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Quarta-feira, 26.11.14

Presidente da Turquia: “as mulheres servem para ser mães" - Lourdes Hubermann, Istambul” -

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Lourdes Hubermann, Istambul  Presidente da Turquia: “as mulheres servem para ser mães"

 

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25 de Novembro de 2014

O chefe do regime islamita da Turquia, Recep Tayyp Erdogan, negou a possibilidade de existir uma igualdade de géneros, uma vez que as mulheres servem “para ser mães”. “Não se pode dar uma pá e picareta a uma mulher e mandá-la trabalhar”, declarou.
As declarações do presidente turco, cujas acções tanto como primeiro ministro como já no actual cargo têm feito “regressar socialmente a Turquia aos tempos do Império Otomano”, segundo organizações de mulheres, estão a provocar uma onda de indignação no país.
“Não podemos querer que as mulheres façam os mesmos trabalhos que os homens, como aconteceu nos regimes comunistas do passado”, disse Erdogan numa conferência dirigida à Associação Democrática das Mulheres Turcas. Concedeu que “as mulheres devem ser iguais perante a lei”, mas não no seu papel na sociedade.
“A nossa religião destinou um lugar à mulher”, disse o chefe de um regime constitucionalmente laico. “Qual é esse lugar? O da maternidade”, estipulou.
“A Turquia está a transformar-se gradualmente num regime fundamentalista islâmico, o que contraria o espírito de modernidade, a laicidade e a Constituição que nos foram deixados ainda no início do século passado”, denunciou Ceyde Kortmaz, professora e mãe de três filhos. “As pressões religiosas, instituídas como política de regime, estão em todo o lado, principalmente na educação, na vida laboral e na crescente repressão dos costumes”, acrescentou.
“Erdogan não fez mais do que confirmar a regressão social que pretende e está a impor na Turquia”, alega Emine Sevim, membro de uma organização de mulheres, operária de telecomunicações e sindicalista. “A maior parte da Europa conhece Erdogan devido ao seu autoritarismo e às vagas de repressão ordenadas em Istambul, Ancara e Esmirna, mas as consequências da sua acção permanente são muito mais profundas e retrógradas”, denunciou. “Sou mãe, esposa e trabalho, mas sinto que o ambiente no país se parece cada vez com o que era o pensamento social oficial no Império Otomano”, acrescentou.
“É mentira que as feministas sejam contra a maternidade, é mentira que a igualdade perante o trabalho seja uma característica apenas dos antigos regimes comunistas, mas esse tipo de discurso faz parte de uma propaganda insidiosa com que o regime vai minando a sociedade laica”, explicou Ceyde Kortmaz. “O fundamentalismo começa a ser asfixiante neste país e em minha opinião deveria ser esse o motivo para que a União Europeia marginalizasse o regime turco. Já não é apenas a falta de democracia, é o fundamentalismo, é também o apoio ao terrorismo islâmico, isso sim deveria preocupar os difigentes europeus”, prosseguiu Ceyde Kortmaz. “Para que saibam”, advertiu: “não são apenas os talibãs e outros que tais que perseguem as mulheres; na Turquia o regime vai pelo mesmo caminho, com uma aparência mais moderada mas o objectivo é o mesmo”.

Lourdes Hubermann, Istambul

 

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por Augusta Clara às 08:00




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