdade de ter o SEU espaço e prosperar ao seu ritmo]
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SEPARATISMO IDENTITÁRIO
----> é natural o separatismo Identitário por motivos óbvios:
- na origem da nacionalidade não esteve cidadanismo de Roma, mas sim, o Ideal Identitário: ''ter o SEU espaço, prosperar ao seu ritmo''.
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Não sejas um cobarde/traidor daqueles que no passado lutaram pela LIBERDADE!
-> Urge: LIBERDADE/DISTÂNCIA/SEPARATISMO... em relação aos... cidadãos de Roma que não gostam de trabalhar para a sustentabilidade.
Leia-se:
-> Urge um movimento pan-europeu de liberdade/distância/separatismo em relação ao europeu neo-esclavagista (os europeus do sistema XX-XXI).
.
.
SEPARATISMO-50-50
Todos Diferentes, Todos Iguais... isto é: todas as Identidades Autóctones devem possuir o Direito de ter o SEU espaço no planeta -» INCLUSIVE as de rendimento demográfico mais baixo, INCLUSIVE as economicamente menos rentáveis.
.
obs: os 'globalization-lovers', UE-lovers, etc, que fiquem na sua... desde que respeitem os Direitos dos outros... e vice-versa.
-» blog http://separatismo--50--50.blogspot.com/

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