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Jardim das Delícias



Segunda-feira, 24.05.21

O menino de brilho nos olhos - Adão Cruz

a noite fez-se para amar 1a.jpg

 

Adão Cruz  O menino de brilho nos olhos

IMG_5815a.jpg

 

(Adão Cruz) 

 

O menino corria
corria atrás do sol no correr de cada dia
e no doce brilho dos olhos toda a alma se lhe via.
O menino corria
corria atrás da lua que se erguia
entre estrelas e magia
e no brilho dos olhos toda a alma luzia.
O menino corria
corria atrás do vento
que fugia para lá do tempo
e nos olhos do menino o vento se perdia.
O menino corria
corria atrás da chuva
e quanto mais água caía
mais o brilho dos olhos se acendia.
O menino dormia
dormia no reino dos sonhos e da fantasia
e nos olhitos dormidos o brilho se escondia.
O menino acordava
acordava no alvor de cada dia
e a vida renascia no abrir dos olhos
onde a alma luzia.
Até que um dia…
Uma nuvem negra
muito negra
tombou do céu e se fez gigante
de longas barbas e olhar perfurante
com um relâmpago em cada mão.
Roubava o brilho dos olhos
e nas entranhas do trovão se desfazia.
O menino tremia
tremia sem saber o que acontecia.
O menino chorava
chorava sem saber a razão.
O menino fugia
fugia
mas algo lhe dizia que de nada valia.
Chamou as pombas
rouxinóis e cotovias
sardões
caracóis e libelinhas
enlaçou-se de gavinhas
abraçou as árvores beijou a terra
e tudo o que nele vivia.
Mas ninguém lhe respondia
todos o olhavam com tristeza e melancolia.
Perdera o menino o brilho dos olhos
porque neles a inocência morria.

 

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por Augusta Clara às 02:23


3 comentários

De Zé Onofre a 24.05.2021 às 03:37

Augusta Clara, Boa noite e uma boa semana.
Hoje tive a felicidade de ler esta sua publicação que, para além de me dar prazer lê-la, ainda mexeu com o escrevinhador que há em mim. Se me permite gostaria de partilhar com a Augusta as minhas palavras que valem o que valem.

Todo o Homem
Que já foi Menino
(Há “homens que nunca foram meninos)
Se lembra
Desse tempo de encantamento.
Desse tempo
Em que acreditava que eram os seus olhos
Que clareavam o dia.
Acreditava que era ele a correr
Que arrastava o sol pelo azul
Como se fosse uma estrela de papel.
Que era com o movimento das suas mãos
Que as árvores se agitavam ao vento
Que ele expelia da sua boca inocente.
Que os segredos que as folhas confidenciavam às aves
E que estas diligentes a faziam chegar aos poetas
Eram os seus sonhos que ele murmurava
Enquanto brincava no verde dos campos,
Sentado num penedo a mirar o rio.
Acreditava
Que o rio e o mar,
Aquela rocha e o monte além,
Existiam pela sua vontade.
Sentia-se Senhor da Terra e do Céu.
Que bastava dizer a palavra mágica
Para voar para além do horizonte,
Para muito mais além das estrelas,
Para além do que a imaginação podia alcançar.
Feliz o Homem,
Que, por breves momentos mágicos,
Volta a ser aquele inocente menino.
Zé Onofre

De Augusta Clara a 29.05.2021 às 03:24

Gostei muito. Muito obrigada.

De Anónimo a 31.05.2021 às 16:02

Adão Cruz

Muito bonito, amigo Zé Onofre. Ao fim e ao cabo o mesmo sentimento

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