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Delícias são tudo o que nos faz felizes: um livro, a magia dum poema ou duma música, as cores duma paleta ... No jardim o sol não raia sempre mas pulsa a vida, premente.
Lawrence Durrell "Mas lá em cima, nas falésias brancas da poesia ..."
(tradução de Carlos Leite)
(Autor desconhecido)
Mas lá em cima, nas falésias brancas da poesia, o vento fresco não pára de ressoar aos ouvidos e os asfodelos tremem e inclinam-se entre as rochas nuas com os seus cardos agressivos. Conheci uma vez um botânico austríaco que passou algum tempo acampado na coluna dorsal da ilha, pois são três as pequenas montanhas em linha, como vértebras. Procurava uma determinada planta que cresce nas rochas; contou-me de maneira muito convincente que, um dia, estando sentado na famosa falésia sentado a olhar para o mar lá em baixo, de repente viu-se envolvido por uma bruma branca que subira do mar. Era uma emanação muito diferente de qualquer outra, condensada numa forma de contornos definidos. No seu interior, ouviu os gemidos das gaivotas e também o chamamento de vozes humanas. O fenómeno era tão estranho que teve medo e pegou rapidamente nas suas coisas e fugiu dali. Egon Kahr era o nome dele. Alguns meses mais tarde, caiu dum apartamento do último andar dum prédio em Atenas e morreu; tinha um telefone na mão que fora arrancado da parede. Não se encontrou nenhuma explicação. Mas era precisa? Na Grécia, histórias como esta pairam no ar, prenhes dum sentido que nunca se torna claro, histórias lendárias, dotadas duma existência autónoma, auto-suficiente, e tão absurdas como um eco."
(in As Ilhas Gregas, fragmento, tradução se Carlos Leite) [fala-se da falésia donde Safo saltou para o mar, na ilha de Lefkáda]
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