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Jardim das Delícias



Sexta-feira, 15.05.15

O Portugal do centro comercial faliu! - Carlos de Matos Gomes

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Carlos de Matos Gomes  O Portugal do centro comercial faliu!

 

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   O Expresso de 14 de Maio anuncia que os centros comerciais Dolce Vita do Porto, de Coimbra e de Vila Real estão falidos e à venda. Como é costume do capitalismo, nem se sabe bem a quem pertencem. Estes centros comerciais estavam na posse da Chamartin (o que será?), que em 2006 os adquiriu ao grupo Amorim (que lavou as mãos). O Dolce Vita Braga, que está fechado e com a gestão entregue à Sonae Sierra, ficou na posse da Caixa Geral de Depósitos (os negócios habituais do engenheiro), enquanto o Dolce Vita Tejo foi vendido ao Eurofund Investments (conhecidíssimo e respeitadíssimo no mercado).

Parabéns aos autarcas locais que promoveram (e se aproveitaram) destes monumentos de modernidade, de eficácia e racionalização do setor da distribuição, criadores de empregos, pólos de progresso, de desenvolvimento - estou a citar de cor os discursos das inaugurações. Os edis (belo nome) de todas estas cidades agradeceram a visão, o gosto pelo risco, o empreendorismo dos promotores que vão (iriam) gerar riqueza e bem estar, atrair novos investimentos e fixar as populações no nosso concelho. Sai foguetório e bênção pelo pároco.

Pelo caminho ficaram as estruturas do comércio tradicional e de proximidade, ficaram milhares de pequenos negócios, de postos de trabalho, ficou um país com as suas estruturas devastadas. Ficou um país alienado pelas tardes culturais de domingo de centro comercial... aquele que Lobo Antunes descreve nas suas crónicas… Depois de uma quadrilha de arrebentas saídos de detrás das moitas ter criado monumentos de modernidade empresarial e financeira do BPN (quadrilha Oliveira e Costa e associados), depois das rotundas municipais e acessibilidades em forma de viaduto, depois da aristocracia financeira ter exposto à turba de falidos e roubados o pechisbeque de que eram feitas as suas jóias, garantia do papel comercial, como o designam os vigarizados do BES, o Portugal cavaquista, assente na distribuição do que é importado, da destruição do sector produtivo, dos negócios da especulação, o Portugal do Centro Comercial está falido. Passos Coelho, o herdeiro, está a vender os salvados e garante que estamos no bom caminho.

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por Augusta Clara às 11:00


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