Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Jardim das Delícias



Segunda-feira, 23.02.15

"Só falta convencer os portugueses a acreditar em Portugal" - António Pinho Vargas

ao cair da tarde 5b.jpg

 

António Pinho Vargas  "Só falta convencer os portugueses a acreditar em Portugal"

 

antónio pinho vargas.jpg

 

   Já disse que não irei continuar a fazer o papel de porta-estandarte no que respeita à música portuguesa da tradição erudita. O que havia a fazer está escrito, está dito e redito. Mas entra-me pela casa dentro de vários modos uma problemática desse tipo que afecta toda a cultura portuguesa. Neste caso uma frase, chamada a título, no jornal Público de hoje, da entrevista de Luiz Schwartz, editor brasileiro que criou a ...Companhia das Letras Portugal, do grupo Penguin Random House. Diz então: "Vejo, pelas minha visitas que só falta convencer os portugueses a acreditar em Portugal. Os espanhóis, os americanos e agora um brasileiro acreditam". Primeiro envergonho-me, depois tento pensar. Trata-se neste caso da questão da edição literária e o seu estado semi-moribundo. Deste modo reaparece "o medo de existir" de José Gil, a querela identitária interna e a sua particular presença na actividade artística neste país que a torna uma dificuldade, uma heroicidade, nos piores casos, uma existência quase clandestina.

Mas como julgo que não existe uma identidade facilmente isolável ou definível como sendo "os portugueses", julgo que "estes" portugueses de que fala o editor, são as ditas "elites culturais". Mais um problema. Porquê?

Segundo Fernando Pessoa, nos anos 20/30, "as cidades onde há mais provincianos são Lisboa e Porto" e "caracterizam-se pelo fascínio pelas grandes metrópoles europeias". Prossegue agora este provinciano: "Ring the bell?" ou a avestruz que há em nós, prefere não ouvir os sinos e continuar com a sua particular visão do que é um "cosmopolita"?.

Só para irritar alguns destes, direi que nas músicas populares dos vários matizes muito mais facilmente se estabelecem relações de afecto e admiração intensa com os seus artistas. Nem preciso de os citar. É algo que faz parte das evidências.

O resto é fácil de concluir: identifica e localiza, dentre as práticas artísticas, aqueles "portugueses" do título e as suas funções: "não acreditar" como signo de requinte espiritual para uso de saloios disfarçados. Verifica-se igualmente na política a mesma parolice servil como agora foi muito claro.

Se dirão Viva a Alemanha! eu responderei: Viva Varoufakis!

APV

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 17:00




Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes


Links

Artes, Letras e Ciências

Culinária

Editoras

Filmes

Jornais e Revistas

Política e Sociedade

Revistas e suplementos literários e científicos