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Jardim das Delícias



Sexta-feira, 24.11.17

Morreu a esperança - Adão Cruz

ao cair da tarde 5b.jpg

 

Adão Cruz  Morreu a esperança

paixão1.jpg

 

(Adão Cruz) 

 

Não tem sonhos nem lhe bate o coração, invernosa e nua, não a beija o sol nem a paz da lua.

Batida pela chuva e varrida pelo vento agreste, senta-se nos bancos vazios dos jardins a ver passar os homens que procuram encontrar-se a ver mulheres que descarnam outros fins.

Já não chega ser gente de cansaço e solidão, sem manhãs de luz nem flores brancas nascendo da erva mansa, nem o despertar das sombras adormecidas, nem um raio de sonhadora esperança.

Na noite pegada ao corpo de tantos rostos saqueados, de tantas mãos caídas de tantos sonhos amputados, o punho cerrado não vive aqui.

Morreu a esperança, despojada e nua, invernosa e fria.

Esqueceu a primavera e o gume quente do verão, perdida nos escuros recantos do fim do dia.

 

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por Augusta Clara às 16:19




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