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Jardim das Delícias



Segunda-feira, 28.10.19

Morreu a esperança - Adão Cruz

ao cair da tarde 5b.jpg

Adão Cruz  Morreu a esperança

IMG_5871a.jpg

(Adão Cruz)

Não tem sonhos
nem lhe bate o coração
invernosa e nua
não a beija o sol nem a paz da lua.
Batida pela chuva
e varrida pelo vento agreste
senta-se nos bancos vazios dos jardins
a ver passar os homens que procuram encontrar-se
a ver mulheres que descarnam outros fins.
Já não chega ser gente de cansaço e solidão
sem manhãs de luz
nem flores brancas nascendo da erva mansa
nem o despertar das sombras adormecidas
nem um raio de sonhadora esperança.
Na noite pegada ao corpo
de tantos rostos saqueados
de tantas mãos caídas
de tantos sonhos amputados
o punho cerrado não vive aqui.
Morreu a esperança
despojada e nua
invernosa e fria.
Esqueceu a primavera
e o gume quente do verão
perdida nos escuros recantos do fim do dia.

 

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por Augusta Clara às 17:51


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