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Delícias são tudo o que nos faz felizes: um livro, a magia dum poema ou duma música, as cores duma paleta ... No jardim o sol não raia sempre mas pulsa a vida, premente.

Eva Cruz O açude

(Adão Cruz)
De regresso a casa depois do Natal, vivido como sempre no meu cantinho da aldeia, entre memórias, aletrias, rabanadas e lareira, parei o carro no cimo de um mato que nos pertence, ao ver que alguma coisa me havia despertado inesperadamente a atenção. Na margem da estrada, no local onde toda a vida se erguera uma cortina cerrada de árvores e arbustos, surgiu uma ampla clareira que deixava a descoberto uma paisagem que nunca dali se avistara.
Os meus olhos poisaram de imediato no rio que ao fundo corria por entre os lameiros, dobrando-se sobre um farto açude que ao brilho do sol poente tomava a cor da prata. O riacho, pouco mais largo do que uma ribeira em dias de Verão, levava agora tanta água que parecia um grande rio, todo vaidoso do seu caudal engrossado pelas chuvas abundantes deste Inverno.
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