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Delícias são tudo o que nos faz felizes: um livro, a magia dum poema ou duma música, as cores duma paleta ... No jardim o sol não raia sempre mas pulsa a vida, premente.
Augusta Clara Os Animais Portugueses de Grande Posse Também Vão à Caça em África
(Entretanto, muitos portugueses comem lixo)
Miguel Pais do Amaral é o dono do grupo editorial Leya que há uns meses destruíu milhares de livros que tinha em depósito em vez de os doar a instituições, nomeadamente bibliotecas públicas, ou a pessoas sem dinheiro para os comprar. Poderia ter sido uma louvável acção mas nada escapa ao tão endeusado mercado. Nem os livros. E lá foram todos parar à guilhotina como no tempo da Revolução Francesa os rebeldes. Antes isso do que a fogueira que poderia estabelecer conotações com tempos mais próximos.
E os milionários portugueses não matam pessoas. Só animais selvagens de grande porte, em caçadas no continente africano, de acordo com o artigo do Expresso desta semana. Aí o mercado é outro e envolve muitos milhares de euros pela morte de cada animal. Pois o Sr. Pais do Amaral é desses. Poupou nos livros, gastou nos leões, nos leopardos, nos elefantes de que, dizem - diz o Expresso - tem a casa cheia de troféus. Só para os livros é que não tinha espaço.
O interessante Sr. Pais do Amaral confessa que, às vezes, lhe fazia impressão matar antílopes. Mas leões, elefantes, leopardos não, "São animais maus e perigosos. Não são simpáticos como os que aparecem nos filmes da Disney". Realmente! Não nos fazem sorrir como os cinicamente imbecis argumentos do milionário português.
Depois há o da bola que lamenta a nossa "ideia errada" sobre os matadores daqueles bichos sem importância - neste contexto também tenho direito a um pouco de cinismo. "Pensam que somos selvagens, mas somos os maiores amigos dos bichos e ajudamos a manter as espécies (..)". Este já matou "tudo o que se possa imaginar, menos leões porque são o símbolo do clube".
Para o Sr. Pais do Amaral há animais maus que têm de ser mortos como os livros maus da Leya que davam muito trabalho a matar com carabina. Arranjou-lhes uma solução global.
O outro, o da bola, arroga-se o direito de se pronunciar sobre a regulação de populações animais. Eu, da regulação desse mundo, o da bola, não sei nada nem quero pronunciar-me. Mas, por amor das vossas bolinhas, deixem lá os animais selvagens em paz. Têm bastante onde fazer circular milhões, na compra de homens.
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