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Jardim das Delícias



Sábado, 21.11.15

O meu PREC - Augusta Clara

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Augusta Clara  O meu PREC

 

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(Adão Cruz)

 

 

   Os bons livros de História, que nos caracterizam com rigor científico a evolução do mundo e das épocas, nunca nos darão a sentir a vivência dos que por elas passaram e foram protagonistas dos acontecimentos.

Ao ler a Visão desta semana ainda fiquei mais ciente disso. O artigo sobre os 40 anos do 25 de Novembro retrata um PREC - Período Revolucionário em Curso - que não foi o meu: ameaças de golpes, reuniões secretas de altas figuras, formação de associações de partidos "esquerdistas" a preparar golpes - que eu me lembre, a FUR, aqui tão falada, durou pouco mais de uma semana - e um sem número de outras negociações que acabaram na "democratização" do país, ajudada pela CIA de Frank Carlucci, que só não eliminou da cena muita gente porque Jaime Neves não teve autorização para fazer o gosto ao dedo.

E o povo português, nós todos? Neste artigo não existimos. Não sei quem é o jornalista que o escreveu. Muito provavelmente não terá vivido este período tão exaltante no dia-a-dia e na convivência humana, incomensuravelmente mais saudável do que a que hoje vivemos, e na criatividade com que procurávamos dar forma a um outro tipo de sociedade.

O meu PREC é o do Zeca Afonso, o dum povo a construir a sua História.

A ninguém que não a viveu é possível compreender como era feliz essa maneira de estar. Não vivíamos em pé de guerra, vivíamos em luta. Tínhamos muito a fazer, como as formigas, cada um por si e em grupos. Vivíamos agitados mas acreditávamos no futuro.

Chorei no 25 de Novembro, esse dia maldito da derrocada da esperança, que nos trouxe até aqui.

Fizeram bem os partidos da esquerda na Assembleia da República em não se associarem às comemorações de tão aziaga efeméride.

Por isso me lembrei, e puxo aqui a propósito, do trabalho que a Adriana Costa Santos está a fazer em Bruxelas junto dos refugiados de guerra. Nem ela imagina o quanto os relatos das suas crónicas são valiosos para se escrever a História destes dias.

Daqui a uns tempos ninguém se lembrará do jovem militar iraquiano que teve de fugir do país com a mãe e as irmãs, as agressões e as ameaças por que passaram até chegarem junto da Adriana que dele, e doutros, nos deixa o rasto para o futuro.

 

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por Augusta Clara às 19:30


1 comentário

De adão cruz a 22.11.2015 às 17:02

Muito bem. Subscrevo e insurjo-me contra aqueles que querem reescrever feia e porcamente a história

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